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Estimativa do estoque de nutrientes na biomassa

3.4 Conclusões

5.2.2 Estimativa do estoque de nutrientes na biomassa

No Laboratório de Ecologia Florestal da UFSM as amostras de biomassa, após terem sido secas e pesadas, foram moídas em um moinho do tipo Wiley, com peneira de 30 mesh. Para análise química, foram elaboradas amostras de acículas, galhos vivos e mortos, casca e madeira do ponteiro. As amostras da madeira e casca do fuste foram obtidas nas 3 diferentes posições (Base, meio e ápice do fuste), a fim de amostrar possíveis variações nos teores de nutrientes.

As determinações dos teores de nutrientes presentes na biomassa foram realizadas no Laboratório de ciência do solo e nutrição de plantas do Instituto de Ciência do solo e Ciências Florestais da Universidade Albert Ludwigs, na cidade de Freiburg, Alemanha (Figura 5.2). Foram determinados: N, P, K, Ca, Mg, S, Na, Cu, Fe, Mn e Zn; o carbono orgânico total e o nitrogênio total por via seca no aparelho denominado CNS – Analysator Carlo Erba NA 1500. Os demais nutrientes foram obtidos por meio de digestão em ácido HNO3 (65%) e posterior determinação no ICP (Inductively Coupled Plasma). O estoque de nutrientes foi estimado a partir do produto entre os teores médios determinados e a biomassa seca.

Figura 5.2 - Aspecto do equipamento CNS, utilizado na determinação do nitrogênio (A); processo de confecção das cápsulas usadas na determinação do nitrogênio (B); aspecto da solução obtida (C) após o processo de digestão realizado com o auxílio de um microondas (D). Fonte: elaborado pelo autor.

5.3 Resultados e Discussão

Na Tabela 5.1 podem ser verificadas as variáveis dendrométricas obtidas no povoamento de Pinus taeda, aos 18 anos de idade, com 701 árvores por hectare e um incremento médio anual de 25,6 m3 ha-1 ano-1. O diâmetro médio foi de 29,4 cm, variando entre o mínimo de 21,8 cm e o máximo de 39,5 cm. A altura média foi de 19,9 m, apresentando valor mínimo de 18,4 m e máximo de 21,4 m.

Witschoreck (2008) estudando a mesma espécie com 17 anos de idade, no mesmo município, verificou valores semelhantes para o DAP (33,0 cm), altura (20,7 m) e volume com casca de 546,20 m3 ha-1. Caldato (2011), em um plantio com Pinus taeda no nordeste argentino, verificou valores de 23,1 cm, 21,0m, 491,8 m3 ha-1, respectivamente para DAP, altura e volume com casca.

Tabela 5.1 - Médias, desvios-padrão, coeficientes de variação para variáveis dendrométricas obtidas no plantio comercial Pinus taeda L. aos 18 anos de idade, em Cambará do Sul, RS. Fonte: elaborado pelo autor.

Variável 1 DAP (cm) 2 H (m) 3 G (m2) 4 Vc/c (m3 ha-1)

Média 29,41 19,93 48,55 460,88

Desvio padrão 4,03 0,98 4,37 47,80

Coeficiente de variação 13,70 4,89 9,00 10,37

1

DAP = Diametro a altura do peito; 2 H = Altura total; 3 G = Área basal por hectare; 4 Vc/c = Volume com casca.

A amostragem da biomassa foi realizada com base na distribuição diamétrica abaixo exposta (Figura 5.3). A distribuição diamétrica do povoamento estudado apresenta conformação normal típica de povoamentos equiâneos, conforme Finger (1992), com as maiores frequências, em número de árvores por hectare, distribuídas em torno do diâmetro médio do plantio.

Figura 5.3 - Distribuição diamétrica do plantio comercial de Pinus taeda aos 18 anos de idade, em Cambará do Sul, RS. Fonte: elaborado pelo autor.

56 7,9 % 194 27,7 % 236 33,7 % 180 25,7 % 35 5,0 % 0 50 100 150 200 250 20 - 23,9 24 - 27,9 28 - 31,9 32 - 35,9 36 - 39,9 Á rvo re s ha -1 Classes diamétricas (cm)

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Na Tabela 5.2 podem ser visualizados os valores médios, desvios-padrão, coeficientes de variação, valores mínimos e máximos para biomassa individual das árvores e da serapilheira acumulada no solo, no plantio de Pinus taeda aos 18 anos de idade em Cambará do Sul. Observando os valores do coeficiente de variação obtido para os diferentes compartimentos da biomassa analisados, verificou-se uma variabilidade dos dados semelhantes à observada por Caldato (2011) e inferior à observada por Witschoreck (2008).

