3.3 Caracterização da pesquisa – metodologia e instrumentos
3.4.1 Estudantes de Letras ingressantes em 2013
Ao aplicar o questionário aos alunos do primeiro semestre, foi possível conhecer suas motivações e expectativas ao ingressar no curso, seus objetivos como futuros professores, seus hábitos de leitura, o conceito de literatura que formulavam à época e como avaliavam sua formação no ensino médio com relação às aulas de literatura das quais participaram antes do ingresso no ensino superior. As informações foram sintetizadas e agrupadas em tabelas e gráficos, com o intuito de dinamizar a exposição dos resultados.
Dados pessoais:
a) Quanto ao gênero:
Com relação à identidade de gênero, as turmas participantes da primeira etapa da pesquisa (referente ao primeiro ano do curso) eram compostas de 55,2% de mulheres e 44,7% de homens. Apesar da maioria feminina, era expressivo o percentual de homens matriculados no curso de licenciatura em Letras.
Gráfico 2: Quanto ao gênero
Fonte: Elaborado pela autora
b) Quanto à idade:
Com relação à faixa etária dos estudantes do primeiro semestre de Letras, as idades variaram entre 17 e 58 anos, configurando um grupo heterogêneo nesse aspecto. É importante observar, com relação ao intervalo de idade entre os estudantes, o fato de que pessoas em diferentes momentos da vida manifestaram
interesse por cursos de Letras, ainda que nem todas sinalizassem como prioridade atuar na carreira docente, conforme informações coletadas entre os participantes.
Dos 76 participantes, 43% tinham entre 17 e 23 anos. O segundo grupo etário tinha entre 24 e 30 anos (25%), seguido, sucessivamente, dos demais grupos de menor à maior idade, conforme o gráfico abaixo. Apenas 2,6% dos alunos tinham entre 52 e 58 anos de idade. Eram, portanto, estudantes jovens, em sua maioria, cursando a primeira graduação. Apenas um estudante não revelou a idade.
Gráfico 3: Idade dos alunos ingressantes nos cursos de Letras em 2013
Fonte: Elaborado pela autora
c) Cidade natal:
Rio Grande é a cidade natal de 64,5% dos acadêmicos ingressantes em
2013, seguida de Porto Alegre e Rio de Janeiro69, com 5,3% cada uma. As cidades
vizinhas de Pelotas, com 3,9%, e São José do Norte, com 2,6%, encontravam-se na
sequência. Demais localidades, com uma ocorrência cada70, correspondiam à
cidade natal de 18,4% dos alunos.
69
Uma das possíveis justificativas para a incidência expressiva de estudantes oriundos do Rio de Janeiro (capital e interior) é o fato de o município do Rio Grande sediar o 5.º Distrito Naval, desde 1985. Segundo informações coletadas no sítio eletrônico da Marinha do Brasil, desde 1942 o território nacional foi dividido em cinco grandes regiões, ou distritos. O Rio de Janeiro é sede do 1º Distrito Naval Brasileiro e envia, com frequência, integrantes da Marinha do Brasil para Rio Grande, em regime de trabalho temporário ou permanente. Disponível em: <https://www1.mar.mil.br/com1dn/ comando/historico>. Acesso em: dez. 2015.
70
Belém do Pará (PA), Fortaleza (CE), Jaboatão dos Guararapes (PE), Jardim Paulista (SP), São Paulo (SP), Curitiba (PR), São Gonçalo (RJ), Nova Iguaçu (RJ), Itaboraí (RJ), Pedro Osório (RS), Tavares (RS), Encruzilhada do Sul (RS).
Gráfico 4: Cidade natal dos estudantes
Fonte: Elaborado pela autora
d) Endereço segundo o zoneamento do município do Rio Grande:
Quanto à distribuição dos estudantes com relação ao local de moradia por
regiões71 do município, observamos que a maioria se concentrava entre a região
central (região 18), os bairros de periferia imediatos ao centro (regiões 3 e 12), o entorno da Universidade (região 17) e o balneário Cassino (região 6). Por seu turno, 11,8% dos estudantes optaram por não informar seu endereço.
