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Estudos recentes sobre BIM

No documento 2013RicardoCoelhoMozzato (páginas 53-55)

Segundo Ruiz (2009), o Building Information Modeling (BIM) se transformou na tendência mais recente em tecnologia da informação na indústria da construção. A aplicação adequada da tecnologia BIM, baseada em diferentes estudos de caso demostram que pode adicionar valor ao projeto, prevendo erros, reduzindo custos e definindo o cronograma. Observa-se que cada vez aumenta mais o número de empresas que estão começando a implantar softwares BIM como uma ferramenta em seus projetos e fluxos de trabalho. Embora algumas empresas utilizem um processo de execução adequado, outras empresas tendem a seguir as tendências do mercado e implantar o pacote de softwaremais popular da indústria, sem analisar as verdadeiras necessidades ou funcionalidades do software adotado.

Conforme o estudo de Ruiz (2009), foram analisadas as diferentes expectativas dos usuários BIM e softwares disponíveis para desenvolver o sistema BIM. O Modelo de Avaliação para os empreiteiros gerais (BIMSEM-GC) foi baseado nas necessidades da empresa, indicando cinco pacotes de software que mais se adequavam às necessidades. Quando começar a implementar em toda empresa, o BIMSEM-GC não deve ser utilizado sozinho, mas sim como parte de um processo BIM de implementação estruturada, voltado para todas as mudanças que ocorrem na empresa .

De acordo com Ruiz (2009), foram analisadas 11 empresas de desenvolvimento de software BIM com objetivo de elaborar uma lista de diferentes pacotes de software que poderiam ser usados pelo construtor durante as fases de pré-construção, construção e pós- consrução do projeto. Para determinar ao usuário as necessidades e expectativas em relação ao BIM, foi realizado um estudo sobre os resultados de duas grandes pesquisas de opinião pública. A combinação dos recursos de software disponíveis e as necessidades dos utilizadores e expectativas foram utilizados para criar o questionário BIMSEM-CG, utilizando uma escala de 5 pontos de Likert4. Levando em consideração o desvio padrão e o coeficiente de variação de 95% do nível de confiança para os resultados obtidos, o modelo é capaz de recomendar os melhores cinco pacotes de software BIM que melhor se enquadram às necessidades da empresa. Em conclusão, o BIMSEM-GC também apresenta o grau de

4 Escala Likert, é um tipo de escala de resposta psicométrica usada comumente em questionários, e é a escala mais usada em pesquisas de opinião. Ao responderem a um questionário baseado nesta escala, os perguntados especificam seu nível de concordância com uma afirmação. Esta escala tem seu nome devido à publicação de um relatório explicando seu uso por Rensis Likert. O formato típico de um item Likert é:

1) Não concordo totalmente; 2) Não concordo parcialmente; 3) Indiferente; 4) Concordo parcialmente e 5) Concordo totalmente (WIKIPÉDIA, 2013).

envolvimento da sociedade nas três diferentes fases do processo de construção: pré- construção, construção e pós-construção, permitindo assim que a empresa possa detectar falhas de uma fase para outra na execução BIM.

Tekla Structures e Bentley estruturais, segundo Weisenberger (2009) representam dois dos principais programas, com 9% e 13,5%, respectivamente, das empresas que afirmaram utilizar software BIM. Entretanto, o programa mais utilizado por uma margem significativa de 60% foi o Autodesk Revit Structure.

Apesar do custo das licenças de uso, tem crescido no Brasil a procura por softwares BIM. As vendas dos produtos BIM da Bentley Brasil vêm crescendo de 15% a 20% por ano nos últimos três anos, segundo relata Marcos Cunha, responsável pelo segmento de building da empresa no país (FORTES 2009).

Mesmo que o banco de dados centralizado ofereça a comunicação de todos os profissionais envolvidos na execução do empreendimento, Fortes (2009) afirma que o BIM entrou reconhecidamente no país somente na área de projetos de arquitetura, etapa inicial da modelagem da obra. Sendo um dos principais motivos a falta de uma completa compatibilização para uma perfeita comunicação entre os diversos programas de desenvolvimento dos projetos.

“Caminho sem volta” é como se refere ao BIM Fabio Villas Boas, diretor técnico da Tecnisa, em entrevista a Prates (2010, p.22), empresa que está desenvolvendo o seu primeiro projeto com o sistema. O diretor não tem dúvidas sobre o futuro do BIM no Brasil, e dá um recado para aqueles que ainda têm resistência em aprender a operar com um novo sistema: "é irreversível". Ele afirma que "é possível fazer uma série de modificações na obra e o BIM vai respondendo a cada etapa - como, por exemplo, inserir uma janela onde antes estava projetada uma parede fechada; a partir daí o sistema já indica que serão necessários menos tantos tijolos, menos argamassa ou tinta, e ao mesmo tempo mais uma janela. Tudo isso vai para o cronograma, o orçamento".

Também em entrevista com Prates (2010, p. 23), Fernando Augusto Correa da Silva, coordenador de projetos do Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon- SP), que também é diretor técnico da empresa Sinco Engenharia, destaca que a difusão do BIM no Brasil pode significar mais um passo em direção a um novo patamar de qualidade no planejamento e na administração da obra. A grande vantagem está na construção de bancos de dados complexos e na facilidade do seu acesso. "Nos últimos 15 anos pelo menos, as empresas todas vêm se

adaptando para o ISO e para o PBQP-H [Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat], e confirmando seus próprios dados de custos, de planejamento".

Para Eastman et al, (2011, p.7) nos primeiros sete anos desde que o termo Building Information Modeling, ou BIM foi introduzido na indústria de AEC, deixou de ser um punhado de pioneiros para ser a peça-chave central da tecnologia AEC, que engloba todos os aspectos do design, construção e operação de um edifício.

A maioria das empresas líderes mundiais em Arquitetura, Engenharia e Construção, já deixaram para trás seus antigos desenhos e tecnologias baseados em CAD e atualmente estão usando BIM para quase todos os seus projetos. A maioria das outras empresas também têm suas transições do CAD para o BIM bem encaminhadas. Soluções BIM são agora a tecnologia-chave oferecida por todos os fornecedores de tecnologia da Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) que foram anteriormente fornecedores de soluções CAD. Além disso, o número de fornecedores de novas tecnologias que estão desenvolvendo soluções para estender de várias maneiras as capacidades das principais aplicações BIM está crescendo a um ritmo exponencial (EASTMAN et al., 2011).

Toledo (apud ROCHA, 2011) relata que muitos acreditam que BIM se equivale a um software, entretanto esta ideia está equivocada, pois o BIM representa um processo e não um software. O conceito de BIM é muito poderoso e ainda faltam tecnologias e metodologias de trabalho para que ele funcione plenamente. Como qualquer novo processo, o aperfeiçoamento se dá por meio da utilização, já que o seu uso é relativamente recente.

No documento 2013RicardoCoelhoMozzato (páginas 53-55)

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