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1 INTRODUÇÃO

3.2 ESTRUTURAS PRECURSORAS DOS OBSERVATÓRIOS DE TRANSPORTE E

Em meio à crise de informação, que mobilizou a comunidade científica, entre o

final da Segunda Grande Guerra e o início da Guerra Fria, cientistas e técnicos con-frontaram uma explosão de informação, com um número exponencialmente crescente de livros, periódicos, artigos e trabalhos de conferência, além de um significativo au-mento nas atividades de pesquisa e desenvolviau-mento científicos (AFML, 1970).

A crise acabou por desencadear discussões de como enfrentar a nova reali-dade da informação, promoveu o desenvolvimento de novos profissionais da informa-ção e criou novas instituições para tratamento da informainforma-ção. O crescimento em vo-lume e a complexidade do conhecimento registrado apresentaram novos desafios à atuação tradicional dos bibliotecários, o que acabou por promover o surgimento dos especialistas em informação (BOWLES, 1999).

O crescimento e a crescente complexidade do conhecimento registrado apre-sentaram novos desafios aos métodos tradicionais de biblioteca, superando seus limi-tes de atuação, e promoveram a criação de um novo grupo de profissionais, conheci-dos como documentalistas, ou especialistas em informação, em contraponto às ativi-dades operacionais e repetitivas de um bibliotecário (SHERA, 1960).

Entre o final dos anos 1950 e início da década de 1960, se deu o aparecimento dos centros de informação (CI), sendo considerados na época como um novo fenô-meno na análise de literatura. Por muito tempo, o proprietário das instalações de ar-mazenamento e recuperação da informação era a biblioteca, o que acabou sendo modificado pela enorme quantidade de literatura técnica que começou a ser produzida (HAC, 1964).

Considerados como uma evolução às bibliotecas especializadas, Cohan e Cra-ven (1961) consideravam que os CI representavam a unificação de atividades biblio-tecárias com outras especialistas, como de patente, tradução, redação de relatórios, arquivamento, resumo, pesquisa bibliográfica, editorial, comunicações e publicação, tudo em uma única instalação ou unidade. Por um tempo, o conceito do CI se confun-diu com o de uma biblioteca de caráter especial ou técnica e, por um período, estes termos (CI e biblioteca técnica) foram utilizados de maneira intercambiável (WOODS, 1972).

A missão de um CI tende a ser bastante específica e indica a natureza da mai-oria dos centros – “eles estão aptos a serem orientados a uma missão, ao invés de orientados por uma disciplina, como muitas das bibliotecas federais são” (PAINTER, 1968, p. 13). Dugger (1965) fornece critérios considerados no estabelecimento dos CI: (i) o volume de investigação sendo executada e suas perspectivas de crescimento;

(ii) a ausência significativa de informações pertinentes em um local (lugar ou repositó-rio); (iii) a disponibilidade de pesquisa ou investigação técnica dentro da área (ou campo de pesquisa); e (iv) a disponibilidade de engenheiros ou cientistas para condu-zir e administrar os centros.

Simpson (1962) introduziu o conceito de centro de informação científica (CIC) como uma organização que tem por objetivo principal a preparação de relatórios opor-tunos e especializados do tipo “avaliativo, analítico, monográfico ou do estado da arte”.

Complementou que é uma organização composta em parte por cientistas e engenhei-ros, conduzindo um programa de trabalho seletivo de aquisição e processamento de dados e informações.

Sob a orientação de que a comunidade técnica deveria explorar novos métodos de comutação de informação, o governo norte-americano incentivou o desenvolvi-mento de centros de informação especializada (CIE) como a principal chave para a racionalização dos sistemas de informação e, principalmente, como um instituto téc-nico e não como uma biblioteca técnica, liderado, em especial, por aqueles que podem fazer novas sínteses de informação e que são negadas àqueles que não têm todos os dados à sua disposição. O entendimento foi de que na medida em que a quantidade de informação cresce, a comunidade técnica deve explorar novos modos de proces-samento e recuperação de informações (WEINBERG, 1963).

Como institutos técnicos, os CI começaram a ser constituídos para aplicar as técnicas de Ciência da Informação para coleta, integração e disseminação de registros de informação, mas, principalmente, desenvolvendo uma função mais sofisticada, e que os diferenciam das bibliotecas técnicas, como pela interpretação, análise, síntese e publicação de dados e informação (HAC, 1964), conforme características relaciona-das no Quadro 3. Com o surgimento deste novo fenômeno na área de informação, várias definições foram surgindo, buscando entendê-lo e diferenciá-lo de outras insti-tuições.