Gráfico 5: Região de moradia
Fonte: Elaborado pela autora
71
Utilizamos como referência a divisão realizada pela Prefeitura Municipal do Rio Grande, em razão do Orçamento Participativo. Outras opções de zoneamento encontradas eram controversas e não se encontra disponível uma divisão oficial do município em regiões, conforme informações colhidas junto à Secretaria Municipal de Coordenação e Planejamento (SMCP). O quadro completo das regiões do município encontra-se nos anexos. Disponível em: <http://www.riogrande.rs.gov.br/pagina/index.php/ participativo+1b3#.VmXUPtKrTMw>. Acesso em: 15 nov. 2015.
Com relação ao ensino médio:
e) Quanto ao tipo de escola em que cursaram o ensino médio:
Entre os 76 estudantes de Letras que responderam ao questionário em 2013, 80,3% cursaram o ensino médio em uma escola pública, enquanto 19,7% realizaram seus estudos em escolas da rede privada, incluindo instituições particulares que oferecem cursos voltados para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), com carga horária reduzida.
Gráfico 6: Tipo de escola em que cursaram o Ensino Médio
Fonte: Elaborado pela autora.
Segundo dados fornecidos pelo Instituto de Letras e Artes (ILA) quanto ao tipo de escola frequentada durante o ensino médio pelos estudantes que ingressaram em 2013 – declarado na ocasião de sua inscrição para o ENEM –, observamos que as informações confirmam as respostas obtidas com os questionários aplicados:
Quadro 1: Tipo de escola – ensino médio
Curso Tipo de escola
Letras-Português 72% escola pública Letras Português-Espanhol (noturno) 72% escola pública Letras Português-Francês 75% escola pública Fonte: Elaborado pela autora – dados fornecidos pelo ILA-FURG.
f) Escola onde cursaram o ensino médio:
Perguntamos aos estudantes em qual escola haviam concluído o ensino médio. Para efeito deste trabalho, foram consideradas, entre as escolas informadas pelos alunos, apenas as instituições com sede em Rio Grande. Segundo os dados obtidos, a maior parte dos estudantes residentes no município na ocasião de seu ensino médio concluiu seus estudos nas seguintes escolas:
Colégio Estadual Lemos Jr.: localizada no centro do município, com 10,5%
das respostas;
Escola Estadual de Ensino Médio Bibiano de Almeida: localizada no
centro do município, com 7,8% das respostas;
Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas: localizada no bairro Cohab II, na
periferia da cidade, também correspondendo a 7,8% das respostas;
O Instituto de Educação Juvenal Miller, escola estadual localizada no
centro da cidade, e instituições apenas nomeadas como “Educação de Jovens e
Adultos – EJA” (sem especificar o município) e conclusão do ensino médio através
do ENEM (sem especificar o município) obtiveram 5,2% das respostas cada uma.
Por sua vez, o Instituto Federal (IFRS) foi a instituição de conclusão do
ensino médio de 3,9% dos alunos de Letras, bem como a Escola Estadual Silva
Gama, do balneário Cassino, com mesmo percentual. Demais escolas com sede no
município obtiveram menos de 3% de respostas. Foram citadas apenas três escolas
privadas72 do Rio Grande, com 1,3% (ou uma ocorrência) cada.
Gráfico 7: Escola onde concluíram o Ensino Médio
Fonte: Elaborado pela autora
72 Colégio Albert Einstein, Colégio Alternativo e Bom Jesus/Joana D’Arc (do grupo Bom Jesus). A primeira escola oferece apenas a modalidade EJA; a segunda oferece ensino regular e EJA; a terceira oferece apenas a modalidade regular.
g) Hábitos de leitura durante o ensino médio:
Com relação à leitura de ficção durante o ensino médio, 55,2% dos estudantes afirmaram ter lido pelo menos uma obra, enquanto 44,7% não leram nenhuma obra literária na etapa anterior à graduação. Chama a atenção o fato de que, em um grupo de estudantes que optaram por uma licenciatura em Letras, o percentual de “não-leitores” de literatura tenha sido tão expressivo.
