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Estrutura básica do modelo ORANI-BR

No documento viniciusdealmeidavale (páginas 81-88)

5. ESTRUTURAS DOS MODELOS DE EGC E BASE DE DADOS

5.1. Modelo Nacional de EGC para o Brasil (ORANI-BR)

5.1.2 Estrutura básica do modelo ORANI-BR

A estrutura básica do modelo ORANI e suas extensões estão amplamente documentadas pela COPs (Centre of Policy Studies). Horridge (2000) apresenta uma descrição detalhada do modelo, incluindo observações sobre a estrutura teórica, descrição das equações e possíveis interpretações. Portanto, esta seção baseia-se, sobretudo, no trabalho do autor.25

A estrutura básica do modelo ORANI-BR é dividida, conforme forma esquemática apresentada na Figura 1, em três partes: a) matriz de absorção (uso); b) matriz de produção (recurso); e c) vetor de impostos de importação.

Por meio da figura, é possível identificar os seguintes agentes nas colunas da matriz de absorção: “Produtores” divididos em I setores (V1BAS); “Investidores” decompostos em I setores; “Famílias” representativas (V3BAS); Setor externo – “Exportações” (V4BAS); “Governo” (V5BAS); e “Estoques” – mudanças de estoques dos bens produzidos domesticamente (V6BAS). Os fluxos podem ser de origem doméstica ou importada. Entretanto, vale destacar que, no caso das exportações, somente as commodities produzidas domesticamente são consideradas. Eventuais exportações diretas de bens importados (reexportação) são desconsideradas no modelo.

Em síntese, os fluxos básicos (V1BAS, V2BAS, ..., V6BAS) correspondem ao nível de demanda a preços básicos do setor j ou dos usuários finais por cada um dos c bens de origem doméstica ou importada. Para calibragem desses valores básicos (VBAS), domésticos e importados, utilizaram-se dados da MIP 2011. No caso do vetor de investimentos, a distribuição por setor reproduz a estrutura setorial do Excedente Operacional Bruto (EOB).

As matrizes de margens (MAR), por sua vez, correspondem aos valores básicos das k

commodities margens (no modelo ORANI-BR, comércio e transporte). Esses valores são

requeridos para facilitar o fluxo de bens dentro da economia. Similarmente às matrizes de fluxos básicos (VBAS), as matrizes de margens utilizam dados das tabelas auxiliares estimadas pelo NEREUS no âmbito da MIP do Brasil para 2011.

25

Os impostos, matrizes V1TAX, V2TAX, …, V6TAX, são valoradas pela soma do IPI, ICMS e outros impostos, menos subsídios, para todos os usuários, com exceção Governo e Estoque (variação de estoque) na MIP 2011. No modelo, assume-se que os impostos sobre mercadoria recaem sobre os compradores; portanto, as matrizes de impostos (TAX) representam os impostos indiretos t atrelados aos fluxos de bens.

Figura 1 – Estrutura da base de dados do modelo ORANI-BR

Fonte: Adaptado de Horridge (2000, p. 9).

Em relação ao modelo ORANI-BR, o valor adicionado apresenta dois coeficientes de fator de produção: trabalho (V1LAB_O) e capital (V1CAP). Os impostos sobre produção (V1PTX) representam os impostos líquidos, ou seja, impostos sobre produção descontados

eventuais subsídios. V1OCT refere-se a outros custos incorridos por setor (custo da permanência de estoque, pagamentos municipais, entre outros).

Esses coeficientes são calibrados tomando como base as informações do valor adicionado da MIP 2011. Para V1LAB_O, utilizam-se os salários e contribuições efetivas; para V1CAP, o Excedente Operacional Bruto (EOB); para V1PTX, “outros impostos sobre a produção”; e para V1OCT, outros custos (resíduo).

Por fim, para completar a estrutura básica do modelo, têm-se as matrizes MAKE e V0TAR. A matriz MAKE corresponde à produção de cada produto em cada setor e V0TAR, por sua vez, representa as receitas das tarifas de bens importados (imposto de importação). Ambas as matrizes são obtidas a partir de informações da MIP 2011.

Em conjunto, as matrizes de absorção e de produção satisfazem duas condições de equilíbrio do modelo ORANI-BR. Os totais de cada uma das colunas da matriz MAKE correspondem aos valores da produção dos setores e são idênticos aos custos totais dos setores – soma por setor de V1BAS, V1MAR, V1TAX, V1LAB_O, V1CAP, V1LND, V1OCT e V1PTX. Além disso, os totais de cada linha da matriz MAKE correspondem aos valores básicos de produção das commodities domésticas que são iguais aos valores básicos de demandas das respectivas commodities – soma das colunas de V1BAS e V2BAS, V3BAS, V4BAS, V5BAS e V6BAS. Portanto, a partir dessas relações, tem-se a igualdade entre produção doméstica e demanda por produto doméstico no modelo.

Além da calibragem dos coeficientes, o modelo ORANI-BR necessita de uma série de parâmetros comportamentais. Para tal, no modelo, as elasticidades de Armington seguem as estimativas de Tourinho, Kume e Pedroso (2007). As elasticidades de substituição entre os fatores primários e a elasticidade-preço das exportações dos bens tradicionais seguem as estimativas do modelo SPARTA (DOMINGUES, 2002) e do Modelo de Equilíbrio Geral Computável Multi-Regional, TERM-CEDEPLAR (DOMINGUES et al., 2007). No caso das famílias, o parâmetro de FRISCH é especificado conforme as estimativas de Almeida (2011) e as elasticidades de gastos são especificadas conforme estimativas de Hoffman (2010).

