Capítulo Capítulo
Corpus 2: Consoantes fricativas
7. Estudo perceptual
7. Estudo perceptual7. Estudo perceptual
7. Estudo perceptual
A partir da análise dos segmentos com inadequações acústicas, foram elaborados dois testes de percepção categórica, a fim de verificar como estes segmentos são percebidos pelos sujeitos envolvidos nesta pesquisa e se as trocas ortográficas poderiam estar relacionadas a produções acústicas inadequadas que trouxessem uma dificuldade de percepção do traço de sonoridade. Isso foi pensado a partir da colocação de que, para escrever, as crianças devem evocar as imagens acústicas da fala que elas mesmas produzem (ZORZI, 1998).
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7.1. Elaboração dos testes
Optou-se, nestes testes, em trabalhar apenas com as sílabas tônicas, uma vez que elas são mais longas e mais intensas do que as átonas, o que resulta maior nitidez do som produzido. Além disso, foi a sílaba que apresentou o maior número de trocas grafêmicas, tanto nas redações quanto nos ditados. Optou-se também em utilizar somente as sílabas formadas pela consoante alvo mais a vogal baixa [a], a fim de não tornar o teste muito extenso e, por conseqüência, cansativo para as crianças.
Satisfeitos estes critérios, foram selecionadas as sílabas sem inadequações e com as inadequações acústicas para os testes de percepção. No grupo controle, foi selecionada, aleatoriamente, uma produção adequada de cada fonema, tanto das consoantes plosivas quanto das fricativas (Quadro III.4). Apesar de ser uma escolha aleatória, foi levado em consideração o critério de duração dos segmentos; buscando-se fones em sílabas com duração aproximada ao de seu par no grupo trocas, a fim de diminuir a influência desta variável nas respostas do teste.
No grupo trocas, também foi selecionada uma palavra em cada contexto, porém não aleatoriamente, pois neste grupo foram selecionadas somente aquelas sílabas que possuíam o fonema alvo com alguma inadequação acústica.
As sílabas utilizadas nos testes perceptuais foram normalizadas pelo software Praat, equalizando a intensidade dos segmentos, a fim de que tais diferenças não se configurassem em uma dificuldade para a percepção das sílabas.
Os testes perceptuais foram organizados e realizados também pelo Praat (através de scripts, apresentados no Anexo III.3) e se constituem de uma adaptação de testes subjetivos empregados para medir a qualidade de sistemas de avaliação de qualidade de voz. Existem diversos tipos de testes, mas, neste caso, empregou-se a metodologia utilizada no teste de comparação (CCR), apresentado pelo ITU-T, recomendações P.800 e P.830 (1996), no qual se faz a comparação entre elementos de um par.
O primeiro teste, de identificação perceptual, pedia aos sujeitos que identificassem os estímulos como uma das sílabas visualizadas. O segundo, de discriminação perceptual, pediu aos sujeitos que identificassem os sons ouvidos como iguais ou diferentes.
Depois de organizados, os testes foram aplicados a avaliadores adultos, sem interesses diretos na pesquisa (1 fonoaudióloga e 2 professoras). Após serem considerados
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adequados, sem dificuldades nem no procedimento do teste nem nas respostas, os testes foram aplicados às crianças do grupo controle e do grupo trocas, utilizando-se fones tipo “concha” (marca Clone, modelo “fone de ouvido com microfone com controle de volume”), em intensidade considerada clara pela avaliadora, não havendo modificações da intensidade entre os sujeitos.
7.1.1. Teste de identificação perceptual
Neste teste, foram alvo de interesse as sílabas selecionadas a partir do grupo trocas, ou seja, aquelas sílabas que apresentaram alguma inadequação acústica; as sílabas do grupo controle foram utilizadas somente como distratores. Dessa forma, o teste foi composto de 12 sílabas alvo e 3 distratores, totalizando 15 estímulos, apresentados no Quadro III.4 (em destaque, os distratores).
Quadro III.4: Sílabas utilizadas no Teste de Identificação Perceptual
Estímulos Respostas [ba] (sem) ba pa [ba] (com) ba pa [da] (com) da ta [fa] (sem) va fa [fa] (com) va fa [ga] (sem) ga ca [ga] (com) ga ca [Ћa] (com) ja xa [ka] (com) ga ka [pa] (com) ba pa [sa] (com) za sa [ta] (com) da ta [va] (com) va sa [Ѐa] (com) ja xa [za] (com) za sa
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Cada sílaba foi ouvida isoladamente e o sujeito deveria apontar, na tela do computador, qual sílaba foi percebida. Como opções de resposta, foram apresentadas duas sílabas com traços de sonoridade opostos (pares mínimos). A Figura III.2 mostra a tela inicial e uma das telas de resposta do teste.
Figura III.2: Teste de Identificação Perceptual
A partir desta metodologia, buscou-se verificar se a inadequação acústica dos segmentos influenciaria em sua identificação.
