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Esta etapa está dividida em 2 itens: “4.1.1. Entendimento do problema RUAAI” e “4.1.2. Construção de modelos conceituais de RUAAI”.

4.1.1. Entendimento do problema RUAAI

Esta etapa consiste basicamente na fundamentação teórica e na sistematização do conhecimento relacionado ao tema RUAAI. Nesse sentido, buscou-se verificar como o mesmo tem sido abordado na literatura e na prática, a fim de estabelecer possíveis tendências ou correntes existentes ou ainda não totalmente nítidas em termos de conceituação e aplicação. O principal produto obtido nesta fase é representado pelos itens 3.1 e 3.2 da Revisão Bibliográfica, e que se constitui em contribuição ao tema RUAAI.

A metodologia para o desenvolvimento deste item compreendeu dois momentos. O primeiro momento consistiu da análise etimológica e histórica dos conceitos “razão”, “racionalização” e “racionalidade”, no intuito de embasar discussões acerca de como tais termos têm sido aplicados e entendidos e como isso repercute no tema RUAAI. O segundo momento, que consistiu da consulta específica a documentos que tratam do ou mencionam o tema RUAAI. Nesse sentido, foi possível apresentar o estado da arte da temática o que possibilitou, posteriormente, a construção propriamente dita dos modelos conceituais de RUAAI, cuja metodologia está apresentada no item a seguir.

A abordagem adotada para a apresentação das discussões foi a da Teoria Crítica, que se adequa ao desenvolvimento desta atividade uma vez que entendimentos diversos sobre o tema RUAAI são avaliados e discutidos. Como Guba e Lincoln (1994, p.110, tradução livre) colocam, ao discorrer sobre a ontologia da Teoria Crítica,

um realismo considerado hoje compreensível, foi um dia ‘plástico’, mas, ao longo do tempo, modelado por uma série de fatores sociais, políticos, culturais, econômicos, étnicos e de gênero e então ‘cristalizado’ numa série de estruturas que são agora (inapropriadamente) tomadas como ‘reais’, ou seja, naturais e imutáveis […]

Assim a Teoria Crítica é aqui adotada uma vez que possibilita o

diálogo entre o investigador e os sujeitos da pesquisa; esse diálogo deve ser dialético por natureza para transformar ignorância e mal-entendidos (que aceitam estruturas historicamente mediadas como imutáveis) numa consciência mais informada (que enxerga como tais estruturas poderiam ser modificadas e abrange as ações necessárias para que mudanças sejam levadas a cabo)[…] (GUBA e LINCOLN, 1994, p.110, tradução livre).

Ressalte-se que além da discussão teórica, a observação e a participação diretas em eventos, reuniões, entrevistas e oficinas, foram também imprescindíveis no desenvolvimento das atividades relativas a este objetivo específico e ao desenvolvimento da pesquisa como um todo, destacando-se a apresentação de trabalhos e participação em eventos em nível estadual, regional e nacional acerca da temática10.

Ademais, destaca-se também o estágio no exterior (doutorado sanduíche), no período de setembro de 2009 a julho 2010, realizado na University of East Anglia (UEA), School of International Development (DEV), Norfolk-Norwich-Inglaterra, dada a inter/multidisciplinaridade e a experiência do DEV/UEA na temática aqui avaliada. Dentre outros, foi possível o contato direto e presencial com o Professor Bruce Lankford (idealizador do River Basin Game, uma das ferramentas participativas utilizadas nesta pesquisa, e supervisor do autor em seu período de estágio no exterior no DEV/UEA) e demais pesquisadores do

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Principais eventos: IX Simpósio ABRH de Recursos Hídricos do Nordeste (25-28/11/2008; Salvador-BA); I Seminário Nacional Agricultura Irrigada e Desenvolvimento Sustentável (20- 21/05/2009; Brasília-DF); IV Encontro Técnico-Científico em suporte à gestão das águas da bacia do Rio Doce - Rede CTI-Doce (17-19/06/2009; Ouro Preto-MG); IX Congresso Latinoamericano Y Del Caribe de Ingeniería Agrícola / XXXIX Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola – CLIA/CONBEA (25-29/07/2010); III Seminário Espíritossantensse de Recursos Hídricos (1/12/2010; Vitória-ES)

DEV/UEA e maior acesso a estudos internacionais pela utilização de bibliotecas e acervo de pesquisas e documentos da UEA e do DEV (APÊNDICE I).

O período fora do Brasil possibilitou ainda a visita a outras instituições internacionais e o contato com pesquisadores estrangeiros e a participação em eventos de relevância na temática estudada, o que permitiu uma mais adequada análise situacional da pesquisa em nível mundial (APÊNDICE II).

Ainda durante o desenvolvimento da pesquisa, em decorrência da participação do autor em projeto de pesquisa em parceria com a Universidade Eduardo Mondlane11, de Moçambique, houve a possibilidade de haver a troca de experiências sobre o tema com aquele país, inclusive com visita ao mesmo (APÊNDICE III).

Em suma, foi possível observar realidades das mais diversas acerca da temática em nível nacional e internacional e isso foi sobremaneira importante para a discussão e o desenvolvimento das atividades relacionadas à construção de modelos conceituais de RUAAI, que são apresentadas a seguir.

4.1.2. Construção de modelos conceituais de RUAAI

A partir das informações apreendidas na etapa anterior, dois modelos conceituais de RUAAI foram construídos, a saber, Modelo Racional-Hegemônico (MRH) e Modelo Racional-Amplo (MRA).

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Projeto de Pesquisa: “Racionalização do uso da água na agricultura irrigada no Brasil e em Moçambique considerando aspectos tecnológicos, sociais, econômicos, ambientais e culturais”; Edital MCT/CNPq nº 006/2007 - Chamada 2: apoio financeiro a atividades de cooperação internacional para a execução de projetos conjuntos em C&T&I; Processo no. 490593/2007-0; Setembro de 2008 a Setembro de 2010. Maiores infromações conferir LABGEST (2010c).

Tais modelos foram sistematizados a fim de: permitir uma mais fácil visualização de duas correntes antagônicas, porém complementares, observadas sobre o tema RUAAI; sistematizar aspectos envolvidos na temática, antes dispersos; destacar elementos importantes na temática, mas geralmente não considerados; facilitar o cruzamento de informações e a análise de aspectos relacionados às gestões de águas e de irrigação.

O MRH representa como a literatura e as políticas predominantes no tema RUAAI consideram como se deveria buscar o “uso racional” da água na agricultura.

O MRA, como sua própria denominação traz, é uma tentativa de ampliar a análise do tema RUAAI ao incorporar outros aspectos ao debate, bem como discutir suas inter-relações.

Os modelos mencionados foram organizados em “Temas” e “Descritores”. Os “Temas” seriam os principais grupos que contém os aspectos levados em consideração na análise do problema e “Descritores” seriam características significativas de um tema de acordo com os principais atributos de um determinado sistema (Marques et al. 2003).

Após o nível de descritor, naturalmente ocorreria o nível de “Indicadores”, que são uma medida do efeito da ação do sistema sobre o descritor (Ibid, 2003). Dado o caráter conceitual que o modelo global apresenta, entendeu-se que tal detalhamento depende das especificidades do local a ser avaliado e, assim, esta ação é realizada no modelo local (vide item 5.4.2).

4.2 ETAPA 2: DESENVOLVIMENTO DE PROCEDIMENTO METODOLÓGICO