• Nenhum resultado encontrado

2.4.1 – O consumo de lenha pelos moradores da região

O estudo foi realizado através da aplicação de formulários e entrevistas não estruturadas com enfoques na estrutura familiar, educacional, econômica, relacionados com o uso de termocombustíveis. O levantamento permitiu uma visão do ambiente social e econômico do lugar. No sentido de garantir a maior precisão dos dados optou-se por questões objetivas que reduzissem a resistência e intimidação dos declarantes e eliminasse a subjetividade na coleta de informações. A coleta de dados foi realizada por meio de formulário estruturado (Anexo 3) através de metodologia proposta por Chalico e Riegelhaupt (2002), onde foram obtidos dados sobre o uso da lenha como combustível no setor domiciliar, bem como, obteve-se informações sobre a situação sócio econômica da

população. Para ampliar os conhecimentos sobre a área buscou-se em bibliografias específicas outras informações sobre a temática do uso de lenha no Estado.

O setor residencial foi diferenciado em urbano e rural, sendo consideradas rurais as residências localizadas fora da sede urbana do município. Devido à extensão territorial de São João do Cariri, foi escolhido o povoado rural de Malhada da Roça para ser feito o levantamento, como forma de se obter uma estimativa das informações da área rural. Este povoado foi escolhido por ser um dos povoados de maior contingente populacional. Tanto para a zona urbana como para a rural o levantamento dos dados teve uma natureza censitária, cobrindo-se o total de residências, onde foram utilizados o mapeamento e a metodologia de campo da Fundação Nacional de Saúde - FUNASA.

Do total de 986 formulários da sede urbana, 552 foram efetivamente respondidos.

Os outros 434 restantes não foram preenchidos pelos seguintes motivos: 152 imóveis eram unidades não residenciais, tais como comércio, prédios públicos, escolas entre outros; 35 prédios estavam em construção; 81 casas encontravam-se desocupadas e 166 casas fechadas. Segundo depoimentos de vizinhos a maior parte dos moradores das 166 unidades residenciais fechadas estava em janeiro de 2004 temporariamente em seus sítios aproveitando o período de chuvas. Vale salientar que o total pluviométrico registrado entre os dias 12 e 30 de janeiro de 2004 foi de 280,60 mm, suficientes para favorecer o desenvolvimento de culturas temporárias e formação de pastagens, bem como os transbordamentos de rios e barragens um tanto raro nesta região.

No povoado de Malhada da Roça dos 124 prédios existentes, 76 unidades prediais foram visitadas e tiveram formulários respondidos. Outras 48 unidades prediais não tiveram seus formulários efetivamente preenchidos pelos seguintes motivos: 13 eram prédios não residenciais como escolas, comércio entre outros; 11 casas encontravam-se fechadas, 15 casas estavam desocupadas e 9 casas em construção.

No total foram aplicados 1062 formulários, compreendendo a sede urbana e o povoado de Malhada da Roça. Na consolidação dos formulários optou-se por vários tipos de cruzamento de dados. Nestes cruzamentos distinguiram-se os dados da área urbana e da área rural para que o nível de análise fosse mais fiel à realidade tratada.

2.4.2 – Avaliação da queima de algumas espécies vegetal da caatinga

Na seleção das espécies para o experimento levou-se em consideração a freqüência de ocorrência na área do estudo, tomando como referência Silva (2002) que identificou a ocorrência de espécies vegetais na bacia do açude Namorado em São João do Cariri.

Considerou-se também a preferência declarada pelos usuários locais. Foram selecionadas as seguintes espécies: Algaroba (Prosopis juliflora DC.), Angico (Piptadenia macrocarpa Benth.), Pereiro (Aspidosperma pyrifollium Engl.), Catingueira (Caesalpinia pyramidalis Tul.) e Jurema Branca (Mimosa verrugosa Benth.). A área em que foram coletadas as amostras e em que o experimento foi realizado, localiza-se no município de São João do Cariri, na Bacia Escola do Centro de Ciências Agrárias da UFPB. As amostras de madeiras foram colhidas livremente na caatinga, de forma semelhante a uma coleta para uso cotidiano. Para a identificação das espécies foram utilizados os conhecimentos de um mateiro e de um técnico agrícola. Esta metodologia foi desenvolvida por Tavares et al (1974) que em estudo sobre áreas de caatinga chegaram à conclusão que 99% das identificações de madeiras através de nomes vulgares, pelos mateiros, coincidiram com suas identificações botânicas. Segundo o autor, diferentemente das áreas de matas costeiras perenifólias, na caatinga esta metodologia pode ser usada com confiança devido às características da mata e a permanente interação da população com estes recursos. As variáveis estabelecidas para a avaliação das espécies de lenha foram:

1) TC - Tempo de combustão (tempo que a lenha levou para incendiar);

2) TQ - Tempo de queima (tempo, a partir da combustão, em que a lenha ficou vertendo fogo).

