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ESTUDOS DE CASO: INCIDENTE EMIRATES EK-703

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.8 ESTUDOS DE CASO: INCIDENTE EMIRATES EK-703

De acordo com Hradecky (2016), o incidente ocorreu em 14 de julho de 2017, envolvendo um Airbus A380 da companhia Emirates. O voo era EK-703 de Dubai para Ilhas Mauritius. O A380 estava em voo de cruzeiro mantendo FL400 e estava cerca de 160 milhas náuticas ao norte das Ilhas Mauritius, quando o controlador (ATC) alertou a tripulação de um trafego na rota oposta que foi liberado a subir até o nível FL370, e na sequência autorizou o A380 a descer até o nível de voo FL380. O piloto cotejou a mensagem informando que estavam liberados descer até o nível FL360, e o controle não fez a correção que seria o nível de voo FL380.

O voo que inicialmente foi liberado pelo controlador a subir até o FL370 era o A330 da companhia Air Seychelles, que fazia o voo HM-54 das Ilhas Mauritius para Ilha Seychelles, e estava cruzando FL330, quando o Emirates foi autorizado descer até FL380.

A figura 9 demonstra a trajetória do voo com respectivo horário e os níveis de voo, e também é possível ver a manobra que foi efetuada para se distanciar da outra aeronave.

Ambos os pilotos tinham informações uns dos outros em seus equipamentos de TCAS, quando receberam a mensagem de resolution advisory (RA), que consiste em uma mensagem de áudio que indicava qual manobra cada aeronave devia efetuar para que mantivessem uma distância segura uma da outra. Esse alerta do TCAS fez com que ambas as aeronaves mantivessem uma separação de 7.5 milhas náuticas uma da outra. No momento estavam cruzando o FL360 e a separação vertical era aproximadamente 4 milhas náuticas onde posteriormente a separação voltou a ser de 7.5 que é a prevista para rota.

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Nesse caso o incidente não se transformou em um acidente por dois motivos: primeiro porque a tecnologia alertou os pilotos do eminente perigo, e segundo pelo uso correto do equipamento, onde foram seguidos todos os procedimentos previstos.

Figura 9 - Flight trajectories, Voo Emirates EK-703

Fonte: Hradecky (2016)

Em um caso semelhante envolvendo um avião de passageiros e um cargueiro da DHL, o desfecho foi outro.

Na ocasião o controlador estava com problemas em transferir uma das aeronaves para outro centro de controle e instruiu ao avião de passageiros a descer para nível de voo FL350 com intenção de manter a separação vertical em relação ao DHL.

Como no caso do voo da Emirates os pilotos também receberam o resolution advisory (RA), onde os pilotos do DHL cumpriram o informado pelo sistema do TCAS iniciando a descida, porém, a outra aeronave que estava descendo por instrução do controlador não só manteve a sua descida, como incrementou o ângulo de descida, a informação do TCAS era para subir (nesse caso prevalece a mensagem do TCAS). Com informações divergentes, o piloto ignorou o aviso do TCAS que informava que deveriam subir e resolveu seguir a instrução do controlador. Segundos antes da colisão, os pilotos viram o que estava prestes a acontecer, mas não tiveram tempo de efetuar uma manobra e acabaram se chocando no ar. (BFU, 2004)

Apesar de tudo, a evolução tecnológica deixou o voo mais seguro, e para os pilotos uma carga de trabalho menor, com equipamentos que facilitam a tomada de decisão. Além disso, boa parte do aparato tecnológico embarcado nas aeronaves é pensando na segurança do voo, tentando mitigar ao máximo os riscos de um acidente.

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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em pouco mais de cem anos, a aviação passou por várias mudanças, e nessa pesquisa foram coletadas informações dos órgãos reguladores, e sites dos fabricantes, possibilitando um conhecimento mais aprofundado dos avanços tecnológicos e equipamentos que contribuem na redução dos acidentes aéreos.

Com a analise dos relatórios de investigação, foi possível identificar os fatores determinantes para um acidente.

No caso da Gol, dentre vários fatores que contribuíram para o acidente, o principal motivo foi o transponder ter sido desligado inadvertidamente pelos pilotos do Legacy, pois apesar de todos os outros fatores, caso o transponder estivesse ligado o acidente teria sido evitado pois o TCAS teria emitido um alerta informando a manobra que cada aeronave deveria ter efetuado, fica claro nesse caso que apesar dos novos sistemas serem parecidos, antes de assumir o comando de uma aeronave é necessário um rigoroso estudo e treinamento do equipamento no qual pretende operar.

Já no incidente da Emirates os pilotos cumpriram os procedimentos e evitaram o acidente, os equipamentos estavam ligados e operantes, e os pilotos tomaram a decisão acertada ao efetuar a manobra informada pelo TCAS. E por fim o acidente da DHL, onde o piloto da outra aeronave decidiu cumprir a mensagem do controlador ao invés da mensagem do TCAS, ao quebrar o protocolo que diz: a manobra informada pelo TCAS se sobressai a do controlador, o acidente teria sido evitado.

Bom base nessa pesquisa podemos dizer que a tecnologia veio para contribuir, porém, alguns acidentes podem estar ligado a falta de conhecimento dos procedimentos e dos equipamentos no qual pilotos estão operando, e também, a quebra de regras.

Ao operar uma aeronave devemos conhecer seus equipamentos e procedimentos, nunca deixando tudo a cargo da tecnologia. Devemos estar sempre atentos e cientes de todos os acontecimentos independente da fase do voo.

Fica a lição de que a tecnologia pode sim salvar vidas, e ajudar na redução dos acidentes aéreos. No entanto, o seu uso inadequado, associado às falhas nos treinamentos, problemas de CRM, dentre outros podem ser um fator contribuinte. Fatores esses que podem servir de base para uma pesquisa futura.

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REFERÊNCIAS

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