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Estratégias do discurso político: verdades e mentiras

No documento São Paulo: [s.n (páginas 55-92)

CAPÍTULO II - ANÁLISE DO DISCURSO

2.5. O discurso político

2.5.3. Estratégias do discurso político: verdades e mentiras

A busca pela conquista e pelo poder no espaço público requer dos políticos estratégias não só linguísticas, mas também discursivas. Assim, buscamos compreender em Charaudeau (2015) o funcionamento dessas estratégias, como as do parecer, a desqualificação do adversário, a mentira na cena pública postuladas pelo o autor.

Charaudeau (2015) compreende como estratégias do parecer os projetos políticos, que o enunciador político deve apresentar aos cidadãos e, por sua vez, fazê-los aderirem tais projetos, a fim de obter êxito em sua campanha eleitoral. Assim, o político deve inscrever seu plano de governo na longevidade de uma ordem social, que depende dos valores transcendentais fundados historicamente e, por fim, colocar-se como mediador nas relações entre o povo e seus representantes.

De fato, o enunciador político precisa construir um ethos discursivo de si que lhe confira uma dupla identidade discursiva para conquistar a adesão de seu co-enunciador com base em seu projeto de governo. A priori, o ethos discursivo deve corresponder a um conceito político como lugar de constituição de um pensamento sobre a vida do povo em sociedade; a posteriori, um ethos discursivo que corresponda à prática política, como lugar das estratégias da gestão de poder. A identidade discursiva é, portanto, caracterizada por um eu-nós, ou seja, trata de uma identidade do singular-coletivo.

Dessa forma, podemos afirmar que a constituição do discurso político, segundo Charaudeau (2015), passa por confluência de várias vozes, ou de interdiscursividade. O enunciador político deve assumir um “nós” que leva em conta uma voz terceira idealizada, isto é, a identidade discursiva de um portador de um ideal social, um discurso que congrega um “eu e um tu-todos”. Sempre que houver no discurso o uso de “nós” é essa totalidade que o enunciador político desejará. Tal construção é discursiva e sem a percepção dela pelo co-enunciador, o enunciador não obterá êxito.

Na verdade, as estratégias discursivas usadas pelo enunciador político, segundo Charaudeau (2015), a fim de conquistar a adesão de seu co-enunciador, dependem de diversos fatores, como a de sua própria identidade social, da forma como ele enxerga a opinião pública e da direção que ele toma para chegar até ela, da posição dos autores políticos, parceiros ou adversário, em suma, o que o enunciador político julgar necessário defender ou atacar, as pessoas, as ideias ou as ações. Assim, ele deve se apropriar das estratégias disponíveis para fazer com que o maior número de pessoas adira a seu programa, a suas ideias, à sua política e à sua imagem (ethos discursivo).

Dentre essas estratégias, a desqualificação do adversário é a mais utilizada pelo enunciador político, como revelar as contradições de seu adversário, projetar sombras de manipulação da parte do adversário e, por sua vez, rejeitar as ideias e ações do adversário. Neste sentido, afirma-nos Charaudeau (2015, p. 92) que as estratégias de desqualificação

são utilizadas com a ajuda de diferentes procedimentos discursivos, como se vê nessa declaração feita na televisão por um presidente da República francês que convida os franceses a votar “sim” no primeiro referendo sobre a Europa: “Alguns

incitam vocês a votar ‘não’, prisioneiros que são de sua doutrina, de sua vontade obstinada de estabelecer na França um sistema totalitário. Inútil insistir”. São desqualificadas aqui, ao mesmo tempo, as ideias do adversário (“prisioneiros de sua doutrina”), as consequências negativas para o povo (“estabelecer um sistema totalitário), a instância adversária por uma imagem negativa, (“vontade obstinada”).

