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II.3 Problemas a serem enfrentados

II.3.3 Estrutura laboratorial, recursos e demanda

Independentemente de como será trabalhado o método prático, seja qualitativo, quantitativo ou de demonstração, é preciso que as escolas tenham laboratórios dignos, para um adequado aprendizado dos alunos, para que se possa utilizar a prática não apenas com a Física, mas com a Biologia e a Química. As salas de aula devem ser suficientemente espaçosas para que todos os alunos de uma turma possam acompanhar com primazia as aulas práticas. É necessário que as salas sejam bem estruturadas, com móveis adequados, e contenham também redes hidráulica e elétrica. Além disso, deve haver constante reposição de equipamentos e materiais, primordiais à continuidade das práticas.

O grande problema é que um laboratório completo de ciências exige alto investimento.

Apesar de que se podem fazer também experimentos com baixos custos e materiais alternativos. Além disso, na prática, há outras dificuldades que problematizam ainda mais a existência dos laboratórios nas escolas, como o deslocamento dos alunos até eles, a impossibilidade, muitas vezes, da divisão da turma – já que não há como realizar a prática com muitos discentes simultaneamente – além da necessidade de substituição e renovação constantes de materiais. (BENITE, BENITE, 2009). Com isso, o que geralmente acontece é que as escolas ainda não possuem laboratórios e os alunos têm que contar com a boa vontade dos professores que produzem as demonstrações com orçamento próprio.

“As seções “Laboratório Caseiro”, na qual os professores e / ou equipamentos que foram criados, adaptados ou simplificados por eles, e

“Demonstre em Aula”, onde são apresentados experimentos de laboratório de fácil execução e que ilustram situações físicas que oferecem dificuldades para o aluno, fornecem uma alternativa ao ensino quase que exclusivamente teórico da maioria das escolas de Ensino Médio, devido à inexistência de laboratórios nas mesmas (PEDUZZI et al.,1990).”

O Censo Escolar de 2009, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep – faz, anualmente, um levantamento quantitativo sobre a educação básica no país em todas as escolas públicas e privadas existentes. O censo aponta o número de alunos matriculados nas escolas, além de mostrar também alguns itens da infraestrutura escolar existente. Esses dados são importantes para a União, pois ajudam no cálculo dos coeficientes de distribuição dos recursos do Fundo de Manutenção e

Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb.

Para analisar como estão disponibilizados os laboratórios de Ciências – que incluem Física, Química e Biologia –, temos as seguintes tabelas de infraestrutura para o ensino fundamental e médio presentes nos Resumos Técnicos dos Censos da Educação Básica de 2009 e 2010. Também incluímos as matriculas em laboratório de informática, acesso à internet e bibliotecas para simples comparação de dados. O Resumo técnico do Censo de 2011 não foi incluído, pois nele não consta mais a contagem dos laboratórios de Ciências.

2009

Infraestrutura

Ensino

Fundamental Regular

Escolas Matrículas % de Alunos Laboratórios de

Ciências 15.238 6.827.452 21,5

Laboratórios de

Informática 49.477 20.194.441 63,7 Acesso à internet 60.247 22.984.647 72,5 Biblioteca 52.355 18.078.334 57,0 Fonte: MEC/Inep/Deed.

TAB.II.1 Tabela de Infraestrutura no Ensino Fundamental Regular em 2009

2010

Infraestrutura

Ensino

Fundamental Regular (anos Finais) Escolas Matrículas % de Alunos Laboratórios de Ciências 14.781 4.638.376 32,6 Laboratórios de Informática 41.981 11.831.835 83,0 Acesso à internet 43.459 12.236.951 85,9 Biblioteca 36.417 9.198.575 64,6

2009

Infraestrutura

Ensino Médio

Escolas Matrículas % de Alunos Laboratórios de

Ciências 12.344 4.679.903 56,1 Laboratórios de

Informática 22.324 7.712.800 92,5 Acesso à internet 23.236 7.702.181 92,4 Biblioteca 18.751 6.182.073 74,2 Fonte: MEC/Inep/Deed.

Fonte: MEC/Inep/Deed.

TAB.II.3 Tabela da Infraestrutura no Ensino Médio em 2009

TAB.II.2 Tabela de Infraestrutura no Ensino Fundamental Regular em 2010

Analisando os dados de 2009, observa-se que o número de laboratórios no ensino fundamental é muito baixo, apenas 21,5% dos alunos tiveram acesso; no ensino médio o índice é um pouco melhor (56,1%). O Inep enfatiza que, para o ensino fundamental, há necessidade rápida de ampliação no atendimento aos alunos no caso de laboratórios. Para o ensino médio, os laboratórios de ciências, que são considerados, segundo o Inep, ferramenta fundamental para o processo de ensino e aprendizagem, precisam ser amplamente expandidos.