Quadro 3 - Características de um centro de informação versus uma biblioteca técnica.

Característica Centro de Informação Biblioteca Técnica

Usuários Clientela generalizada. Restrito ao pessoal da empresa.

Produtos Revisões de estado da arte; folhas de dados; bibliografias; dados e

informações em resposta a consultas.

Responde perguntas técnicas;

bibliografias; empréstimo de livros, periódicos e documentos

bibliográficos e referências.

Entradas Determinada pela missão ou pela disciplina trabalhada pelo centro.

Relacionado aos interesses da empresa.

Saídas Avaliação crítica dos dados de entrada. Orientado para o pedido do usuário.

Necessidades de informação dos usuários

Para dados especiais e informações dentro dos limites da missão.

Informações específicas e gerais em amplas áreas de interesse.

Métodos de armazenamento e recuperação

Uso de técnicas de biblioteca padrão, além de algumas técnicas

automatizadas.

Técnicas de biblioteca padrão, além de algumas técnicas automatizadas.

Pessoal de operação

Cientistas engenheiros; bibliotecários. Bibliotecários principalmente.

Técnicas de indexação

Bastante específicas. Específico, mas mais geral que os centros de informação.

Fonte: dados gerados a partir de HAC (1964).

O principal produto de um CI deve estar relacionado com a efetiva transferência de informações, sendo publicado para apresentar o dado de maneira gráfica ou tabu-lar, por meio de artigos, periódicos, livros e relatórios (HAC, 1964; WEINBERG, 1963).

Um CIE traz para si a responsabilidade de conhecer tudo aquilo que está sendo pu-blicado em um campo específico, devendo assim coletar e revisar dados, fornecendo aos seus usuários ou assinantes um conjunto de compilações regularmente publica-das, revisões críticas, bibliografias especializadas e outras ferramentas semelhantes (WEINBERG, 1963).

No meado da década de 60, já existiam 400 CIE nos Estados Unidos. Original-mente concebidos para compilar dados, muitos centros de dados evoluíram para cen-tros de informação com o objetivo de não apenas compilar dados, mas também para acompanhar o desenvolvimento de seu campo de atuação, sustentados por grandes repositórios e produzindo informações de interesse de sua comunidade (WEINBERG, 1963).

De acordo com Bowles (1999), o CIC foi a base institucional do movimento de documentação na década de 60. Em 1961, existiam cerca de 221 CICs nos Estados Unidos, sustentados pelo governo, indústria e academia. Os cientistas rejeitavam a ideia das bibliotecas, por não apreciarem repositórios de informação que simples-mente armazenavam dados; ao invés, preferiam locais que os dados pudessem ser correlacionados e distribuídos aos usuários cujas necessidades eram bem específi-cas.

Outra definição que surgiu na época e expandiu o conceito de CI foi o de centro de informação técnica (CIT) (US CONGRESS, 1964), como uma organização para adquirir, processar e disseminar informações técnicas. Um CIT poderia incluir uma

biblioteca, uma equipe de cientistas e engenheiros para tratar a informação, instala-ções como centros de documentação, além de recursos para elaborar relatórios, ma-nuais e revisões (PAINTER, 1968).

Documentalista e gerente do CIT da IBM, White (1963) relatou que o CI da IBM nasceu a partir da preocupação de que as bibliotecas não estavam adaptadas à velo-cidade e complexidade dos requisitos de informação da época. Como parte da divisão de sistemas de dados, o CIT da IBM tinha por objetivo fornecer um sistema de desen-volvimento operacional para processamento mecanizado integrado e compatível de informações técnicas recebidas dentro da empresa.

Segundo Rees (1964), a aceitação do conceito de CI veio como uma prova de que serviços de informação que vão além da concepção tradicional da Bibliotecono-mia eram requeridos e demandados. O paradigma mudou entre conectar um usuário aos documentos que podem conter a informação buscada para a entrega da informa-ção em si. O bibliotecário fornece endereços para recuperainforma-ção de documentos, de acordo com uma indexação implementada. O CI dá ênfase ao processamento da in-formação e à sua decorrente disseminação.