Nesse excerto, analisado por Charaudeau (2015), observamos que o enunciador político se vale de diferentes procedimentos discursivos para desconstruir e enfraquecer os projetos e ideias de seu adversário político. Além de combater seu adversário, ele deve rejeitar os valores opostos ao seu plano de governo, mostrando por meio do discurso a fraqueza e o perigo dessas ideias.

Mas o enunciador político corre o risco de sofrer efeitos de rebote favoráveis ou não favoráveis ao seu ethos discursivo, por exemplo, o ethos discursivo combativo pode ser aderido pelo co-enunciador que tem necessidade de identificar-se com um ethos discursivo de “poder”, contudo, ele pode ser rejeitado pelo co-enunciador que opta por aderir um ethos discursivo de

“inteligência”.

Outra estratégia pertinente ao campo político é a mentira na cena pública. Entretanto, seria uma atitude ingênua compreender “mentira” como um termo antônimo de “verdade”, ou, pior, de “verdade única”. O conceito de mentira é polissêmico por natureza uma vez que não existe consenso entre os estudiosos sobre tal termo. Mentira é, simplesmente, um ato de linguagem que, para Charaudeau (2015, p.105), obedece

a três condições: i) o sujeito falante diz, enquanto enunciador (identidade discursiva), o contrário daquilo que sabe ou julga como indivíduo pensante (identidade social), ii) ele deve saber que aquilo que diz é contrário ao que pensa (não há, nessa perspectiva, mentira que não seja voluntária); iii) ele deve dar a seu interlocutor signos que o façam crer que aquilo que ele enuncia é idêntico ao que ele pensa.

Dessa forma, afirmamos, com Charaudeau (2015), que a mentira se inscreve numa relação entre o enunciador e o co-enunciador. O enunciador precisa conhecer os valores de mundo de seu co-enunciador, ou representar o universo de saber dele, para proteger seus próprios valores de mundo. Nesse sentido, o sujeito político diz o contrário que pensa com vistas a fazer o seu co-enunciador acreditar naquilo que ele defende como verdade. Grosso modo, o

político diz aquilo que o outro deseja ouvir, dando-lhe sinais que o faça crer em seu discurso.

Com efeito, ainda de acordo com o mesmo analista do discurso, há várias formas de mentir, por exemplo, mentir pelo silêncio, pela omissão, pela dissimulação, pela fabulação, pelo blefe, como no jogo e pelo apagamento de enunciados que podem comprometer seu ethos discursivo, e as diversas formas de mentir constatam, portanto, que o termo mentira não é antônimo de verdade.

Vale ressaltar que a mentira na cena pública pode ser cara ao enunciador, uma vez que ela pode voltar-se contra ele, imputando-lhe certa responsabilidade pelo que diz no discurso. Fazer promessas em campanhas e não as cumprir depois de eleito, ou fazer o contrário que prometeu pode afetar sua credibilidade diante de seu co-enunciador.

O enunciador recorre a essas estratégias discursivas por entender que como sujeito do discurso não é possível dizer tudo o que pensa, ou como enxerga o mundo, porque não é preciso que suas palavras entravem sua ação.

Segundo Charaudeau (2015, p. 106), “(...) o enunciador político precisa saber jogar com estratégias discursivas que não sejam muito explicita e que pareçam vagas, mas não vagas a ponto de fazer com que ele perca sua credibilidade”.

CAPÍTULO III

O DISCURSO POLÍTICO EM CENA

Neste capítulo, analisamos quatro discursos políticos proferidos por Doria a fim de identificar os interdiscursos, a construção da cenografia e a constituição do ethos discursivo; além disso, verificamos outras estratégias linguístico-discursivas que visam aos efeitos de sentido criados pelo enunciador e de relacioná-los com a memória social. Por fim, observamos, no funcionamento discursivo, marcas de silenciamento e apagamentos materializados no corpus constituído para esta pesquisa.

Para procedermos à análise, recorremos às condições sócio-históricas de produção dos discursos que selecionamos, às categorias que depreendemos de Maingueneau e às orientações oferecidas por Charaudeau para o discurso político.

