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Estresse Ocupacional

No documento MOISÉS ALEXANDRE LUSTOSA DA SILVA (páginas 35-38)

2.3 Estresse e hardiness

2.3.2 Estresse Ocupacional

Como visto anteriormente, o estresse tem relação com a percepção da pessoa em avaliá-lo como um potencial risco ao seu bem-estar. Caso esse risco se confirme, pode desencadear desconforto físico e mental em consequência de sua interpretação e reação frente às situações que são apresentadas.

Quando o estresse tem relação com a atividade laboral, chama-se Estresse Ocupacional (ANDRADE, 2013). Nesse sentido, nas organizações, o estresse é considerado uma doença que está cada vez mais presente e, por isso, tem sido alvo de

pesquisas (STEFANO, BONANATO, RAIFUR, 2013; BALASSIANO, TAVARES, PIMENTA, 2011).

De acordo com esses autores, há muitas pesquisas no sentido de propor mecanismos que visem controlar os aspectos negativos do estresse no trabalho e sua prevenção permanente. Possivelmente porque ele impacta negativamente na saúde e no bem estar das pessoas e, como consequência, se reflete nas organizações, tanto em seus processos como em seus resultados.

De acordo com Servino (2010), o estresse ocupacional é decorrente, muitas vezes, do excesso de atividades, pressão por prazos e outros fatores geradores de estresse, com potencial de gerar desajustes na vida familiar ou social dos trabalhadores.

Nesse mesmo sentido, Batista (2011) e Lipp (2005) explicam que no ambiente laboral, são variadas as consequências do estresse, entre as quais se podem citar: ausência de disposição e de comprometimento com o trabalho e a organização, absenteísmo, atrasos frequentes, fármaco-dependência e depressão.

Lipp e Tanganelli (2002) esclarecem que existem fatores que contribuem diretamente para o estresse ocupacional. As autoras explicam que alguns deles vão desde as características individuais de cada profissional, passando por seu estilo de relacionamento social no ambiente de trabalho e pelo clima organizacional, até as condições gerais nas quais o trabalho é executado.

Andrade (2013) corrobora com as autoras, explicando que o estresse ocupacional advém de fatores variados e seus efeitos são acumulativos. A autora afirma que ele acontece quando ocorre o desequilíbrio entre as demandas do trabalho e a capacidade que o indivíduo possui para absorvê-las.

Maslach (2005) elenca seis fatores que contribuem para o estresse ocupacional:  Sobrecarga no trabalho: o trabalhador se sente incapaz de desenvolver seu trabalho devido a um desequilíbrio ou incompatibilidade entre as habilidades daquele e as exigências deste, tendo a percepção de que o tempo e os recursos não são suficientes para cumprir as tarefas exigidas.

 Falta de controle: caracteriza-se pelo sentimento de insegurança, caso seu ambiente de trabalho esteja experimentando mudanças ou não participando de decisões na empresa, percebendo a sensação de falta de controle.

 Recompensas insuficientes: salários injustos, não reconhecimento pelo trabalho, falta de benefícios ou vantagens especiais.

 Ruptura na comunidade: problemas como falta de apoio, confiança e por conflitos não resolvidos.

 Falta de justiça: potencial para fomentar raiva, hostilidade, emoções intensas e tem grande influência no psicológico.

 Conflito de valor: em alguns casos podem existir contradições com os valores pessoais do trabalhador, situações às quais podem gerar conflito. Esses conflitos podem advir de atitudes que ele é obrigado a tomar, que contrariam o que ele tem por certo.

Conforme explicado por Andrade (2013), os efeitos do estresse ocupacional são acumulativos. Nesse ponto de vista, Farias (2014) e Lipp (2005) afirmam que altos níveis de estresse ocupacional podem gerar constantes pedidos de licenças médicas, absenteísmo, queda de produtividade e desmotivação no ambiente laboral.

De acordo com Goldman (2014), os profissionais que atuam na área de TI experimentam altos níveis de estresse e em decorrência dele, também sofrem doenças psicológicas.

Farias (2014) e Lipp (2005) elencam algumas consequências: irritação, impaciência, dificuldades interpessoais, relações afetivas conturbadas, divórcios, doenças físicas variadas, depressão, ansiedade e infelicidade na esfera pessoal.

Uma das áreas onde os profissionais mais experimentam altos níveis de estresse ocupacional é a da TI. Goldman (2014) afirma que 79% de administradores de TI pretendem deixar seus empregos em decorrência disso.

Sadir, Bignotto e Lipp (2010) explicam que um alto nível de estresse, resulta em uma queda na qualidade de vida por desmotivação, irritação, impaciência, depressão e infelicidade no ambiente pessoal, modificando a forma como o indivíduo interage nas diversas áreas da sua vida.

O achado de Goldman (2014) corrobora com o estudo realizado por Moore (2000). Esse estudo revela que um dos grandes motivos para a rotatividade de profissionais dessa área nas organizações, é provocado pelo esgotamento dos mesmos, constantes mudanças da tecnologia e pressão por resultados. Entretanto, no estudo de Servino (2013), as mudanças de tecnologia já não são mais consideradas um fator de estresse.

Limongi-França e Rodrigues (2005) afirmam que tudo aquilo que exija adaptação, pode ser chamado de um estressor, sejam eles positivos ou negativos, pois a pessoa necessitará empregar energia adaptativa para lidar com esses eventos.

Nesse cenário de mudanças, Farias (2014) explica que a expectativa criada em torno da TI para permanecer tecnicamente competente, constitui uma importante fonte de estresse. Ainda segundo a autora, a natureza da profissão cria desafios e tensões exclusivos para profissionais de TI e, estes acabam por sair do campo e procurar carreiras alternativas.

Por outro lado, outra pesquisa concluiu que apenas a quantidade de estresse no trabalho desses profissionais, não foi o fator determinante para que eles deixassem a organização, mas sim a satisfação no trabalho, às características do local de trabalho, confiança na alta administração, compartilhamento de informações e segurança no trabalho (DHAR; DHAR, 2010), ou seja, é importante determinar como está a QVT desses trabalhadores.

Vieira (2007) afirma que o estresse ocupacional não decorre de apenas um fator, mas de um processo que atinge tanto o trabalhador, quanto seu ambiente de trabalho. A autora explica que o desgaste físico e/ou emocional poderá repercutir em seu desempenho e, como consequência afetar o contexto organizacional.

No documento MOISÉS ALEXANDRE LUSTOSA DA SILVA (páginas 35-38)

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