Ademais, em que pese a importância do hábito de leitura de ficção para o rendimento do acadêmico durante toda a graduação, entre os pré-requisitos para o
candidato dispostos em perfil73 elaborado pelo ILA-FURG, não há qualquer registro
específico referente à prática de leitura.
Gráfico 8: Leitura de ficção durante o ensino médio
Fonte: Elaborado pela autora
h) Critérios para a seleção de obras de ficção:
Quando questionados a respeito dos critérios74 de escolha de suas obras
ficcionais, os estudantes de Letras responderam o seguinte:
73 “Perfil do candidato: por ser fundamentalmente um curso de licenciatura, torna-se indispensável a vocação para o magistério e para uma consequente prática pedagógica. Serão necessários ainda ao aluno de Letras: visão prática e teórica de língua e literatura na dinâmica de sala de aula; aptidão para pesquisa em língua e literatura; adequação do uso de língua portuguesa às diferentes situações discursivas; atuação em projetos de pesquisa e extensão, de forma articulada ao ensino; conhecimento básico da língua estrangeira (no caso de cursos que envolvam uma língua estrangeira)”. Disponível em: <www.letras.furg.br>. Acesso em: jan. 2016.
74
Foi permitido que o mesmo estudante assinalasse mais de um critério, embora nenhum estudante tenha marcado mais de uma opção.
Gráfico 9: Critério para seleção de obras ficcionais
Fonte: Elaborado pela autora
Mais de 70% dos alunos afirmaram ter selecionado suas leituras em função da temática ou do enredo das obras. Por sua vez, 48,6% dos estudantes escolheram obras literárias sob influência de um momento específico de sua vida. Apenas 7,1% dos alunos escolheram obras ficcionais atraídos pela técnica de construção e/ou a forma ou estilo, ou seja, elementos relacionados exclusivamente ao texto literário. O dado indica que, provavelmente, os aspectos formais das obras foram matéria pouco explorada durante o ensino básico, bem como a teoria da literatura, desatrelada da periodização.
i) Gêneros, autores e obras preferidos:
Pedimos que fossem elencadas as principais obras lidas durante a formação escolar anterior dos acadêmicos. Entre aqueles que afirmaram ter lido obras de
ficção no período solicitado, os gêneros75 literários preferidos eram os seguintes:
75
Quadro 2: Gêneros literários preferidos
Gênero Ocorrências (entre autores e obras)76
Literatura nacional – romance 21
Literatura nacional – conto 4
Literatura nacional – crônica 3
Autoajuda 1
Best-seller estrangeiro contemporâneo – romance 16
Ficção científica 1
Literatura estrangeira clássica – romance 2
Literatura policial 2
Poesia – língua estrangeira 2
Literatura estrangeira – clássicos 15
Literatura espírita 3
Teatro clássico 1
Literatura infanto-juvenil 4
Fonte: Elaborado pela autora
Os três gêneros mais consumidos durante o ensino médio pelos estudantes de Letras ingressantes em 2013 foram, respectivamente: romances da literatura
nacional (em sua maioria canônicos), romances best-sellers da literatura estrangeira
contemporânea e clássicos da literatura estrangeira. É interessante observar que a
quantidade de títulos mencionados entre clássicos da literatura ocidental e
best-sellers estrangeiros é praticamente a mesma.
Assim, é possível afirmar que a seleção de obras realizada pelos estudantes de Letras sofre influência da educação formal, dada sua predileção por obras clássicas nacionais e estrangeiras, cuja leitura é estimulada em ambiente escolar. Da mesma forma, é evidente o forte apelo comercial sobre as escolhas dos estudantes, já que muitos livros mencionados eram campeões de vendas na ocasião da coleta dos dados.
