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Estruturação Atual do Sistema Penal Brasileiro

concedida aos crimes de menor potencialidade ofensiva, com duração máxima de 3 anos. Os reclusos deveriam ficar separados dos detentos, porém, esse regramento nunca fora obedecido. O Código Penal prevê cerca de 300 infrações, onde se aplica a pena privativa de liberdade – reclusão e detenção –, ao inverso do que dispõe a Lei de Contravenções Penais, de 1941, que se preocupou com as infrações de menor gravidade, somente tipificando 69 infrações, onde previu 50 vezes a pena de prisão simples, que em nota, não passa pelo rigor penitenciário. A Casa de Detenção de São Paulo, localizada também no Carandiru, inaugurada em 1956, é outro ponto marcante da história, ela estabelecia 3.250 vagas para presos à espera de julgamento, porém, chegou ao absurdo de abrigar mais de 8 mil pessoas, o que ao longo dos anos, além da superlotação, o que se passou a abrigar não era tão somente presos a espera de julgamento, mas também condenados. Ficou conhecida mundialmente pelo massacre dos 111 presos em 1992, pela intervenção da Polícia Militar, fato que ganhou os cinemas e as livrarias com a obra denominada Carandiru, que relatava a miséria de seu interior, os motins, os episódios de violência e o próprio massacre de 1992. Tal estabelecimento foi desativado e demolido, hoje em seu local encontra-se um parque estadual dedicado ao lazer público.

O Código Penal de 1940 passou por duas reformas marcantes, uma em 1977, que instituiu os atuais regimes, ou seja, fechado, semi-aberto e aberto, além de aumentar os casos de sursis penal levando em consideração a superlotação que naquela época já se destacava. A outra reforma, ocorreu em 1984, que trouxe a importante figura das penas alternativas, restringindo a prisão somente para os criminosos mais perigosos e os crimes mais graves.

De acordo com Farias Júnior (1996, p.389-392), o Juiz criminal quando prolata a sentença condenatória, deve abordar em sua decisão em qual regime o réu será submetido (art.110 LEP) levando em consideração o que dispõe o artigo 33 do Código Penal, ou seja, em qual regime deverá iniciar a sua pena. As penas podem ser privativas de liberdades (reclusão ou detenção), restritivas de direitos (prestação de serviços à comunidade, interdições e limitações), e pecuniária (multa). Existem ainda, as medidas de segurança que são destinadas aos réus inimputáveis que sofrem de doença mental que tem cunho médico assistencial, curativo. O regime de cumprimento das penas privativas de liberdade regula-se pela forma progressiva – progressão de regime –, assim ela passa do regime mais rigoroso para o menos.

Existem três regimes aplicados no Brasil, o fechado (penitenciárias de segurança máxima), o semi-aberto (colônias penais agrícolas), e aberto (casas de albergado).

Este último, devido às pouquíssimas casas do albergado existentes em nosso país desde a entrada em vigor da Lei de Execução Penal, passou a ser tratada pela doutrina com a seguinte expressão “prisão aberta domiciliar”, o que é totalmente contrário ao que dispõe o artigo 117 da LEP, como mostra Farias Júnior (1996, p.393):

(...), a prática forense criminal passou a denominar “prisão aberta domiciliar”, ferindo categoricamente o contido no artigo 117 LEP, onde só se admite prisão domiciliar em 4 (quatro) hipóteses; a saber: condenado maior de setenta anos; condenado acometido de doença grave; condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental, e ainda, quando se tratar de condenada gestante.

Assim, o regime aberto passou a ser aplicado de forma equivocada, se distanciando de suas verdadeiras finalidades que foi atribuída pela Lei de Execuções Penais.

Os condenados deverão ser classificados de acordo com seus antecedentes e personalidade, o que segue orientação e respeito da Constituição Federal que em seu artigo 5º, XLVI prevê a individualização da pena. A lei muito bem orientada prevê que presos provisórios fiquem separados de presos já condenados (art. 84 LEP), assim como, os primários dos reincidentes, tese que não se firmou na prática, pois há uma mistura aleatória de presos e condenados, por isso

“a exigência legal não passa de ficção.” (CARVALHO FILHO, 2002, s.p.). No Brasil vigora o princípio da presunção de inocência, por isso, a justificativa de separar

presos provisórios de presos já condenados por sentença transitada em julgado, pois, só é considerado culpado aquele que foi condenado por sentença condenatória. Quanto aos primários dos reincidentes, se justifica para evitar que certos malefícios presentes em presos reincidentes não alcancem presos primários.

Como mostra Mirabete (2006, p.254), as mulheres estão sujeitas a um regime especial, onde a pena deve ser cumprida em estabelecimento próprio, assim prevê o art. 37 do Código Penal. Também deve se respeitar o que diz a CF/88, que em seu art. 5.º, inc. L, prevê que elas devem receber condições adequadas para permanecerem com seus filhos durante o período de amamentação. Diz o art. 82, § 1.º, da LEP, que o maior de 60 anos também deve ser recolhido em estabelecimento próprio e adequado à sua condição.

Ao menor de 18 anos que comete um ato tido como criminal, um tratamento diferenciado será aplicado, pois o menor infrator recebe normas especiais de acordo com a Lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990, conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Um ponto importante que é o trabalho do apenado, ou seja, é mais eficiente no regime semi-aberto que é totalmente voltado à mão-de-obra dos próprios reclusos, mas também ocorre no regime fechado onde presos fazem a manutenção do estabelecimento, limpeza do setor burocrático, trabalhos na cozinha, etc. Ocorre que com o trabalho, uma parte da pena será remida (art. 126 LEP), esse é o instituto da remição, onde um dia de pena vale por três dias de trabalho. O trabalho é um forte fator na busca da ressocialização do apenado, trata-se de um dever social e condição de dignidade humana.

Há ainda o instituto da detração, que segundo Mirabete (2006, p.266), na pena privativa de liberdade ou de medida de segurança, deve-se computar o tempo de prisão provisória, tanto no Brasil como no estrangeiro, também, a prisão administrativa ou qualquer internação em estabelecimentos como forma de punição ou cautelar.

7 CAPÍTULO VI – A CRISE NO SISTEMA PENITENCIÁRIO

A prisão passou a ser o meio de resposta penológica principal a partir do século XIX, onde muito bem idealizada a reeducação do encarcerado deveria ser buscada, sendo está a principal finalidade da pena, porém, na realidade aplicada durante os séculos que se sucederam, não tem sido exatamente assim que as coisas passaram a funcionar.