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ENSAIO 3 IMPACTOS DA CONCORRÊNCIA CHINESA SOBRE OS

3.2. Estrutura do comércio da China e do Brasil no MERCOSUL

A fim de conhecer melhor a inserção e as mudanças acontecidas na estrutura do comércio exterior brasileiro e da China no âmbito do MERCOSUL, neste trabalho foram agrupados os produtos que participam do comércio entre esses países e os membros do bloco em 10 grupos de produtos99. Assim, na Tabela 1 é apresentada a estrutura das exportações e importações da economia Chinesa no MERCOSUL, período de 1995 a 2011.

Observa-se na Tabela 3.1 que o grupo de produtos Materiais em Bruto (exceto combustível), o qual sabidamente tem forte conteúdo de recursos naturais, é o grupo que historicamente apresenta a maior representatividade dentro das importações da China do MERCOSUL. Neste grupo observa-se um padrão definido de aumento a partir do ano de 1995 com 27,21% e obtendo aumentos progressivos nos anos posteriores, atingindo 77,44% de representatividade no ano de 2011. No entanto, outros grupos como Animais

99 O critério de agrupação dos produtos segue de perto aquele sugerido por UNCOMTRADE. SITC (Standard International Trade

Classification) Rev. 3, corresponde à terceira revisão do sistema de classificação de produtos publicada pelas Nações Unidas para

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e óleos vegetais e, gorduras e ceras que em 1995 representavam 36,55% do total importado pela China, sofreram quedas de participação ao longo dos anos, em parte pela crise financeira internacional que se refletiu no comércio internacional, reduzindo gradativamente a representatividade para 1,89% em 2011. O grupo de Alimentos e animais vivos que em 1995 tinha participação de 10,92% no total importado por este país, após a década de 2000 houve decrescimento continuo deste grupo chegando a representar em 2004 apenas 2,11% das importações chinesas do MERCOSUL, certamente a redução da demanda chinesa por bens primários foi determinante para este desempenho do grupo.

Com relação aos bens manufaturados observa-se que antes do ano 2000 a China obtinha uma parcela importante de produtos manufaturados através das importações dos países do MERCOSUL, em especial do Brasil e da Argentina. Contudo, ao longo dos anos pode-se constatar que o perfil importador Chinês vem se modificando.

Nestes termos, o grupo Bens manufaturados classificados por material em 1995 detinha a participação de 15,50%, porém reduzindo-se paulatinamente a participação para 7,63% em 2009 e 3,34% em 2011, nas importações chinesas dos países do Cone Sul. Os demais grupos tiveram participações relativamente baixas e comportamento não padronizado ao longo do período analisado.

Em relação às exportações da China para o MERCOSUL verifica-se que estas se concentram no grupo de produtos manufaturados100 Máquinas e equipamentos de transporte, que em 1995 representava 30,80%, passando a representar 41,52% no ano de 2004 e aumentando para 48,66% do total exportado pela China para o bloco em 2011. No desempenho deste grupo é possível verificar a competitividade da economia chinesa,

ao aumentar suas exportações para países emergentes no MERCOSUL.

O grupo de Bens manufaturados classificados por material, que tinha participação em 1995 de 15,93% e nos períodos subsequentes após mostrar altos e baixos, aumenta sua representatividade para 18,89% em 2011, desempenho superior ao percentual verificado no ano de 2004 de 14,16% de participação. Já, os grupos de obras diversas, tiveram uma retração na sua representatividade passando de 38,94% em 1995 para 19,34 em 2011. Por outro lado, o grupo Produtos químicos e produtos relacionados que representava 6,85% em 1995 aumentou a sua representatividade ao longo do período alcançando 10,35% em 2011.

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Com relação aos demais produtos delineados como do setor agrícola, verifica-se que estes detêm apenas uma pequena parcela da representatividade total nas exportações da China aos países da MERCOSUL. Neste sentido, o grupo Alimentos e animais vivos passaram de 2,09% em 1995 para 0,72% em 2004 e posteriormente para 1,40% em 2011.

A Tabela 3.2, a seguir, mostra a estrutura do comércio do Brasil com o MERCOSUL por grupos de produtos no período de 1995 a 2011. Observa-se que o grupo de produtos Máquinas e equipamentos de transporte é o setor que historicamente apresenta a maior representatividade dentro das exportações brasileiras para o bloco, passando de 36,52% em 1995 para 42,85% em 2004 e aumentando a sua participação para 48,73% em 2011. Seguido pelo grupo de Produtos Químicos e produtos relacionados com participações de 16,03%; 18,11% e 12,97%, respectivamente para os anos de 1995, 2004 e 2011. Outro grupo de destaque nas vendas brasileiras para os países do bloco refere-se ao grupo de Bens manufaturados classificados por material que se manteve em um padrão definido no período analisado, com participação em torno de 12,32% em 1995, passando para 16,80% em 2004 e caindo para 11,34% em 2011.

Tabela 3.1: Estrutura do Comércio da China com o MERCOSUL por grupo de produtos 1995/2011 em Part. Relativa (%)

Anos 1995 1999 2004 2009 2011

SITC/Grupo de produtos Exp. Imp. Exp. Imp. Exp. Imp. Exp. Imp. Exp. Imp.

