3 MATERIAIS E MÉTODOS
3.5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
3.5.3 Estudos documentais
Os dados obtidos na pesquisa documental, considerando-se as imagens apresentadas nas peças gráficas, informativas ou promocionais, divulgadas pelo setor turístico local no ano de 2009, foram organizados e tabulados, permitindo as interpretações propostas a seguir. As páginas dos documentos foram consideradas a variável constante. Em seguida, foi realizado o cruzamento desta primeira variável com outras variáveis: (1) origem da entidade (municipal ou estadual); (2) esfera da entidade (pública ou privada); (3) objetivo do material impresso (informativo ou promocional); (4) elemento unitário da ilustração ou da imagem fotográfica.
3.5.3.1 A origem da entidade
Como apresentado na imagem seguir (gráfico 03), dos trinta (30) documentos analisados, vinte (20) são provenientes de entidades estaduais e dez (10) de entidades municipais.
Gráfico 03 – Número de documentos pela origem da entidade. Fonte – elaborada pela autora (2009).
No universo de pesquisa, há mais entidades municipais que entidades estaduais, quatro (4) são municipais e três (3) são estaduais. Além disso, as entidades estaduais possuíam o dobro de peças gráficas diferentes entre si, com relação ao número de peças diferentes de posse das entidades municipais. Verificou-se que, no ano de 2009, as entidades estaduais, em menor número, possuíam mais peças gráficas diferentes, que incluíam a promoção da cidade de Florianópolis como destino turístico do que as entidades municipais.
3.5.3.2 A esfera da entidade
Conforme mostra a imagem a seguir (gráfico 04), dos trinta (30) documentos analisados, dezenove (19) provém da esfera pública e onze (11) da privada. Portanto, verificou-se que, no ano de 2009, as entidades públicas possuíam maior número de peças gráficas diferentes entre si sobre a cidade de Florianópolis, do que as entidades privadas.
10
20 MUN
EST
Gráfico 04 – Número de documentos pela característica da entidade. Fonte – elaborada pela autora (2009).
3.5.3.3 O objetivo do material impresso
Na imagem a seguir (gráfico 05), são apresentados os dados referentes ao objetivo do material impresso. Dos trinta (30) documentos analisados, vinte e três (23) foram considerados informativos e apenas sete (7) foram considerados publicitários. A maior parte dos documentos pesquisados, proporcionalmente, investe mais na escrita com fins informativos, em decorrência do caráter público-institucional do maior número de entidades emissoras. Diante disso, é possível inferir a possibilidade de ampliação de peças gráficas promocionais, depois de um estudo de viabilidade com relação a outros meios de comunicação e às possibilidades de distribuição eficiente dos novos materiais.
Gráfico 05 – Número de documentos por entidade. Fonte – elaborada pela autora (2009). 3.5.3.4 O elemento unitário da ilustração ou imagem.
Nesta etapa da pesquisa documental, foram identificados os elementos visuais recorrentes em todas as ilustrações e imagens fotográficas encontradas em trezentas e oitenta e cinco (385) páginas
11
19 PRIV
PUB
Documentos x Característica Ent.
7
23 PUBL
INF
impressas, que compõem os trinta (30) documentos ou peças gráficas da amostra.
Ilustração
Na amostra, foram encontradas trinta e nove ilustrações (39). A imagem a seguir (gráfico 06) aponta os elementos unitários encontrados nas ilustrações, por ordenação hierárquica de recorrência.
Gráfico 06 – Recorrência do elemento unitário nas ilustrações. Fonte – elaborada pela autora (2009).
1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 3 19 BORBOLETA BRASÃO GAIVOTA GASTRONOMIA LAÇO PALMEIRA SOL BANDEIRA CASAL EVENTOS PONTE HL PROJETOS ONDAS MAPA ILHA
Elementos unitários nas ilustrações
RECORRÊNCIAO mapa da Ilha de Santa Catarina é o elemento visual de maior recorrência nas ilustrações das peças gráficas impressas (fig. 32 e 33).
Figura 32 - Detalhe da amostra. Ilustração do mapa da Ilha de Santa
Catarina. Fonte – Brasil, [ca. 2008].
Figura 33 - Detalhe da amostra. Ilustração do mapa da Ilha de Santa Catarina. Fonte – Convention & Visitors Bureau,
[ca. 2009].
