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Estocolmo 72

No documento O CASO DE MARÍLIA/SP (páginas 48-52)

CAPÍTULO 2- REFLEXOS DO DIREITO AMBIENTAL INTERNACIONAL NO

2.3. Instrumentos jurídicos internacionais de proteção ao Meio Ambiente

2.3.1 Estocolmo 72

Estocolmo, na Suécia, a Primeira Conferência da Organização das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, com a participação de 113 países, 250 Organizações não governamentais e organismos da ONU109.

Ocorre que, desde a fase preparatória, os países não-desenvolvidos se opuseram em relação aos países desenvolvidos, uma vez que esses já haveriam sido afetados pelos impactos decorrentes da industrialização, como a poluição de suas águas, ar e solo, enquanto aqueles se opunham a eventuais medidas que pudessem impedir a instauração e desenvolvimento da atividade econômica industrial110.

Independente disso, o fato é que a realização da Conferência, nas palavras de Padilha, serviu como um marco no reconhecimento da relevância internacional da questão ambiental, uma vez que, pela primeira vez países desenvolvido e não-desenvolvidos, se reuniram para discutir os impactos no meio ambiente, decorrentes da ação humana, uma vez que

Foi essa Conferência que determinou, pela primeira vez, os princípios comuns que inspirariam e guiariam os esforços dos povos do mundo, a fim de preservarem e melhorarem o meio ambiente. Pela primeira vez uma Declaração de Princípios reconheceu a indissociabilidade do ser humano em relação ao meio ambiente, bem como sua responsabilidade sobre as transformações nele provocadas111.

Os debates realizados na Conferência partem do pressuposto de que, ao longo da evolução humana, o rápido avanço em relação à ciência e tecnologia possibilitou ao homem o poder de modificar o meio ambiente em sua volta, de forma agressiva e em escala mundial.

Sendo assim, fica evidenciada a importância do papel do ser humano em relação à proteção ambiental, uma vez que, tanto o meio ambiente natural, como o transformado pelo homem, são essenciais para o bem-estar e gozo dos direitos humanos básicos112.

Cumpre-se trazer neste momento trechos da Declaração de Princípios da Conferência de Estocolmo acerca da necessidade de uma proteção eficaz do meio ambiente, bem como o seu aperfeiçoamento. Sendo assim, inicia-se a carta com a seguinte afirmação

Princípio 1: O homem tem o direito fundamental à liberdade, igualdade e adequação das condições de vida, num meio ambiente cuja qualidade permita uma vida de dignidade e bem-estar, e tem solene responsabilidade de proteger e melhorar o meio ambiente, para a presente e as futuras gerações. (...)

109 PADILHA, op. cit., p. 47.

110 WINCKLER e BALBINOTT, op. cit., p. 51.

111 PADILHA, op. cit., p. 48.

112 Ibid, p. 49.

Vale ressaltar, no entanto, que a Conferência em nenhum momento se referiu expressamente ao termo “desenvolvimento sustentável”. Ocorre que, a partir desses debates em Estocolmo, deu-se início a construção de tal princípio, tendo seu conceito e aplicação evoluindo em decorrência do tempo. Porém, ao analisar os seguintes princípios, pode-se notar o início de ideais que posteriormente dariam origem ao princípio do desenvolvimento sustentável, a saber,

Princípio 2: Os recursos naturais da Terra, incluindo o ar, a água, o solo, flora e fauna e, especialmente, as amostras representativas de ecossistemas naturais, devem ser preservadas para o benefício das presentes e futuras gerações, através de um planejamento e gestão cuidadosos, quando for o caso.

Princípio 3: A capacidade da terra produzir recursos vitais renováveis deve ser mantida e, onde possível, restaurada e melhorada.