Um dado preocupante é a ausência de obras de poesia brasileira entre os títulos citados pelos alunos. Por sua vez, apenas um estudante mencionou a leitura de teatro clássico (sem especificar a obra). A preferência pela narrativa é quase absoluta, o que permite que se questione: a leitura de outros gêneros foi oferecida e estimulada durante sua formação anterior? Existem volumes de outros gêneros
76
No caso de Machado de Assis, por se tratar de um autor reconhecido por romances e contos, seu nome foi registrado em ambos os gêneros.
disponíveis em quantidade suficiente nas bibliotecas escolares? De acordo com o
professor Carlos Augusto Nazareth77, há, entre as escolhas dos leitores brasileiros,
Um pequeno espaço para o texto lírico e uma total escassez de atividades e metodologias em torno do texto dramático. O texto teatral não faz parte do universo do leitor brasileiro. Verificamos esta realidade muito mais acentuada quando o foco é o âmbito escolar. Embora previstos nos programas, é sabido que as escolas, nos diversos níveis de ensino, não promovem o contato previsto entre aluno e texto teatral. (NAZARETH, [201-?])
Em alguns casos, os estudantes optaram por fornecer apenas o nome do autor, embora a questão solicitasse os títulos das obras:
Quadro 3: Autores citados sem especificar a obra Autores citados sem que o estudante
especificasse a obra Agatha Christie (literatura policial)
Arthur Rimbaud (poesia) Charles Baudelaire (poesia) David Coimbra (crônica jornalística) Edgar Allan Poe (conto/clássico estrangeiro)
Erico Verissimo (romance nacional) Franz Kafka (clássico estrangeiro) Herman Hesse (clássico estrangeiro)
Jorge Amado (romance nacional) Machado de Assis (romance nacional/conto)
Milan Kundera (clássico estrangeiro) Oscar Wilde (clássico estrangeiro)
Paulo Coelho (autoajuda) Sófocles (teatro clássico) Fonte: Elaborado pela autora
Entre os nomes relacionados, observamos a preferência por escritores consagrados brasileiros, tradicionalmente conhecidos em função de sua prosa romanesca, ou por clássicos da literatura estrangeira. Entretanto, ao citarem apenas autores, ao invés dos títulos, conforme pedia a questão, existe a possibilidade de que tenham apenas mencionado autores dos quais lembravam como
77
NAZARETH, Carlos Augusto. A importância da leitura do texto teatral na formação do leitor. Disponível em: <http://www.cepetin.com.br/artigos/o-texto-teatral-carlos-augusto-nazareth/>. Acesso em: jan. 2016.
representativos do campo literário, ou cujas obras gostariam de ter lido. Quanto aos romances mencionados mais de uma vez como leituras realizadas, temos:
Quadro 4: Obras citadas mais de uma vez Obras citadas mais de uma vez
Obra Autor Ocorrências
O cortiço Aluísio de Azevedo 4
O caçador de pipas Khaled Hosseini 2 Cem anos de solidão Gabriel García Márquez 2
Dom Casmurro Machado de Assis 6
O código Da Vinci Dan Brown 4
Os sertões Euclides da Cunha 2
O pequeno príncipe Antoine de Saint-Éxupery 2
Senhora José de Alencar 2
Lucíola José de Alencar 2
A Moreninha Joaquim Manuel de Macedo 2
Anjos e demônios Dan Brown 2
Fonte: Elaborado pela autora
A obra mais citada é Dom Casmurro, com seis ocorrências. O romance de
Machado de Assis, cujo conjunto da obra Alfredo Bosi (1994, p.174) qualifica como “o ponto mais alto e mais equilibrado da prosa realista brasileira”, é frequentemente requisitado como leitura obrigatória durante o ensino médio ou é objeto de análises
