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3. PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO (PCP)

3.2. Last Planner

3.2.4. Estudos sobre Produtividade e Planejamento

Pesquisadores têm buscado compreender a relação entre a produtividade e o planejamento das atividades, e com isso identificar as práticas que acarretam um melhor desempenho (THOMAS et al.2003; DUNLOP et al. 2004; LIU et al.2011).

Entre as competências do planejamento encontra-se o gerenciamento do fluxo de trabalho, materiais, informações, ou seja, todos os recursos necessários para realização da tarefa. Segundo Thomas et al. (2003), pouca atenção tem sido dada ao trabalho como um fluxo. Para Liu et al. (2011), um aspecto que não tem sido bem pesquisado é como a variação de fluxo de trabalho e a produtividade do trabalho estão relacionados na prática da construção. Koskela (1992) introduziu pela primeira vez o conceito de fluxo na gestão da construção, a partir de então, muitos pesquisadores têm se dedicado a estudar como a produtividade do trabalho é afetada pela variação da carga de fluxo de trabalho, o fluxo de saída e fluxo de trabalho.

Para Thomas et al. (2003), a redução da variabilidade do fluxo de trabalho não necessariamente leva a um melhor desempenho. O referido autor constatou que um melhor desempenho do trabalho ocorre quando a variabilidade do fluxo de trabalho for acompanhada por uma flexibilidade necessária no fluxo. Neste sentido, há uma necessidade de se compreender melhor a relação entre o fluxo e a confiabilidade do trabalho.

Segundo Thomas et al. ( 2003), a capacidade flexível do trabalho e dos equipamentos são estratégias importantes para alcançar fluxo confiável, e contém um potencial considerável para melhorar o desempenho da construção. De acordo com o mesmo autor, o fluxo de trabalho é distinto do fluxo da mão de obra na medida em que envolve o rastreamento e alocação do recurso de trabalho para várias tarefas. Na construção, o número de atividades e de mão de obra varia ao longo do curso de um projeto, logo, nem todos os potenciais locais de trabalho são tripulados ao mesmo tempo, e o número de operários necessários varia, dependendo da natureza do trabalho a ser feito naquele momento (THOMAS et al., 2003).

De acordo com Thomas et al. (2003) apud Horman e Kenley (1998)11, o trabalho é o recurso mais flexível, logo, o trabalho pode ser considerado polivalente podendo ser alocado para outras tarefas quando necessário, ocasionalmente, as horas extras são utilizadas para atender picos de demanda. A capacidade flexível vem de ter um volume suficiente de recursos para atender a demanda e ser capaz de realocá-los com base em curto prazo de acordo com as variações de demanda. A capacidade flexível é valiosa porque trabalha lado a lado com a gestão de fluxo de trabalho para melhorar o sistema capacidade de resposta e alcançar a confiabilidade do fluxo (THOMAS et al. 2003). Por estas razões, a administração explícita do fluxo de trabalho é uma parte importante de alcançar um bom desempenho no projeto (THOMAS et al., 2003).

No estudo proposto por Thomas et al. (2003) foram realizados três estudos de casos buscando documentar os fluxos necessários para executar o trabalho de cofragem em pontes de concreto armado. O trabalho foi tratado como um dos fluxos do processo, onde foram documentados o caráter do trabalho, as limitações de recursos, as interrupções e saídas. a partir de medições e observações realizadas diariamente. Os três projetos de estudo de caso envolveu a construção de oito pontes no centro da Pensilvânia. As atividades monitoradas eram formas de concretagem para sapatas de ponte, pilares parede e píer. Consequentemente, foram examinados a ineficiência do recurso do trabalho de acordo com a baseline

productivity12 de cada projeto e seu efeito sobre o desempenho.

A partir do estudo desenvolvido por Thomas et al., (2003), a causa mais expressiva da baixa produtividade, relaciona-se ao fluxo de trabalho, ou seja, quantidade de trabalho

11

Horman, M. J.; Kenley, R. (1998). „„Process dynamics; identifying a strategy for the deployment of buffers in building projects.‟‟ Int. J. Logistics: Research and Applications.

12 Baseline productivity é o valor da produtividade de referência adotado pelo autor para calcular as horas

insuficiente para o excesso de pessoal, logo, a dificuldade no dimensionamento das equipes e o gerenciamento ineficaz acarretou em 51% do total de horas improdutivas. A partir dos resultados, observou-se a necessidade do gerenciamento do fluxo de trabalho na redução dos prazos e custos das construções.

