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4.5 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

4.5.1 Fase 1 Reconhecimento e Levantamento

4.5.1.2 Etapa 1

A Etapa 1 da Fase 1 envolveu coleta de dados em 8 empresas de manufatura, sendo estes estudos realizados de setembro a novembro de 2017. Foi realizada uma visita técnica (VT) de, em média, 2h30min em cada uma das empresas, sendo esta sempre acompanhada por um funcionário de um cargo de nível gerencial ou de supervisão, totalizando 20 horas e 30 minutos de visitas técnicas na Etapa 1 da Fase 1 (Quadro 6).

__________________________________________________________________________________________ Quadro 6 - Visitas técnicas da Fase 1, Etapa 1

Fonte: a autora.

Em diversas coletas de dados em empresas de manufatura o acompanhamento das visitas foi realizado por representantes da área da melhoria contínua, que é o setor normalmente responsável pela implementação, uso e manutenção dos conceitos e princípios da Produção Enxuta, incluindo a GV. As múltiplas fontes de evidência utilizadas nesta etapa estão sintetizadas no Quadro 7. Vale destacar que todas as fontes de evidência denominadas como protocoladas foram adotadas também para o Método de Avaliação. Isto é, são protocolos cuja versão final, refinada, constituem o artefato proposto.

Quadro 7 - Fontes de evidência da Fase 1, Etapa 1

Fonte: a autora.

Como forma de triangulação, os dados foram coletados de modo a captar tanto a percepção do usuário quanto da pesquisadora. Para captar a percepção do usuário, ou seja, os funcionários dos estudos empíricos, realizaram-se entrevistas abertas e entrevistas semiestruturadas. Para

ESTUDO DO SISTEMA

DE PRODUÇÃO EMPRESA DATA DA VT

DURAÇÃO DA VT CARGO DO FUNCIONÁRIO ACOMPANHANTE DA VT NÍVEL HIERÁRQUICO ACOMPANHANTE DA VT

EE 01_MA Empresa A 05/09/2017 4h Coordenação produção Nível Gerencial

EE 02_MA Empresa B 19/09/2017 2h Gerência manufatura Nível Gerencial

EE 03_MA Empresa C 25/09/2017 2h30min Gerência industrial Nível Gerencial

EE 04_MA Empresa D 04/10/2017 2h Engenharia processos Nível de Supervisão

EE 05_MA Empresa E 25/09/2017 1h30min Coordenação melhoria contínua Nível de Supervisão

EE 06_MA Empresa F 16/10/2017 3h Assistência melhoria contínua Nível de Supervisão

EE 07_MA Empresa G 23/10/2017 2h Coordenação melhoria contínua Nível de Supervisão

EE 08_MA Empresa H 01/11/2017 3h30min Pesquisa melhoria contínua Nível de Supervisão

20h30min

Acompanhamento por 8 funcionários, sendo 3 de Nível Gerencial e 5 de Nível de Supervisão TOTAL: Entrevista Aberta Entrevista Semiestruturada Protocolada 1 V01 Observação Direta Observação Direta Protocolada 1 V01 Registros em Arquivo (Registros fotográficos) Registros em Arquivo (Gravações de áudios) Análise de Documentos e de Artefatos Físicos EE 01_MA X X X X X X EE 02_MA X X X X X EE 03_MA X X X X X X EE 04_MA X X X X X X EE 05_MA X X X X X X X EE 06_MA X X X X X X X EE 07_MA X X X X X X EE 08_MA X X X X X ESTUDO DO SISTEMA DE PRODUÇÃO

Percepção Usuário Percepção Pesquisadora FONTES DE EVIDÊNCIA

percepção da observadora, utilizaram-se observações diretas (com e sem protocolo), registros em arquivo (com registro fotográficos e gravações de áudio), e análise de documentos e artefatos físicos.

Foram realizadas entrevistas abertas em todos as 8 empresas da manufatura, sendo que estas constituíram o primeiro contato entre a pesquisadora e os representantes da empresa. Foram realizadas perguntas, que emergiam na medida em que se percorria as instalações da empresa e se observavam as práticas de Gestão Visual utilizadas. Cabe salientar que tanto as entrevistas abertas como as semiestruturadas em todos os estudos da Fase 1 foram realizadas de modo individual e gravadas com a permissão dos entrevistados.

As entrevistas semiestruturadas para percepção sobre a GV como um todo (APÊNDICE A) foram aplicadas somente nos estudos EE 05_MA, EE 06_MA e EE 07_MA. Foram estes os estudos nos quais os entrevistados apresentaram maior domínio sobre o assunto abordado. Por esta razão, a pesquisadora decidiu explorar o conhecimento desses funcionários para aprofundar seu próprio conhecimento, a fim de auxiliar na elaboração dos protocolos de análise e de coleta de dados a serem utilizados nas fases subsequentes. Esse protocolo procurou abordar o conhecimento do usuário sobre a Gestão Visual como um todo em 13 questões organizadas em 5 tópicos, conforme explicitado abaixo:

i. Tópico 1: Definição de GV e tipos de práticas com cumprimento da finalidade

(propósito) e fácil compreensão e uso (3 questões);

ii. Tópico 2: Concepção e implementação da GV (4 questões);

iii. Tópico 3: Eficiência e eficácia da GV (2 questões);

iv. Tópico 4: Quantidade e qualidade dos dispositivos de GV (1 questão);

v. Tópico 5: Benefícios da GV (3 questões).