Na Figura 5.4, foi representado o comportamento da biomassa relativa de cada componente nas cinco classes diamétricas. Fica evidente a tendência decrescente da biomassa relativa de casca com o aumento do diâmetro das árvores. A biomassa relativa de cada componente varia conforme a classe diamétrica. A biomassa relativa de galhos vivos apresenta a tendência de aumento dos menores para os maiores diâmetros das árvores. A biomassa relativa de madeira e acículas apresentou uma pequena variação nas diferentes classes de diâmetro. Andrae (1978) explica que a biomassa do tronco tende a aumentar com o envelhecimento do povoamento. Esse aspecto pode ser influenciado ainda pela fertilidade do solo, alterando o acúmulo de biomassa no tronco em detrimento da priorização principalmente do desenvolvimento do sistema radicular.

Tabela 5.2 - Médias, desvios-padrão, coeficientes de variação, valores mínimos e máximos para biomassa individual, observados em um plantio comercial de Pinus taeda aos 18 anos de idade, em Cambará do Sul, RS. Fonte: elaborado pelo autor.

Compartimento Média

(kg árvore-1)

Desvio

padrão CV (%) Mínimo Máximo

Acícula 12,21b 5,80 47,49 2,85 21,69

Galho vivo 24,52b 16,84 68,69 4,36 63,60

Galho morto 13,26b 6,09 45,91 4,89 23,48

Casca do fuste 27,17b 12,28 45,21 12,30 56,12

Madeira do fuste 195,92a 80,80 41,24 75,28 339,01

Casca do ponteiro 1,33b 0,14 50,32 0,13 0,51 Madeira do ponteiro 0,29b 0,46 35,30 1,10 4,74 Biomassa da copa 51,61 26,80 51,92 18,00 106,39 Biomassa arbórea 274,69 106,70 38,84 126,39 ,08 436,85 Serapilheira 30,42 9,60 31,56 20,04 59,72

Figura 5.4 - Variação da biomassa relativa de cada componente nas cinco classes diamétricas em um plantio comercial de Pinus taeda aos 18 anos de idade, em Cambará do Sul, RS. Fonte: elaborado pelo autor.

Na Tabela 5.3, é possível verificar a distribuição absoluta e relativa da biomassa nos diferentes compartimentos do plantio em estudo. A compartimentalização da biomassa nas diferentes partes das árvores apresentou a seguinte sequência decrescente de acúmulo: madeira fuste > casca fuste > galho vivo > galho morto > acícula > madeira do ponteiro > casca do ponteiro.

Balbinot et al. (2008), estudando a biomassa em povoamentos de Pinus taeda com 14 e 32 anos, encontrou em ordem decrescente de produção de biomassa: madeira do fuste > galhos vivos > raiz > casca > acículas > galhos mortos, no povoamento com 14 anos. E no povoamento com 32 anos obteve a seqüência: madeira do fuste > galhos vivos > casca > raiz > acículas > galhos mortos. Comparado a este estudo, verifica-se praticamente a mesma ordem na compartimentalização da biomassa arbórea, apenas com a inversão da casca, que foi maior que os galhos vivos.

Sixel (2012) trabalhando com aspectos relacionados à sustentabilidade da produtividade de madeira de Pinus taeda com base no estoque, na exportação e na ciclagem de nutrientes, verificou que acúmulo de biomassa seca aumentou com o aumento dos valores de DAP. Divergindo, em parte, de Balbinot et al. (2008), que

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verificaram um pequeno aumento no valor da biomassa do fuste e praticamente o mesmo valor de biomassa arbórea, em povoamentos de 14 e 32 anos.

Tabela 5.3 - Compartimentalização da biomassa em um plantio comercial de Pinus taeda L. aos 18 anos de idade, em Cambará do Sul, RS. Fonte: elaborado pelo autor.

