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5. A INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA E AS POLÍTICAS DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO

5.2 ANÁLISE DA COERÊNCIA DO PROGRAMA PESSOA

5.2.1 ESTRUTURA DO PROGRAMA

Um dos principais eixos prioritários de intervenção do QCA II, em Portugal consistia na qualificação dos recursos humanos e na promoção do emprego, simultaneamente, com a pretensão de reforçar a competitividade da economia, a qualidade de vida e a coesão social.

Quadro 5-7: Formas de intervenção do Eixo 1 do QCA II para Portugal

SUBVENÇÕES COMUNITÁRIAS INTERVENÇÕES OPERACIONAIS

Eixo 1 – Qualificar os Recursos Humanos e o Emprego

Intervenções Operacionais FEDER FSE

Bases do Conhecimento e da Inovação Educação (PRODEP)

Ciência e Tecnologia (PRAXIS)

X X Formação Profissional e Emprego (PESSOA*)

Qualificação Inicial e Inserção no Mercado de Emprego * Melhoria do nível e da Qualidade do Emprego *

Apoio à Formação e Gestão dos Recursos Humanos * Formação da Administração Pública

X X X X X X X X Fonte: DAFSE (1999) 21

Criada pela resolução de Conselho de Ministros n .º 92/98, com a publicação da sua lei orgânica. 22

Este Ministério foi criado pelo DL n.º 55/98 que aglutinou, num único ministério, as áreas de emprego, formação profissional, trabalho e segurança social.

Embora o Programa traduza a continuidade dos esforços iniciados nestes domínios no âmbito do QCA I, a sua concepção reflecte um salto qualitativo ao nível da organização das intervenções em matéria de formação e emprego (Quadro 5-8), destacando-se os seguintes aspectos:

• A equação da formação como instrumento de inserção profissional, de melhoria do nível e qualidade do emprego e de promoção da eficácia das intervenções nestes domínios;

• A passagem de uma intervenção predominantemente orientada por tipologias de públicos-alvo para uma actuação dirigida a três apostas identificadas: valorização da relação qua lificação/inserção profissional, promoção do nível e qualidade do emprego e, qualificação das intervenções nos dois mercados.

Quadro 5-8: QCA I vs QCA II - Estrutura comparada dos apoios à Formação e ao Emprego

QCA I QCA II

Objectivo Nº 1

PO 1 - Formação profissional de Activos ; PO 2 - Desenvolvimento a Apoio às Estruturas de

Emprego e Formação;

PO 3 - Formação profissional de jovens em Regime de Alternância;

PO 4 - Formação profissional em Tecnologias de Informação;

Objectivo Nº 3

PO 5 - Formação profissional de adultos; desempregados de longa duração PO 6 - Apoio à Criação de postos de trabalho para

adultos;

PO 7 - Formação/Emprego de adultos deficientes desempregados de longa duração; PO 8 - Formação/Emprego de mulheres adultas

desempregadas de longa duração; PO 9 - Formação/Emprego de emigrantes adultos

desempregados de longa duração;

Objectivo nº 4

PO 10 - Formação profissional para a inserção de jovens à procura de emprego;

PO 11 - Apoio à criação de postos de trabalho para jovens à procura de emprego;

PO 12 - Formação/emprego de jovens deficientes à procura de emprego;

PO 13 - Formação/emprego de jovens deficientes à procura de emprego;

PO 14 - Formação/emprego de emigrantes jovens à procura de emprego.

