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ESTUDO COMPARATIVO DA MORTALIDADE PERINATAL

No documento , FEDERAL DO PARANA NO PERfoDO DE 1991 A 1992 (páginas 127-132)

o Hospital de Clinicas da UFPR possui um protocolo

5.3 ESTUDO COMPARATIVO DA MORTALIDADE PERINATAL

5.3.1 Idade

faixas extremas da vida calcularmos a RC para

riscos perinatais nas Nos dais grupos, mais de 60% das pacientes estavam em idade considerada ideal (20 a 34 anos) para a gravidez e 0

parto (tabela 3).

Ao separarmos as gestantes em reprodutiva « 15 e >ou= 40 anos) e mortalidade perinatal (tabela 4), ocorrendo uma tendencia de maiares

embora que

observa-se

gravidas do Grupo I em relayao ao Grupo Controle, esta diferenya naa fai significativa.

As mulheres que engravldam na adolescencia au tardiamente figuram, na maioria das tabelas de rlsco, como

propensas a sofrer maior numero de intercorrencias durante a gravidez e 0 parto. (NESBITT e AUBRY, 1969; CARVALHEIRO, 1970;

ALMEIDA et al., 1975; SOKOL, ROSENE e STOJKOV, 1977; PETITTI, 1987) .

Quanto menor for a idade da mulher que engravida, malor propensao tera de apresentar pre-eclampsia, anemla e fetos com ba ixo peso, consequentemente ma ior risco de morta 1idade perinatal.

Ao discorrerem sobre a gravidez na adolescencla, CANTUARIA e CANTUARIA (1990) chegam a dizer que sob 0 ponto de vista medico-social, este evento torna-se uma verdadeira armadilha para essas gestantes.

Por outro lado, as mulheres que ficam gravidas tardiamente apresentam com maior frequencia abortos, trabalho de parte prematuro, sangramento e fetos malformados. (GESTA~AO DE ALTO RISCO - MINISTERIO DA SAUDE, 1991).

Como 0 Hospital de Clinicas da UFPR e referencia para gestayao de risco, justificam-se os resultados encontrados neste estudo.

5.3.2 Atividade Profissional

Como se pode notar pela tabela 5, aproximadamente 85%

das gestantes de ambos os grupos eram donas de casa e apenas 15% exerciam alguma atividade fora do lar.

Na tabela 6, foi calculado 0 rlSCO para esta atividade entre 0 Grupo I e 0 Grupo II, nao ocorrendo signlficancla estatistica para mortalidade perlnatal.

Segundo 0 IBGE (CRIANyA & ADOLESCENCIA, 1992), no Brasil, a taxa de atividade fora do lar exercida pelas mulheres que em 1981 era de 32,9% subiu para 39,2% em 1990.

Comparado com estes dados, as Clinicas tem uma baixa participayao

gestantes do Hospltal de remunerada fora do lar, auxiliando pouco na manutenyao financeira da familia.

Devido

a

variedade de atividade exercidas pelas

gestantes, tornou-se dif ici 1 rea 1izar uma correlayao entre 0

tipo de trabalho e suas repercuss6es na gestayao e no parto. 0 ponto principal a ser avaliado na gravida trabalhadora e, sem duvida, 0 esforyo fisico. Como avaliar, por exemplo, tal esforyo fisico, no trabalho de uma gestante dona de casa que exerce inumeras atividades, e compara-lo com os de uma diarista, faxineira ou costureira?

Esta medida

e

possivel para aqueles casos de

trabalhadoras de uma mesma atividade, como fizeram MAMELLE e MUNHOZ (1987), ao pesqulsar em operarias de 50 fabricas na Franya, uma relayao entre 0 trabalho e 0 parto prematuro, que

e

uma das principais causas de 6bito perinatal. Esses autores concluiram que uma reduyao semanal do numero de horas de trabalho foi fator de significancia estatistica para diminuir esta afecyao.

MORRISON (1979) tambem avalia a repercussao do trabalho das gestantes e 0 parte prematuro em 67 pacientes de risco para esta afecyao; concluiu nao haver repercussao importante, desde que 0 diagn6stico possa ser precoce e 0 atendimento imediato.

Em nosso melo, LIPPI (1979) , quando avalia a participayao do trabalho e do repouso na gravidez, nao en contra repercussao na mortalldade neonatal infantil, mas relata menor

peso dos recem-nascidos em maes que fizeram pouco repouso.

No presente estudo, a atividade profissional deve ser considerada como informayao complementar, ja que para um estudo mais detalhado seria necessario uma casuistlca malor, enfocando profiss6es slmilares.

5.3.3 Numero de Pessoas na Familia

A composiyao famlliar (tabela 7) demonstra que as familias consideradas pequenas (ate 3 componentes) ocorreram em mais de 50% nos dois grupos. Aquelas de tamanho medio (4 - 7 componentes) somaram mais 10% no Grupo II e as mais numerosas

(igual ou acima de 8 componentes) constituiram a minoria, em torno de 4% em ambos os grupos. Este fator nao foi significativo para 6bito perinatal.

Em dados estatisticos a respeito do tamanho da familia brasileira, 0 IBGE (CRIANyA & ADOLESCENCIA, 1992) relata que, entre 1981 a 1989, ocorreu uma dlminuiyao de seu tamanho, as custas de um menor numero de filhos. As familias nesse periodo passaram de 4,5 componentes para 4,1, 0 que foi considerada como uma das causas que contribuiram

mortalidade infantil nessa decada.

Apesar de neste estudo ocorrer concordancia com os dados do IBGE no que se refere ao tamanho da familia, encontramos paradoxalmente uma tendencia nao significativa de maior numero de 6bitos perinatais nas familias pequenas.

para a queda da

5.3.4 Cor

Ocorreu a predominancia das pacientes de cor branca nos

significancia

dois grupos, com aproximadamente 80%, estatistica para mortalidade

sem apresentar perinatal (tabela

8) •

si tuayao semelhante (1970), quando examina a Preto - SP, encontrando 79%

e relatada tambem por mortalidade perinatal

de maes de cor branca.

CARVALHEIRO em Ribelrao

Este fato e marcante em outros paises, como nos Estados Unidos, onde PETITTI (1987) ao avaliar a mortalidade fetal entre 1945 a 1983, encontra uma queda significante para as pacientes de cor branca, comparadas com as nao brancas.

Entretanto, nesse pais, as condiyoes s6cio-economicas e culturais para estes sao muito diversas, ocorrendo uma provavel interayao com outros fatores, que na pratica sao malS importantes que a pr6pria cor.

5.3.5 Grau de Instruc;:ao

o grau de instruyao (tabela 9) demonstra um indlce de analfabetismo de aproxlmadamente 10%. Entre as que receberam algum tipo de instruyao, 0 maior grupo foi 0 das pacientes que ti veram 0 primeiro grau incompleto com 70,80% no Grupo I e 61,61% no Grupo II.

As poucas pacientes com 2Q grau incompleto ou ni vel superior, 4,42% no Grupo I e 2,2% no Grupo II foram referldas

de outros hospltais.

Na tabela 10, calculou-se a RC entre as pacientes com pouca ou nenhuma instruyao e aquelas com 0 prlmeiro grau completo ou aClma, nao ocorrendo diferenya significatlva.

No documento , FEDERAL DO PARANA NO PERfoDO DE 1991 A 1992 (páginas 127-132)