Compartimento Biomassa (Mg ha-1

)

Biomassa relativa (%)

Acima do solo Arbórea

Acícula 8,65 4,1 4,5 Galho vivo 16,06 7,6 8,4 Galho morto 9,50 4,5 5,0 Casca ponteiro 0,20 0,1 0,1 Madeira ponteiro 0,95 0,4 0,5 Casca fuste 19,29 9,1 10,1 Madeira fuste 135,91 64,1 71,3 Biomassa da copa 35,36 16,7 18,6 Biomassa arbórea 190,56 89,9 100,0 Serapilheira acumulada 21,33 10,1 -

Biomassa acima do solo 211,89 100,0 -

Na Tabela 5.4 são apresentadas as concentrações de nutrientes, onde é possível verificar a variação entre os componentes da biomassa e os diferentes nutrientes dentro de cada componente. Segundo Pallardy (2008) os teores de nutrientes presentes na biomassa da planta diferem entre e dentro dos componentes da biomassa arbórea pela ação da ciclagem bioquímica que desloca nutrientes dos tecidos mais velhos para os locais com maior atividade metabólica.

Na acícula, para N, P e K, foram verificados os maiores teores, comparado aos outros componentes da biomassa. Witschoreck (2008), aponta o componente acícula como mais importante sob o ponto de vista metabólico da planta, fato evidenciado pelos altos teores de nutrientes nesse componente da biomassa, diferentemente, os componentes com função estrutural ou de condução apresentam teores inferiores.

Valeri (1988) estudando a exportação de biomassa e nutrientes de povoamentos de Pinus taeda L. desbastados em diferentes idades, verificou que os valores nos teores de N, P, K, Mg e Mn foram mais elevados nos ramos vivos do que nos mortos. Na serapilheira acumulada sob o povoamento de 14 anos verificou os seguintes pesos de nutrientes, em kg ha-1: 184,96 de N, 13,39 de P, 8,42 de K, 87,52 de Ca, 14,20 de Mg, 21,31 de Fe, 6,25 de Mn, 0,114 de Cu, 0,2 31 de Zn e 0,751 de B.

Tabela 5.4 – Teores (g kg-1) de nutrientes nos diferentes compartimentos da biomassa de Pinus taeda L. aos 18 anos de idade em Cambará do Sul, RS. Fonte: elaborado pelo autor.

Compartimento N P K Ca Mg S Na Cu Fe Mn Zn --- g kg-1 --- --- mg kg-1 --- Acícula 13,76 1,18 4,06 1,93 0,69 0,99 0,24 2,63 122,60 485,23 12,93 Desvio Padrão 0,10 140,08 416,65 428,43 103,88 65,03 90,64 2,56 38,43 141,94 7,48 CV% 7,59 11,88 10,25 22,23 15,15 6,56 37,51 97,20 31,35 29,25 57,85 Galho vivo 3,22 0,31 1,16 1,99 0,52 0,31 0,10 5,55 129,97 238,82 14,37 Desvio Padrão 0,06 69,00 236,80 385,49 79,83 48,46 34,75 2,08 31,85 56,86 13,88 CV% 17,44 22,41 20,44 19,33 15,30 15,49 33,26 37,47 24,51 23,81 96,59 Galho morto 2,78 0,17 0,45 2,58 0,44 0,33 0,70 4,57 187,09 289,54 5,80 Desvio Padrão 0,10 56,49 200,43 517,34 89,12 78,74 25,58 1,18 57,09 61,05 6,37 CV% 34,22 32,77 44,10 20,08 20,14 24,16 36,59 25,87 30,52 21,08 109,90 Casca ponteiro 6,38 0,72 3,44 1,01 0,79 0,68 0,89 5,45 196,17 136,02 36,86 Desvio Padrão 0,07 82,88 600,08 251,65 210,43 100,25 35,29 1,16 58,18 37,86 14,21 CV% 10,91 11,53 17,42 24,90 26,77 14,79 39,71 21,18 29,66 27,83 38,55 Madeira ponteiro 1,77 0,21 1,16 0,52 0,24 0,20 0,40 4,93 8,84 97,82 3,89 Desvio Padrão 0,03 36,39 204,95 91,51 24,27 33,46 33,52 1,72 11,78 28,64 2,87 CV% 19,12 17,65 17,73 17,68 9,95 16,92 84,46 34,77 133,27 29,28 73,78 Casca fuste 3,57 0,31 1,53 0,83 0,48 0,43 0,50 4,71 133,02 89,11 12,80 Desvio Padrão 0,09 117,35 637,69 269,66 175,81 115,90 35,85 1,19 69,91 34,20 10,63 CV% 24,12 37,51 41,60 32,47 36,35 27,18 72,28 25,37 52,56 38,38 83,06 Madeira fuste 1,09 0,12 0,60 0,63 0,20 0,13 0,52 3,92 8,59 108,54 2,78 Desvio Padrão 0,03 41,83 170,41 131,74 42,69 30,29 52,01 1,59 10,29 31,13 3,17 CV% 25,71 36,30 28,49 20,87 21,79 23,51 100,08 40,65 119,87 28,68 114,01 Serapilheira acumulada 9,92 0,73 0,71 3,15 0,61 1,08 0,37 14,39 3482,97 1213,19 15,63 Desvio Padrão 0,18 101,18 103,40 427,66 118,80 150,28 260,54 4,01 1490,31 362,22 11,14 CV% 18,11 13,82 14,56 13,59 19,46 13,96 70,50 27,86 42,79 29,86 71,29

