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3.1 Estimativa de emissões ocorridas e evitadas de CO2 na SP-65

3.1.4 Estimativa de emissões de CO 2 ocorridas e evitadas

As emissões de CO2 ocorridas podem ser calculadas a partir de duas metodologias

em uma determinada área geográfica. Neste caso, dispensam-se os fatores de emissão do veículo, utilizando-se os fatores referentes aos combustíveis. Já na metodologia Bottom-up, a estimativa ocorre determinando-se a frota e a distância percorrida, lançando mão, desta vez, dos fatores de emissão dos veículos e dispensando-se o consumo de combustíveis (SÃO PAULO, 2013).

Neste trabalho, a estimativa de emissões de CO2 ocorridas é construída utilizando-se

procedimentos de ambas as metodologias mencionadas. Inicialmente, foram estimadas a frota e a distância percorrida pelos veículos em cada trecho da SP-65 (etapa da metodologia Bottom-

up). No entanto, ao invés de se aplicar os fatores veiculares de emissão a estas frotas,

concluindo-se o cálculo seguindo a metodologia Bottom-up, estes números foram utilizados para se determinar o volume consumido de cada combustível na SP-65. Posteriormente, aplicaram-se os fatores de emissão dos combustíveis a estes volumes para se chegar às estimativas de emissão de CO2, caracterizando-se como uma etapa pertencente à Top-down.

Assim, após ter sido estimado o consumo de um determinado combustível na SP-65, a emissão de CO2 referente à queima deste volume (emissão direta) pode ser estimada

multiplicando-se este valor pelo fator de emissão (kg/L) deste energético. No caso dos combustíveis fósseis, estas emissões devem ser computadas nos inventários como emissões diretas ocorridas, diferentemente daquelas provenientes da queima dos biocombustíveis. No caso deste tipo de energético, as emissões ocorridas de CO2 por conta da queima de material

biogênico (retirado do local onde cresceu) devem ser contabilizadas como zero nos inventários de emissões de GEE. Esta recomendação baseia-se no pressuposto de que as emissões de CO2,

neste caso, estão balanceadas pelo carbono absorvido por este material antes do momento da colheita, resultando em uma emissão líquida igual a zero. Recomenda-se, no entanto, que estas emissões sejam reportadas, a título de informação (MACEDO et al, 2004; IPCC, 2006a; IPCC, 2006b; IPCC, 2006c).

Ainda quanto aos biocombustíveis consumidos, pode-se considerar que há uma quantidade de emissões de GEE evitadas por conta do “não uso” de combustíveis fósseis, substituídos por estes biocombustíveis. Por exemplo, há emissões evitadas pelo “não uso” de gasolina em função de sua substituição por etanol (MACEDO et al, 2004).

3.1.4.1 Equação 2: estimativa de emissões diretas ocorridas de CO2

A partir da estimativa do volume de combustíveis fósseis consumidos na SP-65, pode- se estimar as emissões ocorridas de CO2 em função da queima destes energéticos (emissões

diretas). De acordo com a metodologia Top-down, as emissões podem ser estimadas aplicando- se ao combustível consumido o seu fator de emissão específico (SÃO PAULO, 2013). A equação 2 ilustra este procedimento:

E(dir/w) = Q(w) x Ft(w) Eq. 2

Sendo que:

 Q(w) = Quantidade total de combustível w consumido na SP-65, em um determinado ano,

em L.

 Ft(w) = Fator de emissão de CO2 em função da queima do combustível w, em kg/L.

 E(dir/w) = Emissões diretas provocadas pela queima de combustível w consumido na SP-65,

em um determinado ano, em kg de CO2.

Os fatores de emissão de cada combustível estão apresentados no item 4.2.6 deste trabalho.

3.1.4.2 Equação 3: estimativa de emissões totais evitadas de CO2

Conforme comentado anteriormente, o “não uso” de um determinado combustível fóssil, em função do uso de um biocombustível, evita que uma certa quantidade de emissões de GEE represente aumento de sua concentração na atmosfera (MACEDO et al, 2004). Para se determinar o volume de combustível fóssil energeticamente equivalente ao de biocombustível consumido que o substituiu, a equação 3 inicia-se relacionando o poder calorífico dos dois energéticos. Por exemplo, no caso do AEHC e da gasolina A, a relação PCI(AEHC)/PCI(gasolina A)

segundo Macedo et al (2004) a equivalência amplamente aceita é de que 1 litro de AEHC = 0,7 litro de gasolina A, em termos de densidade energética (MACEDO et al, 2004).

Em seguida, a parcela correspondente ao volume de combustível fóssil energeticamente equivalente é multiplicada pelo fator de emissão referente a este energético, resultando nas emissões diretas de CO2 evitadas. Contudo, para a realização de uma estimativa completa

referente a emissões de GEE, deve-se considerar a análise de todo o ciclo de vida dos combustíveis, o que inclui, além das diretas, as emissões “upstream” (ou indiretas), que consideram produção, processamento, estocagem, transporte e distribuição dos combustíveis (BORSARI, 2009).

Assim, para se estimar as emissões totais evitadas de CO2 pelo uso de um

biocombustível, na equação 3 são subtraídas as emissões upstream de CO2eq vinculadas ao

ciclo de vida deste biocombustível, bem como somadas aquelas associadas ao ciclo de vida do combustível fóssil que sofreu substituição:

E(tot.evit/bw1) = [Q(bw1) x (PCI(bw1)/PCI(cfw2))] x Ft(cfw2) – E(ups/bw1) + E(ups/cfw2) Eq. 3

Sendo que:

 Q(bw1) = Quantidade total de biocombustível w1 consumido na SP-65, em um determinado

ano, em L.

 PCI(bw1) = Poder calorífico inferior do biocombustível w1, em MJ/L.

 PCI(cfw2) = Poder calorífico inferior do combustível fóssil w2 (não consumido em função do

uso de w1), em MJ/L.

 Ft(cfw2) = Fator de emissão de CO2 referente à queima do combustível fóssil w2 (não

consumido em função do uso de w1), em kg/L.

 E(ups/bw1) = Emissões upstream de CO2eq referentes ao ciclo de vida do biocombustível w1

consumido na SP-65, em um determinado ano, em kg.

 E(ups/cfw2) = Emissões upstream de CO2eq referentes a ciclo de vida do combustível fóssil

w2 (não consumido em função do uso de w1) na SP-65, em um determinado ano, em kg.  E(tot.evit/bw1) = Emissões totais (diretas e upstream) evitadas por conta do biocombustível w1

Os poderes caloríficos inferiores de cada combustível estão apresentados no item 3.2.7deste trabalho.