• Nenhum resultado encontrado

Estrutura Analítica do Trabalho Orientada ao Produto

7 Do inglês System-Oriented Work Breakdown Structure.

2.1.1.6 Estrutura Analítica do Trabalho Orientada ao Produto

Segundo STORCH et al. (1995), a WBS orientada por sistema tem sido utilizada pela Marinha Americana por mais de 50 anos. Este sistema de classificação reflete a forma de projetar e construir de outros tempos, onde os planos e produtos intermediários eram ambos identificados por sistemas. Desta forma, primeiro se construía o casco, depois se colocavam a planta de propulsão, a planta elétrica e assim por diante.

Atualmente, no entanto, o estado da arte é a construção modular, representada na figura 2.1, na qual a construção se faz a partir da aquisição ou fabricação de partes que são unidas, criando sub-montagens que, por sua vez, são unidas através de diversos níveis de manufatura para formar grandes blocos.

O esquema de classificação para subdividir o trabalho em vista de um produto intermediário é uma estrutura analítica do trabalho orientada ao produto ou PWBS8, onde as partes e sub-montagens são agrupadas segundo características permanentes comuns entre si e classificadas por atributos tanto de design quanto de manufatura.

A classificação pelos aspectos do produto se relaciona com as partes e sub- montagens para um sistema ou zona do design do navio e também para o processo de trabalho pela área de problema e estágio da obra. Desta forma, as famílias de produtos são determinadas tanto pelo design quanto pelos atributos de manufatura. Este conceito, combinado com um grande grau de interação entre as equipes de design e de produção, tem provado ser um poderoso meio para melhorar a produtividade.

A PWBS primeiro divide o processo de construção do navio em três tipos básicos de trabalho: construção do casco, instalação de equipamentos (outfitting) e pintura, visto que cada um impõe problemas de manufatura que são inerentemente diferentes uns dos outros (figura 2.4). De acordo com STORCH et al. (1995), o método de construção do casco em blocos é uma produção orientada por zona que já é aplicada pela maioria dos estaleiros. A mesma lógica, no entanto, não tem sido muito empregada para o outfitting por zona, que é bem mais complexo e difícil de empreender.

Estes três tipos de trabalho são de novo subdivididos em fabricação e montagem que são normalmente associadas somente à construção do casco e outfitting. Dentro da divisão de pintura, fabricação refere-se à preparação da pintura e montagem à sua aplicação.

FIGURA 2.4 – Componentes da WBS orientada ao produto Fonte: Adaptado de STORCH et al. (1995)

Os componentes desta abordagem integrada, representados na figura 2.4, são: a. Método de construção do casco em blocos, aonde as partes do casco, sub-montagens e blocos são fabricados de acordo com os princípios da tecnologia de grupo em linhas de produção organizadas.,

b. Método de outfitting por zona, que traz ganhos de eficiência, através da

construção do casco e outfitting simultâneos, possibilitado pelas zonas de produção controladas por estágios, que são basicamente três: outfitting na unidade, outfitting no bloco e outfitting a bordo.

c. Método de pintura por zona, no qual a preparação da superfície e a pintura são tratadas como um aspecto integrado do processo de construção como um todo.

d. Manufatura de família, como a fabricação de trechos de rede.

e. Um sistema de classificação, a estrutura analítica do trabalho orientada ao produto (PWBS), que facilita a integração de tipos de trabalho inerentemente diferentes através da definição e classificação de produtos intermediários (partes, sub-montagens, unidades de outfitting e blocos), a qual permite um fluxo de trabalho coordenado.

Para STORCH et al. (1995), a construção do casco, o outfitting e a pintura integrados afetam todos os aspectos da construção naval. Isto requer a colaboração de todos os departamentos do estaleiro. O planejamento integrado é conseguido com discussões, negociações e consenso mútuo. O alvo mais importante é um incremento na produtividade sobre a construção naval como um todo.

Na construção naval, uma significante sobreposição entre design, aquisição de materiais e produção é essencial para reduzir o tempo total do projeto. Esta sobreposição, no entanto, reduz o tempo disponível para organizar as informações desenvolvidas pelos projetistas (designers). Desta forma, desde o início do projeto, as informações do design devem ser formatadas para antecipar necessidades relativas a material e produção.

FIGURA 2.5 – Ciclo do gerenciamento da obra de construção naval Fonte: STORCH et al. (1995)

Adicionalmente à sobreposição no tempo, na construção de um navio existe também uma sobreposição entre o sistema funcional e aspectos do produto. Com a PWBS, os pacotes de trabalho são agrupados por aspectos do produto e a apropriação dos custos por recursos do produto. Assim, o custo de mão-de-obra pode ser coletado por zona, área de problema e estágio da obra, enquanto que o custo de material pode ser coletado por sistema. A figura 2.5 mostra o ciclo básico do gerenciamento de qualquer grande projeto industrial. O ciclo inclui estimativas do projeto, planejamento (incluindo definições de design e material), programação do trabalho, execução e, finalmente, a avaliação. Na aplicação da PWBS, a natureza única de cada uma destas fases no ciclo de gerenciamento é endereçada em termos

ESTIMATIVA

PLANEJAMENTO

PROGRAMAÇÃO

EXECUÇÃO

da orientação por sistemas versus por zona. Já que a chave para a construção empregando a PWBS é a construção de produtos intermediários, o estágio de execução é organizado por zonas. Isto é, o navio será construído por zonas a serem unidas no estágio final da construção. Conseqüentemente, esforços são feitos para organizar as funções de suporte, como planejamento, design, definições de material, programação e teste para condizer com a orientação por zona da construção.

FIGURA 2.6 – Orientação por Sistemas e Zona no ciclo do gerenciamento Fonte: Adaptada de STORCH et al. (1995)

A figura 2.6 indica o foco principal, sistema ou zona, de cada uma das fases do ciclo do gerenciamento da construção naval. Nota-se que o processo inicia-se com a orientação por sistema, esta é a vista total do produto final, o navio como um todo, subdividido por sistemas (estrutural e funcionais). Durante a fase de planejamento (incluindo design) ocorre a transformação de orientação por sistemas para orientação por zona. A orientação por zona é então mantida através da fase de execução e alguns testes (parte da fase de avaliação) para refletir a maneira pela qual o trabalho é

feito. Finalmente, a transformação volta a orientação por sistemas para permitir a avaliação geral do produto, o navio e seus sistemas. Estas transformações sistema- para-zona e zona-para-sistema são a chave da tecnologia de grupo na construção naval (STORCH et al., 1995).

2.1.2 PLANEJAMENTO, PROGRAMAÇÃO E CONTROLE DA PRODUÇÃO NA