Outro nível de especificidade reside no conceito do centro de análise de infor-mação (CAI) (DTIC, 1987; WOODS, 1972), onde se realiza a obtenção seletiva de dados científicos e técnicos em seu campo de especialidade, executando atividades de revisão, avaliação e análise, sustentado por um sistema de armazenamento e re-cuperação de informações (DUGGER, 1965). Para Murdock e Brophy (1966), o pro-duto final de um CAI é a análise ou a avaliação ou um relatório de estado da arte produzido a partir de uma variedade de fontes, como livros, periódicos, patentes, den-tre outras.

Para Dugger (1965), embora os CI tenham programas fortes para a aquisição de dados, é no processo de avaliação de dados e informações que há forte distinção de funções entre um CAI e um CI ou uma biblioteca técnica. Da mesma forma, existem variações nos processos de armazenamento e recuperação, bem como de dissemi-nação de conhecimento que se dá na forma de respostas diretas às consultas. Simp-son (1962) destaca que as atividades mais complexas de um CI se referem à aquisi-ção, armazenamento e recuperação – reduzir, otimizar e gerenciar grandes volumes de informação.

Na forma de uma unidade organizacional, estruturada e estabelecida, respon-sável por reunir e organizar informações em um campo específico de conhecimento,

de forma sistemática, por meio da sua aquisição, seleção, armazenamento e recupe-ração, visando avaliar, analisar e sintetizar um corpo de informação pertinente de forma tempestiva e útil para os usuários interessados, criando novos conhecimentos e divulgando conteúdo (BRADY, 1968; HORNIG, 1968). O Quadro 4 apresenta a clas-sificação de tipos de CAI conforme suas funções.

Quadro 4 - Tipos de centros de análise de informação por função.

Tipo Descrição Principais características

I No primeiro tipo de CAI, um indivíduo ou grupo efetua a coleta em nível mundial o que existe de informação útil em um campo particular de ciência ou tecnologia,

organizando-a e armazenando-a para recuperação.

Seguem-se então com processos para condensar, analisar e sintetizar a informação. Também pode ocorrer o

emprego da informação para criar novos conhecimentos.

Campo particular de pesquisa.

Executa os principais processos de um centro de informações.

Pode ocorrer a criação de conhecimento.

II Neste tipo de CAI, a coleta da informação em nível mundial é focada para a informação relevante à solução de um conjunto de problemas encontrados na obtenção de objetivos práticos e específicos. A informação é então organizada e armazenada para recuperação. Deste ponto, informação é analisada para tentar resolver problemas específicos de interesse de uma comunidade técnica ou para determinar quais informações adicionais podem ser necessárias para resolver o problema.

Atende aos objetivos práticos de resolução de problemas.

Executa os principais processos de um centro de informações.

III Para o terceiro tipo de CAI, a coleta tem por objetivo dados brutos, parcialmente processados ou de resultados relacionados com fenômenos de grande escala. Também são executados processos de organização e

armazenamento de informações, analisando resultados, de maneira a obter correlações, testar teorias ou, de outra forma, produzir novos conhecimentos.

Campo amplo de pesquisa, embora relacionada a um fenômeno.

Executa os principais processos de um centro de informações.

Ocorre a criação de conhecimento.

Fonte: dados gerados a partir de Brady (1968).

Carroll e Maskewitz (1980) reforçam que um CAI deve ser formado principal-mente por cientistas e engenheiros, os quais, após indexar a informação, compilam, analisam, avaliam, condensam e sintetizam informações no campo de atuação do centro. Isso deve ser realizado em etapas integrais de um processo abrangente de aquisição, armazenamento, recuperação e disseminação de informações para o be-nefício da comunidade científica a qual pertencem.

A constituição de um CAI é decorrente do somatório das funções de um centro com o componente de informação (dando-se o CI) e, depois, com mais a atividade de

“análise”. A análise é o componente que essencialmente distingue um CAI de qualquer outro tipo de centro (WEISMAN, 1973): como centro, o seu foco reside em tecnologia especializada; como um CI, sua atuação expande para a acumulação de informação

científica e a sua consequente recuperação; mas, como uma CAI, a sua função é ampliada com a ênfase na avaliação de conteúdo (DTIC, 1982). Além de adquirir, selecionar, avaliar e analisar informações, cabe ao CAI preparar relatórios e criar no-vos conhecimentos (DTIC, 1987).

