3.3 ESTUDO DE CASO
3.3.2 Estudo de caso exportação
A partir deste momento, será apresentado o processo de exportação do produto “X”, o qual foi importado da China para o Brasil, onde este será vendido para um cliente da empresa INMES, localizado na Bolívia. Através da documentação pode-se perceber que a venda se concretizou no dia 12/07/2018, onde neste dia o pedido foi colocado no sistema, para que dessa forma o item importado seja reservado para seguir em direção ao mercado externo.
É possível constatar que o pedido ocorreu depois de efetiva importação do produto. Portanto, quando ocorrem essas situações é norma da empresa que o gerente de exportação informe ao gerente de vendas sobre a reserva deste item para a sua comercialização em âmbito internacional. Assim, neste caso em específico, o item chega em fábrica sabendo que seu destino será a Bolívia.
Após a solicitação do cliente tem-se início a emissão de uma fatura proforma, realizada pela INMES, onde nesta constam todas as informações que concernem a solicitação do comprador internacional. No caso em específico, o incoterm utilizado foi o FCA, frete rodoviário, contratado pelo cliente, onde o mesmo prefere fazer seus pagamentos de forma adiantada. Após o aceite da proforma o pedido é colocado em andamento.
Após a confirmação do pedido, o PCP (plano de controle de produção) realiza o prognóstico da entrega do produto para despacho. Neste contexto, se tratando da mercadoria importada, o prazo informado para entrega foi 09/08/18. Contrária a previsão, a mercadoria de fato ficou pronta para despacho no dia 13/08/18.
Constatou-se que o pagamento do montante referente a este processo foi executado no dia 28/08/2018, a partir do pagamento foi estabelecido o contato com o transporte. Nos casos em que o transportador contrata o frete no destino, a empresa aguarda o contato do operador logístico. No que diz respeito ao processo do produto “X”, o transporte entrou em contato com a empresa no dia 30/08/18 e realizou a coleta no dia 05/09/18.
Após a mercadoria ser coletada inicia-se o trânsito até o seu destino final. A apresentação para despacho ocorreu no dia 27/09/18, no mesmo dia a mercadoria foi liberada sem conferência aduaneira, portanto, desembaraçada em canal verde. A retificação e manifestação dos dados de embarque, averbação dos documentos e liberação na aduana de Santa Cruz – Bolívia, ocorreu no dia 01/10/18, onde pode-se considerar a carga completamente exportada.
Desde o momento da compra da mercadoria pelo cliente até sua chegada na aduana da Bolívia foram 81 dias corridos de trâmites, considerando que a transportadora levou 4 dias úteis até entrar em contato com a empresa para realizar a coleta, deixando a mercadoria parada em fábrica.
Os custos que cabem a empresa, diante do processo apresentado, foram com certificado de fumigação, gastos com despachante e serviços aduaneiros. Dado que mercadoria exportada era de origem importada não houve emissão do certificado de origem, portanto não houve gastos com sua emissão. A contratação do transporte foi de responsabilidade do importador, desta forma a empresa ficou isenta do pagamento de frete e seguro.
Referente a parte financeira, pode-se perceber que a empresa possui um ACC (Adiantamento Sobre Contrato de Câmbio) e os utiliza para realização de suas exportações, que de acordo com o BACEN (2014) se caracteriza como:
[...] uma antecipação parcial ou total da moeda nacional relativa ao preço da moeda estrangeira vendida ao banco autorizado a operar no mercado de câmbio, pelo exportador, para entrega futura, feita antes do embarque da mercadoria ou da prestação do serviço
No caso em questão o montante foi recebido no dia 28/08/2018 e o fechamento do câmbio com o banco ocorreu no dia 11/09/2018, tendo em vista a alta do dólar neste dia, que propiciou a empresa uma variação cambial positiva. Todavia pode-se constatar que nas transferências de pagamentos relativos a exportação, geram algumas tarifas para a empresa, desta forma verificou-se que o custo correspondente a tarifa única de exportação (cobrada pelo banco em que a empresa possui negócios).
Na tabela a seguir tem-se o valor dos custos da exportação do produto “X” em porcentagem, feitos através do valor da mercadoria em reais no dia do seu faturamento. Deve- se salientar que o pagamento do frete rodoviário, ademais sua contratação, foi de responsabilidade da empresa boliviana.
Tabela 2 - Custos do processo de exportação
CUSTOS EXPORTAÇÃO RODOVIÁRIA
Fumigação 0,14%
Despachante 0,52%
Custos transação 0,28%
Frete rodoviário 2,94%
Fonte: Pesquisa elaborada pela autora, 2018.
Para melhor visualização do processo de importação do produto “X” até o mesmo ser exportado, foi construído uma linha do tempo, tendo como base os dados apresentados acima. A Figura 3 demonstra o momento da importação do produto “X”, até sua chegada em território brasileiro, onde será direcionada ao mercado externo.
Fonte: Pesquisa elaborada pela autora, 2018.
Com a linha do tempo pode-se perceber que do momento da saída do produto do seu remetente (China), ela percorreu o total de 107 dias corridos até chegar a Bolívia, país de destino, permanecendo no estoque da empresa durante 23 dias, tendo em vista que o pedido feito pela empresa boliviana para a INMES ocorreu 26 dias corridos após o embarque da mercadoria no porto de Ningbo, China.
Considerando que a mercadoria ficou pronta para despacho no dia 13/08/2018, os fatos que influenciaram a permanência do produto em estoque foi a demora do pagamento do importador, que levou 15 dias corridos para efetuar o a transferência do montante, contados a partir do momento em que a mercadoria estava disponível para embarque (13/08/2018), conjunto aos quatro dias úteis que a transportadora levou até fazer contato com a empresa.
Neste estudo de caso, percebe-se que a empresa não obteve gastos relativos ao transporte da mercadoria, visto que este ficou de inteira responsabilidade do cliente boliviano, porém obteve desembolso com a fumigação, despachante (onde nestes inclui custos aduaneiros) e custos bancários.