Na sequencia, foram encontrados de modo recorrente as representações gráficas de ondas (fig. 34), e as ilustrações dos projetos de infraestrutura para a cidade (fig. 35 e 36), como projeto da “Arena Multiuso”6 e projeto de revitalização da passarela do samba “Nego
Quirido”7.
Figura 34 - Documento com representação gráfica de ondas. Fonte – Brasil, [ca. 2008].
6 A Arena Multiuso é considerado um espaço para a realização de eventos culturais, artísticos,
esportivos, econômicos e em outras áreas.
Figura 35 - Detalhe da amostra. Ilustração da Arena Multiuso.
Fonte - Florianópolis, 2008.
Figura 36 - Detalhe da amostra. Ilustração passarela de samba Nego
Quirido. Fonte – Florianópolis, 2008. Logo após, foram encontrados, ainda como mais recorrentes, as ilustrações da ponte “Hercílio Luz” e desenhos referentes a eventos locais como: “Fenaostra”8 e “Desafio Internacional das Estrelas”9 (fig.
37, 38 e 39; 40, 41 e 42).
Figura 37 – Documento com Ponte Hercílio Luz.
Fonte – Brasil, [ca. 2008]. Figura 38 - Documento com ilustrações da Fenaostra. Fonte – Florianópolis, 2008. Figura 39 – Documento com ilustrações da
Fenaostra.e do Desafio das Estrelas. Fonte - Florianópolis, 2008.
8 Importante festa gastronômica e cultural açoriana que acontece na cidade de Florianópolis. 9 Prova de Kart que reúne grandes nomes do automobilismo mundial.
Figura 40 - Detalhe da amostra. Ponte Hercílio Luz.
Fonte – Brasil, [ca. 2008].
Figura 41 - Detalhe da amostra. Fenaostra. Fonte – Florianópolis, 2008. Figura 42 - Detalhe da amostra. Desafio das Estrelas. Fonte – Florianópolis,
2008.
Foram encontrados outros elementos de menor recorrência, como ilustrações representando casais, sol, palmeiras, laços, gaivotas, borboletas (fig. 43).
Figura 43 - Detalhe da amostra. casais, palmeiras, gaivotas e borboletas. Fonte – Convention & Visitors Bureau,
[ca. 2009].
Esses elementos ilustrados desempenham diferentes funções. A imagem do mapa da Ilha de Santa Catarina aparece como elemento informativo-simbólico. Ilustrações de casais e estrelas sugerem conotações românticas. Todavia, ilustrações como o sol, as palmeiras e as gaivotas denotam elementos do local, compondo um cenário tropical de férias ou lazer, entre outras possibilidades. Os símbolos oficiais do município, como brasão e bandeira, não foram representativos na amostra.
Imagens fotográficas
O número total de imagens fotográficas percebidas na amostra foi de trezentas e sessenta (360). A imagem a seguir (gráfico 07) indica a recorrência dos elementos visuais unitários.
Gráfico 07 – Recorrência do elemento unitário nas fotografias. Fonte – elaborada pela autora (2009).
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 3 3 3 3 4 4 4 4 5 5 5 6 9 11 12 15 16 18 18 22 22 22 24 35 37 49 86 103 142 AEROPORTO COPO CACHAÇA DANÇA AÇORIANA EDIFÍCIOS SÉC. XIX ENGENHO DE FARINHA FIESC GUARAPUVÚ MÁQUINA FOTOGRÁFICA MAR MARINA MARTIM PESCADOR SCUNA SISTEMA INTEGRADO DE TRANSPORTES VEGETAÇÃO VIADUTO CIC VILA DOS PESCADORES DUNAS EVENTO TERMINAL RODOVIÁRIO RITA MARIA TRANSATLÂNTICO BAÍA NORTE TRAPICHE ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DE MEDICINA LAGOA DO PERI SHOPPING OUTRAS PONTES CARNAVAL PESCA VELEIROS SÍTIO ARQUEOLÓGICO PRAÇA IGREJA MERCADO PÚBLICO ILHAS CENTRO DE CONVENÇÕES ARTESANATO BEIRA-MAR NORTE CASARIO AÇORIANO CENTRO CIDADE MUSEU ESPORTE FORTALEZA LAGOA DA CONCEIÇÃO PONTE HL RESTAURANTE GASTRONOMIA PRAIA
Elementos unitários nas fotografias
No gráfico, os elementos visuais de maior recorrência foram imagens de praias e imagens relacionadas a restaurantes e gastronomia. As imagens da ponte “Hercílio Luz” aparecem hierarquicamente em quarto lugar, mas foram percebidas como imagens mais consistentes, porque caracteriza a recorrência de um mesmo símbolo unitário (fig. 44 e 45).