Valeri e Reissmann (1989) estimaram a quantidade de serapilheira acumulada, bem como a sua composição química em povoamentos de Pinus taeda L. de diferentes idades no Paraná. A quantidade de serpilheira acumulada sob os povoamentos aumenta com a idade, levando a crer, porém, que pode ocorrer uma estabilização em idades posteriores, uma vez que a maior intensidade de aumento no acúmulo de manta se dá entre os 7 e 10 anos. Os maiores teores de elementos químicos foram encontrados no povoamento com 7 anos, o que pode representar a influência da qualidade do sítio na qualidade da manta. Tal fato é compensado pelo aumento na quantidade de manta acumulada com a idade, o que disponibilizará nutrientes para serem reabsorvidos a taxas proporcionais à velocidade de decomposição do material.

A ciclagem bioquímica é importante para a manutenção dos nutrientes de maior mobilidade, como é o caso do N, P, K e Mg, e menos importante para o Ca, S e micronutrientes, pouco móveis (POGGIANI; SCHUMACHER, 2004). Witschoreck (2008) verificou uma elevação no teor dos nutrientes, na madeira do tronco, aumentando da base da árvore em direção ao ápice. O mesmo autor relacionou esse comportamento com o importante processo de diferenciação de tecidos que é a

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transformação de alburno em cerne. A diferença no teor dos nutrientes entre galho vivo e galho morto é outra evidência da ciclagem interna e da diferença de mobilidade dos nutrientes no tecido vegetal.

É importante chamar a atenção para os altos valores observados na serapilheira acumulada para o Fe, fato possivelmente causado pela contaminação por partículas de solo presentes na mesma.

Na Tabela 5.5 pode-se verificar a quantidade de nutrientes, nos vários compartimentos do povoamento de Pinus taeda. Considerando-se a biomassa arbórea total (Acícula+Galho vivo+Galho morto+Casca ponteiro+Madeira ponteiro+Casca fuste+Madeira fuste), o acúmulo de nutrientes apresenta a seguinte seqüência: N > Ca > K Na > Mg > S > P > Mn > Fe > Zn > Cu, seguindo praticamente a mesma tendência observada por Witschoreck (2008) (N > Ca > K > Mg ~ S > P > Fe > Mn > B ~ Zn > Cu) em uma pesquisa realizada com a mesma espécie, idade e na mesma região do presente estudo.

Assim como observado por Witschoreck (2008), em função da grande diferença no teor de nutrientes entre os componentes das árvores, a partição de nutrientes não obedece ao padrão de alocação de biomassa. Tendo em vista que em termos médios, os componentes da copa apresentam maior teor de nutrientes, apesar de acumular somente 19% da biomassa arbórea, possui os teores superiores a 35 % com destaque para o N (48,6%) e exceto para o Na (12,7%) e o Cu (21,1%).

No mesmo sentido, Poggiani (1980) chama atenção para a grande quantidade de nutrientes acumulados na pequena quantidade de biomassa da copa das árvores quando comparado a biomassa total da árvore. Isto remete a importância desse compartimento da biomassa arbórea, revelando sua importância ecológica no ecossistema florestal.

Ainda mais diferenciado é o comportamento das acículas, que com apenas 4,5% da biomassa arbórea, acumulam 28,2 % do N, 25,9% do P e 20,3% do K.

