5.1 Síndrome de Williams (SW)
5.1.1 Estudo 1 An intervention program related to reading development – a case
Aleviadrou, Griva e Massi (2013) realizaram um estudo de caso com uma menina de 8 anos que apresentava o diagnóstico de Síndrome de Williams. A criança frequentava o 2º ano do Ensino Fundamental. O artigo não explicita onde a pesquisa foi realizada, porém as autoras estão ligadas à University of Western Macedonia, na Grécia. O texto foi publicado na língua inglesa e, por isso, foi incluído nesta revisão.
A avaliação pré-intervenção foi realizada por meio de testes informais e padronizados, brevemente descritos a seguir.
(1) Raven’s Colored Progressive Matrices Test;
Segundo Bandeira et al. (2004, p. 479), “o Teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven destina-se à avaliação do desenvolvimento intelectual de crianças de 5 a 11 anos de idade”. A participante do estudo foi avaliada com idade mental de 6 anos.
(2) Avaliação informal das habilidades em linguagem escrita e consciência fonológica;
Conforme as autoras do trabalho, essa avaliação foi composta por atividades de identificação de letras e sílabas por estímulo oral (escrever a letra do som que ouviu, por exemplo) e visual (reescrita) e leitura. A criança conseguiu realizar com êxito as tarefas relativas às letras e só teve dificuldades em algumas relacionadas à sílaba, quando envolvia diferentes combinações de letras.
Para avaliação da consciência fonológica, a participante realizou tarefas de manipulação de fonemas, nas quais obteve dificuldade. Quando o fonema inicial era vogal, a criança foi capaz de identificar, porém, com consoantes, sua resposta era a primeira sílaba. Também não obteve sucesso com fonemas em posição final de palavra.
(3) Test of Identifyng Reading Difficulties (PORPODAS et al., 2008)
Esse teste consistiu em tarefas de compreensão e decodificação leitora, além de memória de curto prazo e consciência fonológica. O desempenho da criança participante foi classificado como o mais baixo na escala de pontuação.
O programa de intervenção proposto ocorreu duas vezes por semana, durante uma hora, ao longo de 5 meses. Segundo as autoras (ALEVIADROU et al., 2013, p. 156),
o programa de intervenção individual, que foi concebido com o objetivo de ajudar uma menina de 8 anos a desenvolver habilidades de leitura, seguiu uma abordagem multi-metodológica e multissensorial, combinando elementos de vários métodos, como abordagem “holística”, “método holístico- analítico” e “ensino de palavras”. A intervenção adotou os princípios do modelo educacional “top-down18”, no que diz respeito à construção do
conhecimento.19
As palavras selecionadas tinham entre duas e três sílabas, com sequências simples e complexas. Todas estavam relacionadas ao universo da criança e foram elaboradas de maneira atrativa. A intervenção ocorreu em três momentos: (1) pré- estágio; (2) estágio; e (3) pós-estágio.
(1) Pré-estágio: apresentação de novas palavras
A criança foi apresentada a novas palavras e desenvolveu atividades de localização dessas palavras entre palavras distratoras e correspondência entre palavra-imagem (conforme figura 8). Foram utilizados materiais lúdicos para a atividade.
Figura 8 - Atividades do pré-estágio
18 Modelo top-down é literalmente “de cima para baixo”, ou seja, das unidades maiores para as
menores. No contexto da pesquisa de Aleviadrou, Griva e Massi (2013), significa começar pela unidade da frase, passando pela palavra, sílaba, para, então, chegar à letra.
19 Tradução da autora para: “The individual intervention programme, which was designed with the aim
to help the eight-years-old girl develop Reading skills, followed a multi-methodological and multisensory approach combining elements from several methods, such as ‘jolistic approach’, ‘holistic-analytical method’, ‘whole-word teaching’. The iintervention adopted the principles of the ‘top-down’ educational model, in respect of constructing the knowledge”.
Fonte: Aleviadrou, Griva & Massi (2013, p. 157)
(2) Estágio: Prática de leitura das novas palavras
2.1 Frase – a criança deveria 1) ler a frase com a ajuda do pesquisador; 2) encontrar a palavra alvo em uma frase, circulá-la e colocar no lugar correto (Fig. 9).
Figura 9 - 1º Estágio - Frase
Fonte: Aleviadrou, Griva & Massi (2013, p. 157)
2.2 Palavra – as tarefas foram: 1) ligar palavra e imagem com uma linha; 2) localizar a palavra correta entre distratores, tendo o auxílio da palavra alvo escrita; e 3) localizar a palavra correta sem o auxílio visual da palavra alvo (Fig. 10).
Fonte: Aleviadrou, Griva & Massi (2013, p. 157)
2.3 – Sílabas – a criança desenvolveu atividades de 1) dividir palavras em sílabas batendo palmas; 2) dividir as sílabas no papel, circulando-as; 3) colocar sílabas em ordem para formar uma palavra alvo; e 4) escrever a sílaba que estava faltando na palavra (Fig. 11).
Fonte: Aleviadrou, Griva & Massi (2013, p. 157)
2.4 – Letras – As atividades desenvolvidas no âmbito das letras foram: 1) ligar imagem à sílaba correspondente que estava em falta; 2) selecionar, entre 3 palavras, aquela que estava de acordo com o que estava ocorrendo na imagem; e 3) circular a palavra correta (em correspondência com uma imagem) entre duas incorretas. Importante destacar que todas as palavras diferiam em apenas uma letra, como pode ser observado na figura 12 abaixo.
Figura 12 - 4º estágio - Letra
(3) Pós-estágio: Foi entregue à criança uma “roda de leitura” contendo as palavras desenvolvidas ao longo da prática de intervenção, para que ela pudesse brincar. No último momento a criança pode escolher uma das palavras para desenhar ou escrever sobre ela (Fig 13).
Figura 13 - Pós estágio
Fonte: Aleviadrou, Griva & Massi (2013, p. 157)
As pesquisadoras observaram que a menina conseguiu ler 45 de 65 palavras, e suas dificuldades centraram-se principalmente em palavras mais longas (de 3 e 4 sílabas) e com sílabas complexas. Perceberam, então, que, quanto mais longa e complicada a palavra era, maiores eram também as dificuldades de leitura.
Na avaliação realizada antes da intervenção, a participante não conseguia ler sílabas simples sem pronunciar cada letra separadamente, fato que mudou após a intervenção, quando a menina foi capaz de ler sílabas simples sem separação das letras. Ainda assim, o Test of Identifyng Reading Difficulties20 (PORPODAS et al.,
2008) foi reaplicado, e a menina continuou na menor pontuação classificatória.
Aleviadrou, Griva e Messi (2013) avaliaram como positiva a intervenção e perceberam uma forte influência da consciência fonológica para a leitura de palavras e pseudopalavras, além de destacarem o método holístico como o mais adequado para essa população. As atividades mostraram um ganho também na memória de trabalho e de longo prazo. As autoras destacam, no entanto, a limitação do estudo
(que foi realizado com apenas uma participante), reforçando a necessidade de mais pesquisas na área.
5.1.2 Estudo 2 - Treino de Consciência Fonológica e intervenção comportamental em