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Estrutura Concorrencial do SPIL de Cinema no Brasil

em 2002 refletindo variações comuns do mercado cinematográfico. O mais importante na análise do market share (que pode variar muito de ano para ano, pois depende do sucessos ou fracassos

5.3. Trajetória Recente do Mercado de Cinema no Brasil

5.3.3. Estrutura Concorrencial do SPIL de Cinema no Brasil

A estrutura concorrencial do Sistema Produtivo e Inovativo de Cinema de cinema no Brasil reflete a mesma

123 estrutura percebida no mercado mundial e apresentada no capítulo anterior (principalmente àquela presente nos principais mercados de cinema ocidentais). As majors norte-americanas dominam o segmento de distribuição e, consequentemente, as parcelas mais relevantes de público e da renda das bilheterias nacionais. O gráfico XX abaixo mostra que cerca de 80% da distribuição de cinema no Brasil é realizada pelas majors. O market-share dos filmes norte-americanos nas bilheterias de cinema do mercado nacional é de 85% [Focus (2010)]. Ao dominar o segmento de distribuição, segmento chave do SPIL de cinema, estas empresas acabam ditando as regras concorrenciais e impactam diretamente nos demais elos do sistema produtivo (produção nacional e exibição).

Gráfico XX

As majors controlam também distribuição dos filmes nacionais como exposto no gráfico XX. As empresas Buena Vista, Universal, Fox, Warner e Sony dominam 66% do mercado de distribuição de cinema nacional em 2007.

Neste ano destaca-se a atuação da distribuidora nacional Europa/MAM responsável pelo lançamento de 24,4% dos filmes brasileiros no mercado nacional.

Gráfico XX

Ao se abordar a atividade de distribuição cinematográfica no Brasil é preciso destacar o papel exercido pela RIOFILME desde o início do período da retomada do cinema nacional. A empresa foi criada em 1992 pela prefeitura da cidade do Rio de Janeiro com a finalidade de apoiar a atividade cinematográfica local e nacional e acabou

124 assumindo um papel fundamental na distribuição do filme nacional (Gatti, 2001). A RIOFILME se destaca como a empresa que lançou o maior número de filmes brasileiros no mercado nacional entre 1995 e 2009. Neste período foram 96 filmes distribuídos diretamente pela RioFilme. Este total atinge 113 filmes incluindo aí os 17 filmes lançados em parceria com outros grupos como Grupo Severiano Ribeiro, Lumière, Pandora, etc. Ou seja, a Riofilme foi responsável pela distribuição e lançamento comercial de 28% da produção de filmes de ficção nacionaos lançados no mercado período abordado.

Filmes de longa-metragem brasileiros lançados em salas de exibição (1995-2009) - ordenado por público pagante cinematográficas sem focar necessariamente a questão comercial. Assim, poucos filmes distribuídos pela empresa alcançaram níveis de público considerados altos. Conforme exposto na Tabela XX acima, os 113 filmes distribuídos diretamente pela Rio Filme geraram apenas 1,7% da receita total gerada pelos filmes nacionais entre 1995 e 2009, com uma renda média de R$ 103,9 mil por filme. O maior sucesso de bilheteria da Riofilme foi Central do Brasil com mais de 1,6 milhões de expectadores no Brasil.

As majors atuaram com foco nos filmes nacionais com maior apelo comercial. Columbia, Fox, Warner,

125 Buena Vista e Universal distribuíram 104 filmes nacionais (26% do total) e dominaram 67% da receita gerada pelos filmes nacionais entre 1995 e 2009, conforme dados apresentados na Tabela XX. Esta atuação foi motivada pela Lei do Audiovisual no seu artigo 3º que criou benefícios para a atuação das distribuidoras internacionais junto ao filme nacional, esta questão será recuperada no item subsequente. Entre as distribuidoras nacionais se destacou o desempenho da Lumière com 11,1 milhões de expectadores e renda de R$ 67,7 milhões nos 14 filmes que distribuiu, obtendo uma renda média de R$ 4,8 milhões por filme distribuído.

Ao contrário do segmento de distribuição o segmento das produtoras cinematográficas é bastante pulverizado no Brasil, caracterizando-se pela existência de uma miríade de micros e pequenas produtoras, muitas destas vinculadas à figura de um cineasta ou de um produtor específico. Na maioria destes empreendimentos falta consistência econômica e empresarial e muitas vezes estas empresas são constituídas temporariamente para a captação de recursos incentivados e para a execução de determinados projetos cinematográficos sem uma visão de sustentabilidade ou competitividade de longo prazo.