Na Figura 5.5 foi representada a distribuição relativa dos nutrientes dentro de cada componente da biomassa arbórea. Cabe destacar que, mesmo que a madeira do fuste, em termos médios, apresente os menores teores de nutrientes, em decorrência da grande alocação de biomassa, esse componente possui os maiores estoques, para a maioria dos nutrientes, especialmente para o Na e o Cu.

Tabela 5.5 - Estoque de nutrientes nos diferentes componentes da biomassa de Pinus taeda aos 18 anos de idade em Cambará do Sul, RS. Fonte: elaborado pelo autor.

Componente N P K Ca Mg S Na Cu Fe Mn Zn --- kg ha-1 --- --- g ha-1 --- Acícula 119,05 10,20 35,15 16,67 5,93 8,57 2,09 22,75 1060,47 4197,25 111,82 Galho vivo 51,69 4,95 18,61 32,03 8,38 5,02 1,68 89,09 2087,39 3835,41 230,73 Galho morto 26,41 1,64 4,32 24,48 4,20 3,10 6,64 43,37 1777,36 2750,62 55,07 Casca ponteiro 5,23 0,59 2,82 0,83 0,64 0,56 0,73 4,47 160,86 111,54 30,23 Madeira ponteiro 2,58 0,30 1,69 0,76 0,36 0,29 0,58 7,20 12,90 142,82 5,68 Casca fuste 68,91 6,03 29,57 16,02 9,33 8,23 9,57 90,83 2565,87 1718,99 246,95 Madeira fuste 147,78 15,66 81,30 85,80 26,63 17,51 70,63 532,44 1166,80 14752,01 377,75 Biomassa da copa 204,96 17,68 62,59 74,77 19,51 17,53 11,72 166,88 5098,98 11037,64 433,53 Biomassa arbórea 421,65 39,37 173,46 176,59 55,47 43,27 91,91 790,15 8831,64 27508,64 1058,23 Serapilheira acumulada 211,49 15,62 15,15 67,10 13,02 22,96 7,88 306,99 74291,69 25877,32 333,36 Biomassa acima do solo 633,14 54,99 188,61 243,69 68,49 66,22 99,79 1097,14 83123,34 53385,95 1391,59

Figura 5.5 - Distribuição relativa dos nutrientes nos diferentes componentes da biomassa arbórea do Pinus taeda aos 18 anos de idade em Cambará do Sul, RS. Fonte: elaborado pelo autor.

93

5.4 Conclusões

A biomassa arbórea foi de 190,56 Mg ha-1 distribuídos nos diferentes componentes da biomassa, na seguinte sequência de acúmulo, em Mg ha-1: madeira do fuste 135,91; casca do fuste 19,29, galho vivo 16,06, galho morto 9,50, acícula 8,65, madeira do ponteiro 0,95 e casca do ponteiro 0,20.

Considerando a biomassa arbórea (madeira do fuste, casca do fuste, galho vivo, galho morto, acícula, madeira do ponteiro e casca do ponteiro) o estoque de nutrientes em Kg ha-1 foi de: 421,65 de N; 39,37 de P; 173,46 de K; 176,59 de Ca; 55,47 de Mg; 43,27 de S; 91,91 de Na; 0, 790 de Cu; 8,83 de Fe; 27,51 de Mn e 1,06 de Zn.

A biomassa do fuste (madeira + casca) apresentou mais de 50% do estoque de nutrientes, exceto para o Fe.

A biomassa de serapilheira acumulada foi de 21,33 Mg ha-1, com um estoque de nutrientes, em kg ha-1, de 211,49 de N; 15,62 de P; 15,15 de K; 67,10 de Ca; 13,02 de Mg; 22,96 de S; 7,88 de Na; 306,99 de Cu; 25,87 de Mn e 0,33 de Zn.

5.5 Referências

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6 PRODUÇÃO

DE

SERAPILHEIRA

E

DEVOLUÇÃO

DE

NUTRIENTES EM UM POVOAMENTO DE Pinus taeda L.