7.1.1. Teste de discriminação perceptual
Neste teste, foram utilizadas tanto sílabas do grupo controle quanto do grupo trocas, contrastando-as entre si. Em alguns casos, são comparadas a consoante produzida adequadamente com a mesma sílaba produzida com alguma inadequação acústica; em outros casos, a consoante produzida com alguma inadequação foi comparado à sua contraparte em vozeamento produzida adequadamente. Por exemplo, uma plosiva não vozeada apresentando vozeamento em sua fase de oclusão (silêncio da plosiva) foi
Qual sílaba você ouviu ?
ba
Clique para repetir
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comparada a seu par vozeado sem inadequações acústicas. O sujeito deveria então dizer se os dois estímulos ouvidos eram iguais (mesma sílaba) ou diferentes (sílabas diferentes). No Quadro III.5 estão descritos os 20 pares de sílabas utilizadas no teste, com destaque para os distratores (dois pares mínimos, ambos sem inadequações acústicas).
Quadro III.5: Sílabas utilizadas no Teste de Discriminação Perceptual
Os estímulos foram apresentados de forma aleatória, através do script do PRAAT. A Figura III.3 apresenta a tela inicial de uma das telas de respostas do teste.
[ba] (sem) X [pa] (sem) [ba] (com) X [ba] (sem) [da] (sem) X [da] (com) [da] (com) X [ta] (sem) [da] (com) X [da] (sem) [fa] (com) X [va] (sem) [fa] (com) X [fa] (sem) [ga] (sem) X [ga] (com) [ga] (com) X [ka] (sem) [Ћa] (sem) X [Ћa] (com) [Ћa] (sem) X [Ѐa] (sem) [ka] (sem) X [ka] (com 2) [ka] (com 1) X [ka] (sem) [pa] (com) X [pa] (sem) [sa] (sem) X [sa] (com) [sa] (com) X [za]( sem) [ta] (com) X [ta] (sem) [va] (com) X [va] (sem) [Ѐa] (sem) X [Ѐa] (com) [za] (sem) X [za] (com)
58 Figura III.3: Teste de Discriminação Perceptual
7.2. Sujeitos dos testes
7.2.1. Testes com avaliadores
Os dois arquivos foram submetidos à avaliação de 3 pessoas sem interesses diretos na pesquisa (1 fonoaudióloga e duas professoras das turmas participantes da pesquisa). Essa avaliação faz-se necessária principalmente naqueles segmentos que apresentam alguma inadequação acústica e, mesmo assim, são reconhecidos corretamente. Como o percentual de acertos dos avaliadores adultos foi de 100%, em ambos os testes, foram então aplicados aos sujeitos da pesquisa.
7.2.2. Teste com os participantes do grupo controle e do grupo trocas
Os mesmos sujeitos que participaram das gravações dos dados foram convidados a realizar os testes de percepção, com exceção de dois do sexo masculino do grupo controle, que não freqüentavam mais o colégio no ano letivo de 2008. Desta forma, o grupo controle, no teste de percepção, conta com 10 sujeitos, 6 do sexo feminino e 4 do masculino. O grupo trocas permanece o mesmo, contando com 15 sujeitos, 7 do sexo feminino e 8 do masculino.
Os sons que você ouviu são a mesma sílaba ou são
sílabas diferentes?
Mesma sílaba
Clique para repetir Sílabas diferentes
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7.3. Análise dos dados dos testes perceptuais
Os resultados dos testes foram extraídos pelo próprio Praat e tabulados separadamente para cada grupo estudado. Para tanto, os estímulos foram classificados em ordem alfabética e uma matriz de acertos (gabarito) foi criada no Excel. Assim, a determinação de acerto ou erro foi feita de forma automática, a partir de fórmulas condicionais.
Os dados foram tabulados e calculadas as médias de acertos (por sexo dos informantes e por grupo pesquisado), com suas respectivas porcentagens.
8888. Resumo dos passos da . Resumo dos passos da . Resumo dos passos da ppppesquisa. Resumo dos passos da esquisaesquisaesquisa
• Levantamento e tabulação das trocas nas produções de texto (duas redações); • Elaboração dos corpora e do ditado;
• Levantamento e tabulação das trocas no ditado;
• Cruzamento dos dados (trocas nas redações e nos ditados); • Escolha da população-alvo (grupo controle e grupo trocas); • Gravações;
• Etiquetagem dos dados; • Elaboração dos scripts;
• Obtenção dos valores e elaboração das tabelas; • Análises qualitativas e estatísticas;
• Análises qualitativas das inadequações acústicas;
• Elaboração, a partir das análises qualitativas, do experimento perceptual; • Realização dos estudos perceptuais (com avaliadores e com os participantes); • Tabulação dos resultados dos estudos perceptuais;