CAPÍTULO II – INTERVENÇÕES DE MANEJO COMO ALTERNATIVA DE
2.2.2 ESTRUTURA AMOSTRAL E VARIÁVEIS LEVANTADAS
A estrutura amostral do presente estudo se refere a uma área de manejo experimental da floresta com araucária e teve como base o experimento realizado por Borsoi (2004) e adaptado por Longhi (2011). O primeiro autor testou diferentes intervenções de manejo na floresta em unidades de 0,5 ha cada. Tais intervenções foram realizadas no ano de 2002 e consistiram em rebaixar em cinco níveis percentuais a curva de distribuição de frequência ajustada em relação à área basal. As intensidades das intervenções nos tratamentos foram: Tratamento 1 = redução da curva de distribuição de frequência em 20% do total da área basal, por classe de DAP; Tratamento 2 = redução da curva de distribuição de frequência em 30% do total da área basal, por classe de DAP; Tratamento 3 = redução da curva de distribuição de frequência em 40% do total da área basal, por classe de DAP; Tratamento 4 = redução da curva de distribuição de frequência em 50% do total da área basal, por classe de DAP; Tratamento 5 = redução da curva de distribuição de frequência em 60% do total da área basal, por classe de DAP.
A avaliação da floresta remanescente após oito anos da aplicação dos cortes seletivos foi realizada em trabalho desenvolvido por Longhi (2011), sendo que alguns tratamentos foram agrupados buscando-se obter maior variação e maior área amostral entre os mesmos, obtendo-se, assim, três intensidades de intervenções: corte seletivo leve, corte seletivo médio e corte seletivo pesado. Esses, correspondem aos seguintes tratamentos de Borsoi (2004): tratamento 1 (corte seletivo leve); tratamento 2 e tratamento 3 (corte seletivo médio);
tratamento 4 e tratamento 5 (corte seletivo pesado). Nessa avaliação, Longhi (2011) observou que cortes seletivos com redução acima de 50% da área basal total, não demonstram recuperação satisfatória, apresentando dano substancial à floresta ao reduzir sua capacidade produtiva e sendo de difícil controle biológico sobre a vegetação.
Dessa forma, para o presente estudo, os tratamentos foram readequados sendo desconsiderado o tratamento de maior redução da área basal proposto por Borsoi (2004). Logo, foram considerados dois níveis de intervenções de manejo, sendo esses denominados de corte seletivo leve e corte seletivo moderado, além de uma área testemunha (sem intervenção de manejo), conforme especificado na Tabela 2.1.
Tabela 2.1 – Intensidades dos cortes seletivos para o manejo aplicado na Floresta Ombrófila Mista da Fazenda Tupi, Nova Prata, RS.
Tratamento Descrição Área
amostral Estratégia de Manejo
T0 Testemunha 1,0 ha Área sem aplicação de corte seletivo.
T1
Corte Seletivo
Leve
1,0 ha
Rebaixamento da curva de distribuição de frequência ajustada, com a extração de 20-30% da área basal, por classe de DAP.
T2
Corte Seletivo Moderado
1,0 ha
Rebaixamento da curva de distribuição de frequência ajustada, com a extração de 40-50% da área basal máxima, por classe de DAP.
Fonte: Adaptação de Borsoi (2004) e Longhi (2011).
Os tratamentos foram compostos por duas parcelas permanentes de 50x100 m (0,5 ha) cada, totalizando, assim, 3,0 ha de área amostral. Cada parcela foi dividida em 5 faixas de 10 m x 100 m, que, por sua vez, foram subdivididas em subparcelas de 10 m x 10 m, para melhor controle espacial dos indivíduos no interior da unidade. A localização das parcelas constituintes de cada tratamento de manejo aplicado na Fazenda Tupi pode ser observada na Figura 2.2.
