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2.5 SISTEMA BRASILEIRO DE PAGAMENTOS

2.8.2 Estrutura de Funcionamento das Adquirentes

Cada transação feita em máquinas de cartão obedece dois fluxos para seu funcionamento adequado, o fluxo de autorização, que se trata da troca de informações, e o fluxo de liquidação, que, depois do prazo em que a compra foi passada na máquina, há o pagamento desta. Em seguida, cai na conta do estabelecimento que a máquina está registrada (CREDITCARDS.COM, 2013).

A seguir apresenta-se o fluxo de autorização de transações:

Figura 6 – O fluxo de autorização de transações

Fonte: Mattos (2017, p. 17)

E de forma muito parecida, ocorre o fluxo de liquidação das transações de cartão:

Figura 7 – O fluxo de liquidação de transações

Fonte: Mattos (2017, p. 17)

A empresa adquirente e o banco emissor do cartão pagam, no final do mês, a bandeira do cartão, o Fee, pois é aqui que são contabilizadas a quantidade de

transações realizadas. Nesse ponto, fala-se do modelo de mercado de quatro partes, pois a estrutura que está sendo analisada não tem exclusividade no mercado.

As outras partes do MDR, citadas acima, são descontadas do MDR capturado pela adquirente. Um ponto a se levantar é: essa taxa é diferente de acordo com cada modalidade: débito, crédito à vista e crédito parcelado. Independentemente do valor cobrado pelo MDR a adquirente tem que arcar com os custos do Fee e do IC. Os valores referentes ao IC variam de transação [...]. (MATTOS, 2017, p. 17)

3 ANÁLISE GERAL

Conforme já explicado, o objetivo deste trabalho consiste em analisar o as mudanças causadas pela entrada das Fintechs no Mercado Brasileiro de Pagamentos e os motivos que causaram a abertura do mercado no período que engloba os anos de 2009 a 2018. Para tanto, foi necessário examinar o contexto histórico e as mudanças feitas pelo BCB nesse nicho de mercado, bem como o que foi relevante para a tomada de decisão.

De acordo com pesquisas feitas pela FEBRABAN (2017), as novas tecnologias disponíveis em 2018 estão deixando as centrais de atendimento dos bancos com pouca utilização, pois a maioria das operações está sendo feita pelos canais digitais internet banking e mobile banking, opção que cresce a cada ano que passa. Segundo Abrão (2014, p. 408):

O acesso aos meios tecnológicos equivale à inovação e completa revolução no sistema operacional bancário, na medida em que os serviços priorizam duplo caminho da eficiência e menor custo, sem prejudicar consultas, saques, pagamentos, descontos, tudo on-line, numa clara demonstração de que a internet tem seu espaço progressivo, tanto na função de garantir ao cliente melhor trabalho a distância como no processo eletrônico.

Isso mostra que os brasileiros preferem realizar as operações financeiras pela internet, então, a proposta das Fintechs não é diferente, além de elas serem totalmente digitais, funcionando por aplicativos e sites na web, todo o processo é menos burocrático do que oferecem os bancos convencionais; além disso, possuem um menor custo, em alguns casos nenhum custo, e oferecem um atendimento ágil e eficiente sem precisar sair de casa, o que pesa muito na decisão das pessoas, ainda, é praticidade e agilidade. Os grandes bancos passaram a desenvolver formas alternativas de atendimento para se equiparar ao mercado, parte do seu atendimento nas agências é on-line para promover aos seus clientes o conforto de ser atendido a distância. Existe um forte impacto nas operações que eram realizadas de forma tradicional e hoje são feitas pela internet, os bancos tradicionais foram forçados a se adaptar a essa nova realidade dos bancos digitais para não perder grande parte do mercado.