em cursos preparatórios para o ENEM. Em seguida aparecem o clássico nacional O
cortiço, de Aluísio de Azevedo, e o best-sellerO código Da Vinci, de Dan Brown, com quatro ocorrências cada um. As demais obras, todos romances clássicos nacionais
ou estrangeiros ou best-sellers estrangeiros, foram mencionadas duas vezes pelos
estudantes. Os autores que tiveram mais de uma obra citada foram os seguintes:
Quadro 5: Autores que tiveram mais de uma obra citada
Autor Obras
Machado de Assis Dom Casmurro, A cartomante e Helena (3 obras) José de Alencar Senhora, Iracema e Lucíola (3 obras)
Dan Brown
Anjos e demônios, O código Da Vinci, Fortaleza digital e O símbolo perdido (4 obras)
Erico Verissimo Incidente em Antares e O tempo e o vento (2 obras) Luis Fernando
Verissimo
O opositor, Comédias da vida privada e As mentiras que os homens contam (3 obras)
Victor Hugo Os miseráveis e Os trabalhadores do mar (2 obras) Fonte: Elaborado pela autora
Autores brasileiros, com exceção do estadunidense Dan Brown e do francês Victor Hugo, tiveram mais de uma obra mencionada pelos estudantes de Letras. É provável que boa parte dessas obras, clássicos da literatura brasileira ou coletâneas de crônicas, tenham sido lidas (em fragmentos ou integralmente) por recomendação da escola. Assinalamos também o fato de estarem dois autores gaúchos, Erico Verissimo e seu filho Luis Fernando Verissimo, entre os relacionados, o que leva a crer que sejam lidos com frequência, sobretudo em escolas do Rio Grande do Sul.
No caso de Dan Brown, autor que teve o maior número de livros citados, as motivações parecem ser distintas, orientadas por questões ligadas à circulação,
publicidade e oferta dos volumes em um determinado intervalo de tempo78. No
entanto, a maior parte dos títulos foi mencionada apenas uma vez:
Quadro 6: Títulos citados apenas uma vez
Título Autor
O estrangeiro Albert Camus
Assassin’s creed Anton Gill
Morangos mofados Caio Fernando Abreu
Mulheres Charles Bukowski
Água viva Clarice Lispector
As crônicas de Nárnia Clive Staples Lewis
Fortaleza digital Dan Brown
O símbolo perdido Dan Brown
O segredo do bosque velho Dino Buzzati
The walking dead Diversos
A cidade e as serras Eça de Queirós
O corvo Edgar Allan Poe
Pollyana Eleanor H. Porter
O tempo e o vento Erico Verissimo
Olga Fernando Morais
Game of thrones George R. R. Martin
Vidas secas Graciliano Ramos
O menino de asas Homero Homem
O senhor dos anéis J. R. R. Tolkien
O xangô de Baker Street Jô Soares
Casos do Romualdo João Simões Lopes Neto
Mar morto Jorge Amado
Iracema José de Alencar
Meu pé de laranja lima José Mauro de Vasconcelos
O mundo de Sofia Jostein Gaarder
Crianças da noite Juliano Sasseron
78
Em 2013, ano da coleta de dados dessa fase da pesquisa, as obras de Dan Brown gozavam de grande receptividade junto ao público brasileiro, estando entre as mais lidas da época. De acordo com reportagem veiculada no portal da revista Veja em 24 de maio de 2013, foram vendidos 150 milhões de exemplares dos livros de Brown no mundo inteiro, 4,7 milhões desses no Brasil. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/meus-livros/livros-da-semana/lancado-ha-4-dias-novo-dan-brown-e-o-mais-vendido-do-pais/>. Acesso em: 31 jan. 2016.
