• Nenhum resultado encontrado

3.1 OBJETO DE ESTUDO

3.1.1 Estudo piloto

A autora entrou em contato com os proprietários de uma microempresa de moda, com características similares as empresas que vierem a participar deste

15 As empresas participantes terceirizam apenas a etapa da costura e da limpeza.

do, de modo a aplicar os instrumentos de pesquisa e verificar sua adequação aos objetivos do estudo. Devido à intensa demanda de trabalho dos entrevistados, dois sócios que dividem o tempo entre a produção, administração e a comercialização dos produtos da marca em loja própria, em comum acordo, a entrevista foi realizada em um domingo à noite. Notou-se que devido à entrevista ter sido realizada neste horário, o processo foi facilitado, já que não houve interrupções ao longo dos questi-onamentos, que durou uma hora.

Esta marca, localizada na cidade de Cachoeirinha, em fevereiro de 2014 completou nove meses de funcionamento. Conta com dois funcionários, sócios no empreendimento, que atuam nas atividades citadas a cima. A microempresa está instalada em um cômodo, na residência dos sócios, que são irmãos. Neste espaço são desenvolvidas as atividades de pesquisa, criação, modelagem, corte, expedição e etiquetagem bem como o gerenciamento da empresa. A atividade de costura e limpeza é terceirizada por uma facção domiciliar, que possui cinco costureiras, loca-lizada em um bairro próximo à empresa.

Atualmente a empresa não trabalha com pedidos, visto que a produção ocor-re em grande escala. As peças produzidas são distribuídas em loja própria localiza-da na cilocaliza-dade de Porto Alegre/RS a lojistas e ao público final.

A seguir, na Figura 9 será apresentado o PDP da marca:

Figura 9 - PDP estudo piloto.

Fonte: autora

Alguns pontos importantes obtidos na entrevista, referentes ao PDP desta microempresa, serão explicitados a seguir16:

1. os funcionários realizam mais de uma atividade: os sócios desempe-nham mais de uma atividade e até este momento vem tendo uma respos-ta positiva. Em contraponto, os proprietários pretendem expandir os ne-gócios e irão necessitar de mão de obra auxiliar no PDP, já que os fun-cionários efetuam inúmeras atividades e estão sobrecarregados;

2. a empresa não possui um espaço adequado para o desenvolvimento das atividades: em um cômodo desenvolvem mais de 80% do PDP. A cada atividade o recinto é adaptado, alguns materiais são colocados em um armário, apoiados na parede quando são rolos de tecido ou mesmo no chão. Os danos não se tornam visíveis porque a produção ainda é

16 É interessante pontuar que algumas questões foram elucidadas em um segundo momento, quando a autora teve a oportunidade de observar o trabalho desempenhado na sede da empresa.

quena e os proprietários conseguem manejar gradualmente as peças cor-tadas para a costura terceirizada. Com isso, evitam acumular ainda mais material na confecção;

3. a empresa não conhece autores de metodologias de projeto para a moda: mesmo com um dos sócios possuindo formação em técnico de moda, desconhecem informações de bibliografias. O conhecimento adqui-rido foi obtido em experiências profissionais anteriores, em empresas de moda, e está relacionado a forma de organizar a produção;

4. a ficha técnica não contém desenho técnico: a ficha da empresa dá ênfase a sequência de montagem da peça e a utilização adequada de agulhas na costura, sem apresentar desenho, apenas com informações descritas;

5. a marca não produz coleções: a microempresa produz peças no inverno e verão, mas as peças são produzidas gradativamente e dessa forma são vendidas. Esse processo de desenvolvimento tornou-se o mais adequado pelos poucos funcionários envolvidos no PDP da marca;

6. a empresa não faz pilotagem: o responsável pela área de estilo da em-presa acredita que “alfinetar” a primeira peça cortada é o suficiente. Caso aconteçam imprevistos, as peças são “adaptadas” para que possam ser vendidas. Quando as adaptações ocorrem materiais são acrescentados ou removidos, promovendo custos extras para a marca;

7. a empresa mede a vendagem das peças: a marca mede a vendagem das peças no final de cada mês, somando os valores arrecadados nas vendas da loja própria. Todas as peças possuem códigos e assim é pos-sível saber quais foram às peças que mais venderam.

Transcorrido o período de aplicação da entrevista, algumas limitações foram encontradas:

1. a entrevista deverá ser semi-estruturada: após as respostas poderão ocorrer intervenções da autora, visando registrar o maior número de in-formações a respeito do processo de desenvolvimento de produto na em-presa;

2. alguns termos descritos na pesquisa (ex. metodologia, projeto de moda, desenvolvimento de produto) devem ser explicados

previa-mente aos respondentes: o entrevistado não apresentou entendimento de alguns termos e foi necessário ao longo da entrevista esclarecer suas dúvidas;

3. os questionamentos deverão ser respondidos por estilistas ou fun-cionários responsáveis pelo setor de estilo na empresa: observou-se que as perguntas destinadas ao entendimento do PDP não apresentariam os mesmos resultados se tivessem sido respondidas por outros funcioná-rios, visto a falta de informação que outras áreas de uma confecção de pequeno porte apresentam do processo inteiro.

Após a realização do estudo piloto e da identificação das limitações citadas acima, observou-se que a entrevista é um meio viável para obtenção dos resultados e atende as demandas que este estudo necessita. Para tanto, as respostas recolhi-das neste momento serão aproveitarecolhi-das na análise apresentada no capítulo 4.

A seguir, serão apresentadas as empresas participantes do estudo. Estas fo-ram escolhidas por estarem de acordo com as características citadas anteriormente e por critério de conveniência, já que os mesmos eram conhecidos pela autora. Os responsáveis pelas quatro confecções de moda assinaram previamente ao Termo de consentimento, apresentado no apêndice A deste estudo.