O Tratado de Assunção, de 1991, e o Protocolo de Ouro Preto, de 1994, fixaram as bases da estrutura institucional do Mercosul, que tem um desenho próprio bem definido. "A composição e a atuação dos órgãos executivos do Mercosul têm configuração estritamente intergovernamental, com delimitação de áreas de competência e atuação marcadas por pouca flexibilidade” (CASELLA, 1996, p. 159).
Completa Ekmekdjian (1996, p. 211): “La naturaleza de los órganos del
Mercosur responde a la de los organismos intergubernamentales, alejándo-se de aquellos que pueden funcionar con cierta independencia de los gobiernos”.
No Mercosul há, pois, uma estrutura típica das organizações intergovernamentais: seus órgãos são formados por representantes diretos dos governos dos Estados-Partes, sujeitos à hierarquia interna, nomeados e exonerados livremente, e cujas decisões são tomadas por consenso.
Sendo ou não a melhor opção, o certo é que a estrutura adotada para o Mercosul foi a de uma reunião de Estados soberanos nos moldes de uma organização internacional.
Os órgãos da estrutura institucional do Mercosul, na forma do que dispõe o art. 1º, I a VI, do Protocolo de Ouro Preto, são o Conselho do Mercado Comum, o Grupo Mercado Comum, a Comissão de Comércio do Mercosul, a Comissão Parlamentar Conjunta, o Foro Consultivo Econômico-Social e a Secretaria Administrativa do Mercosul.
O Conselho do Mercado Comum é o órgão superior do Mercosul, cabendo-lhe a condução política do processo de integração e a tomada de decisões para assegurar o cumprimento dos objetivos estabelecidos pelo Tratado de Assunção e a formação final do mercado comum, assim como exercer a titularidade
da personalidade jurídica de direito internacional do Mercosul e negociar e firmar acordos em nome deste com terceiros países, grupos de países e organizações internacionais. É composto pelos Ministros das Relações Exteriores e da Economia dos Estados-Membros (ou equivalentes). A presidência alterna-se, com observância à ordem alfabética dos países-integrantes, com mandato de seis meses (arts. 3º a 5º do Protocolo de Ouro Preto).
As reuniões do Conselho do Mercado Comum são periódicas e, pelo menos uma vez a cada semestre, deve contar com a participação dos Presidentes dos Estados-Membros, formando a Cúpula do Mercosul. Sua função normativa compreende as normas internas de organização e aquelas que se dirigem ao comportamento dos países-signatários e suas decisões são tomadas por consenso, mas sua validade está subordinada à presença de todos os participantes (arts. 6º a 9º do Protocolo de Ouro Preto).
O Grupo Mercado Comum é o órgão executivo do Mercosul, encontrando- se subordinado ao Conselho do Mercado Comum. Incumbe-lhe organizar as reuniões deste e preparar-lhe relatórios e estudos, tomar as medidas necessárias ao cumprimento das decisões tomadas pelo Conselho do Mercado Comum, fixar programas de trabalho que assegurem avanços para a formação do mercado comum, aprovar seus orçamentos, adotar resoluções em matéria financeira e orçamentária e negociar, por delegação expressa do Conselho do Mercado Comum, acordos em nome do Mercosul com terceiros países, grupos de países e organizações internacionais (PROTOCOLO DE OURO PRETO, arts. 10 e 14).
É composto por quatro membros titulares e quatro membros alternos por país-signatário, designados pelos respectivos governos, entre os quais devem constar necessariamente representantes dos Ministérios das Relações Exteriores e da Economia (ou equivalentes) e dos Bancos Centrais. A coordenação fica a cargo dos Ministérios das Relações Exteriores. Sua função normativa compreende as regras relativas aos programas de trabalho que assegurem avanços para a criação do mercado comum e as resoluções em matéria financeira e orçamentária, com base nas orientações do Conselho do Mercado Comum. Suas decisões são também tomadas por consenso (PROTOCOLO DE OUTRO PRETO, arts. 11, 12, 13 e 15).
A Comissão de Comércio do Mercosul situa-se em nível hierárquico inferior ao Grupo Mercado Comum. Exerce atividade consultiva e de
assessoramento, cabendo-lhe velar pela aplicação dos instrumentos de comércio comum acordados pelos Estados-Membros para o funcionamento da união aduaneira, acompanhar e revisar os temas e matérias relacionados com as políticas comerciais comuns, com o comércio intra-Mercosul e com terceiros países e propor ao Grupo Mercado Comum novas normas ou modificações às já existentes relativas à matéria comercial e aduaneira (PROTOCOLO DE OURO PRETO, arts. 16 a 19).
É integrada por quatro membros titulares e quatro membros alternos por país integrante e será coordenada pelos Ministérios das Relações Exteriores. Sua função normativa manifesta-se por meio de diretrizes ou propostas, sendo as primeiras obrigatórias para os Estados-Partes (PROTOCOLO DE OURO PRETO, arts. 17 a 20).
A Comissão Parlamentar Conjunta é o órgão representativo dos Parlamentos dos Estados-Partes no âmbito do Mercosul, incumbindo-lhe acelerar os procedimentos para a aprovação das normas emanadas dos órgãos do Mercosul e auxiliar na harmonização das legislações nacionais requerida pelo avanço do processo de integração. É integrada por sessenta e quatro parlamentares – dezesseis para cada Estado-Parte – designados pelos respectivos Parlamentos nacionais (PROTOCOLO DE OURO PRETO, arts. 22 a 25).
Tem função consultiva, deliberativa e de formulação de propostas, no âmbito do Mercosul. Não tem função legislativa. Manifesta-se por meio de recomendações, sem caráter obrigatório, que são encaminhadas ao Conselho do Mercado Comum por intermédio do Grupo Mercado Comum (PROTOCOLO DE OURO PRETO, art. 26).
A Comissão Parlamentar Conjunta é integrada por várias subcomissões, para tratar dos assuntos relevantes do Mercosul, visando à conformação de um mercado comum: comércio, tarifas, normas técnicas, políticas fiscal e monetária, transporte, políticas industrial e tecnológica, política agrícola, políticas macroeconômicas, política trabalhista, cultura, meio ambiente, relações institucionais e direito da integração.
O Foro Consultivo Econômico-Social é o órgão representativo dos setores econômicos e sociais no Mercosul, possibilitando, assim, maior participação da sociedade nas decisões que dizem respeito ao processo de integração da região e,
ao mesmo tempo, maior transparência dos atos emanados dos órgãos do Mercosul. Tem função consultiva e manifesta-se por meio de recomendações ao Grupo Mercado Comum (PROTOCOLO DE OURO PRETO, arts. 28 e 29).
A Secretaria Administrativa do Mercosul é o órgão de apoio operacional, cabendo-lhe prestar serviços aos demais órgãos do Mercosul, servir-lhe como arquivo oficial de sua documentação, publicar as decisões oficiais adotadas e organizar os aspectos logísticos das reuniões do Conselho do Mercado Comum, do Grupo Mercado Comum e da Comissão de Mercado do Mercosul. É dirigida por um diretor – um nacional de um dos Estados-Partes – eleito pelo Grupo Mercado Comum, em bases rotativas, após consulta prévia aos países-integrantes, sendo designado pelo Conselho do Mercado Comum, com mandato de dois anos, vedada a reeleição (PROTOCOLO DE OUTRO PRETO, arts. 31 e 32).
Tem sede em Montevidéu, e suas despesas, previstas no orçamento do Mercosul, serão suportadas, por igual, pelos Estados-Partes.