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O estudo de áreas similares à Ria Formosa e à gestão dos seus núcleos, teve em conta várias pesquisas, o que permitiu esclarecer o modo de intervenção neste espaço.

Nem sempre é fácil fazer ordenamento, e planeamento nestas áreas. Quando estamos perante uma paisagem marcadamente antrópica, interrogamo-nos, até que ponto a presença do homem nesses espaços pode ser gerida. Fazer gestão integrada de áreas costeiras, com áreas protegidas ao longo da costa, implica um conhecimento holístico.

Em todo o planeta encontramos vários casos similares à Ria Formosa, as diferenças que os separam focam-se essencialmente na forma de ordenar e planear os actos do homem sobre o território.

O caso de estudo para comparação, teve como base, a importância da paisagem natural/cultural para o seu país e para a região. Assim a área seleccionada recaiu sobre a Ilha de Roanoke na Virgínia nos Estados Unidos da América, devido à sua importância histórica e cultural para o pais, mas também pela sua localização e fragilidade do sistema que a comporta.

Figura 48 – Ilha de Roanoke e ilhas barreira156

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A ilha de Roanoke (Figura 48), é um marco histórico dos Estados Unidos, é aqui que

nasce a primeira tentativa para colonizar o novo mundo. Em 1587, mais de cem homens

mulheres e crianças embarcam de Inglaterra para a Ilha de Roanoke157, com a Rainha Elizabeth

a dar o nome a toda a região de Virgínia, na qual se incluía a ilha de Roanoke.

Figura 49 – Ilha de Roanoke - Mapa militar158

A ilha (Figura 49) encontra-se localizada na faixa intermédia entre as ilhas barreira e

o continente, apresentando uma grande variedade de espécies tanto a nível flora como fauna, com influência directa do oceano atlântico, marcadamente caracterizada por uma paisagem cultural e natural, que evoluiu ao longo do tempo.

Com o passar dos anos, e depois de vários mistérios históricos que envolveram o desaparecimento das comunidades locais fundadoras das primeiras colónias, a ilha perdeu alguma identidade que a envolveu durante longos anos.

Hoje em dia vários historiadores ainda procuram na ilha registos escondidos das comunidades desaparecidas, no meio das matas protegidas. Existe também um jardim histórico

157 "Fonte - http://www.coastalguide.com" 158 "Fonte - http://www.history-map.com"

139 no meio da mata designado Elizabethan Gardens, com um elenco floral que faz recordar os jardins tradicionais ingleses, com composições de várias herbáceas e arbustivas.

Esta pequena discrição dos principais elementos que compõe a paisagem da ilha, são meramente indicativos da interpretação do lugar num curto período de tempo, remetendo a importância para a interpretação global da paisagem e sua gestão.

Pergunta-se como é que esta paisagem evolui e como é que ela é gerida.

A ilha de Roanoke faz parte de um conjunto de ilhas barreira de extrema importância para este estado.

Figura 50 – Ilha de Roanoke159

Podemos dizer que a sua gestão não tem sido muito "difícil", pois o turismo de massas é muito pontual, e com tendência a desaparecer. Tem sido potenciado o carácter de protecção e bem patrimonial nacional (Figura 50), e as comunidades actuais estão bem inseridas

no plano de coordenação de gestão da costa e de valoração da paisagem, com inúmeras iniciativas locais. Existe uma tendência para o ecoturismo, começando na própria comunidade com a implementação de materiais locais para a construção de habitações com carácter naturalizado, quer pelo tipo de material usado, como também no quotidiano das pessoas com práticas ecológicas. O seu carácter de isolamento impõe que assim seja, levando as pessoas a sentirem-se parte da paisagem.

Existe um fluxo também pontual de atravessamento da ilha em direcção às ilhas barreira. Com os anos o interesse na ilha de Roanoke tem vindo a diminuir, sendo as ilhas barreira um lugar apetecível para ir para a praia, similar ao que acontece na Ria Formosa.

140 Não existe uma tendência para a construção de casas em zona dunar, e por isso mesmo não apresenta os mesmos problemas que as ilhas barreira na Ria Formosa.

Como se pode verificar as duas áreas protegidas, a ilha de Roanoke e a Ria Formosa, apresentam objectivos comuns, que deverão ser assegurados, pelas políticas de ordenamento de cada país. Deverá ser colocado em prática todas as directivas de ordenamento e planeamento, para que seja possível, assegurar a preservação e conservação da estrutura primária que caracteriza a paisagem, colocando-se em perigo essa mesma estrutura se os objectivos não forem cumpridos, podendo-se perder para sempre valores culturais e naturais essenciais à sobrevivência dos ecossistemas locais.

Outros exemplos ilustrativos provém da Holanda, aqui a política usada na gestão da costa, tem sido à base de intervenções duras, tendo-se claramente apostado na manutenção da costa (hold the line) através de uma protecção dinâmica (realimentações, construção de diques, entre outros). Neste caso o país é desenhado como um "conjunto de células vivas", que tem que trabalhar todas ao mesmo tempo e sincronizadas para bombear o sangue (água), para fora do sistema. A paisagem holandesa, é como um grande coração artificial, que deverá ser protegido por intervenções mais ou menos caras que requerem grandes gastos de energia. Durante muitos anos o problema água, andou nos sonhos e nas bocas de todos os holandeses, neste momento acordaram para uma realidade que é a perda de solos, devido à bombagem de água que leva também solo incorporado. Quanto mais solo bombearmos para o mar menos solo temos no continente, e assim teremos que ter estruturas físicas de maiores dimensões, e adaptadas a solos cada vez mais instáveis. A costa terá que ser repensada, não só pela sobrevivência de um pais, mais também pela possível perda de paisagens protegidas como é Kinderdijk, Beemster ou Schokland (Figura 51).

Figura 51 – Schokland - Kinderdijk - Beemster - As paisagens protegidas pela Unesco160

160 "Fonte - autor do trabalho - tiradas aquando o workshop internacional sobre paisagens culturais em Apeldoorn (Holanda) "

141 No caso da Inglaterra a opção tem sido a da retirada, tendo-se definido uma "red line" que limita exteriormente a área que se admite que venha a ser atingida pela erosão. Singapura por outro lado não admite perder terreno ao mar e optou por ter uma filosofia similar à Holanda, enquanto no Dubai avança-se pelo mar adentro apresentando uma politica caracterizada por intervenções de ruptura com o ecossistema inicial.

Como se pode ver são as políticas que definem a modo de gestão, e são elas que dão condições para manter ou não uma paisagem.

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