Figura 44 - Documento com imagens da Ponte Hercílio Luz.
Fonte – Brasil, [ca. 2008].
Figura 45 - Documento com imagens da Ponte Hercílio Luz. Fonte – Açoriana Turismo, [ca. 2008]. As imagens de praias, restaurantes e gastronomia só podem ser consideradas como representantes de uma categoria, porque a variedade de elementos apresentados em cada categoria não permite a identificação de um elemento único recorrente e, também, não favorecem a composição de sínteses visuais (fig. 46, 47 e 48; 49, 50 e 51; 52, 53, 54 e 55).
Figura 46 - Detalhe da amostra. Imagens de
praias distintas. Fonte – Brasil, [ca. 2008].
Figura 47 - Detalhe da amostra. Imagens de
praias distintas. Fonte – Brasil, [ca. 2008].
Figura 48 - Detalhe da amostra. Imagens de
praias distintas. Fonte – Brasil, [ca. 2008].
Figura 49 - Detalhe da amostra. Imagens dos
restaurantes. Fonte – Abrasel, 2009.
Figura 50 - Detalhe da amostra. Imagens dos
restaurantes. Fonte – Abrasel, 2009.
Figura 51 - Detalhe da amostra. Imagens dos
restaurantes. Fonte – Abrasel, 2009. Figura 52 - Detalhe da amostra. Imagens gastronomia. Fonte – Brasil, [ca.
2008]. Figura 53 - Detalhe da amostra. Imagens gastronomia. Fonte – Florianópolis, 2008. Figura 54 - Detalhe da amostra. Imagens gastronomia. Fonte – Florianópolis, 2008. Figura 55 - Detalhe da amostra. Imagens gastronomia. Fonte – Florianópolis, 2008. Na sequência, aparecem também imagens muito diferentes entre si, mas todas referentes à “Lagoa da Conceição” (fig. 56 e 57).
Figura 56 - Detalhe da amostra. Imagem Lagoa da Conceição.
Fonte – Brasil, [ca. 2008].
Figura 57 - Detalhe da amostra. Imagem Lagoa da Conceição.
Há, ainda, imagens relacionadas a fortalezas históricas, a esportes, a museus e ao centro antigo da cidade. Os casarios açorianos e imagens da “Beira-mar Norte”, já permitem a possibilidade de sínteses visuais que sejam representativas desses dois elementos (fig. 58, 59 e 60).
Figura 58 - Detalhe da amostra. Imagem de
casario açoriano. Fonte – Brasil, [ca. 2008].
Figura 59 - Detalhe da amostra. Imagem de
casario açoriano. Fonte – Brasil, [ca. 2008].
Figura 60 - Detalhe da amostra. Imagem da
Beira-mar. Fonte – Brasil, [ca. 2008]. O mesmo não acontece com as imagens de artesanato ou com imagens de outras ilhas relacionadas com esta cidade. As imagens do “Centro de Convenções”, do “Mercado Público” e mesmo das igrejas coloniais, também, indicam a possibilidade de sínteses visuais representativas dessas localidades. O mesmo não acontece com as imagens de praças e de sítios arqueológicos.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Avraham e Ketter (2008) assinalam que uma marca de lugar significativa deve ser única e coerente com a imagem que se busca projetar, utilizando características distintivas do local. Elementos visuais identificadores como a imagem da ponte “Hercílio Luz” e o mapa da ilha de Santa Catarina e adjacências aparecem como elementos unitários, específicos, recorrentes e distintivos e devem ser considerado como sinais expressivos e símbolos importantes na comunicação da marca de lugar emitida pelo setor turístico local.
As ilustrações do mapa da Ilha da Santa Catarina e adjacências ainda privilegiam a denotação da grande orla marítima que caracteriza a região insular e todas as praias do local. Tendo em vista que a categoria “praias” foi muito recorrente na documentação pesquisada.
Como foi indicado anteriormente, há elementos diversificados que compõem categorias menores, como a categoria das fortalezas, das construções açorianas, das igrejas coloniais, do mercado, da avenida “Beira Mar”. Essas categorias podem ser representadas por um elemento sintético e exemplar, como a imagem de uma das igrejas, como uma vista do mercado, entre outras possibilidades.
