A análise dos aspectos relacionados a saúde, de autores como Fonte (1997) e Nahas (2001) parte de uma visão da sociedade contemporânea, na qual a mecanização e a tecnologia trouxeram considerável progresso humano, presenteando o homem com uma série de confortos que, sem dúvida, tornou seu dia-a-dia mais fácil, mas também trouxe consigo conseqüências muito pouco desejáveis. Além das várias agressões à natureza, também agredido vem sendo o próprio ser humano com alguns efeitos colaterais preocupantes.
Com o grau de desenvolvimento industrial e as facilidades tecnológicas, muitos países vêm sofrendo abruptas transformações, adaptações ligadas ao novo e inerente estilo de vida. Esse novo estilo de vida obriga o sujeito trabalhador a ter jornadas mais longas, atividades mais monótonas e competitivas, reduzindo drasticamente o nível de qualidade de vida. Além disso, o mundo contemporâneo caracteriza-se também pela hipocinesia4, ou seja, um homem cada vez mais virtual e mental e menos corporal, suscetível às doenças degenerativas.
A modernidade trouxe como reflexo desse cenário uma tentativa de se buscar compensações para o estilo de vida sedentário que o homem vem assumindo (GONÇALVES,1997). Em consonância, Fonte (1997, p.128), argumenta que, “a agitação e a tensão dos centros urbanos ocasionam o stress e o sedentarismo”.
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Evidências científicas citadas por autores como Trombetta (1994), Carvalho (1995) e Friedewald (1997) confirmam que o sedentarismo é considerado um dos quatro principais fatores de risco à saúde. Desde a década de 50, estudos epidemiológicos vêm sendo feitos para verificar a prevalência da inatividade. Um dos estudos clássicos sobre inatividade física foi executado por Morris (1953) e colaboradores, que comparam o trabalho executado por cobradores em relação aos motoristas dos ônibus de dois andares londrinos e verificaram que os cobradores tinham menor incidência de ataques cardíacos, por serem considerados mais ativos.
Esses estudos que serviram para confirmar seu primeiro trabalho, iniciados por Morris e seus companheiros geraram outros, tais como o de Paffenbarger (1986,1988), que por quase duas décadas acompanhou 16.936 ex-alunos do sexo masculino, da Universidade de Harvard, entre 35 e 74 anos, e constatou que os alunos submetidos à atividade física moderada eram em parte protegidos pelos efeitos de alguns fatores de risco à saúde como obesidade, tabagismo, hipertensão entre outros, em relação aos colegas menos ativos, tendo um risco inferior a 39%.
De acordo com Pontes (2001, p.14), “pessoas mais ativas especialmente com desordem crônica, relatam menor ansiedade, depressão e melhor sensação de bem- estar que os indivíduos sedentários”.
Com base em estudos científicos recentes, constatou-se que o sedentarismo é considerado, tanto para homens como para mulheres, um fator que apresenta elevado índice de mortalidade. Confirmando essa afirmação, Buchalla (2000) aponta que o sedentarismo incide em 60% a 70% da população na maioria dos países. Em grandes cidades brasileiras, como São Paulo, sete de cada dez pessoas são consideradas sedentárias, enquanto apenas uma pequena parcela, de cerca de 15 a 20%, é considerada fisicamente ativa.
E mais, quanto maior o grau de sedentarismo, maior a fadiga e o risco de doenças. É o fator de risco para praticamente todas as “doenças da civilização” está relacionado, de acordo com o autor supracitado, com 35% das mortes por diabetes e 35% dos óbitos por distúrbios cardiovasculares. A título de curiosidade, um sedentário de hoje, devido à facilidade tecnológica, gasta em média 300 calorias a menos que um sedentário da década de 70 (BUCHALLA, 2000).
Outro fator importante que pode ser uma ameaça à saúde é o estresse. Segundo Gharote (2000) todo estresse tem natureza psicossomática e, assim, as
doenças que afligem o homem são chamadas de distúrbios psicossomáticos ou distúrbios do estresse.
Selye, um fisiologista canadense, foi o primeiro pesquisador a dar sua contribuição em relação a situações relacionadas ao estresse. Alguns autores como Krusche (1998) e Gharote (2000) afirmam que Selye identificou três estágios distintos do organismo que seriam: a) reação de alarme, b) estágio de resistência e c) estágio de exaustão, denominados por ele de “Síndrome de Adaptação”.
Os distúrbios do estresse usam muitos canais para expressar a síndrome, pois o ser humano está constantemente em processo de adaptação das mais variadas situações que perpassam por fatores tanto internos como externos, relacionados ao dia-a-dia, dentre eles a família, o trabalho, o trânsito e outros. Percebe-se, portanto, que o estresse é inerente ao indivíduo e acompanha o processo de vida diária.
Em qualquer situação de estresse conforme Nahas (2001), o organismo gera reações orgânicas, liberando hormônios e glândulas. Uma das glândulas mais envolvidas nesse processo são as supra-renais que reagem produzindo substâncias para proteger o organismo. Pode-se ter o aumento da produção de adrenalina quando o corpo se sente agredido por alguma causa psicológica ou física. Neste sentido, toda doença é resultado da interação do agente agressor e a resposta do organismo .
Segundo Nahas (2001), no Japão, a morte pelo estresse é reconhecida oficialmente pelo excesso de trabalho. Fica claro que qualquer abuso cometido em relação ao corpo, provoca tensão e ansiedade consideradas grandes vilãs da saúde, quando em excesso.
Ainda nessa perspectiva, infere-se que o estilo de vida fisicamente ativo é inversamente proporcional às condições mórbidas. Nas alternativas para se atingir um estilo de vida mais saudável, além da concepção de hábitos alimentares saudáveis, a não adesão a hábitos de vida como tabagismo e alcoolismo, o controle ao estresse, inclui-se também a atividade física visando à mudança do estilo de vida do indivíduo, de acordo com suas possibilidades e limitações. Assim, esclarece Carvalho (1999b, p.82), “é fundamental para a preservação e conquista da saúde, uma certa quantidade de atividade física”, já que “o organismo humano foi construído para ser ativo” (NAHAS, 2001, p.15). O autor ainda afirma que pesquisas
em diversos países, inclusive no Brasil, mostram que o estilo de vida passou a ser um determinante na saúde de indivíduos, grupos e comunidades.
Dados fornecidos pela Universidade Stanford, segundo Buchalla (2000), confirmam que a mudança de estilo de vida aumenta a expectativa de vida de indivíduos acima de 65 anos em 53% conforme se pode vislumbrar na Figura 1.
Figura 1: Fatores que levam um indivíduo a ultrapassar os 65 anos de idade
ESTILO DE VIDA 53% ASSISTÊNCIA MÉDICA 10% HERANÇA GENÉTICA 17% MEIO AMBIENTE 20%
Fonte: adaptado de Buchalla (2000, p.104)
Reafirmando essas idéias, Battistella (1994, p.1), aponta que “pessoas de todas as idades devem ser estimuladas a participar de programas de atividade física para a promoção da saúde e prevenção de doenças”. Nesse sentido, é interessante observar a influência que a atividade física regular desempenha na vida das pessoas, e a dança pode estar incluída no leque de opções dessas atividades.