• Nenhum resultado encontrado

Capítulo 3 ‒ ESTUDOS EXPERIMENTAIS

2. METODOLOGIA, INSTRUMENTAÇÃO E PROCEDIMENTOS

2.2. Estudos 2 e 3

Procedimentos Gerais

Todos os protocolos de avaliação de nado, foram realizados em piscinas cobertas e climatizadas, com uma temperatura da água entre os 26 e os 28 graus e ≈65% de humidade relativa, correspondentes ao local de treino habitual para cada nadador.

De modo a minorar consideravelmente os efeitos de fadiga residual, todos os momentos de testagem respeitaram um mínimo de 36 horas de recuperação após o último treino (com cargas pesadas ou severas) ou uma competição (Smith et al., 2002).

Todas as situações de realização de testes de desempenho ou de qualquer tipo de recolha de dados, foram realizadas sempre no mesmo período horário de forma a minimizar eventuais efeitos resultantes do comportamento circadiano de marcadores biológicos (Rama, 2009).

Foi solicitado aos elementos da amostra que mantivessem o regime nutricional habitual nas 48 horas que antecederam a realização de cada teste, incluindo a abstinência da ingestão de café e substâncias excitantes no dia do teste (Grant, McMillan, Newell, Wood, Keatley, Simpson, ... & Fairlie-Clark, 2002).

Os estudos tiveram a aprovação da Comissão de Ética da FEFD-ULHT cumpridos os pressupostos da Declaração de Helsínquia, para experimentos em humanos. Antes de cada estudo os objetivos e procedimentos foram explicados a todos os participantes, tendo sido obtido o prévio consentimento formal dos sujeitos.

Protocolos de nado – variáveis cinemáticas

Todas as repetições tiveram início com o nadador dentro de água, através de uma impulsão na parede, após sinal sonoro.

Os tempos foram controlados manualmente por técnicos experientes na utilização de cronómetro. Afim de confirmar os tempos registados e a FG, foi utilizada uma câmara digital cuja colocação garantia a visualização da parede de chegada e dos 15m que a antecediam.

106

A FG foi controlada através do registo de 3 ciclos completos de braçada, realizados nos últimos 15m de cada 100m realizados (para evitar o efeito da viragem). Foram utilizados cronómetros na função “frequencímetro” de base 3, que convertem automaticamente o tempo de frequência de ciclo – ciclos∙min-1 (c∙min-1).

O IN foi calculado através dos cálculos da fórmula de Costil, Kovaleski, Porter, Kirwan, Fielding e King (1985):

IN=V∙DC (6) contudo, na ausência do valor de DC, o IN foi determinado pela formula:

IN = V2∙FG-1 (8)

A EP foi calculada em concordância com o proposto por Hollander et al. (1986) e Zamparro et al. (2005) na fórmula:

Ƞp = (

v∙0.9

2π∙FG∙l

) ∙

2

π (13)

Para determinação da PE, no final de cada repetição, os nadadores identificaram o esforço percecionado, através da escala de Borg (Cr-10) (Borg & Borg, 2001) - quadro 5 e anexo 6. Os nadadores foram submetidos a uma prévia familiarização com a escala.

Procedimentos específicos

Protocolo A - Para determinação das velocidades correspondentes às zonas de intensidade A1 e A2 foi utilizada uma adaptação dos protocolos propostos por Pyne et al. (2000) operacionalizado por Fernandes, Sousa, Machado & Vilas-Boas (2011), Rama (2009), Thompson, et al. (2006), entre outros. Foi aplicado um teste com utilização de velocidade progressiva, sendo recolhidos os valores correspondentes a La, FC, FG e PE. O mesmo consistiu na realização de 7 (sete) repetições de 200 metros, em crol, com intensidade crescente, com tempo de saída a cada 5 minutos. O modo de definição das velocidades correspondentes a cada repetição está apresentado no quadro 30.

O cumprimento das velocidades definidas foi garantido pelo acompanhamento, ao longo de todo o percurso de cada repetição, por um técnico especializado que se deslocava à velocidade calculada para cada repetição, o qual informava visualmente o nadador sempre que a velocidade definida não era cumprida.

107

Quadro 30. Exemplo de um protocolo individual para o teste de 7x200m. Rep. Nº

Valor em segundos superior ao Record Pessoal (RP) Exemplo (RP – 1:50)(min:seg) 1 2 3 4 5 6 7 +35 +30 +25 +20 +15 +10 +5 2:25 2:20 2:15 2:10 2:05 2:00 1:55

Relativamente ao recorde pessoal (RP) serão adicionados 5 segundos para definição da velocidade correspondente à última repetição (nº 7); ex: RP=1:50, logo tempo alvo=1:55. Para determinação das velocidades de cada repetição, em ordem inversa, acrescentaram-se 5 segundos ao tempo definido para a última repetição. (Adaptado de Pyne et al., 2000).

Imediatamente após cada repetição, foi colhida uma micro amostra sanguínea da polpa do dedo com o objetivo de avaliar a concentração de lactato. No final da última repetição, foram colhidas amostras no 1’, 3’, 5’, 7’ou até o valor encontrado ter demonstrado tendência para regredir (Keskinen, Keskinen & Mero, 1996).