Resumo

A serapilheira pode ser definida como todos os tipos de material biogênico em vários estágios de decomposição. A produção de serapilheira e a devolução de nutrientes tem grande importância na ciclagem biogeoquímica. Assim, o objetivo do presente estudo foi quantificar a produção de serapilheira e a devolução de nutrientes em uma plantação de Pinus taeda L., em Cambará do Sul, RS. Para amostragem foram instaladas três parcelas de 20 m x 20 m em cada uma delas foram distribuídos sistematicamente quatro coletores, alocados em quatro diferentes posições: na linha, na entrelinha, na diagonal e encostado no tronco de uma das árvores; totalizando 12 coletores de 1 m2de área. A amostragem do material depositado no interior dos coletores foi realizada mensalmente durante um período de 3 anos, contados a partir de setembro de 2007. O material coletado, mensalmente, foi enviado ao Laboratório, onde foi seco, pesado, moído e analisado. A deposição média anual de serapilheira foi de 5,85 Mg ha-1 verificou-se que na primavera ocorreram as menores deposições de serapilheira para os três anos analisados. Entre os macronutrientes a ordem descrente dos teores foi: N > Ca > Mg > K > S > P; os teores para os micronutrientes apresentaram-se na seguinte ordem decrescente: Mn > Fe > Zn > B > Cu. Os maiores teores de nutrientes foram observados nos períodos de primavera e verão. O maior aporte de nutrientes ocorreu no período de outono e inverno, destacando-se o mês de junho com os maiores valores. A ordem de dominância no aporte de macronutrientes ocorreu da seguinte forma: N > Ca > Mg > K > S > P; para os micronutrientes a ordem foi: B > Mn > Fe > Zn > Cu.

Palavras – chave: Ciclagem de nutrientes. Material senescente. Nutrição florestal.

Abstract

Litter can be defined as all types of biogenic materials in different stages of decomposition. Litter production and nutrient return has great importance in biogeochemical cycling. The objective of this study was to quantify the production and return of nutrients through litter in a plantation of Pinus taeda L. stand in Cambará do Sul, RS. For sampling 3 plots of 20 m x 20 m were installed in which one of them 4 collectors were systematically distributed, placed in four different positions: in-line, between the lines, diagonal and leaning against the stem of a tree, totaling 12 collectors of 1 m 2 of area. Sampling of material deposited inside the collectors was done monthly over a period of three years, starting from September 2007. The material collected monthly, was sent to the laboratory where it was dried, weighed, ground and analyzed. The average annual litter deposition was 5.85 Mg ha- 1

it was found that in spring the lowest depositions of litter for the three years analyzed occurred. Among the macronutrient the descending order of the levels was: N > Ca > Mg > K > S > P; the levels for micronutrients presented themselves in the following descending order: Mn > Fe > Zn > B > Cu. Highest content of nutrients were observed in the spring and summer. The higher nutrient intake occurred during autumn and winter, especially in the month of June with the highest values. The order of dominance in macronutrient input was as follows: N > Ca > Mg > K > S > P; the order for micronutrients was: B > Mn > Fe > Zn > Cu.

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6.1 Introdução

A serapilheira pode ser definida como todos os tipos de material biogênico (folhas/acículas, ramos, caules, frutos, flores, cascas e outras partes das plantas depositadas no piso florestal, bem como restos de animais e material fecal) em vários estágios de decomposição. Este material representa uma fonte potencial de energia para as espécies consumidoras, que realizam a sua decomposição. Além disso, a serapilheira pode acumular significativa quantidade de água junto aos seus tecidos, fazendo a função de uma grande esponja e filtro, que se encharca logo após uma precipitação e após isso vai liberando lentamente a água acumulada para o solo, aonde irá abastecer as raízes das plantas.

De acordo com Schumacher e Hoppe (1998), a floresta desempenha papel fundamental na manutenção das condições ideais para que ocorra o processo de infiltração da água. Isso ocorre em função da maior absorção inicial da água e redução da velocidade da gota, impedindo que a mesma impacte sobre o solo de forma direta, causando a sua desagregação.

A serapilheira também se torna um eficiente anteparo às gotas da chuva, absorvendo esta umidade e liberando-a de forma lenta para o solo, facilitando a infiltração. A capacidade da serapilheira em acumular água varia em função da espessura da camada formada sobre o solo (SCHUMACHER; HOPPE, 1998), da umidade do material antes da precipitação (MOLCHANOV, 1963), da sua constituição e grau de decomposição.

Em valores absolutos, Barrichello et al. (1999) relataram 34687,8; 27288,5 e 19879,4 litros de água por hectare na serapilheira coletada, respectivamente em

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