Os discursos que analisamos, neste capítulo, sinalizam que o enunciador político constrói na cenografia uma imagem de bom empresário e não de político propriamente dito, com intuito de conquistar a adesão da instância cidadã, quando no Brasil a imagem do político está desprestigiada.

O “discurso 1” trata de um recorte da entrevista dada ao G1 durante a campanha ao cargo de prefeito de São Paulo. Nesse espaço discursivo, o enunciador promete ser prefeito por quatro anos e sem reeleição.

O “discurso 2” foi proferido por Doria no Teatro Municipal de São Paulo, em 1 de janeiro de 2017, quando de sua posse como prefeito da cidade de São Paulo.

O “discurso 3” trata de um recorte de uma entrevista coletiva dada em Pernambuco, em 4 de setembro de 2017, em que Doria fala com um tom de agressividade e de ódio ao Partido dos Trabalhadores (PT).

O “discurso 4” trata um recorte de uma entrevista exclusiva dada ao Programa Café com Jornal, da Emissora Bandeirante. Nesse discurso, Doria faz uma mea-culpa, para justificar sua saída da prefeitura da cidade de São Paulo e compara seu desligamento a um fim de relacionamento.

3.1 Discurso 1: recorte da entrevista dada ao G1, em que o enunciador promete ser prefeito por 4 anos sem reeleição

O “discurso 1” refere-se a um recorte de uma entrevista dada ao G1 durante a campanha política do candidato Doria nas eleições municipais de São Paulo. Nesse discurso, o enunciador promete a seu co-enunciador ser prefeito da cidade de São Paulo por quatro anos, sem reeleição, caso fosse eleito. A resposta do enunciador decorre das perguntas feitas pelos entrevistadores do G1, Tonico e Claudia, que perguntam se o enunciador tentará reeleição ou deixará a prefeitura para se candidatar a outros cargos nas eleições presidenciais de 2018.

eu sou candidato à prefeito, vou disputar a prefeitura e serei prefeito por quatro anos.

1 Esse é o meu objetivo, sem reeleição, Tonico. Aproveito, até para esclarecer. Eu, 2 especialmente, sou contra reeleição, Claudia. Meu partido apoia até que a legislação, 3 quem sabe, na reforma política.... Não há necessidade, nós temos que dar espaço para 4 outras pessoas, possível, até pessoas mais jovens e que tenham a oportunidade de 5 oxigenar o partido, oxigenar a política. Sou totalmente a favor disso. Portanto, não vou 6 disputar a reeleição e serei prefeito por quatro anos, Tonico.

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Recorte 1.1:

eu sou candidato à prefeito, vou disputar a prefeitura e serei prefeito por quatro anos. Esse é o meu objetivo, sem reeleição, Tonico.

Aproveito, até para esclarecer. Eu, especialmente, sou contra reeleição, Claudia. Meu partido apoia até que a legislação, quem sabe, na reforma política.... (Linhas 1-4)

No Recorte 1.1, o enunciador constrói uma cenografia política, para enunciar que disputava o cargo de prefeito da cidade de São Paulo. Ele se apresenta como candidato político e promete cumprir seu mandato por quatro anos, caso seja eleito, sem desejar reeleição. O enunciador defende uma reforma política, que dê um fim à reeleição, embora seu partido (PSDB) não esteja de acordo com tais ideias por estar ligado a um modelo tradicional de política, denominado de velha política.

O discurso engendra, ainda, uma cenografia de promessa, como podemos observar na seleção código linguageiro: “ser prefeito por quatro anos”,

“sem reeleição”, “sou contra reeleição”. Essa cenografia rompe com o modelo da velha política que defende a reeleição. A cenografia se constitui a partir desses

itens lexicais, mostrando que as ideias do enunciador, além de inovadoras, são atuais, por propor um sistema político sem reeleição. A cenografia de promessa política contribui, portanto, para a construção do ethos discursivo, como veremos no recorte seguinte.