A categoria gastronômica dentro de sua segmentação também apresenta elementos mais distintivos e específicos da marca de lugar. Por exemplo, a ostra é um produto que é divulgado como elemento característico, cuja produção local apresenta valores distintivos de qualidade na produção e na preparação do produto. Por isso, foram encontradas imagens relacionadas à Fenaostra, que é a feira anual de divulgação do produto local.
Os elementos visuais como imagens de fortalezas, igrejas e produtos gastronômicos podem ser graficamente sintetizados para serem apresentados como elementos distintivos e significativos dos processos de segmentação da marca de lugar direcionada a públicos específicos. Isso é viável, desde que seja considerado um projeto de identidade visual em que formas, cores e tipos, entre outros, determinem uma unidade característica da marca. Esses elementos de segmentação podem e devem ser associados aos elementos visuais centrais de identificação da marca de lugar que foram aqui indicados.
Nas imagens pesquisadas, a ponte “Hercílio Luz” foi representada em diferentes ângulos e enquadrada sob diversas vistas, totais ou parciais, às vezes, resultando em imagens panorâmicas e, outras vezes, em recortes figurativos.
A ponte material denominada “Hercílio Luz” é considerada símbolo da cidade de Florianópolis. Por isso, sua imagem é reproduzida nas peças gráficas, informativas e promocionais, que foram divulgadas pelo setor turístico local. As imagens da ponte no material impresso representam, primeiramente, a ponte material que existe na cidade, mas também representam a própria cidade.
Recuperando a parte da Teoria Semiótica que trata dos tipos de objeto do signo (NIEMEYER, 2007), foi possível perceber diferentes objetos imediatos nos signos que representam, por exemplo, a ponte “Hercílio Luz”, devido a diversas imagens representando a vista total ou vistas parciais de múltiplos ângulos da ponte material. Esses objetos imediatos, diferentes entre si, representam o mesmo objeto dinâmico ponte e, consequentemente, o objeto dinâmico cidade. Porém, cada um desses compõe interpretantes ligeiramente diferenciados, com relação aos aspectos significativos objetivos e subjetivos desses símbolos.
A partir do olhar emissor do setor turístico local, pode ser desenvolvido um futuro projeto para definir a identidade visual da marca de lugar Florianópolis. Para tanto, devem ser consideradas as possibilidades de representação dos símbolos, sejam os mais gerais e distintivos, como a ponte “Hercílio Luz” e o mapa da Ilha de Santa Catarina e adjacências, ou os símbolos de segmentação turística, como a representação de fortaleza, de igreja e de ostra entre outros ícones possíveis. Isso implica na expressão de objetos imediatos eficientes, devido ao estilo das formas, à escolha das cores e, também, aos ângulos e vistas de representação.
Os dados coletados ensejam diversas interpretações de questões periféricas ao escopo da pesquisa. Todavia, resistiu-se a tais interpretações, necessariamente, porque isso implicaria na necessidade de pesquisas complementares, que pudessem confirmar as hipóteses decorrentes dos exercícios interpretativos.
Por exemplo, outra pesquisa possível seria comparar os signos expressos pelo setor turístico local com os signos expressos por outros setores sócio-político-econômicos desta cidade. Também, poderia ser realizada uma pesquisa para conhecer e hierarquizar os números específicos de peças gráficas efetivamente distribuídas por cada entidade ou, ainda, definir os segmentos do público aos quais são dirigidos essas peças. Contudo, o objetivo proposto neste trabalho foi hierarquizar, quantitativamente e qualitativamente, os elementos visuais identificadores da marca de lugar nos impressos divulgados
pelo setor turístico local. Isso é o que foi levantado na pesquisa e informado nesta dissertação.
Um trabalho futuro, como decorrência direta desta pesquisa, seria o projeto de identidade visual da marca de lugar Florianópolis, de acordo com os símbolos emitidos pelo setor turístico local. Tendo em vista, o que foi encontrado nas peças gráficas divulgadas como meios de informação e de publicidade do setor, no ano de 2009. Pelo que foi aqui estudado, é possível propor elementos visuais identificadores para a composição de uma marca gráfica ou assinatura visual central e, ainda, outros elementos visuais identificadores da segmentação do setor, para o atendimento de públicos específicos, de acordo com as peculiaridades do trade turístico local.
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