A realização de protocolos desta natureza permite obter a curva de acumulação de lactato, cuja análise possibilita determinar parâmetros metabólicos correspondentes a distintos níveis da carga (Bentley et al., 2007). O perfil de cada curva de lactato foi calculado utilizando um modelo de regressão polinomial de grau 3 (Newell, Higgins, Madden, Cruickshank, McDonald et al., 2007; Rama, 2009), através da utilização de uma macro criada para ambiente Windows®, aplicação Excel 2003 – Lactate-E (Newell et al., 2007). Para este efeito foram considerados os valores entre as repetições 1 e 6. A 7ª repetição foi sempre fracionada em 4x50m com pausa de 10 seg, de modo a garantir uma velocidade aproximada do record pessoal, o que se encontra em conformidade com o conceito de Pelayo et al. (1996) denominado Teste Anaeróbio Láctico Máximo. A intensidade correspondente a A1 foi considerada quando se verificou a subida de 1 mmol∙L-1 de acumulação de lactato

relativamente à lactamia de repouso (Thoden, MacDougall & Wilson; 1991), a qual foi apurada 10 minutos após a conclusão do aquecimento. A intensidade de A2 foi encontrada através da determinação do D-max, em função dos dados recolhidos do Lactate-E.

A FC foi monitorizada imediatamente após o final de cada repetição, através da colocação do emissor no peito do atleta com o recetor previamente acionado para registo da

108

FC num intervalo não superior a 3”, representativo do compromisso central de esforço (Keskinen et al., 2007).

Passamos à apresentação dos restantes protocolos aplicados: Protocolo B - 8x400m Crol 70% p=30” (zona A1)

Protocolo C - 2x(7x200m Crol 80% p=30”) P=3’ (zona A2) Protocolo D - 32x100m L 65% p=10” (zona A1)

Protocolo E - 3x(10x100m L 75% p=15”) P=3’ (zona A2) Foram procedimentos comuns nos protocolos B, C, D e E:

• Os tempos de realização de cada protocolo, para cada nadador, foram prescritos pelos respetivos treinadores que não tiveram acesso a qualquer informação relativa aos dados recolhidos no Protocolo A.

• Os tempos realizados a cada 100 metros, bem como os finais, foram recolhidos através de um cronómetro digital manual (Seiko, ®) – o registo vídeo assegurou a confirmação dos dados, sempre que necessário.

• Para determinação do La foi colhida uma micro amostra de sangue capilar da polpa do dedo: i) imediatamente após a última repetição, bem como passados 3’ e 5’ (ou até o valor encontrado ter demonstrado tendência para regredir); ii) também foi colhida uma micro amostra sanguínea, imediatamente após a última repetição de cada série, nos protocolos C e E.

• A FC foi monitorizada: i) para os protocolos B e D ‒ a meio e imediatamente após o final de cada tarefa; ii) para os protocolos C e E – imediatamente após o final de cada série.

• A FG foi controlada através do registo de 3 ciclos completos de braçada, realizados nos últimos 15m de cada 100m realizados. Foram utilizados cronómetros na função “frequencímetro” de base 3, que convertem automaticamente o tempo de frequência de ciclo em c∙min-1.

• Para determinação da PE, no final de cada tarefa, os nadadores identificaram o esforço percecionado, consultando primeiro os descritores e em seguida quantificando a tabela com a escala Cr-10 de Borg definida: i) para os protocolos B e D ‒ após o final de cada tarefa; ii) para os protocolos C e E – após o final de cada série

109

Instrumentos

Para o doseamento do La sanguíneo recorreu-se a fitas Arkrey Pro Test Strip e a um analisador portátil de lactato de marca Lactate Pro LT-1710 (Arkray KDK).

Para a caracterização antropométrica das amostras, foram utilizados: Adipómetro Slim Guide®; Balança SECA® modelo 770 com grau de precisão de 100g; Estadiómetro portátil de marca Bodymeter®, modelo 208 com uma precisão de 0.1 mm; Fita métrica Hoechstmass Rollfix®, com uma precisão de 0.1 mm.

A FC foi monitorizada através da utilização de um cardiofrequencímetro de marca Polar® série S810, configurado para recolha batimento a batimento (rr).

A PE foi realizada através da utilização da escala Cr-10 de Borg (Borg & Borg, 2001). O registo das imagens foi realizado por uma máquina Sony® Handycam HDR- CX305E ‒ Vídeo HQ (formato AVCHD), 1080i.

Para registo dos tempos e das FG foram utilizados cronómetros de marca Seiko® , com a função “frequencímetro” de base 3.

Procedimentos de análise estatística

Em todas as variáveis dos estudos serão apresentados descritivamente os valores de tendência central (média) e dispersão (desvio padrão).

A análise comparativa do comportamento das variáveis foi realizada com recurso à utilização do teste Wilcoxon, para amostras emparelhadas, e do teste de Friedman para medidas repetidas.

Para todas as análises estatísticas efetuadas foi definido o grau de significância exigido para estudos desta natureza ‒ p≤0.05.

Nos casos em que se verificou significância na comparação dos valores de média, realizando inferência dos resultados obtidos, foi determinado o Effect Size (ES) de acordo com o proposto por Cohen (1992) – pequeno: 0,2 – 0.59; moderado: 0.6 – 1.19; elevado: > 1.20.

Todos os procedimentos estatísticos foram realizados no software SPSS, 20 e Graphpad (Prisma 7) para Mac.

110

3. ESTUDO 1 ‒ DESENVOLVIMENTO DA CAPACIDADE AERÓBIA EM

Documentos relacionados