Princípio 4: O homem tem uma especial responsabilidade de defender e criteriosamente administrar a herança da vida selvagem e seus habitats, que se encontram agora gravemente ameaçados por uma combinação de fatores desfavoráveis. A conservação da natureza, incluindo a vida selvagem, deve, assim, ser considerada importante nos planos de desenvolvimento econômico.

Princípio 8: O desenvolvimento econômico global é responsável por assegurar ao homem uma vida benfazeja e um meio ambiente aproveitável, e por criar condições na terra que são necessárias para a melhoria da qualidade de vida.

Princípio 13: Para conseguir-se uma gestão mais racional dos recursos e assim melhorar o meio ambiente, os Estados deverão adotar um enfoque integrado e coordenado em seus planos de desenvolvimento, a fim de assegurar que o desenvolvimento seja compatível com as necessidades de proteger e melhorar o meio ambiente humano, em benefício da sua população.

Partindo, portanto, desse ideal de ecodesenvolvimento, a Conferência de Estocolmo produziu uma declaração, contando com 26 princípios e um plano de ação com 109 recomendações, constituindo dessa forma, o primeiro conjunto de tratados internacionais para questões ambientais. Sendo que, além da elaboração dessa declaração, podemos citar como outro marco importante, a criação da PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, organismo de fiscalização de programas ambientais, que será estudado a seguir.

2.3.1.1 Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA

O PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente foi criado em Estocolmo, em 1972, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, é um órgão da ONU, responsável pela proteção do meio ambiente, possuindo como fundamento os princípios de desenvolvimento sustentável. Em outras palavras, busca um equilíbrio entre os interesses nacionais e os globais, objetivando a união das nações no enfrentamento dos desafios ambientais.113

Atualmente o PNUMA conta com sua sede em Nairóbi, no Quênia, possuindo diversos escritórios regionais espalhados pelo planeta, que apoiam instituições e processos de gestão ambiental, por intermédio de acordos ambientais multilaterais bem como a implantação de programas e projetos de sustentabilidade, alcançando dessa forma, uma grande gama de parceiros dos setores governamentais, não-governamentais, acadêmicos e privados. Sendo que, em 2004, o PNUMA inaugurou também, seu escritório no Brasil, com o intuito de fortalecer ainda mais seu alcance regional, por intermédio do desenvolvimento de projetos que atendam as prioridades nacionais.

Sendo assim, Padilha apresenta114 como as principais áreas de atuação do PNUMA no Brasil a

a) Promoção do diálogo com autoridades ambientais e atores da sociedade civil para a identificação de programas e políticas ambientais prioritárias, fornecendo ainda suporte para sua implementação;

b) Avaliação ambiental, diagnosticando problemas e tendências oriundas da modificação do espaço natural e desafios relativos à preservação e uso sustentável de seus recursos naturais, com a intenção de elaborar estudos e indicadores que sirvam de referência para implantação de políticas ambientais;

c) Identificação e desenvolvimento de alternativas para os impactos negativos ao meio ambiente advindos do modo de produção e consumo insustentáveis;

d) Criação de soluções duradouras referentes à prevenção de emergências ambientais;

113 Disponível em: < http://www.pnuma.org.br/interna.php?id=44 >

114 PADILHA, op. cit., p. 58-59.

e) Assistência técnica para apoiar o desenvolvimento de recursos humanos e transferência de metodologias e tecnologias para fortalecer a capacidade de implementação de acordos ambientais multilaterais;

f) Promoção de ações integradas e intercâmbio de experiência com países vizinhos;

g) Encorajar parcerias integrando o setor privado a uma cultura de responsabilidade ambiental, criando espaço para a participação e preparação da sociedade civil para atuar na gestão ambiental e no desenvolvimento sustentável.

Portanto, o PNUMA, como principal autoridade global em meio ambiente, possui a função de promover e conservar o meio ambiente, bem como o uso eficiente dos recursos naturais, tendo como princípio norteador, dentre outros, o desenvolvimento sustentável.

No documento O CASO DE MARÍLIA/SP (páginas 48-52)