Foi realizada também uma caracterização da fumaça e do fogo das amostras de lenha durante a queima. Para a caracterização foram consideradas as seguintes variáveis:

1) Relacionadas à fumaça:

Fumaça densa, Fumaça média;

Fumaça leve.

2) Relacionadas ao tipo de fogo:

Fogo alto - altura aproximada de 20 a 30 cm;

Fogo médio – altura aproximada de 5 a 20 cm;

Fogo mínimo – altura aproximada de até 5 cm.

2.4.2.1 - Preparação do material para a queima

Os galhos selecionados apresentaram ao longo de sua extensão um diâmetro médio de 45 mm e foram cortados em 30 tocos cilíndricos de 10 cm de comprimento, os quais foram divididos em quatro partes no sentido longitudinal. Foram montadas seis fogueiras para cada espécie. A forma de divisão da lenha, bem como a formação das fogueiras, podem ser vistas nas Figuras 7 e 9.

Figura 7 – Demonstração da preparação das amostras

Cada uma das partes de lenha foi pesada em seu estado natural, obtendo-se o valor de LN (lenha ao natural). A balança utilizada foi a MARTE – Modelo A.5000, com precisão de centigramas (Figura 8). Em seguida, todas as partes de lenha foram submetidas à estufa a 200º C para a secagem até peso constante. Logo após a secagem foram pesadas novamente para a obtenção de LE (lenha após secagem na estufa). A diferença entre os valores de LN e LE gerou o valor de QA, ou a quantidade de água perdida depois da secagem. Cada toco cilíndrico, dividido em quatro partes, compôs uma fogueira que foi submetida à queima para a observação e anotação.

Figura 8 – Pesagem das amostras

2.4.2.2 - O processo de queima

O processo de queima (Figura 9) se deu a partir de um comburente inicial, uma pequena fogueira de carvão (composta de mais ou menos uma pá de carvão), sobre a qual foi colocada uma tela de arame para separar o carvão das partes de lenha a serem queimadas. Foram realizadas ao total seis queimas de cada espécie de lenha, duas queimas de cada espécie em cada turno do dia, manhã, tarde e noite.

Figura 9 – Ilustração demonstrando o tipo de fogueira utilizada

Em cada observação foram construídas cinco fogueiras com o comburente inicial (uma para cada espécie) e colocadas sobre cada fogueira (sobre a tela de arame) as quatro partes de lenha de cada espécie cortadas como descrito anteriormente. Através de cronômetro foi marcado o tempo inicial e final da combustão (aparecimento do fogo) de cada espécie para a determinação das diferenças de tempo de queima das espécies, ou seja, seu Tempo de Queima (TQ). Através de cronômetro foi marcado o tempo inicial em que foi colocada cada fogueira sobre a tela de arame para as anotações.

2.4.2.3 - O delineamento experimental e o tratamento estatístico

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com número de seis repetições agrupadas pelo tipo de lenha (Algaroba, Angico, Pereiro, Catingueira, Jurema Branca). A grandeza de observação, tempo (medida em minutos) foi transformada em segundos para facilitar o tratamento estatístico. Para os valores do Tempo de Combustão (TC), houve normalidade dos valores observados não necessitando de transformações. Na variável Tempo de Queima (TQ), os dados das observações apresentaram assimetria em relação à normalidade da distribuição do erro experimental. Neste caso, para a realização da análise de variância, foi necessário submeter os dados a uma transformação logarítmica, promovendo uma distribuição mais próxima da normalidade. Após a Análise de Variância ser efetuada, aplicou-se o Teste de Tukey para comparar as médias obtidas entre as diferentes madeiras utilizadas no experimento.

3 - RESULTADOS

3.1 – DELIMITAÇÃO ESPACIAL DA VEGETAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SÃO

Documentos relacionados