Recorte 1.2:

Não há necessidade, nós temos que dar espaço para outras pessoas, possível, até pessoas mais jovens e que tenham a oportunidade de oxigenar o partido, oxigenar a política. Sou totalmente a favor disso.

Portanto, não vou disputar a reeleição e serei prefeito por quatro anos, Tonico. (Linhas 4-7)

Ao empregar o item lexical “nós”, o enunciador político leva em conta uma voz terceira idealizada, a identidade discursiva de um portador de um ideal social, um discurso que congrega um “Eu” e um “Tu-todos”. A interdiscursividade é, assim, como um posicionamento, em que ocorre o atravessamento de campos discursivos e os jogos de falsa aparência. Nesse sentido, a tese de Charaudeau (2015) constata que o discurso se organiza na confluência de várias vozes, ou seja, de interdiscursividade. A identidade do enunciador se constitui por um “Eu-nós” e um “Tu-todos”.

Com efeito, as estratégias do enunciador consistem em mobilizar na memória discursiva de seu co-enunciador um ethos discursivo antipolítico, uma vez que a imagem do político não inspira a confiança do co-enunciador. A construção de um ethos discursivo, que se desvincule do político conservador pode garantir a adesão do co-enunciador, que aspira a uma mudança no sistema político. O ethos discursivo antipolítico não se constitui no plano do ethos mostrado, mas no plano do ethos dito, conforme observamos nos enunciados:

“sou contra reeleição”, “não vou disputar a reeleição”, “serei prefeito por quatro anos”. O enunciador se diz na enunciação, ele não se mostra, ou seja, ele constrói uma imagem de si, que se distancia da imagem do político conservador, que é a favor da reeleição. Ser contra a reeleição, ser prefeito por quatro anos reforça a tese de um ethos discursivo antipolítico, que afiança o discurso de uma nova política. Para tanto, o enunciador recorre ao campo da política com oss

códigos linguageiros: “reforma política”, “oxigenar a política”, “dar espaço para outras pessoas”; e ao campo condição de vida com: “dar oportunidade a pessoas mais jovens”; é nessa materialidade, que se manifesta os interdiscursos, contribuindo para construção da cenografia e do ethos discursivo.

3.2 Discurso 2: Cerimônia de posse no Teatro Municipal de São Paulo O “discurso 2” foi proferido no Teatro Municipal de São Paulo, no dia 1 de janeiro de 2017. Trata-se de uma cerimônia de posse em que Doria assume a prefeitura após sua vitória nas eleições municipais de 2016. A cerimônia contou com presença de muitas autoridades de diferentes seguimentos da sociedade, como do poder judiciário, do poder legislativo e do poder executivo. Além da participação de autoridades religiosas.