A pesquisa de Liu et al. (2011), teve por objetivo correlacionar a produtividade positivamente com o Percentual de Pacotes Concluídos (PPC). A medição do PPC como previsto no plano de trabalho implica no acompanhamento da variação do fluxo do trabalho, onde quanto menor o PPC maior é a variação do fluxo de trabalho. Assim como Thomas et al. (2003); para González et al. (2007) e Liu et al. (2011), o fluxo de trabalho previsível pode ser conseguido com a implementação do Last Planner System no controle da produção.

Conforme Ballard et al. (1998), a técnica desenvolvida a partir do Last Planner é a ferramenta capaz de gerenciar e controlar o fluxo de trabalho, e consequentemente, reduzir a incerteza do fluxo.

Ballard et al. (2012), demonstra a utilização do Last Planner para melhorar a produtividade, no entanto, o autor comenta que o principal objetivo do Last Planner é reduzir a variação do fluxo de trabalho, ou seja, aumentar a confiabilidade do fluxo.

O estudo realizado por Ballard et al. (2012) busca correlacionar o fator desempenho (produtividade) com o PPC. De acordo com os resultados encontrados pelo autor quando a obra consegue atingir 50% dos PPC, a produtividade alcançada é quase equivalente a produtividade orçada, logo, não se ganha mais do que o planejado, no entanto, quando o PPC consegue atingir mais do que 50%, o aumento do PPC é revertido em lucratividade para a obra, logo, quanto maior o PPC maior o fator de desempenho alcançado pela obra.

O estudo proposto por Liu et al. (2011) mostra que a confiabilidade do fluxo de trabalho e produtividade do trabalho são significativamente correlacionadas no projeto de instalação hidráulicas, e que o LPS pode reduzir a variação de fluxo de trabalho, e com a redução da variação de fluxo de trabalho pode ajudar a melhorar a produtividade do trabalho.

Os resultados encontrados por Liu et al. (2011) indicam que o fator chave para a melhoria da produtividade não é completar tantas tarefas quanto possível, ou maximizar a carga de horas de trabalho, ou horas de trabalho sem seguir o plano de trabalho. Pelo contrário, o fator chave é se concentrar em manter um fluxo previsível de trabalho e, portanto, ser capaz de igualar a carga de trabalho disponível com capacidade (horas de trabalho). De acordo com Liu et al., (2011) práticas podem ser adotadas para melhorar a produtividade como a inserção de novas tecnologias, melhorias nos métodos construtivos, investimento na

aprendizagem dos trabalhadores, assim como motivação dos trabalhadores. No entanto, sugere-se que as primeiras iniciativas devem ser para reduzir a variação do fluxo do trabalho.

Segundo o estudo realizado por Liu et al. (2011), dentre as limitações encontradas verificou-se que a falta de dados PPC e produtividade para antes e depois dos projetos. Os desenvolvedores disseram que o principal impacto do LPS sobre a produtividade está no efeito cascata de previsível handoffs13 através do "desfile de trades. Sua hipótese não pôde ser confirmada, neste caso, por falta de dados, mas assumindo que eles estão corretos, a relação causal entre a PPC e a produtividade pode ser ainda mais forte, já que a correlação é significativa, mas não tão intensamente (LIU et al. 2011)

González et al. (2008) estudou a relação entre confiabilidade do planejamento e desempenho do projeto. Foram propostos dois índices: um índice de confiabilidade de planejamento (PRI) e um índice de produtividade do trabalho (PPI) tentando entender o efeito da variação no planejamento de confiabilidade sobre o desempenho do projeto.

O estudo comparou os indicadores PRI com o PPC, bem como definiu uma relação linear entre o PPI e PPC. Os resultados do estudo mostram que dois níveis de análise, quais sejam atividade e projeto, foram necessários para entender o impacto de melhorias na confiabilidade do planejamento sobre o desempenho do projeto.

O PRI é um índice complementar de segurança no planejamento que supera as limitações do PPC para fazer análises de impactos Last Planner System no nível de atividade. De modo que, o desempenho da atividade é mais bem correlacionado com o planejamento de índices de confiabilidade PRI. O desempenho do projeto através PPI está mais associada ao planejamento de índices de confiabilidade como PPC. A partir da pesquisa observou-se que existe uma forte relação positiva entre a confiabilidade do planejamento e desempenho do projeto durante a fase de construção.

13 Handoff (transferência de controle), atividades que passam o controle do processo para outro departamento ou organização.