Comparando-se o número de alunos matriculados nos ensinos fundamental e médio (63,7% e 92,5% respectivamente) que usaram os laboratórios de informática com o número de alunos que estiverem presentes em laboratórios de Ciências (21,5 % no ensino fundamental regular e 56,1 para o ensino médio), percebe-se uma diferença alarmante. O cenário não melhorou muito em 2010. Houve um crescimento no número de alunos matriculados nos laboratórios de Ciências (11,1% no ensino fundamental e 0,5% em turmas do ensino médio). Apesar da grande importância do Censo feito pelo Inep, os dados não dizem tudo. Deve-se analisar também as particularidades de cada escola.

Entre tantos problemas que influem direta ou indiretamente na qualidade de ensino, pode-se destacar a falta de infraestrutura das escolas, evidenciada, entre outros fatos, pela inexistência de bibliotecas e laboratórios (PEDUZZI et al,1990). Isso ocorre apesar de a LDB,

2010 Biblioteca 19.175 6.677.681 79,9 Fonte: MEC/Inep/Deed.

TAB.II.4 Tabela da Infraestrutura no Ensino Médio em 2010

no artigo 70, parágrafos I, II, III e IV, legislar as despesas em educação para a aquisição de equipamentos e manutenção dos mesmos.

“Art. 70º. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis, compreendendo as que se destinam a:

I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação;

II - aquisição, manutenção, construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino;

III - uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino;

[...]

VIII - aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar(BRASIL,1996).”

O professor deve oferecer o melhor para seus alunos, e buscar novas estratégias faz parte dessa preocupação. Tentar aliar a teoria à prática e mostrar, através da História da Ciência, como alguns pensadores construíram determinado experimento pode ajudar na formação cultural dos alunos. Mas, para haver qualidade no ensino com experimentação, é preciso um conjunto bem estruturado, composto por professores capacitados e laboratórios equipados e modernos. Assim, os objetivos principais serão alcançados: alunos interessados, informados e em processo efetivo de aprendizado.

Capítulo III – Pré-teste

Vive-se, atualmente, um tempo em que a evolução tecnológica faz parte do cotidiano. A sociedade, hoje, precisa da tecnologia, e a consome de todas as formas e possibilidades.

Desde a hora de acordar até a hora de dormir, a tecnologia está presente: o mundo é tecnológico. Acorda-se com um despertador digital, com tela de silício; ao som de um rádio, que recebe frequências moduladas e dispersa melodias através da vibração de um alto-falante, provocada pelas variações de um campo magnético induzido por uma corrente elétrica. A tecnologia está envolvida em aparelhos de telecomunicações, eletrodomésticos, transporte, medicamentos, e até na Engenharia e nos alimentos.

A evolução da tecnologia, hoje, é tão rápida que, quando um aparelho de televisão é comprado, é possível que, após poucas semanas, já esteja ultrapassado. A efemeridade dos aparatos tecnológicos de última geração pode ser comparada ao do tempo de vida de uma efemeróptera, inseto que, na fase adulta, não tem boca nem trato intestinal desenvolvidos e, por isso, vive apenas algumas horas; essa evolução nunca poderá ser acompanhada.

Comparada ao Paradoxo de Zenão, “não importa o quanto Aquiles tente alcançar a tartaruga, ela estará sempre um passo à frente”, a Ciência ou a Tecnologia sempre apresentam novidade ou novo achado a cada dia, nas diversas áreas do conhecimento.

Inseridos nesse contexto de mundo, a atualidade, vivem os alunos. Tudo é imediato.

Eles convivem e comungam com todo tipo de tecnologia. Com isso, sua habilidade de manejar, usar e entender os propósitos de uma nova tecnologia é superior a de seus antepassados. No entanto, em seu período escolar, aprendem Ciência, mas raramente ouvem falar de tecnologia.

Sendo assim, como conseguem perceber a relação entre Ciência e tecnologia?

Para investigar essa questão e nortear este trabalho, realizou-se um pré-teste com alunos do ensino médio, a fim de conhecer as relações entre Ciência e Tecnologia (C&T) que os estudantes trazem consigo. Para esse fim, foi feita inicialmente uma pesquisa qualitativa, com 140 alunos do ensino médio, com proposições sobre Ciência e tecnologia. Nessa pesquisa, foram usadas e analisadas quatro perguntas do COCTS (Cuestionario de Opiniones sobre Ciencia, Tecnología y Sociedad) e suas proposições.