Boa tarde, pessoal. Bem, pelo que eu compreendi do cerimonial nós temos dois 1 momentos. Se eu não estou enganado. É isso. Eu queria neste momento fazer um 2 agradecimento a todos aqui comparecem. As minhas amigas e aos meus amigos. E 3 tenho, governador, que começar agradecendo a Bia Doria, minha esposa, minha 4 companheira também de tantos anos, vinte e quatro anos de casamento. Aos meus 5 filhos, Johnny, Felipe e Carolina. Ao meu irmão querido Raul. Ao André a Valentina 6 Lorenzo. Ao Marcelo e ao Rafael. Ao meu pai e minha mãe que lá de cima, como bem 7 lembrou o governador Geraldo Alckmin, nos assistem e nos acompanham e se 8 emocionam também. A este grande brasileiro, que comanda pela quarta vez o governo 9 do nosso estado e que o faz com eficiência, com decência, com transparência, com 10 grandeza e com humildade e eu tenho um enorme orgulho de privar da sua amizade, 11 Geraldo Alckmin. Queria também registrar e em nome dela cumprimentar todas as 12 mulheres que aqui estão, além daquelas que eu vou citar que do palco fazem parte, 13 mas ela que comanda com sobriedade, com eficiência e, sobretudo, com humanidade 14 o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, Lu Alckmin. Registrar ainda, 15 Fernando, um agradecimento especial ao nosso cardeal arcebispo de São Paulo, Dom 16 Odilo Scherer, que tão gentilmente aceitou o nosso convite para estar presente hoje 17 aqui, aceitou o convite ainda que ele tivesse declinado para poder dar aqui as suas 18 palavras e as suas bênçãos e dizer também, governador, que Dom Odilo também é 19 torcedor do Santos Futebol Clube, é peixe. Viu, Bruno. Agora é peixe, governador, vice-20 governador, prefeito, vice-prefeito, cardeal, não tem para ninguém. O Santos 21 exatamente por ter o nome de Santos abraça a todos, né Dom Odilo? Dom Damaskinos 22 Mansour, arcebispo metropolitano da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Brasil, 23 muito obrigado pela sua presença aqui, estamos muito honrados, em favor, dirijam 24 aplausos a Dom Damaskinos. Ao nosso Desembargador Paulo Dimas Mascaretti, do 25 Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que nos honra muito com a presença, muito 26 grato pelas atenções na visita que lhe fizemos, como nas outras oportunidades. Registro 27 aqui, o que falei agora há pouco na Câmara Municipal de São Paulo, o governador 28 Geraldo Alckmin, nosso respeito pelo poder judiciário, a sua independência, assim como 29 pelo poder Legislativo e a sua independência. Doutor Paulo, é um enorme orgulho tê-lo 30 aqui nesta cerimônia. E falando em Poder Legislativo, o registro ao deputado Fernando 31 Capez, presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, ele que já foi 32 procurador, já esteve no judiciário, hoje comanda a Assembleia Legislativa, a mais 33 importante do país, Fernando, muito obrigado e em seu nome eu queria agradecer a 34 presença aqui de deputados estaduais, federais e também dos vereadores e vereadoras 35

que eu imagino que já tenham chegado da Câmara Municipal para esta cerimônia. Por 36 favor, ao Fernando Capez e aos demais parlamentares que estão presentes também 37 que o saúdem com uma salva de palmas. Ao meu querido amigo santista companheiro, 38 parceiro Bruno Covas, vice-prefeito da cidade de São Paulo, secretário das prefeituras 39 regionais. Fernando, você sabe como é difícil isso. O Bruno vai comandar trinta e duas 40 cidades a partir de amanhã. Não vai ter moleza, já falei para ele que é muita vitamina 41 para aguentar o tranco. Queria ver como é que vai fazer a tradução ali de ‘aguentar o 42 tranco’, mas o Bruno vai ter uma responsabilidade enorme compartilhada com prefeitos 43 e prefeitas regionais que aqui estão, a quem saúdo também. Então, Bruno, alegria, uma 44 honra ter você ao nosso lado. Ao meu querido amigo, ele está aqui atrás, estamos 45 ouvindo e representa, governador, a cultura, a cultura do nosso estado, a cultura do 46 nosso país, este grande maestro, grande brasileiro, João Carlos Martins, que merece 47 mais uma vez, o nosso aplauso e o nosso reconhecimento. Sua capacidade de 48 superação é um exemplo para todos nós. Mário Devienne, presidente do Tribunal 49 Regional Eleitoral, que está presente conosco aqui e acredito que esteja logo à frente, 50 que nos honrou com a presença há pouco na Câmara Municipal. E nós fomos 51 diplomados pelo tribunal recentemente, Bruno e eu, assim como todos os vereadores e 52 vereadoras muito grato pela sua presença, parabéns pelo trabalho, o Tribunal Regional 53 Eleitoral de São Paulo. Peço que, por favor, saúdem em nome de Mário Devienne 54 Ferraz, todos os integrantes do Tribunal Regional Eleitoral do nosso estado. O defensor 55 público geral do Estado de São Paulo, Davi Eduardo Depiné Filho também muito 56 obrigado pela sua presença, muito honrado em tê-lo aqui participando desta cerimônia.