Triste fim de Policarpo Quaresma
Lima Barreto
O despertar Lisa Jane Smith
Comédias da vida privada Luis Fernando Verissimo
O opositor Luís Fernando Verissimo
As mentiras que os homens contam
Luis Fernando Verissimo
As horas nuas Lygia Fagundes Telles
Helena Machado de Assis
Macunaíma Mário de Andrade
A menina que roubava livros Markus Zusak
Eu sou a lenda Richard Matheson
Tambores de Angola Robson Pinheiro
Água para elefantes Sara Gruen
A herdeira Sidney Sheldon
Sherlock Holmes Sir Arthur Conan Doyle
O iluminado Stephen King
Judas, o obscuro Thomas Hardy
O nome da rosa Umberto Eco
Os miseráveis Victor Hugo
Os trabalhadores do Mar Victor Hugo
Lolita Vladimir Nabokov
A cabana William P. Young
Fonte: Elaborado pela autora
Entre obras e autores, predomina a autoria masculina, tendo sido mencionadas seis escritoras entre os 57 autores, sendo somente duas brasileiras (Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles). Essa informação é relevante quando analisamos a formação do cânone nacional, em que os homens ainda são maioria absoluta entre os autores adotados pelas instituições escolares e livros didáticos.
j) Como avaliam as aulas de literatura durante o ensino médio:
Em uma questão de múltipla escolha, os estudantes deveriam assinalar a opção mais próxima de sua avaliação geral das aulas de literatura das quais participaram durante o ensino médio. Menos de 8% dos alunos avaliaram seu curso de literatura no ensino médio como muito interessante. Em contrapartida, mais de 13% consideraram “nada interessantes” as suas aulas de literatura, o que representa um dado preocupante. A maior parte dos alunos (38,1%) acredita que suas aulas de literatura no ensino secundário foram “interessantes”, percentual semelhante ao dos 35,5% que as avaliaram como “pouco interessantes”.
Entretanto, se somarmos o percentual de estudantes que avaliaram as aulas de literatura das quais participaram como “pouco interessantes” ao índice de alunos que as avaliaram como “nada interessantes”, obteremos 48,5% de avaliações
negativas a respeito da experiência com a disciplina durante os três anos de ensino médio.
Gráfico 10: Como avaliaram as aulas de literatura no ensino médio
Fonte: Elaborado pela autora
Mais especificamente, foi solicitado aos estudantes que discorressem em uma questão aberta, a respeito das aulas de literatura que frequentaram durante o ensino médio. As respostas foram agrupadas em função da semelhança entre si:
Gráfico 11: Como eram suas aulas de literatura no ensino médio?
Fonte: Elaborado pela autora
Em uma situação de maior liberdade, a maioria dos alunos (30,2%) considerou ruins, fracas, pobres ou regulares as suas aulas de literatura durante o
ensino médio. Por sua vez, 21% dos estudantes acreditavam que participaram de aulas tradicionais, com excessiva ênfase no conteúdo ou baseadas simplesmente na periodização literária, enquanto o mesmo percentual avaliou suas aulas como muito boas ou boas. Entre aqueles que avaliaram as aulas como péssimas ou muito ruins estão 14,4% dos estudantes. Convém destacar que 9,2% dos licenciandos afirmaram jamais ter frequentado uma aula de literatura durante todo o ensino médio, enquanto 2,6% dos alunos alegaram não ter recordações de aulas da disciplina.
Quanto ao curso de Letras:
k) Área específica em que desejam atuar:
No tocante ao campo de atuação profissional na grande área de Letras, os estudantes deveriam optar no questionário pela(s) área(s) em que preferencialmente desejariam trabalhar quando graduados. Foi permitido que mais de uma área fosse escolhida pelo mesmo aluno. Assim, dos 76 estudantes, foram obtidas 83 respostas, conforme o gráfico:
Gráfico 12: Em qual área específica desejam atuar
Fonte: Elaborado pela autora
A maior parte dos estudantes (34,9%) demonstrou interesse em atuar como professor de língua portuguesa. Em segundo lugar estavam o ensino e a tradução de língua estrangeira (30,1%), configurando um grupo que, em sua maioria,
desejava atuar na área da educação. O ensino de literatura, aliado à pesquisa em linguística da língua portuguesa, apareceu na sequência como área de atuação