Pela sua capacidade de tratar informação e torná-la disponível em uma forma e linguagem chaves para a necessidade de usuários, os CAI foram identificados como ferramentas potenciais na transferência de conhecimento da informação científica e técnica – no final dos anos 60, existiam mais de cem instalações sustentadas pelo governo federal estadunidense, geralmente ligadas aos programas de missão crítica (SATCOM, 1969). Várias dificuldades acometeram o estabelecimento e a manutenção em operação dos CAI nos anos 70, como a indisponibilidade de recursos financeiros para financiamento dos centros, reduções no orçamento de programas de governo, recrutamento de pessoal especializado e a ausência de conexão direta com laborató-rios ou unidades de P&D (CARROLL; MASKEWITZ, 1980; NEILL, 1989; SATCOM, 1969; WEISMAN, 1973).

Os anos de 1960 e início dos anos 1970 foi um período de construção e expan-são dos modos de transporte, marcado por críticas de especialistas e estudiosos quanto às deficiências das estatísticas de transporte para a formulação de políticas nacionais. A informação estatística de transporte era considerada inadequada para o exame científico do sistema de transporte como um todo, bem como de suas relações com a economia e com as questões sociais e políticas (TRB, 1992). Começaram, en-tão, a surgir iniciativas estruturadas na forma de bancos de dados (BD) ou CI sob o tema do transporte e da logística.

Os primeiros BD sobre transporte e logística que se tem registro na história estão relacionados aos sistemas de reserva computadorizada (SRC) de companhias aéreas. Foram as necessidades práticas e as oportunidades de negócio que motiva-ram a pesquisa e o desenvolvimento dos SRC, visando substituir os sistemas manuais por métodos mecânicos, mais rápidos e precisos (PLUGGE; PERRY, 1961).

A aviação foi fortemente impulsionada pela Primeira Grande Guerra, período em que o poderio aéreo das nações pôde ser demonstrado. No pós-guerra, a crise econômica fez com que a aviação migrasse da esfera militar para a civil, fazendo com que, a partir de 1919, as primeiras companhias aéreas começassem a ser estabeleci-das (FAJER, 2009; FAY, 2002).

No período da Segunda Grande Guerra, vários avanços tecnológicos permiti-ram uma aviação com equipamentos mais seguros, de melhor desempenho e potên-cia. E mais uma vez o período de guerra impulsionou a indústria do setor aéreo (FA-JER, 2009). Com o final deste segundo período de guerra, os Estados Unidos ocupa-ram espaços deixados pelas grandes nações, tornando-se a grande potência aero-náutica (FAY, 2002).

Após a guerra, a aviação comercial prosperou e acabou por exigir sistemas mais eficientes, precisos e eficazes para a reserva e a comercialização de passagens.

Rapidamente os sistemas de reservas manuais em uso pelas companhias aéreas na época foram saturados, demandando o desenvolvimento de sistemas automatizados (DORNIAN, 1994; SABRE. 2018).

Explorando formas de como substituir os sistemas manuais de reserva por mé-todos mecânicos, mais rápidos e precisos (PLUGGE; PERRY, 1961), em 1946, a em-presa American Arlines (AA) instalou o primeiro sistema automatizado de reservas.

Conhecida como Reservisor, a máquina experimental eletromecânica da AA deu início a uma linha de sistemas comercias que integravam comunicações e processamento (SHAH, 2000). A Reservisor foi depois evoluída para uma máquina com armazena-mento temporário baseado em tambor magnético, passando, em 1952, a chamar-se Magnetronic Reservisor (EKLUND, 1994). A versão plenamente operacional estava disponibilizada em 1956, com uma memória interna funcionando por relay, tempo de resposta de 3.33 segundos e um volume de 600 transações por hora (DORNIAN, 1994).

Em 1953, as pesquisas desenvolvidas pela Trans-Canada Airlines (TCA) fize-ram com que a empresa se tornasse a primeira companhia aérea do mundo a usar um SRC com terminais remotos, o ReserVec (SHAH, 2000). O sistema da TCA era totalmente programável e executado em um computador de uso geral, conhecido por Gemini. A versão operacional do ReserVec foi disponibilizada em 1963 – sua máquina tinha memória interna de 8k, tempo de resposta entre 910 milissegundos e 2 segundos e até 100 mil transações por dia (DORNIAN, 1994).

