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4. DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

4.6 ESTUDO DE SIMILARES

Após a etapa de planejamento, foi feito um breve estudo de projetos de sinalização já existentes, com o intuito de reunir referências. Foram feitos painéis de referências morfológicas da sinalização de museus/espaços expositivos e também de projetos de sinalização acessíveis em diversos contextos. Além disso, uma análise mais aprofundada foi feita com foco em projetos de espaços expositivos

pensados especialmente para incluir pessoas com deficiência visual, tanto nacionais quanto internacionais.

Figura 31​ - Painel de referências de sinalização de museus.

Durante o estudo de espaços expositivos acessíveis, um dos locais levantados foi a Pinacoteca de São Paulo , museu que há alguns anos passou por diversas 9 reformas para adaptar sua arquitetura, que é bastante antiga, ao acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. A Pinacoteca conta com uma exposição chamada “Galeria Tátil” pensada especialmente no público com deficiência visual, que contém 12 esculturas em bronze, panfletos descritivos em Braille, audiodescrição das obras (por meio do aplicativo do museu) e conta com instalação de piso tátil por todo seu percurso, além de uma maquete tátil da exposição. A exposição ficará aberta até janeiro de 2020 e pode ser visitada com ou sem a ajuda de um guia do museu. Algumas das obras do acervo de diferentes exposições do museu também são adaptadas para interação de pessoas com deficiência visual.

Figura 33​ - Trecho da exposição “Galeria Tátil” na Pinacoteca de São Paulo.

Fonte: <https://hiperludica.wordpress.com/2013/02/07/acessibilidade-fisica-e-sensorial-em-museus-a- pinacoteca-de-sp/>. Acesso em: 06 set. 2019.

9 HAND TALK. ​Acessibilidade em museus​. Disponível em:

Figura 34​ - Maquete tátil da exposição “Galeria Tátil”.

Fonte: <http://prolucimara.blogspot.com/2012/05/mapa-tatil-braille.html>. Acesso em 06 set. 2019.

O Museu do Futebol, também localizado em São Paulo, é outro museu bastante conhecido quando se fala em acessibilidade . Ganhador de diversos10 prêmios e certificados, o museu foi o primeiro museu brasileiro planejado desde o início para ser totalmente acessível. No sentido da acessibilidade visual, possui audioguias em português, inglês e espanhol, acessíveis por meio de aplicativo próprio (um tablet e fones podem ser retirados no guarda-volumes), pisos táteis ao longo de toda a exposição de longa duração, totens informativos acessíveis em todas as salas, painéis expositivos com texto em relevo e em Braille, esculturas livres ao toque e materiais educativos especiais. O museu possui um projeto intitulado “Deficiente Residente”, em que pessoas com diversos tipos de deficiência são contratadas para compartilhar sua experiência e sugerir melhorias para o museu. A ideia é que a estrutura do local seja constantemente adaptada de acordo com as necessidades e apontamentos feitos pelos consultores.

10 MUSEU DO FUTEBOL. ​Acessibilidade​. Disponível em:

Figura 35​ - Pessoa com deficiência visual avalia o audioguia do Museu do Futebol.

Fonte: <https://www.museudofutebol.org.br/pagina/acessibilidade>. Acesso em: 09 set. 2019.

Figuras 36 e 37 - Visitante com deficiência visual toca em peças com texto em relevo e em Braille no Museu do Futebol.

Fonte: <https://www.fundacaodorina.org.br/blog/museu-do-futebol-alem-visao/>. Acesso em: 09 set. 2019.

Já o Memorial da Inclusão , inaugurado em São Paulo em 2009, possui 11 exposições permanentes, itinerantes e uma exposição virtual que contam uma narrativa histórica dos movimentos sociais protagonizados por pessoas com deficiência nas últimas décadas do século passado. Sua exposição permanente possui aplicação de piso tátil por toda extensão da exposição, assim como totens e painéis táteis, além de disponibilizar fones de ouvido nas peças com recursos de áudio.

Figuras 38 e 39​ - Registros do espaço expositivo do Memorial da Inclusão.

11 SISEMSP. ​Memorial da Inclusão: Os Caminhos da Pessoa com Deficiência​.

<https://www.sisemsp.org.br/banco-de-exposicoes/memorial-da-inclusao-os-caminhos-da-pessoa-co m-deficiencia/>. Acesso em 09 set. 2019.

Fonte: <https://thaisfrota.wordpress.com/2009/12/03/memorial-da-inclusao-os-caminhos-da-pessoa- com-deficiencia/>. Acesso em: 09 set. 2019.

No âmbito internacional, é importante citar o Museu Tiflológico da Organização Nacional de Cegos Espanhóis [ONCE], localizado em Madri, na espanha. Em seu site , a ONCE apresenta que o museu foi inaugurado em 1992, com objetivo de12 oferecer aos cegos uma experiência normalizada de um museu, eliminando barreiras ao acesso desse público. Todas as peças expositivas podem ser tocadas e possuem títulos em braille e em relevo, além da aplicação de QR Codes nas peças de exposição temporária, com informações que podem ser acessadas pelo celular. O museu também conta com um sistema de balizas inteligentes chamadas Beepcons, que auxiliam o visitante na identificação de barreiras e objetos próximos por meio do som. As exposições contam com peças do patrimônio cultural da ONCE, maquetes de monumentos históricos em escala, assim como exposições temporárias de obras feitas por artistas cegos. Na pesquisa online também foram encontrados registros de maquetes táteis da planta dos andares do museu, como mostra a figura 40.

Figura 40​ - Maquete tátil do segundo piso do Museu Tiflológico da ONCE.

Fonte: <https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g187514-d244286-Reviews-Museo_ Tiflologico-Madrid.html>. Acesso em: 09 set. 2019.

Figura 41​ - Exemplo de placa de identificação de obra do Museu Tiflológico em Madri.

Fonte: <https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g187514-d244286-Reviews-Museo_ Tiflologico-Madrid.html>. Acesso em: 09 set. 2019.

A partir dos exemplos selecionados, foi possível notar que os projetos de sinalização não são, por si só, a única ferramenta necessária para promover a inclusão de pessoas com deficiência em espaços culturais. A sinalização é, no entanto, um recurso importante e com várias aplicações, sendo mais efetivo quando associado a outros métodos, como recursos de audiodescrição, sejam eles aplicados no local ou por meio de aplicativos, ou mesmo pela disponibilidade de guias capacitados pelo museu, dando à pessoa com deficiência a oportunidade de escolher como deseja fazer a visita pelo local. A sinalização deve fornecer ao usuário o máximo de informações possíveis necessárias para sua locomoção e apreciação do espaço onde ela está localizada, no entanto, reforça-se a necessidade de indicação, ao menos no início da visita, sobre como funciona aquele espaço e como utilizar os recursos disponibilizados para a orientação da pessoa com deficiência visual, possibilitando assim um efetivo acolhimento da pessoa com deficiência visual no museu.