57 Da mesma forma, governador Alckmin, Silvio Oyama, presidente do Tribunal de Justiça 58 Militar do nosso estado. Aos vários cônsules que aqui estão, muito grato por 59 participarem da cerimônia, vocês vão ajudar São Paulo a ser uma cidade melhor. Aos 60 secretários estaduais já que aqui comparece, aqui participam. Aos parlamentares a 61 quem já me referir. Os secretários e secretárias municipais. E, Bruno, eu tomo a 62 liberdade de pedir uma salva de palmas a todos os secretários e secretárias, os 63 presidentes das empresas municipais, das autarquias que aqui estão, vamos trabalhar 64 muito também. Eu queria até pedir desculpas às esposas, a culpa é minha, porque eles 65 vão trabalhar muito, vão rodar muito, vão suar muito. A vantagem é que vão perder peso 66 sem ter que pagar para fazer isso, né. O general de brigada Ricardo Miranda Aversa, 67 chefe do estado maior do comando militar do Sudeste, que representa o general do 68 exército, Mauro César Lourena Cid, comandante militar do Sudeste, grato por estar 69 também participando dessa cerimônia, assim como o coronel PM Francisco Roberto 70 Aires Mesquita, comandante geral em exercício da Polícia Militar do Estado de São 71 Paulo. Aos presidentes de várias entidades, organizações não governamentais que aqui 72 comparecem, aos presidentes de vários partidos, não só aqueles que correspondem a 73 nossa coligação, mas de todos eles indistintamente, partidos que na Câmara Municipal 74 ajudarão a legislar e a fazer uma cidade mais justa e mais correta. E, não por fim, Nádia 75 Campeão, eu queria fazer uma referência a você, como vice-prefeita, como mulher, 76 como desportista, como guerreira que você foi e continuará sendo na sua vida, seja ela 77 privada seja pública, você continuará nessa linda trajetória de uma campeã. E fazer uma 78 referência mais do que especial, uma referência emocional a você, Estela, e a você, 79 Fernando, dois bons amigos, amigos, que de longo tempo mantemos uma relação de 80 fidalguia, uma relação aberta, tranquila, equilibrada e temos muito orgulho, Fernando, 81 de termos feito aqui a mais solidária, a mais transparente, a mais correta, a mais 82 democrática transição de governo desta cidade nas últimas três décadas. Você leva isso 83 também como um legado da sua gestão, de ter honrado a sua biografia e este 84 agradecimento vale também ao seus secretários, às suas secretárias, membros e 85 integrantes do seu governo que ao lado da nossa equipe nestes dois meses nós 86 conseguimos fazer uma integração, Bruno, perfeita, adequada, construtiva, utilizando a 87 vantagem de uma vitória conquistada nas urnas no primeiro turno, pois mais uma vez, 88 Fernando, a você, a Estela, sua esposa, tão amável, tão gentil, sempre muito amável 89 também com a Bia, sua esposa, muito obrigado, espero que você tenha uma linda 90