Com o objetivo de cobrir todo o processo desde a reserva, compra, viagem e até a chegada ao destino final de um passageiro, se deu o desenvolvimento do Semi-Automatic Business Research Environment (SABRE), fruto de uma aliança entre a empresa aérea AA e a International Business Machines Corporation (IBM). O SABRE

contemplou módulos de vendas de passagens, registro de reservas e relatórios ge-renciais (COPELAND et al., 1995; HEAD, 2002; PLUGGE; PERRY, 1961). A versão totalmente operacional do SABRE estava disponível em 1964, sendo executado em duas máquinas IBM 7090 (IBM, 1960), com memória interna de 64K, tempo de res-posta abaixo de 3 segundos e 26 mil transações por dia (DORNIAN, 1994; SABRE, 2018).

Considerado como pioneiro dos SRCs e revolucionário no mundo das aplica-ções orientadas por transaaplica-ções, o SABRE foi a primeira aplicação importante de BD no setor de transporte (MIRALLES, 2018). Hoje, tornou-se um provedor líder mundial de produtos e serviços de tecnologia de viagem, registrando 42 mil transações por segundo e atendendo a 57 mil agências de viagem (IBM, 2018).

Entre os anos de 1970 e 1980, com o advento dos BD relacionais, um novo ciclo de desenvolvimento promoveu o surgimento dos primeiros BD estatísticos de transportes e criação de CI em transporte (MIRALLES, 2018). Para isto, foi muito im-portante o reconhecimento de que o verdadeiro valor da informação é ter a informação certa, confiável e relevante às necessidades, disponível em um formato útil, papel de-sempenhado na época pelos CAI (BRANSCOMB, 1968).

Outras iniciativas também são dignas de registro, como a do Transportation Research Board (TRB), que desenvolveu o Transportation Research Information Ser-vice (TRIS), um BD bibliográfico de pesquisa de transporte e que está em operação até os dias atuais (TRB, 2006). O desenvolvimento do TRIS foi iniciado em 1967, com o estabelecimento do Highway Research Information Service (HRIS) e utilizava um servidor de grande porte e levou três anos para ter seu BD concluído (TRB, 2011).

Na mesma época, em 1972, o International Transport Research Documentation (ITRD) foi criado como a plataforma do programa de pesquisas de transporte rodovi-ário da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Seu principal produto é um BD cooperativo entre países membros, com referências biblio-gráficas em transportes e pesquisas em andamento (relatórios, livros, artigos de re-vistas, anais de congressos), disponível na Internet (OCDE, 2018).

A partir de 2011, os BD do ITRD e do TRIS foram integrados em um novo pro-duto de BD chamado Transport Research International Documentation (TRID). O TRID é considerado como o maior e mais abrangente recurso bibliográfico sobre in-formações de pesquisa sobre transporte, cobrindo todos seus os modos e disciplinas.

Os registros do BD do TRID são indexados utilizando um vocabulário padronizado por

um conjunto de thesaurus e vinculados às fontes primárias dos dados (TRB, 2018).

Vários programas de dados estatísticos foram desenvolvidos pelo Departa-mento de Transporte do Governo dos Estados Unidos (DOT). Nos anos de 1980, uma primeira iniciativa se deu com a criação de um centro estatístico hospedado pelo Volpe National Transportation Systems Center (TRB, 1992; VOLPE, 2018). Depois, na dé-cada de 1990, quando o Congresso Americano publicou o Intermodal Surface Trans-portation Infrastructure Act of 1991 (US CONGRESS, 1991), foi criado o Bureau of Transportation Statistics (BTS).

O BTS tem por mandado a missão de compilar, analisar e publicar estatísticas modais comparativas e dados resumidos sobre a condição e o desempenho do sis-tema de transporte nacional. Além disto também foi determinada a criação de um BD intermodal de transporte, integrando dados dos vários modos de transporte, para for-necer, entre outras informações, dados sobre fluxos de carga e passageiros (US CON-GRESS, 1991; TRB, 1992).

Como visto anteriormente, a existência das bibliotecas tradicionais foi forte-mente questionada pela nova necessidade de manipulação da informação (COHAN;

CRAVEN, 1961; SHERA, 1960), bem como pela crescente quantidade de informações disponíveis na Internet. Consequentemente, o mesmo fenômeno se deu com relação às bibliotecas tradicionais de transporte (TRB, 2006). Em 1998, a National Transpor-tation Library (NTL) foi criada com a intenção de servir como uma biblioteca digital de documentos de texto completo e dar suporte para uma rede de conhecimento de trans-porte. Atualmente, a NTL foi incorporada e é administrada pelo BTS (BTS, 2017; TRB, 2006).

Na Europa, também é notável a iniciativa do European Statistical Office

Na Europa, também é notável a iniciativa do European Statistical Office