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CAPÍTULO IV- RESULTADOS E DISCUSSÃO

IV.3 Estudos preliminares

Para avaliar a fotodegradação dos antiparasitários no solo é necessário fortificar o mesmo previamente com os analitos a fim de que ocorra a incorporação destes na matriz, porém não deve ocorrer durante este tempo degradação dos mesmos devido a fatores como a presença de microrganismos, ou temperatura. Sendo, assim, foram realizados ensaios preliminares para definir as condições experimentais e garantir a confiabilidade dos resultados.

Foi avaliado o tempo de fortificação das amostras de solo com ABA e MOX antes do início dos ensaios de fotodegradação a fim de verificar se ocorreria degradação dos analitos devido à ação de microrganismos ou calor durante o tempo de repouso, confirmando assim a possibilidade de as amostras serem fortificadas 24 horas antes de serem dispostas na câmara.

Foram avaliadas também condições de armazenamento das amostras após a retirada da câmara a fim de avaliar a possibilidade de ocorrência de degradação dos analitos quando armazenadas por até 48 horas, confirmando também a possibilidade de as amostras serem armazenadas por 48 horas antes de serem analisadas.

O último teste avaliou a possibilidade de ocorrer a adsorção dos analitos na superfície da placa de Petri já que as avermectinas apresentam alta afinidade por

Figura 15. Foto da câmara climática com o trocador de calor e as lâmpadas

superfícies poliméricas como demonstrado por Dionísio e Rath, que observaram que até 90% da quantidade inicial de ABA pode ficar retida em superfícies de polipropileno ou politetrafluoroetileno (Dionisio & Rath, 2016). Dessa forma foi necessário garantir que não haveria perdas dos analitos por adsorção nas placas de Petri durante o ensaio.

Os resultados dos testes são apresentados e discutidos a seguir.

1. Tempo de fortificação das amostras de solo com ABA e MOX anterior aos ensaios de fotodegradação: foram avaliados dois tempos de fortificação dos solos (100 ng g-1) antes das amostras serem colocadas na câmara: 0 e 24 horas. Após esse período as amostras foram expostas a radiação por um tempo de 24 horas, retiradas da câmara e analisadas por UHPLC-MS/MS. Como padrão interno para a quantificação foi empregada a EPR que foi adicionada na concentração de 75 ng g-1 após a retirada das amostras da câmara. Para fins de comparação os resultados foram apresentados como a razão da área do analito pela área do padrão interno e estão mostrados na Figura 16.

É possível observar que após 24 horas houve uma pequena diminuição da concentração dos analitos nos solos. No entanto, essa diminuição se encontra dentro da margem de precisão do método analítico para análises realizadas em dias diferentes (em torno de 20%), podendo ser considerada estatisticamente não significativa. Mesmo assim, por questões práticas, os ensaios posteriores foram

Figura 16. Razão entre as áreas registradas nos cromatogramas para a MOX e

ABA e a área do padrão interno para as amostras de solo RQo fortificadas com 100 ng g-1 nos tempos 0 e 24 horas anteriores ao início dos ensaios. Exposição à radiação por 24h.

realizados a partir da fortificação das amostras imediatamente antes do início dos experimentos.

2. Condições de armazenamento das amostras após a retirada da câmara e anterior a análise cromatográfica: foram avaliados também, dois tempos e duas temperaturas de armazenamento após a retirada das amostras da câmara: 24 e 48 horas a temperatura ambiente e 24 e 48 horas sob refrigeração (4 oC). Esses resultados são importantes para definir como as amostras devem ser armazenadas e por quanto tempo podem ser mantidas após a realização dos ensaios de fotodegradação sem que haja uma pós- degradação dos analitos na matriz. Os resultados são mostrados na Figura 17.

As diferenças entre os valores observados nos gráficos são devidas às variações intrínsecas do método e se encontram dentro da margem de precisão para análises realizadas em dias diferentes. Dessa forma, é possível inferir a partir dos

Figura 17. Razão entre as áreas registradas nos cromatogramas para a MOX e

ABA e a área do padrão interno para as amostras de solo RQo fortificadas imediatamente antes do início dos ensaios e extraídas em diferentes tempos (0, 24 e 48 horas) e temperaturas (temperatura ambiente e sob refrigeração). A=extração imediata após retirada da câmara, B=extração após 24 horas a temperatura ambiente, C=extração após 24 horas sob refrigeração, D=extração após 48 horas a temperatura ambiente e E=extração após 48 horas sob refrigeração. As áreas estão representadas segundo a razão área do analito/área do padrão interno (EPR). A barra de erros é referente aos valores máximo e mínimo dos resultados das duplicatas.

dados obtidos que não há pós-degradação significativa dos analitos no solo após exposição à radiação por 24 horas, quando armazenadas a temperatura ambiente ou geladeira por um período máximo de 48 horas. Sendo assim, todas as amostras provenientes dos ensaios de fotodegradação sempre foram analisadas em período menor do que 48 horas sendo sempre armazenadas em geladeira.

3. Sorção dos analitos na superfície de vidro da placa de Petri: a possibilidade da adsorção dos analitos na superfície de vidro da placa de Petri foi avaliada a partir da realização de lavagens da placa com acetonitrila e acetato de etila após 72 horas de contato com o solo fortificado com os analitos na concentração de 100 ng g-1. Os dois solventes foram selecionados por apresentarem polaridades diferentes, sendo a acetonitrila polar e o acetato de etila de polaridade média, e assim garantir a total extração dos analitos a partir da superfície das placas. Para garantir a confiabilidade dos resultados, foi realizado um balanço de massas, mediante a análise também dos solos. As porcentagens de recuperação dos analitos no solo, na solução de lavagem com acetonitrila e acetato de etila estão apresentadas na Figura 18.

Os resultados mostram que não ocorre adsorção relevante dos analitos na superfície do vidro durante o tempo e condições experimentais empregadas.

Foi ainda avaliada a perda de água em função do tempo de permanência das amostras na câmara climática. A umidade do solo foi mantida em um valor entre 40 e 60% em relação à sua capacidade de retenção de água para possibilitar a

Figura 18. Recuperação de MOX e ABA a partir de lavagens das placas de Petri

interação dos analitos com o solo, facilitando a difusão das moléculas alvo através dos poros das partículas de solo.

Foi observado, porém, que após 24 horas praticamente toda a massa de água adicionada no início do experimento era perdida. Considerando que as placas de Petri apenas poderiam ser cobertas com um material que não absorvesse a radiação, ou seja, quartzo, e essa proposta não seria viável neste trabalho, optou-se por repor a água evaporada em intervalos de tempo, usando um borrifador.

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