Subprograma 1 – Qualificação Inicial e Inserção no Mercado de Trabalho

1.1 Sistema de Aprendizagem;

1.2 Iniciação Profissional e Qualificação Profissional /outras modalidades;

1.3 Inserção no Mercado de Trabalho /Unidades de Inserção na Vida Activa;

Subprograma 2 – Melhoria da Qualidade e do Nível de Emprego

2.1 Apoios ao Emprego (apoios à criação de postos de trabalho e actividades independentes, programas ocupacionais e apoios à mobilidade geográfica); 2.2 Formação Profissional Contínua (formação para

promover a adaptabilidade profissional de activos e formação para trabalhadores de pequenas empresas) 2.3 Formação Profissional para Desempregados;

2.4 Formação no Âmbito das Evoluções Sectoriais Negativas;

Subprograma 3 – Formação e Gestão de Recursos Humanos

3.1 Medidas de Carácter Geral (informação profissional, Observatório do Emprego e Formação, estudos e investigação, processos e recursos didácticos e rede institucional de consultores);

3.2 Formação de formadores e outros agentes ; 3.3 Construção e adaptação de infra-estruturas .

De um conjunto de 14 Programas Operacionais no QCA I passa-se para um Programa organizado em três subprogramas, 10 medidas e 22 linhas de acção no QCA II. Estão bem patentes os desafios da integração e da coordenação que persistem neste modelo de estruturação.

A nova concepção de organização deste Programa afigura-se mais integradora das actuações em matéria de valorização dos recursos humanos e da promoção do emprego. Os desafios da integração e da coordenação persistem neste modelo de estruturação.

Quadro 5-9: Estrutura de objectivos do Programa Pessoa ( objectivos gerais e objectivos específicos)

OBJECTIVOS GERAIS OBJECTIVOS ESPECÍFICOS

Melhorar, de forma generalizada, o nível de qualificação dos jovens e promover a sua maior e mais fácil integração na vida activa;

SP 1 – Qualificação Inicial e Inserção no Mercado de Emprego

M1: Melhorar as condições de ingresso na vida activa a jovens, proporcionando-lhes uma formação profissional qualificante;

M2: Melhorar as condições de ingresso na vida activa a jovens adultos, proporcionando-lhes uma formação profissional qualificante, ou ainda, proporcionando uma formação técnica pós -secundária de nível superior;

M3: Melhorar as possibilidades de inserção na vida activa dos jovens através da criação de estruturas que proporcionem um melhor conhecimento e acesso às oportunidades de emprego.

Melhorar a qualificação dos activos em formações transversais, actuando em áreas estratégicas;

Criar alternativas de emprego e formação profissional para os desempregados e assegurar intervenções integradas em regiões sujeitas a evoluções sectoriais negativas;

SP2 – Melhoria do nível e da Qualidade de Emprego M1: Desenvolver actividades de apoio a desempregados, com

prioridade para os de longa duração, com vista a criar condições que facilitem a sua inserção ou reinserção no mercado de emprego, através dos seguintes apoios: à mobilidade geográfica, à contratação, à criação de actividades independentes e à ocupação dos desempregados no período de desemprego;

M2/M3: Potenciar o desenvolvimento cultural, social e profissional da população activa portuguesa, através da formação de activos e desempregados, visando conferir- lhes flexibilidade e melhores qualificações no contexto das mutações tecnológicas e organizacionais em curso; M4: Permitir a trabalhadores desempregados ou em risco de

desemprego nestas regiões, uma formação que melhore as suas perspectivas de emprego noutra profissão, noutro sector ou região, ou então, que possibilite quer a realização de actividades económicas fornecedoras de um rendimento complementar quer a criação de uma actividade independente.

Organizar melhor o mercado de formação profissional.

SP3 – Apoio à Gestão dos Recursos Humanos

M1: Melhorar a eficácia do sistema de informação profissional, implementando um sistema de certificação profissional das formações e qualificações profissionais, de forma evolutiva e seguindo os referenciais comunitários, desenvolvendo e disponibilizando os recursos didácticos necessários ao processo formativo;

M2: Capacitar formadores e técnicos no âmbito da formação e do emprego para responderem às necessidades das entidades públicas e privadas neste domínio nas várias fases do sistema;

M3: Dotar os agentes da política de emprego e formação das estruturas necessárias ao desenvolvimento da sua acção.