0 00 a 09 Alimentos animais vivos

2,09 10,92 1,46 11,79 0,72 2,11 1,10 1,30 1,40 4,17 1 11 a 12 Bebidas e tabacos 0,12 0,24 0,08 0,09 0,10 0,61 0,01 1,42 0,01 0,96 2 21 a 29 Materiais em bruto 0,88 27,21 1,01 52,81 0,44 62,04 0,39 74,0 0,44 77,4 3 32 a 35 Combustíveis minerais e mat. relacionados 4,29 0,05 1,91 0,00 11,11 5,23 0,14 5,74 0,89 8,66 4 41 a 43 Animais e óleos veg.,

gord. e ceras 0,00 36,55 0,06 15,08 0,03 12,93 0,02 5,78 0,01 1,89 5 51 a 59 Produtos químicos e produtos relacionados

6,85 2,71 12,25 3,26 14,81 1,97 11,79 1,96 10,35 1,36 6 61 a 69

Bens manufaturados classificados por

material 15,9 15,50 13,02 12,11 14,16 10,72 16,57 7,63 18,89 3,34 7 71 a 79 Máquinas e equip. de transporte

30,8 6,43 36,90 2,98 41,52 4,05 50,37 1,95 48,66 2,02 8 81 a 89 Obras diversas 38,9 0,24 33,26 1,84 17,11 0,21 19,62 0,21 19,34 0,16 9 91 a 97 Outras transações 0,11 0,16 0,06 0,05 0,01 0,12 0,01 0,00 0,01 0,00 TOTAL 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100

121 Tabela 3.2: Estrutura do Comércio do Brasil com o MERCOSUL por grupos de produtos

1995/2011 em Part. Relativa (%)

Anos 1995 1999 2004 2009 2011

SITC/Grupo de produtos Exp. Imp. Exp. Imp. Exp. Imp. Exp. Imp. Exp. Imp.

0 00 a 09 Alimentos animais vivos 8,27 35,20 8,40 32,44 4,24 27,25 4,17 26,50 3,91 26,6 1 11 a 12 Bebidas e tabacos 3,99 0,76 1,32 0,20 0,33 0,41 0,75 0,41 0,61 0,44 2 21 a 29 Materiais em bruto 15,20 14,19 7,92 11,47 11,62 9,48 7,89 4,83 11,62 4,85 3 32 a 35 Combustívei s minerais e mat. relacionados 1,78 11,91 0,71 9,93 1,32 17,19 10,64 10,09 6,89 7,87 4 41 a 43 Animais e óleos veg., gord. e ceras 0,26 2,83 0,27 2,24 0,16 0,77 0,16 1,04 0,16 0,88 5 51 a 59 Produtos químicos e produtos relacionados 16,03 6,48 15,25 10,32 18,11 19,73 14,74 13,70 12,97 11,9 6 61 a 69 Bens manufaturad os classificados por material 12,32 4,05 19,78 4,92 16,80 5,11 14,89 4,24 11,34 7,99 7 71 a 79 Máquinas e equip. de transporte 36,52 21,96 38,45 26,85 42,85 18,64 42,89 37,96 48,73 38,3 8 81 a 89 Obras diversas 5,62 2,61 7,89 1,64 4,58 1,41 3,86 1,23 3,77 0,94 9 91 a 97 Outras transações 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 TOTAL 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100

Fonte: UN Comtrade. Cálculos realizados pelo autor.

Com relação aos grupos de produtos considerados tradicionais na pauta do comércio exterior brasileiro e reconhecidamente na literatura econômica como sendo intensos em recursos naturais temos os grupos deAlimentos, animais vivos e Bebidas e tabacos. Verifica-se para esses grupos de produtos uma baixa participação para o bloco e com tendência de diminuição ao longo do período analisado.

Ainda, na Tabela 3.2, pode-se observar a estrutura das importações do Brasil advindas do MERCOSUL. Dentre os grupos de produtos que mais se destacam temos o grupo de Máquinas e equipamentos de transporte que teve uma participação de 21,96% , 18,64 e 38,37%, para os anos de 1995, 2004 e 2011, respectivamente. Outro grupo que se destaca na pauta é Alimentos, animais vivos que passou de 35,20% em 1995 para 27,25% em 2004 e atingindo a representatividade de 26,27% em 2011. O grupo de Produtos Químicos e produtos relacionados também é importante na pauta, saindo de uma representatividade de 6,48% em 1995 para 19,73% em 2004 e 11,99% em 2011.

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Em resumo, ao longo do período considerado houve mudanças importantes na estrutura do comércio brasileiro com o MERCOSUL, assim a análise dos impactos da concorrência chinesa deve ser analisada levando em conta essas transformações no comércio do MERCOSUL, em que a produção compartilhada tornou-se um elemento importante com a China exercendo papel crescentemente destacado nesse processo, com impactos diferenciados sobre os grupos de produtos. Na próxima seção buscar-se-á realizar uma breve análise dos estudos que procuraram verificar em que medida a expansão comercial chinesa deslocou competidores em terceiros mercados.

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