assentamento.
Este assentado é o único que se dedica exclusivamente a produção olerícola, por isso a necessidade da estufa para uma melhor produção das mudas que irão para o campo.
No passado, a olericultura absorvia seis assentados, mas devido ao elevado custo dos insumos, parte deles substituiu a atividade pela sericicultura. O assentado R.S (lote 1) resumiu porque deixou de trabalhar com a olericultura, assim dizendo:
A horta tem que ter dinheiro toda semana, pois o custo com os venenos e as sementes é muito caro, dá até dinheiro, mas acontecesse que nóis não tem jeito de investir. Investir para poder plantar pouca coisa não compensa o frete para o CEASA
acaba saindo muito caro. Por isso troquei a horta pelo bicho da seda.
A sericicultura é uma atividade nova no assentamento, foi implantada no ano de 2002. Ela é parte dos planos de expansão das atividades da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá Ltda. (COCAMAR)22 que procura regiões onde predomina a pequena propriedade e a mão-de-obra familiar para inserir aquela atividade.
A cooperativa financiou R$ 1.200,00 para a construção dos barracões dando prazo de 3 anos para efetuar o pagamento, sendo descontada uma porcentagem de quilos de casulos a cada entrega. Cinco assentados aderiram ao programa e plantaram um alqueire cada um em amora para alimentar as lagartas do bicho da seda. O processo produtivo - desde a chegada das lagartas até a entrega dos casulos - leva vinte e oito dias e os assentados estão otimistas com a nova atividade, pois estão entregando o quilograma do casulo a preços que variam de R$ 3,83 a R$ 5,40, e a média de produção está sendo de 65 kg por caixa a cada 28 dias. No entanto, assim como em outros sistemas de integração de produção, quanto maior a dedicação da família, melhores poderão ser os resultados a serem alcançados.
A atividade inicialmente teve a supervisão de técnicos da COCAMAR, mas agora são os técnicos da EMATER que estão prestando assistência aos assentados.
A tabela 12 mostra o número de animais e a produção de leite no assentamento. A área usada com pastagem é restrita, sendo o gado bovino criado com
22 Cooperativa fundada em março de 1963 por cafeicultores da cidade de Maringá, no Paraná, e que hoje atua em diversos ramos no setor agroindustrial, sendo um dos mais importantes a refinaria de óleos vegetais. Atualmente a Cooperativa possui entrepostos no Paraná, São Paulo e Minas Gerais, numa área de ação constituída por 50 municípios, provando não só a capacidade empresarial do setor cooperativo, mas, também, a viabilidade da agroindústria, com o objetivo de agregar valores, unindo produtores e consumidores.
duas finalidades: corte e leite. O principal objetivo dos assentados que desenvolvem esta atividade é a subsistência e quando há excedentes eles são comercializados com outras famílias do próprio assentamento. Além disso, eles fazem queijo, doce de leite, requeijão e outros derivados também para consumo próprio.
TABELA 12 – Animais existentes no assentamento Pó de Serra.
Lote Bovinos Suínos Galináceos Eqüinos Tanques Leite
1 _ _ 20 1 _ _ 2 4 2 10 _ _ 3 litros/dia 3 _ 2 10 1 _ _ 4 _ _ _ _ _ _ 5 _ _ 30 _ 3 _ 6 _ _ _ _ 1 _ 7 _ 2 _ _ 2 _ 8 9 12 _ _ _ 7 litros/dia 9 2 16 80 1 1 7 litros /dia 10 _ 22 130 _ _ _ 11 6 2 100 _ 1 10 litros/dia 12 _ 3 15 _ 1 _ 13 _ 8 50 1 _ _ 14 2 50 120 _ _ 6 litros/dia Total 23 119 565 4 9 33 litros
FONTE: Pesquisa “in loco”, maio a julho de 2002.
Os animais são criados soltos e são alimentados exclusivamente com pastagens naturais e, em alguns casos, com milho e cana-de-açúcar. A ordenha das vacas de leite é manual sendo realizada somente pela manhã.
Além dos bovinos, os assentados criam também galinhas e porcos, tendo por finalidade suprir a alimentação familiar em ovos, carne e banha. As aves são criadas soltas nos arredores das casas, sendo alimentadas com milho e restos de comida.
Em relação a suinocultura, observou-se que dois assentados exploram a atividade para abastecer o mercado. As pocilgas são rústicas, sem separações de “creches, maternidade, recria e engorda”. Os animais são alimentados com milho, abóbora, mandioca e também restos de comida. Em outros casos, os suínos ficam soltos, alimentando-se de vegetais ou raízes que encontram nos arredores das casas.
Das famílias assentadas quatro possuem cavalos que são usados para tração, herança do tempo em que não dispunham de maquinários agrícolas.
As áreas úmidas representam 12,70 ha ou (8,23%) do total e atualmente, estão sendo utilizadas para a construção de tanques ou represas para a criação de peixes, não sendo ainda uma atividade comercial, mas que possui potencial para este fim, pois em seis lotes os tanques já se encontram prontos, construídos com recursos próprios, faltando capital e informações para começarem a desenvolver tal atividade.
4.3 - O Trabalho Familiar
Como em outros assentamentos do país, no Pó de Serra a mão-de-obra familiar é responsável pelo processo produtivo. Em alguns lotes (sete) a terra é suficiente para absorver toda a mão-de-obra familiar. Nos demais (quatro), as famílias sempre têm algum membro trabalhando como diarista nas propriedades vizinhas ao assentamento. Outras (três) famílias, arrendam mais terra fora do assentamento onde plantam soja e café.
Nota-se que as famílias que precisam buscar fora do assentamento mais terra ou trabalho assalariado para complementar a renda, são aquelas cujos filhos casaram e ficaram morando no lote com os pais.
A maior parte (71,43%) das famílias não contrata pessoal para ajudar nas atividades agrícolas, pois elas produzem soja, cujo cultivo é mecanizado do plantio à colheita.
As demais, ou seja, 28,57% contratam mão-de-obra eventualmente para ajudar nas tarefas agrícolas, principalmente na época da colheita. Essas famílias plantam milho e feijão, muito embora o plantio seja mecanizado, a colheita é manual, o que requer muita mão-de-obra.
Das famílias que trabalham com atividades olerícolas, duas contratam diaristas durante o verão, na época da colheita. A outra, que tem a olericultura como principal atividade, conforme já referido, contrata dois trabalhadores permanentes, pois se envolve com a atividade durante o ano todo.
A sericicultura, praticada em cinco (5) lotes, absorve o trabalho de toda a família. O trabalho maior consiste em cortar a amora para alimentar as lagartas, momento em que se faz necessário a ajuda dos homens. Passado esta fase que leva aproximadamente quinze dias, o trabalho é realizado pelas mulheres e crianças, conforme mostra a foto 5.
Percebeu-se que os assentados que estão inseridos na produção do bicho da seda buscaram uma alternativa não só de renda, mas também de trabalho para os filhos. Se isso não ocorrer, ao atingir a maioridade, os filhos irão buscar na cidade um novo emprego deixando os pais no assentamento.