trajetória de vida, seja na área acadêmica, seja na área política e também vocês todos 91 sabem, o Fernando Haddad foi o primeiro prefeito que eu convidei para fazer parte do 92 Conselho Superior da Cidade de São Paulo, Dom Odilo, em uma demonstração de que 93 nós, governantes, vamos administrar para o povo de São Paulo, para a cidade de São 94 Paulo. Não vamos governar para um partido, não vamos governar por uma ideologia, 95 vamos governar para todos. Convidei o prefeito Fernando Haddad, que prontamente 96 aceitou o convite, convidei também Marta Suplicy, Gilberto Kassab, José Serra, Paulo 97 Maluf, Luiza Erundina, que aliás foi a terceira quem eu convidei e foi muito amável 98 também em aceitar o convite, portanto todos os ex-prefeitos da cidade que ainda em 99 vida e todos morando e residindo e muitos no exercício inclusive de representações 100 públicas, políticas, a fazerem parte desse conselho que se reunirá no mínimo três vezes 101 por ano como Conselho Superior da Cidade. E aqui fica a mensagem, Fernando, daquilo 102 que falamos ao longo de vários dos nossos encontros, várias das nossas reuniões tão 103 positivas e tão fraternas, tão afetivas inclusive. De que a nossa gestão, como lembrou 104 o governador Geraldo Alckmin, Lu, será uma gestão agregadora. Eu fui assim a vida, a 105 vida inteira eu fui um agregador, eu fui um somador, eu nunca subtraí, nunca ofendi, 106 nunca bati, nunca falei mal das pessoas, nem mesmo na campanha, ainda que 107 recomendado várias vezes para fazê-lo, não quis fazer isso e não fiz. Fizemos uma 108 campanha limpa, fizemos uma campanha construtiva, falando de propostas, falando de 109 programas, sem ofender e nem ter o chamado lado B de campanhas. Fizemos um único 110 lado, o lado da democracia, de respeito pelos candidatos, incluindo o Fernando Haddad, 111 que disputaram as eleições em São Paulo. E assim faremos, Fernando, como exemplo 112 desta nossa transição. Um governo aberto, um governo amplo, um governo capaz de 113 ouvir a todos, de reconhecer o valor de todas as pessoas, eu disse recentemente em 114 uma entrevista para a revista Veja que nós governaremos para todos o que nos 115 elegeram, Dom Odilo, e o que não nos elegeram. Todos que vivem nesta cidade, 116 brasileiros ou não brasileiros, vão merecer o nosso respeito e o respeito de uma gestão 117 conciliadora, uma gestão que saberá ouvir e que terá humildade também, seguindo o 118 exemplo do governador Geraldo Alckmin, que sempre que necessário e for 119 comprovadamente necessário recuar para poder avançar. Isso é prova de grandeza, 120 isso nos ensina a Bíblia, nos ensina aqueles que na sua maior dimensão souberam 121 recuar sempre que foi necessário para poder avançar. Mas sobre gestão falarei daqui a 122 pouco. Queria, para finalizar, a minha intervenção, que se despede do Fernando e da 123 Estela e da Nádia, neste momento, desejar a vocês felicidades e que vocês tenham este 124 registro destes quatro anos que aqui estiveram à frente da Prefeitura de São Paulo como 125 prefeito, como primeira dama, como vice-prefeita da cidade a melhor lembrança. Vocês 126 contribuíram para a biografia positiva da nossa cidade. Assim, ao longo dos próximos 127 meses, estaremos juntos em várias circunstâncias para ouvir os conselhos, ouvir as 128 opiniões do Fernando e de outros ex-prefeitos da nossa cidade. A dimensão, governador 129 Geraldo Alckmin, do seu discurso é a dimensão da democracia que move o nosso país.

130 É esta democracia que todos nós devemos aplaudir, é a democracia que não tem uma 131 cor, é a democracia que não tem um partido, embora todos nós fizemos, os nossos 132 partidos, o PSDB, o nosso Partido da Social Democracia, o Partido dos Trabalhadores, 133 do prefeito Fernando Haddad, assim como todos os demais partidos. Mas ao administrar 134 a cidade de São Paulo nós estaremos administrando para todos, todos os brasileiros e 135 não brasileiros que aqui vivem indistintamente. Essa será a nossa índole exatamente 136 como fizemos nesta transição. Obrigado, Fernando. Obrigado, Estela. Obrigado, Nádia.

137 Daqui a pouco nós estaremos aqui mais uma vez juntos lutando pela mesma bandeira, 138 a bandeira da cidade de São Paulo. A bandeira brasileira. Muito obrigado.

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