2.2 SELEÇÃO GRANULOMÉTRICA DE MISTURAS ASFÁLTICAS
2.2.1 Método Bailey
2.2.1.1 Estudos realizados com a metodologia Bailey
Alguns autores estudaram a metodologia Bailey de seleção granulométrica em suas pesquisas e os resultados encontrados foram satisfatórios quanto ao comportamento da mistura asfáltica à deformação permanente.
Mendes (2011) comparou o comportamento de misturas asfálticas dosadas por metodologia tradicional às misturas dosadas pelo método Bailey através de ensaios mecânicos de resistência à fadiga, deformação permanente, módulo de resiliência e à tração por compressão diametral, além dos parâmetros obtidos das curvas de compactação giratória. Utilizou-se uma única fonte de agregado, e um ligante asfáltico CAP 50/70. No total foram utilizadas quatro misturas, sendo uma a dosagem do agregado pelo método convencional (Mistura Tradicional) de tentativa que não se enquadrou nos parâmetros do Bailey, e outras três pelo método Bailey. Nas três misturas Bailey, uma foi a referência (Mistura Bailey) e as outras duas sofreram alterações nos parâmetros Bailey, uma com acréscimo de 5% da MEE (Bailey MEE + 5%) e outra com acréscimo de 0,2 na proporção AG (Bailey AG + 0,2). Todas as misturas foram dosadas e compactadas pelos procedimentos Superpave.
Inicialmente, a autora buscou enquadrar as composições granulométricas da Mistura Tradicional, Mistura Bailey, mistura Bailey MEE + 5% e Bailey AG + 0,2 na Faixa C da especificação do DNIT, entretanto, a curva não atendeu a especificação na sua parte superior (Peneira 19 mm).
No que refere aos resultados, em relação à resistência à tração e módulo de resiliência, a mistura tradicional apresentou menor valor em relação às misturas Bailey. Tal resultado é justificado devido ao aumento do intertravamento das misturas dosadas pelo método Bailey. Na resistência à fadiga, a Misturas Bailey MME + 5% e Bailey AG + 0,2 são superiores à tradicional. Na deformação permanente, através do ensaio de Creep Estático, as três misturas Bailey apresentaram menor deformação que a mistura tradicional. Por fim, os parâmetros de densificação Compactation Densification Index (CDI) e Traffic Densification Index (TDI) indicaram uma maior facilidade de densificação na fase inicial da vida de projeto para a mistura tradicional e as misturas Bailey uma maior dificuldade de densificação inicial.
De modo geral, a autora concluiu que as misturas utilizando o método Bailey de seleção granulométrica apresentaram melhor desempenho geral do que a dosada pelo método tradicional.
Cunha (2004) também avaliou o método Bailey em sua pesquisa. O autor utilizou duas fontes de agregado, um basalto e um gabro, além de uma areia natural 100% passante na peneira 0,075 mm usada como material de preenchimento, e o ligante asfáltico um CAP -20. Foram dez misturas, sendo cinco para cada tipo de agregado, nomeadas de Bailey Original, Bailey modificado MEE (aumento de 5% da MEE), Bailey modificado Proporção AG (aumento de 0,2 na proporção AG), Bailey modificado Proporção FAF (aumento de 0,05 na proporção FAF) e AZR da metodologia Superpave. Todas as misturas foram dosadas pelo método Marshall.
O autor cita que as curvas granulométricas selecionadas pelo método de tentativas enquadram-se na Faixa C do DNER e as selecionadas pelo método Bailey enquadram-se parcialmente na Faixa C, pois a fração fina da mistura passa abaixo do limite.
As misturas foram ensaiadas quanto a Fluência e a Estabilidade (dosagem Marshall), módulo de resiliência, resistência à tração e fluência por compressão uniaxial estática.
Nos parâmetros volumétricos, as misturas Bailey apresentaram maiores VAM e de Relação Betume Vazio (RBV) do que as misturas convencionais, que segundo o autor, é um indicativo de misturas menos propensas a deformação permanente e a trinca por fadiga. Tanto as misturas convencionais como as Bailey atenderam as restrições de estabilidade e fluência Marshall, com valor superior as misturas convencionais.
No ensaio de fluência estática, para misturas com agregado de Basalto, as misturas Bailey apresentaram melhor comportamento em relação à deformação total, recuperável e plástica do que a mistura convencional. Entretanto, para o agregado Gabro, a mistura convencional teve melhor desempenho.
A mistura Bailey Basalto apresentou o melhor desempenho quanto à recuperação elástica e em módulo de fluência aos 3600 segundos. Já no módulo de fluência aos 4500 segundos, as Misturas Bailey Basalto e Bailey Gabro apresentaram valores bem acima das misturas convencionais Basalto e Gabro.
Gouveia (2006) em sua tese avaliou a influência que as propriedades dos agregados exercem sobre propriedades volumétricas e mecânicas de misturas asfálticas densas dosadas pelo método Marshal. Para isso utilizou agregados de gabro (g), basalto (b) e areia natural (a) que deram origem a três tipos de granulometrias, denominada AZR (Acima da Zona de Restrição da especificação Superpave), e outras duas através da seleção granulométrica Bailey (B). No total foram cinco misturas: AZRg (gabro), AZRb (basalto), AZRa (areia natural), Bg (gabro) e Bb (basalto). O ligante asfáltico utilizado foi o CAP 20.
Comparando a mistura AZRg com as misturas Bg, verificou-se que a mistura AZR apresenta VAM inferior a mistura Bailey, o que caracteriza um arranjo entre as partículas mais próximo, que somado às boas características de forma, angularidade e textura superficial das partículas, produziu um melhor intertravamento dos agregados, o que pode ser constatado na maior estabilidade Marshall da mistura AZRg às outras misturas.
A análise mecânica da mistura foi realizada através dos ensaios de estabilidade e fluência Marshall, fluência por compressão uniaxial uniforme, fluência por compressão uniaxial dinâmica, resistência à tração, módulo de resiliência e fadiga. As misturas AZR apresentaram valores mais elevados para algumas propriedades, como Resistência à Tração e Módulo de Resiliência. Em relação à vida de fadiga, a mistura com granulometria AZR composta por gabro como agregado teve sua curva de fadiga menos inclinada em comparação à mistura com granulometria selecionada pelo método Bailey, ou seja, esta se mostrou menos susceptível às variações de tensões. Já para as misturas compostas por agregados basálticos, as curvas de fadiga apresentaram, aproximadamente, a mesma inclinação, porém para uma mesma diferença de tensões, a mistura com granulometria Bailey resistiu a um menor número de aplicações de carga.
Por fim, Budny (2012) estudou as misturas mornas, verificando o comportamento em laboratório de três misturas asfálticas: duas preparadas com aditivos comerciais e uma com a
técnica de asfalto espuma. Dentre os objetivos do autor estava a análise do intertravamento dos agregados através do método Bailey.
A avaliação das misturas mornas se deu por ensaios de resistência à tração, módulo de resiliência, tração direta, Flow Number, resistência ao efeito do dano por umidade e a fadiga. Nas misturas Bailey, os valores de FN permaneceram praticamente inalterados, caracterizando, portanto, o método como uma técnica eficaz do ponto de vista deste parâmetro.