Figura 8 – Participação das transações bancárias por canais individuais (em %)

Fonte: FEBRABAN (2017)

A partir do percentual de uso dos canais disponíveis para transações na rede bancária brasileira, pode-se observar, também, uma mudança no comportamento do consumidor. Em 2014, nota-se que 21% dos brasileiros se dirigiam aos postos de atendimento presencial, sendo que em 2017 esse número reduziu para 14%, uma queda de 7% no uso do atendimento presencial. É possível observar que ocorreu um movimento grande na migração para os meios digitais, visto que o uso do meio digital pelos aplicativos (internet banking) foi alto em 2014. Dessa forma, é visível reparar que as pessoas já demandavam por atendimento digital. Assim que chegaram as Fintechs no mercado, ocorreu a migração de 10% do público que possuía conta em bancos tradicionais ou que ainda não possuía conta bancária para os bancos mobile. Em 2017, esse segmento obteve um aumento de 25%, o que pressiona ainda mais os bancos tradicionais a oferecerem opções de serviços para combater a concorrência. Esses dados apontam o desenvolvimento do consumidor brasileiro para lidar e usufruir dos serviços financeiros ofertados pelos bancos.

Esse grande movimento da indústria de bancos mobile e na indústria de cartões começou após algumas fusões e aquisições entre os Bancos do Brasil e o Bradesco, proprietários da Visanet, conhecida hoje como Cielo (OLIVEIRA; CADE, 2015). O Banco Central do Brasil (BCB), a Secretaria de Direito Econômico (SDE) e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) acabaram com a exclusividade da bandeira Visa com a adquirente Visanet (KAHIL, 2010). Até 2010, a

indústria de cartões no Brasil era fechada, o mercado de cartões tinha o formato de três partes, nas quais o emissor do cartão e o credenciador ou adquirente eram apenas um agente (MATTOS, 2017).

Isso significa que, naquele período, existiam duas credenciadores principais que possuíam exclusividade com as principais bandeiras e detinham a maior fatia do mercado. A Cielo possuía contrato de exclusividade com a bandeira Visa, e a Rede possuía contrato de exclusividade com a bandeira Mastercard. A composição acionária dessas duas adquirentes em 2006 era concentrada nos bancos, como pode ser mostrado na tabela a seguir:

Figura 9 – Composição da Redecard e da Visanet

Fonte: Banco Central do Brasil (2010)

Em seguida, serão apresentados dois gráficos referentes à quantidade de cartões de crédito emitidos e à concentração da participação da Visanet e Redecard nas transações em cartão dos anos de 2004 a 2010.

Gráfico 2 – Quantidade de Cartões de Crédito Emitidos e Ativos

A seguir apresenta-se gráfico mostrando quais as bandeiras mais utilizadas pela população, elas são a Visa e a Mastercard que, até 2010, representavam mais de 91% do mercado:

Gráfico 3 – Quantidade de Cartões de Crédito Emitidos e Ativos por Bandeira

Fonte: BCBl (2010)

A indústria de cartões era altamente concentrada, todos os bancos brasileiros emitiam cartões de débito da Visa ou da Mastercard, e os cartões de crédito eram quase a mesma situação, salvo apenas as bandeiras Amex, Hipercard e Diners, que se enquadram em “outros” no gráfico acima. Dessa forma, as adquirentes que dominavam o mercado permaneciam Rede e Cielo, pois mais de 90% dos cartões emitidos só podiam transacionar em suas máquinas (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2010).

Devido à grande proporção que as empresas Redecard e Visanet ocupavam no mercado brasileiro de pagamentos, o CADE, no dia 28 de maio de 2009, deu início a um processo administrativo contra a Redecard por impor condições comerciais abusivas às outras empresas que competiam nesse mercado (CADE, 2014). Como resultado dessa ação, o CADE, também, determinou no dia 16 de dezembro de 2009, por meio de um Termo de Compromisso de Cessação (TCC), o fim da exclusividade contratual entre a Visa e a Visanet (OLIVEIRA; CADE, 2015). A partir dessas decisões, foi estabelecido por meio da Lei n. 12.865 que o BCB seria o

regulador dos arranjos de pagamento brasileiros (VALOR, 2013). O Banco Central, se tornou então o agente regulador do mercado de pagamentos com a finalidade de:

[...] um ambiente propício ao desenvolvimento de novas soluções adequadas a diferentes tipos de necessidades, em particular para os consumidores ainda sem acesso a serviços financeiros, alinhando-se às políticas já existentes de inclusão social. (TOMBINI, 2013)

Dessa forma, o BCB instituiu algumas mudanças para tornar o mercado mais competitivo por meio da Resolução n. 4.282, de 4 de novembro de 2013 (BCB, 2013b). Mas, apesar de todos os esforços dos agentes reguladores do mercado para aumentar a competitividade por meio da quebra da exclusividade das bandeiras Mastercard e Visa que ocorreu em 2010, o mercado de adquirentes nesse período não teve grandes mudanças em seu formato. Foi apenas a partir de 2017 que outras empresas passaram a ingressar com força na indústria de meios de pagamentos. Esse fato ocorreu devido à existência de outras grandes bandeiras, por exemplo: Hipercard, Amex e Elo, que, apesar de não terem o poder e a representatividade que a Visa e a Master detinham, ainda assim eram significativas nesse meio. Ressalta-se que, para que um estabelecimento pudesse aceitar todas as bandeiras de cartão em seu comércio, seria necessário obter várias máquinas de cartão, por consequência, vários contratos de taxa com cada uma das adquirentes e muita negociação e burocracia, fato este que a maioria dos empresários e dos autônomos pessoa física não estava disposto a enfrentar. Foi então que o CADE instaurou mais um processo administrativo contra uma das bandeiras que, também, não permitia o avanço da verticalização dos meios de pagamento:

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) homologou nesta quarta-feira um acordo com o Itaú Unibanco e a rede de cartões Hipercard Banco Múltiplo. O Termo de Cessação de Conduta (TCC) permitirá que a bandeira Hipercard seja aceita em qualquer máquina de cartões, não mais apenas pelas máquinas da Rede, credenciadora ligada ao Itaú. O acordo decorreu de um inquérito, aberto pelo Cade, que questionava a exclusividade, para esse tipo de cartão, às máquinas da Rede. O inquérito ainda investiga essa mesma relação entre os cartões Elo e Amex em relação à Cielo. Para essas empresas, no entanto, não houve acordo e o caso ainda está aberto. (NASCIMENTO, 2017)

Devido à existência dessas bandeiras, os potenciais novos entrantes do mercado foram inibidos a participar da competição. É possível observar que até mesmo empresas como Get Net, que é apoiada por um grande banco por trás de sua estrutura, o Santander, teve dificuldades de entrar no mercado das adquirentes

devido à alta concentração e à pouca distribuição do mercado. Outras adquirentes que estavam entrando no mercado no mesmo período também passaram por dificuldade para ganhar representatividade, a Stone e Bin, por exemplo, conforme afirma a BB Investimentos (2016).

No entanto, era esperado, após 2010, com a quebra da exclusividade da Visa e da Mastercard, que o mercado passasse por grandes mudanças, mas levou sete anos até que as mudanças ocorressem na indústria de cartões. Foi a partir de 2017 que começaram as grandes mudanças na distribuição do mercado, pois foi nesse período que todas as bandeiras passaram a transacionar em qualquer máquina (MATTOS, 2017). O gráfico a seguir mostra o aumento da quantidade de POS distribuídas no Brasil de 2012 a 2018 e é possível observar a discrepância no aumento da quantidade desses terminais no mercado de 2017 para 2018.

Gráfico 4 – Quantidade de POS Distribuídos no Brasil de 2012 a 2018

Fonte: Bank for International Settelements (2018)

A partir desse ponto, o mercado passou a crescer, de forma que hoje há muitas empresas competindo no mercado de adquirentes por mais espaço. Assim que as máquinas de cartão passaram a aceitar todas as bandeiras, surgiu a oportunidade para os investidores e a competitividade vem aumentando a cada dia mais.

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