Em relação à estrutura teórica, no modelo ORANI-BR as equações descrevem o comportamento de cada um dos agentes da economia e as condições de equilíbrio: demanda dos produtores por insumos intermediários e fatores primários; oferta de commodities pelos produtores; demanda por insumos para formação de capital; demanda das famílias; demanda

por exportações; relação entre os valores básicos, custos de produção e preços dos consumidores; condições de equilíbrio; e variáveis macroeconômicas e índices de preços.

a) Estrutura de produção

A estrutura de produção do modelo ORANI-BR assume que os setores da economia minimizam custos, sujeitos a retornos constantes de escala. Assumindo separabilidade na função de produção, as decisões dos produtores são estruturadas de forma aninhada, conforme Figura 2.

O produtor combina insumos intermediários e fatores primários. No primeiro nível, o produtor decide o quanto de cada fator primário utilizar e a composição dos insumos intermediários. Ambas as decisões são feitas sob uma função Leontief em que as demandas desses fatores e insumos se dão em proporções fixas.

No segundo nível, por sua vez, o produtor decide a origem de cada insumo, ou seja, o quanto adquirir no mercado doméstico e o quanto importar. O mesmo vale para a composição dos fatores. Nessa etapa da estrutura de produção, as decisões são tomadas sob uma função CES (Constant Elasticity of Substitution) e as origens, sob a hipótese de Armington (1969) – substituição imperfeita entre bens domésticos e importados.

Figura 2 – Estrutura de produção no ORANI-BR

b) Demanda por investimento

A demanda por investimento do modelo ORANI-BR pode ser representada conforme Figura 3. A estrutura é semelhante à da demanda dos produtores apresentada anteriormente, exceto pelo fato da não utilização dos fatores primários. A formação das unidades de estoque de capital é dada também pela estrutura aninhada. Os investidores combinam os insumos de forma a minimizarem os seus custos. No modelo ORANI-BR, o bem de capital é produzido a partir de uma combinação fixa dos insumos (função Leontief). Entretanto, cada insumo intermediário é um composto que pode ter origem doméstica ou importada, visto que as decisões são tomadas sob uma função CES nesse segundo nível.

Figura 3 – Estrutura da demanda por investimento no ORANI- BR

Fonte: Adaptado de Horridge et al. (2000).

c) Demanda das famílias

Similarmente, a demanda das famílias no modelo ORANI-BR tem estrutura aninhada, conforme Figura 4. No modelo, assume-se que cada família representativa (no modelo, dez famílias especificadas de acordo com os níveis de renda) busca maximizar o seu bem-estar. A função de utilidade é dada por uma função não homotética Klein-Rubin e está sujeita a uma restrição orçamentária. Essa especificação condiciona a estrutura de demanda das famílias a um Sistema Linear de Gastos (LES – Linear Expenditure System). No segundo nível, a proporção de insumos importados e domésticos é determinada por uma função CES.

Figura 4 – Estrutura da demanda das famílias no ORANI-BR

Fonte: Adaptado de Horridge et al. (2000).

d) Demanda por exportações

No modelo ORANI-BR, a demanda por exportações é dada pela hipótese de economia pequena no comércio internacional. Portanto, mudanças no comércio externo brasileiro não influenciam os preços internacionais.

A demanda externa por produto nacional c, x4c, é função do preço médio em moeda externa

(

p4c−ϕ

)

e das variáveis de deslocamento (f4Pc,f4xc):

(

c pc

)

c EX c x c

f

p

f

x

4

4

=−σ

, 4

−ϕ−

4 (1)

sendo ϕ a mudança percentual na taxa cambial (numerário do modelo, exógeno); e

σ

EXc um parâmetro de elasticidade-preço constante de demanda.

Vale ressaltar que as demandas por exportação são funções decrescentes de

(

p4c−ϕ

)

. As variáveis de deslocamento são exógenas usualmente, visto que dessa forma permitem simular os efeitos dos movimentos nas curvas de demanda externa.

Por fim, vale destacar que a demanda por exportações é central para o processo de integração entre o modelo nacional, ORANI-BR, e o modelo global de EGC, GTAP. Portanto, na seção 5.3, Integração entre os modelos nacional e global de EGC e o modelo BR-TAM, abordar-se-á de forma detalhada essa demanda e suas implicações dentro do escopo desta Tese.

e) Demais demandas

As demais demandas finais do modelo ORANI-BR, demanda do governo e variações de estoque são tratadas a partir de variáveis de deslocamento. No caso do governo, é possível especificar duas formas de tratamento. Primeiro, quando os termos de deslocamento são mantidos constantes, a demanda do governo é associada às mudanças do consumo privado real. Alternativamente, é possível assumir, a partir da especificação dos termos de deslocamento de forma endógena, que os gastos do governo são acomodados dentro de uma política de restrição orçamentária. Por fim, no caso dos estoques, assume-se que os mesmos se acumulam de acordo com a variação da produção.

f) Extensão para incorporação dos fluxos da MCS

Além do núcleo básico do modelo apresentado anteriormente, o modelo ORANI-BR incorpora as extensões propostas por Corong e Horridge (2012) e Corong (2014), no âmbito do modelo PHILGEM, para introdução das múltiplas famílias e dados provenientes de uma MCS. Vale ressaltar que estratégia semelhante foi utilizada por Cardoso (2016) no modelo BRIGHT. Em síntese, pelo lado da renda, a extensão permite incorporar os rendimentos do capital (EOB) para as Famílias, Empresas e Governo e do trabalho para as Famílias. Além disso, permite incorporar os fluxos de renda correspondentes às transferências entre os agentes. Pelo lado da despesa, a extensão permite incorporar o uso da renda pelos agentes da economia e, por resíduo entre os gastos e despesas, as suas respectivas poupanças.

No documento viniciusdealmeidavale (páginas 81-88)

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