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Para os estruturalistas, a organização deve ser analisada no seu contexto , ou seja, quando da análise de uma parte da organização. Deve-se considerar todo o sistema, de modo que não haja uma fragmentação, isolando as partes como se estas não fossem influenciadas pela estrutura inteira. Assim sendo, na organização não existe nada que esteja isolado, toda a estrutura se inter-relaciona, tendo suas partes associadas e se complementando. Do mesmo modo a admissão de um empregado, por exemplo, deve estar relacionada com toda a empresa, envolvendo todos os setores, para que haja uma perfeita integração. (Chiavenato, 1993; Kwasnicka, 1989).

Diante desta premissa fica evidenciada a fragilidade com que os clássicos e os humanistas trataram a organização. Os primeiros preocuparam-se apenas com as coisas materiais, enquanto os segundos sugeriram os fatores humanos como prioritários. Talvez fosse prudente haver uma complementaridade entre ambos, e assim poderia evitar-se, quem sabe, a maioria dos conflitos.

O que se percebe, segundo Kwasnicka (1989), é que o estruturalismo proporcionou uma visão do todo da organização e não uma visão fracionada dos elementos componentes, como foi tratado pelos clássicos e humanistas. Assim, ao ser analisada a

organização sob o ponto de vista do estruturalismo, inevitavelmente estará sendo feito um exame global de todos os elementos que fazem parte da organização, conclui a autora.

Muitos foram os cientistas estruturalistas. O primeiro deles foi Max Weber, que procurou fazer uma análise sobre a ótica fenomenológica, tendo como preocupação primordial a racionalidade, compreendida em forma de equação dinâmica entre meios e fins. Com base no pioneirismo de Weber, outros pensadores destacaram-se. Dentre eles encontram-se expoentes como Robert Merton, Phillip Selznick e Alvin Gouldner, que em suas análises procuraram desviar-se do exame organizacional, seguindo para uma análise adaptativa dos ensinamentos de Weber e ao conjunto comportamental das relações humanas. Peter M. Blau e Victor A. Thompson são nomes que figuram também entre os ilustres pensadores estruturalistas. Blau, por ter considerado o papel dos conflitos no desenvolvimento das organizações como algo fundamentalmente dialético e Thompson, embora sendo considerado de pouca fidelidade para com o estruturalismo, propôs uma administração flexível, cuja preocupação com a produção não desestimulase a inovação. (Motta, 1985; Lodi, 1993).

O estruturalismo na administração, originou-se tendo em vista o confronto existente entre os clássicos e os humanistas. Como ambos eram incompatíveis, era preciso uma nova teoria que visualizasse a organização de forma abrangente, de forma envolvente, em toda a sua complexidade social, estrutural e econômica, e não de forma fracionada. Existe portanto uma clara preocupação com a totalidade e o relacionamento desta com suas partes, de modo a considerar que o todo organizacional não é a simples soma de suas partes. Isto eqüivale dizer que na simples transformação de um de seus componentes, os reflexos desta ação são sentidos nos outros elementos do sistema (Chiavenato, 1993).

É importante considerar que o estruturalismo via a moderna sociedade industrializada como uma sociedade de organizações, onde o indivíduo, refém de suas

estruturas, passa a depender totalmente dela, desde o nascimento até a morte. Isto naturalmente faz do homem um ser múltiplo, devido à simultaneidade de organizações das quais ele é forçado a participar. Este domínio das organizações sobre a pessoa humana, está relacionado com o alto grau de especialização e a recíproca dependência caracterizada pela busca de uma significativa melhora na qualidade de vida. Portanto a organização transpassa toda a vida do cidadão moderno, envolvendo-o em todas as latitudes (Chiavenato, 1993).

2.7.1 As críticas de Etzioni e Thompson

Buscando uma explicação para o surgimento da abordagem estruturalista, Etzioni (1989), manifesta seu ponto de vista, classificando o Estruturalismo como sendo uma síntese da Escola Clássica e das Relações Humanas. Enfatiza também que ao concentrar suas críticas principalmente nas relações humanas, os estruturalistas entendiam que os humanistas proporcionavam uma visão parcial da organização e com isto favoreciam os patrões e iludiam os trabalhadores.

Outro fato importante abordado pelos estruturalistas é quanto ao nível de insatisfação do trabalhador. Para eles existem formas mais agradáveis de organizar o trabalho, porém admitem que nenhuma é absolutamente satisfatória.

Já na avaliação de Marx (apud Etzioni, 1989), esta insatisfação do operáno é gerada devido ao mesmo não possuir os meios de produção e nem o produto de seu trabalho. A especialização tornou a produção tão fragmentada, a ponto de tomar o trabalho repetitivo, monótono e sem perspectivas. O descontentamento não é só dos operários versus produção, mas também entre o soldado e a guerra, o cientista e a pesquisa. A

infelicidade e insatisfação tomam conta destes porque não conseguem independência necessária para a execução de seus trabalhos. A teoria das relações humanas tentou minimizar estas frustrações, contudo a estrutura é tão poderosa que limita esta possibilidade. Os grupos organizados tentam proporcionar ao indivíduo, horas mais agradáveis no ambiente de trabalho, porém são incapazes de tomar sua atividade menos enfadonha e mais criativa.

As críticas de Thompson (apud Lodi; Chiavenato, 1993) são quanto às questões dos conflitos. Considera que o conflito existente entre a dinâmica inovadora e as forças conservadoras, é proporcionado pela ascensão ao poder dos especialistas que, segundo ele, irão sobrepujar o poder monocrático de gestão. Com isto, para se defenderem do poder do conhecimento, a estrutura burocrática cria mecanismos de defesa para impedir seu próprio declínio. A conclusão de Thompson é que somente a interdependência mútua entre a hierarquia e a especialização, é que possibilitará uma maior aproximação e colaboração recíproca.

Analisando o contexto geral das contribuições atribuídas pelo estruturalismo, observa-se uma forte preocupação em criticar as escolas do passado, mais do que apresentar soluções inovadoras, criativas, algo que representasse uma alteração substancial no relacionamento interdependente das pessoas e das organizações. A princípio, talvez a maior inovação dos estruturalistas, esteja, aí sim, em preocupar-se com as questões internas das estruturas organizacionais.

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