Esta afirmação se sustenta na análise de dados obtidos junto à Ancine e compilados no gráfico XX abaixo.

O gráfico mostra a quantidade de produtoras nacionais para cada nível de produção de filmes de longa metragem em um período de 14 anos (entre 1995 e 2009). No geral, neste período, foram produzidos 434 filmes dividido por 232 produtoras, uma média de apenas 1,9 filme por produtora. Cerca da 2/3 de todas as produtoras (67%) produziram apenas um filme nestes 14 anos, com uma renda média por filme de R$ 660 mil. Outras 42 produtoras (18%) produziram apenas 2 filmes com uma renda média de R$ 1,09 milhão. Ou seja, 85% das produtoras produziram um ou dois filmes em 14 anos, o que é um nível de produção extremamente baixo frente àquilo que seria necessário para um padrão consistente e economicamente viável de produção.

Gráfico XX

126 Apenas 4 produtoras (2% do total) produziram mais de 10 filmes neste período com uma renda média por filme de R$ 4,26 milhões, são elas: Diler & Associados (RJ), Conspiração (RJ), Filmes do Equador (RJ) e Videofilmes (RJ). Destacam-se ainda outras importantes produtoras, principalmente no que diz respeito à renda obtida nas bilheterias pelos filmes produzidos, tais como a Total Entertainment (RJ), a O2 Produções (SP) e a Lereby (RJ). Estas produtoras são maiores e com melhor infra-estrutura, possuem equipes técnicas/artísticas mais estruturadas e com maior conhecimento e, sobretudo, buscam uma abordagem empresarial na sua atuação no SPIL de Cinema. Muitas destas empresas têm em comum o fato de não se dedicarem exclusivamente à produção cinematográfica, obtendo parte de suas receitas no segmento de vídeo, produções para TV e produção publicitária.

Tabela XX

Produtoras nacionais com mais de 5 filmes produzidos entre 1995 e 2009 Proponente / Produtora UF Filmes Receita (RBB)

1 Diler & Associados RJ 23 128.438.323

2 Conspiração Filmes RJ 14 85.575.426

3 Filmes do Equador RJ 11 21.215.950

4 Videofilmes Produções Artísticas RJ 11 16.179.875

5 O2 SP 8 33.001.141 Participações S/A. Até 2009 a empresa apresentava um portfolio de co-produção de 87 filmes nacionais, atingindo um público total nas salas de exibição de 93 milhões, ou seja, uma média de 1,07 milhões de expectadores por filme85. Como ilustra a tabela abaixo, com base em dados da Ancine, nove dentre os dez filmes de maior bilheteria do cinema nacional entre 1995 e 2009 contaram coma co-produção da Globo Filmes. A relevância da empresa para a competitividade e desempenho da produção do SPIL de cinema do Rio de Janeiro será aprofundada no próximo capítulo.

Tabela XX

Ranking dos 10 filmes nacionais com maior público no período 1995-2009

Rk Ano Filme Produtora Co-produção

da Globofilmes Público 1 2009 Se eu fosse você 2 Total Entertainment sim 6.112.851 2 2005 Dois Filhos de Francisco Conspiração Filmes não 5.319.677

3 2003 Carandiru HB Filmes sim 4.693.853

85 Quantidade de filmes obtida no site da Globo Filmes (www.globofilmes.com.br). Dados de receita e público por filme compilados do Banco de Dados disponível no website da Ancine (www.ancine.gov.br)

127 4 2006 Se Eu Fosse Você Total Entertainment sim 3.644.956

5 2002 Cidade de Deus O2 Filmes Curtos sim 3.370.871 6 2003 Lisbela e o Prisioneiro Natasha Enterprises sim 3.174.643

7 2004 Cazuza Lereby Produções sim 3.082.522

8 2004 Olga Nexus Cinema e Vídeo sim 3.078.030

9 2003 Os Normais Missão Impossível sim 2.996.467 10 2001 Xuxa e os Duendes Diler & Associados sim 2.657.091 Fonte: Ancine (www.ancine.gov.br). Elaboração Própria.