2.3 Considerações sobre os traumatismos dentários
2.3.1 Estudos de casuística dos traumatismos dentários
2.3.1.2 Estudos realizados em faculdades e escolas no Brasil
Guedes et al. (2010) avaliaram os aspectos epidemiológicos de lesões dentárias traumáticas na dentição permanente em 847 pacientes atendidos no Serviço de Urgência Odontológica da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Goiás, no período de maio de 2000 a maio de 2008. Os resultados mostraram a incidência maior no gênero masculino (610; 72.01%), com média de idade de 6 a 10 anos. Fraturas coronárias não complicadas (sem exposição pulpar) (502; 26.95%), avulsão (341; 18.30%) e fratura coronária complicada (com exposição pulpar) (330; 17.71%) foram as injúrias traumáticas mais prevalentes. A prevalência de trauma ao longo dos anos mostrou proporcionalidade, sendo observado um maior número de casos entre julho e setembro (249; 29.39%). Os dentes mais afetados foram os incisivos centrais superiores (65.65%), seguido pelos incisivos laterais esquerdos maxilares (19.67%). Em 311 participantes (18.25%), apenas um dente estava envolvido, enquanto que na maioria dos pacientes (536; 81.75%), o trauma ocorreu em mais de um dente. Uma proporção significativa (82.27%) dos dentes traumatizados apresentou ápice radicular completamente formado. Os principais fatores etiológicos envolvidos foram as quedas (51.71%), acidentes de trânsito (22.90%) e violência (5.67%). Os autores concluíram que a prevalência de lesões dentárias traumáticas nesta subpopulação de Goiânia é comparada com a prevalência relatada em estudos epidemiológicos de outras populações.
Damé-Teixeira et al. (2013) realizaram um estudo com o objetivo de analisar a prevalência e gravidade do trauma dental e sua associação com características físicas e sócio-demográficas dos dentes anteriores permanentes de escolares brasileiros em torno de 12 anos de idade. Um estudo transversal foi realizado composto de 1528 indivíduos que frequentam 33 escolas públicas e 9 escolas privadas. Os pais e responsáveis responderam a um questionário contendo questões sócio-demográficas. A prevalência do trauma dental foi de 34.79% (trauma leve, 24.37%; trauma grave, 10.43%). Escolares do gênero masculino e de baixo nível socioeconômico tiveram maior probabilidade de apresentar pelo menos um dente traumatizado, enquanto que os alunos que frequentavam a 7ª série (alunos avançados) eram menos propensos a sofrerem uma injúria. Os alunos de médio-alto, médio-baixo e baixo nível socioeconômico eram mais propensos a ter um trauma quando comparado com
20
escolares de alto nível socioeconômico. Nenhuma associação significativa entre trauma grave e situação socioeconômica foi observada. Os autores concluíram que dados sócio demográficos e de desempenho escolar foram associados com traumatismo dental.
Francisco et al. (2013) avaliaram a prevalência de lesões dentárias traumáticas em dentes anteriores permanentes de estudantes de escolas públicas de 9 a 14 anos de idade em Anápolis e investigaram a associação entre a ocorrência destas lesões com o overjet e selamento labial. A amostra incluiu 765 crianças e os dados foram coletados por meio de exames clínicos e entrevistas realizadas por um profissional calibrado. Os resultados indicaram a prevalência de 16.5% de trauma dental. Os homens tiveram o dobro de lesões que as mulheres, sendo os incisivos centrais superiores os dentes mais afetados, totalizando 84.8%. O tipo mais frequente de lesão encontrada foi fratura de esmalte (66%), seguido por fratura de esmalte e dentina (27%) e trincas de esmalte (5%). Apenas 26% dos dentes traumatizados foram restaurados. As crianças com overjet maior do que 3mm foram mais propensas a sofrer um trauma dental do que crianças com overjet menor do que 3mm. Crianças com selamento labial inadequado tinham 2.18 vezes mais probabilidade de sofrer traumatismo dentário do que as crianças com cobertura labial adequada. Este estudo mostrou que a prevalência de lesões dentárias traumáticas em escolares de Anápolis é semelhante a de outras regiões do país.
Freire et al. (2014) conduziram um estudo para avaliar a associação de lesões dentárias traumáticas não tratadas com fatores individuais, sociodemográficos e escolares em crianças de 12 anos de idade, da cidade de Goiânia. Uma amostra aleatória de 2075 crianças foi examinada e entrevistada. A maioria dos estudantes era de escola pública e do gênero masculino. A prevalência de trauma foi de 17.3%, as fraturas de esmalte foram a mais comum (13.1%), seguido das fraturas de esmalte e dentina (3.8%) e a maior parte teve apenas um dente envolvido na injúria (12.2%). Foi concluído que as crianças do gênero masculino, cujas mães tinham menor nível de escolaridade e aqueles que frequentam escolas situadas em distritos de saúde com menores indicadores socioeconômicos tiveram maior chance de ter dois ou mais dentes traumatizados, sendo baixa a prevalência de injúrias traumáticas e associada com fatores individuais, bem como o ambiente escolar.
21
Soares et al. (2014) conduziram um estudo para determinar a frequência de lesões dentárias traumáticas e a associação de gênero e idade com os diferentes tipos de lesões em dentes permanentes de pacientes atendidos no Serviço de Trauma Dental da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Um total de 352 (34.4%) pacientes (idade média de 9 anos), com 676 dentes permanentes afetados foram incluídos na amostra. As crianças (55.7%) têm uma maior frequência de sofrer um traumatismo do que adolescentes (42.9%). As quedas (54.3%) foram a causa mais comum e a rua (37.5%) o lugar mais frequente de ocorrência. Fratura de esmalte e dentina sem exposição pulpar (69.2%) foi a injúria mais comum para ambos os gêneros. A avulsão (29.2%) foi a lesão mais frequente aos tecidos de suporte, para ambos os gêneros, no entanto, esta foi mais numerosa em meninas, enquanto que a luxação intrusiva foi mais comum em meninos. De acordo com a regressão logística, a luxação intrusiva acometeu mais o gênero masculino do que o feminino, enquanto as mulheres têm mais chance de sofrer avulsão, sendo esta menos frequente em crianças.
2.3.1.3 Estudos realizados no Serviço de Atendimento aos Traumatismos Dentários da