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Capítulo II: Cidades Inteligentes

2.5 Estudos e índices de cidades inteligentes

O conceito de cidades inteligentes foi um termo assumido por várias cidades portuguesas que reveem no conceito a metodologia para um crescimento futuro constante e sustentado, assente em estratégias diferenciadoras e inovadoras, que coloquem o cidadão como elemento central da estratégia e dotando a cidade de mecanismos e ferramentas que aumentem a qualidade de vida, tragam conforto ao cidadão e acrescentem valor e atratividade à cidade.

43 Como forma de responder a esses desafios foi criada a RENER Living Lab - Rede Nacional de Cidades Inteligentes – em parceria com o centro de inovação Inteli, que atua em palcos de desenvolvimento e experimentação de soluções urbanas inovadoras em contexto real, ou seja, laboratórios vivos. A RENER LL integra ainda a ENoLL – Rede Europeia de Living Labs. Durante o ano 2009, a RENER LL iniciou funções com 25 municípios enquanto projeto piloto para a mobilidade elétrica. Em 2013 a rede expandiu a sua área de atuação e integrou 18 novos municípios, ganhando escala, massa crítica e poder de cooperação. Foi durante o ano de 2016 que a rede iniciou um novo ciclo: atualmente integra uma secção da Associação Nacional de Municípios, integrando 121 municípios do país, o que significa uma representatividade de 63% da população e de cerca de 43% do território, segundo a RENER. Podemos concluir que esta evolução, em apenas sete anos demonstra a consciencialização dos municípios para o tema, atuando de forma integrada e participativa, com cooperação e apresentação de boas práticas que sirvam de modelo para outros municípios.

Deve então ser referida a elaboração de estudos que resultam em rankings de cidades inteligentes portuguesas, onde são analisados de forma quantitativa e qualitativa mecanismos e ferramentas implementados pelas cidades. Encontramos dois estudos pertinentes desenvolvidos: pelo Centro de Inovação - Inteli "Índice de Cidades Inteligentes 2020", que apresenta resultados de 2012 e que terá a apresentação dos resultados da nova edição em junho do presente ano, e ainda o " Smart Cities Benchmark Portugal 2015", desenvolvido pela IDC - International Data Corporation em parceria com a NOVA IMS – Information Management School.

Foi sob este paradigma que existiu a necessidade de medir a “inteligência” das cidades, comprovando a eficácia de projetos e medidas das cidades e para que as iniciativas e boas práticas fossem tidas como exemplos estratégicos, permitindo a troca de experiências e know-how entre os atores da problemática.

Devem então salientar-se dois estudos desenvolvidos por entidades que têm como principal objetivo medir a inteligência das cidades, tendo por base medidas e iniciativas inovadoras e sustentáveis, que se possam considerar inteligentes, pela sua metodologia, objetivos e implementação.

A Inteli – Centro de Inovação, entidade gestora da RENER LL, desenvolveu e concebeu uma metodologia que permite identificar o posicionamento das cidades face a medidas e estratégias de inteligência urbana. O estudo “Índice de Cidades

44 Inteligentes – Portugal”, tem por base a análise de cinco dimensões: Governação, Inovação, Sustentabilidade, Inclusão e Conetividade, quantificadas através de cerca de cem indicadores, que se tipificam em “indicadores de caracterização”,” indicadores

de estratégia” e “indicadores de economia digital”14.

O Índice de Cidades Inteligentes – Portugal tem ainda uma forte componente de

benchmarking sobre outras cidades ou regiões inteligentes europeias, trazendo

exemplos de boas práticas, escaláveis à realidade portuguesa.

A análise de resultados é feita nas cinco dimensões em estudo, com um gráfico de dispersão de dados, análise interpretativa dos resultados e ainda exemplos de boas práticas das cidades em causa nas cinco dimensões.

O Índice de Cidades Inteligentes – Portugal teve a sua primeira edição em 2012, tendo como análise vinte dos vinte e cinco municípios que nesse ano integravam a RENER LL. Em 2016 serão apresentados os resultados da segunda edição do estudo, onde estiveram em análise os 46 municípios que até então integravam a Rede.

A IDC15 em parceria com a NOVA IMS16 desenvolveram também um estudo com o

objetivo de facultar um instrumento de avaliação independente das cidades portuguesas, estabelecendo pontos de referência para o desenvolvimento futuro das cidades nacionais.

O “Smart Cities Benchmark Portugal 2015”, teve apresentação de resultados em 2015. Nesta primeira edição do estudo estiveram em análise 50 municípios selecionados segundo um conjunto de características em comum.

Para o desenvolvimento do estudo foi considerada uma metodologia específica, com foque em vários componentes. Como critérios de avaliação foram consideradas as Forças Motrizes e os Vetores de Inteligência, que se dividem em oito subcritérios de avaliação: “pessoas, economia e TIC” para o primeiro critério, e “smart government,

smart buildings, smart mobility, smart services e ainda smart energy e environment”

14

Disponível em: http://www.inteli.pt/pt/go/indice-cidades-inteligentes2020

15

IDC - International Data Corporation - Empresa líder mundial na área de "market intelligence", serviços de consultoria e organização de eventos para os mercados das Tecnologias de Informação, Telecomunicações e Eletrónica de Consumo.

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NOVA IMS - NOVA Information Management School é a escola de Gestão de Informação da Universidade Nova de Lisboa.

45 para o segundo, sendo analisados e quantificados através de quarenta e sete

indicadores17.

A apresentação de resultados agrupa os municípios em três patamares de inteligência, categorizando quatro “Cidades Inteligentes TOP”, quinze “Cidades Inteligentes Competidoras” e trinta e uma “Cidades Inteligentes Seguidoras”.

Em ambos os estudos a recolha de informação foi realizada através de observação direta, análise documental, estatísticas oficiais e ainda a aplicação de inquéritos e entrevistas aos municípios em análise.

Deve ser ressalvada a importância destes estudos no sentido de fornecer e disponibilizar um conjunto de recomendações, sugestões e apresentações de boas práticas, como forma de auxiliar o desenvolvimento de estratégias e ações para o desenvolvimento de cidades mais inteligentes em Portugal.

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