As intervenções de manejo ocorreram no ano de 2002 e segundo Borsoi (2004), para a extração das árvores, foi dada preferência para as espécies folhosas com indivíduos defeituosos, danificados e de maior densidade absoluta, respeitando-se os critérios estabelecidos em cada tratamento. O corte das árvores teve como regra o direcionamento da queda a fim de causar os menores impactos possíveis sobre os indivíduos remanescentes. Para isso, realizou-se a limpeza das árvores selecionadas, quanto aos cipós e, em seguida, orientou-
se o corte, de maneira que a queda da árvore atingisse o menor número de indivíduos, tanto de adultos quanto da regeneração natural. Esse método de seleção foi escolhido para que na próxima intervenção seja possível obter indivíduos com fustes mais regulares, com melhores condições de sanidade, com copas bem distribuídas e, por consequência, tornar a floresta produtiva e com uma distribuição regular de espécies.
Figura 2.2 – Localização das unidades amostrais constituintes de cada tratamento de manejo aplicados na Floresta Ombrófila Mista da Fazenda Tupi, Nova Prata, RS.
Fonte: Adaptação de Longhi (2011).
Diante desse método de seleção aplicado na floresta, o presente estudo equipara o manejo florestal efetuado a um tratamento silvicultural realizado na floresta com araucária da Fazenda Tupi, tendo como principal finalidade a condução da floresta a uma estrutura produtiva no futuro, uma vez que a mesma se encontra altamente descaracterizada de sua estrutura original devido à intensa exploração das araucárias de grandes dimensões realizada na década de 80. Dessa forma, com a redução de espécies folhosas de alta densidade, espera- se um efeito positivo para a Araucaria angustifolia quanto ao seu crescimento e desenvolvimento na floresta.
A obtenção dos dados para as análises das alterações estruturais e da dinâmica de crescimento da floresta após os cortes seletivos foi proveniente de diferentes períodos de monitoramento desses tratamentos (Tabela 2.2).
Tabela 2.2 – Atividades realizadas nas parcelas permanentes para estudo de intervenções de manejo na floresta com araucária da Fazenda Tupi, Nova Prata, RS.
Data medição Tempo (t) Atividade Estudo
Dez 2000 – Jan 01 1 ano AE Inventário Pré-corte Borsoi (2004)
Dez 2001 – Jan 02 0 Exploração Borsoi (2004)
Jan – Fev 2006 04 anos DE 1º Inventário de monitoramento Hack (2007) Jan – Fev 2010 08 anos DE 2º Inventário de monitoramento Longhi (2011) Jan – Fev 2015 13 anos DE 3º Inventário de monitoramento Presente estudo
Em que: AE = antes da exploração; DE = depois da exploração. Fonte: O autor.
Para o presente estudo (13 anos após as intervenções de manejo), o inventário de monitoramento realizado em cada tratamento seguiu a mesma metodologia de medição das parcelas permanentes utilizada nos inventários anteriores. Para tanto, remediu-se todas as árvores com CAP (circunferência à altura do peito) ≥ 31,4 cm (DAP ≥ 10 cm) presentes na parcela, as quais já se encontravam identificadas e numeradas com etiqueta de alumínio fixadas com prego a 1,25 metros da base da árvore, além de apresentarem uma faixa amarela em torno de 2 cm de largura na altura do ponto de medição (1,30 m), com a finalidade de se evitar erros de medição subsequente da CAP.
Cada indivíduo presente na parcela teve medido a CAP, a altura comercial e total, e as coordenadas X e Y de seu posicionamento dentro da subunidade. Na obtenção da altura comercial considerou-se a altura entre o nível do solo e a porção superior utilizável do tronco, sendo esta determinada por presença de bifurcação, galhos de grande porte ou tortuosidade acentuada. Utilizou-se o Hipsômetro Digital Vertex IV para determinação dessa variável.
Os indivíduos que não constavam no estoque de crescimento, mas que atingiram o CAP mínimo de 31,4 cm no ano da remedição, foram recrutados ao estoque do estrato arbóreo, receberam uma etiqueta de alumínio com número sequencial, sendo identificados botanicamente e medidas todas as variáveis descritas anteriormente. A identificação botânica foi inicialmente realizada in loco, bem como utilizando as informações encontradas nas bibliografias especializadas sobre o assunto. A nomenclatura das espécies seguiu a proposta do Angiosperm Phylogeny Group (APG III, 2009).