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1.2. QUALIDADE DE VIDA DO TRABALHADOR (QVT)

1.2.3. Estresse

As rápidas mudanças que ocorrem na sociedade industrial atual estão acarretando graves prejuízos aos trabalhadores. Para Mendes (2004), essas novas formas de gestões em nome do progresso e da evolução trazem consigo o fantasma do desemprego, níveis de pressão, metas, ritmo e jornadas de trabalho que vão além do limite humano e culminam em exaustão física, mental e emocional, fazendo com que o trabalhador adoeça. Ainda o autor ressalta que “ o estresse, que é uma reação fisiológica associada a esse estilo de vida atual, nas ultimas décadas se tornou uma rotina na vida diária dos trabalhadores” (p.127).

A palavra estresse, adversidade ou aflição, é uma reação fisiológica ou emocional a um estímulo externo que origina ansiedade ou tensão. Lima (2005) nos diz que é impossível viver sem ele, seu excesso pode causar danos físicos e emocionais irreparáveis, estudos comprovam que o estresse funciona como barreira ao sistema imunológico em combater doenças. Neste sentido, tem participação em manifestações de várias doenças, desde um simples mal-estar até um câncer.

Para Lima (2005, apud FERREIRA, 2001), o estresse ocupacional é “a reação do organismo a agressões físicas e psicológicas, originárias da tarefa executada pelo profissional”. Isso não quer dizer que o trabalho em si causa o estresse ocupacional, já que tarefas bem-organizadas e que respeitem os limites do

corpo desenvolvem um equilíbrio físico, mas o que gera o estresse são os comportamentos inadequados e a desorganização de tarefas mentais. Lima afirma ainda que viver nos tempos atuais é conviver diariamente com agentes estressores, como o aumento do volume de trabalho e as pressões constantes sobre o trabalhador.

Mendes (2004), também afirma que palavra estresse também tem sido associada ao significado de pressão e insistência estar estressado ao de estar sobre a ação de um estímulo insistente. As respostas a esse agente estressor dependem do componente individual e da relação que o organismo tem com o ambiente. Essas respostas começaram a ser estudadas em 1936 por Hans Seyle. Este pesquisador observou que o organismo humano quando exposto a um estimulo percebido como ameaçador da homeostase (equilíbrio), seja ele físico, químico, biológico ou psicossocial, desencadeia um conjunto de reações uniforme e inespecífico chamado de Síndrome Geral de Adaptação (SGA). A SGA é dividida em três fases: a fase de alarme, resistência e exaustão, que serão exemplificadas pelo quadro a seguir:

ALARME RESISTENCIA EXAUSTÃO Etapa de reação de luta ou fuga-

ocorrem alterações normais pouco acentuadas, desgaste dos recursos fisiológicos de defesa. O organismo se acelera devido à liberação do hormônio adrenalina pela glândula suprarrenal. Ocorre então taquicardia, aumento do ritmo respiratório e da transpiração do corpo como um todo, entre outras reações fisiológicas. A taxa de açúcar aumenta no sangue e fornece energia para a musculatura, ficando em estado de alerta. Também provoca alterações psicológicas, como mau humor, irritabilidade, etc.

O organismo tenta equilibrar o meio interno, caso contrário inicia-se o estresse crônico. Nesta etapa o organismo se acelera diversas vezes, entrando em constantes equilíbrios e desequilíbrios. Quando o excesso de fatores de pressão vai esgotando a capacidade do corpo de se reequilibrar diminui, então o limite de resistência do individuo é ultrapassado, e ele adoece.

Ocorrem distúrbios hormonais, daí o organismo começa a falhar, apresentando sintomas relacionados ao seu “órgão de choque”. As glândulas suprarrenais aumentam a produção. de adrenalina; a irrigação sanguínea para alguns órgãos vitais diminui, o fígado produz mais açúcar (glicose), etc.

Quadro 03 – Estágios do Estresse – Fonte: Maciel (2008)

Os primeiros sintomas do estresse, segundo Cañete (2001) são: alteração da respiração, enrijecimento da musculatura e tensão, especialmente nos ombros, pescoço e maxilares, dor de cabeça, nas costas e peito, mãos e pés frios e suados, irritação, fadiga crônica, dificuldade para dormir, fraqueza, prisão de ventre, diarreia, vômito, muito ou pouco apetite, dificuldades de concentração, aumento do consumo de cigarros e bebidas alcoólicas. Maciel (2008) explica que esses sintomas afetam todo o ser do indivíduo, alterando seus relacionamentos e hábitos, mudando completamente a perspectiva de vida do indivíduo.

A relação homem-trabalho pode gerar um estresse crônico se a percepção do trabalho não for prazerosa e se o trabalhador não sentir segurança no seu trabalho. Segundo Mendes (2004), o estresse relacionado ao trabalho custa para as empresas milhões em despesas por ano, seja na falta do funcionário seja no mau

desempenho dos mesmos, mas as pessoas podem e devem controlar o estresse ocupacional, através de comportamentos preventivos, reconhecendo os primeiros sintomas e tomando meditas de proteção, a si mesmos, aos colegas, e aos demais funcionários de uma empresa.

Cañete (1996) destaca a importância da GL:

Com tantos efeitos maléficos para a saúde, as empresas devem investir em prevenção e controle do estresse. A GL serve como uma saída no enfrentamento do estresse no trabalho, pois sabemos que a atividade física e o relaxamento são componentes importantes no controle do estresse, e estão presentes nos programas de GL. Estudos comprovam que pessoas que se exercitam regularmente tem mais disposição para trabalhar e também gozam de boa saúde, o que reduz sua ausência no trabalho. (p.53).

Lima (2005, p.38) também salienta que os Programas GL podem contribuir para minimizar os fatores estressantes, estimulando a pessoas a:

• Praticarem atividade física;

• Reavaliarem seu modo de pensar;

• Organizarem seu tempo, espaço e atuação;

• Terem uma alimentação mais saudável;

• Promover momentos de descontração e lazer;

• Mudar/alterar seu estilo de vida.

Mendes (2004) relata que a GL vem sendo utilizada como uma estratégia para vencer o estresse no trabalho, auxiliando os trabalhadores a se instrumentalizar e aprender algumas estratégias em grupo para depois praticarem em casa individualmente ou com seus familiares, como fazer relaxamento, praticar atividades recreativas, exercícios físicos regulares, ter um estilo de vida mais saudável, procurar rir ou chorar quando tem vontade e pensar positivamente. A GL vem como forma de descontrair e quebrar a rotina e o ciclo vicioso do estresse organizacional.

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