Durante a Etapa 1, o protocolo de entrevista semiestruturada do tipo 2, ou seja, a “Fase 1 - Estudo Empírico - PROTOCOLO ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA 2 - Objeto de Estudo Empírico - Percepção Usuário” (APÊNDICE B) não havia sido elaborado e, portanto, não foi possível utilizá-lo. Ainda assim, os dados coletados obtidos a partir dele, ou seja, àqueles relacionados a caracterização geral do estudo empírico, foram obtidos por meio das entrevista s abertas, ainda que de modo não estruturado.

As observações diretas foram utilizadas em todas as visitas técnicas realizadas, gerando diversos insights sobre as práticas de Gestão Visual observadas, incluindo sobre quais práticas

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poderiam ser consideradas mais avançadas, principalmente quando atuam integradas formando um subsistema. Além de registros informais, um protocolo de observação direta denominado “Fase 1 - Estudo Empírico - PROTOCOLO OBSERVAÇÃO DIRETA 1 - Práticas de GV - Percepção Avaliador” (APÊNDICE C) foi elaborado para avaliar as práticas identificadas na produção. Esse protocolo, a ser completado em forma de tabela, serviu para elencar e caracterizar as práticas de Gestão Visual quanto:

i. Ao nome da prática de GV na empresa;

ii. Onde se localiza na unidade;

iii. Se é um padrão da companhia ou própria da unidade;

iv. Se é um indicador, sinal, controle ou garantia visual, conforme taxonomia por

grau de controle sugerido por Galsworth (1997);

v. Se é uma prática estática ou dinâmica, segundo classificação de Bititci, Cocca

e Ates (2015);

vi. Ao nome da prática de GV padronizado em todos os estudos, para gerar

uniformidade na coleta de dados.

Em seguida, no mesmo protocolo, baseando-se nas observações realizadas nos estudos empíricos, de modo indutivo, ou seja, do particular para o geral, ainda que considerando insights e deduções a partir da literatura, elencaram-se características que serviram como base para identificar uma prática avançada. São elas:

i. Se a prática é integrada com outras práticas de GV (formando um subsistema);

ii. Se a prática é bem integrada a rotinas gerenciais;

iii. Se a prática possui características dinâmicas;

iv. Se a prática é colaborativa;

v. Se a prática auxilia na tomada de decisão.

Como forma de triagem inicial, caso a prática analisada cumprisse 3 dos 5 critérios, ou seja, 60% dos requisitos elencados, ela seria considerada uma prática avançada de Gestão Visual. O passo seguinte foi, então, classificar essa prática avançada conforme sua principal função de forma similar à taxonomia proposta por Tezel et al. (2015):

i. Controlar (utilizada como dispositivo de controle);

ii. Orientar (utilizada para procedimento de execução);

iii. Estabelecer metas (utilizada para explicitação de metas);

iv. Abastecer (utilizada para abastecimento de insumos); ou

A coleta foi realizada de forma sistemática, buscando-se definir designações padronizadas para as práticas semelhantes identificadas em diferentes estudos, considerando termos utilizados na literatura. Por exemplo, considerou-se a nomenclatura poka-yoke proativo (para dispositivos que previnem anormalidades) e poka-yoke reativo (para dispositivos que detectam anormalidades) definidos por Saurin, Ribeiro e Vidor (2012), mesmo que em certos estudos da manufatura eles eram nomeados respectivamente como poka-yoke preventivo e poka-yoke detectivo, ou ainda como gabarito, no caso de poka-yoke proativo e reativo (para prevenir e também detectar erros) na construção civil.

Assim, as práticas foram organizadas em um quadro-resumo (Quadro 8), que possibilitou quantificar a frequência das práticas nos estudos empíricos. Nessa tabela, todas práticas identificadas foram classificadas conforme o grau de controle sugerido por Galsworth (1997), em dinâmicas ou estáticas segundo taxonomia de Bititci, Cocca e Ates (2015), e na categoria de prática avançada conforme a função similarmente à taxonomia proposta por Tezel et al. (2015). Vale destacar que, por definição, só existem práticas do tipo sinal visual dinâmicas (pois a categoria de sinal visual engloba dispositivos que mudam de estado para serem percebidos, alertando o usuário). Já as demais categorias de grau de controle (indicador visual, controle visual e garantia visual) no presente trabalho foram divididas em estáticas e dinâmicas. Estáticas quando eram imutáveis e dinâmicas quando eram atualizadas ao longo do tempo para auxiliar em alguma tomada de decisão, independentemente da frequência dessa atualização.

__________________________________________________________________________________________ Quadro 8 - Categoria de práticas de GV identificadas nos estudos de sistemas de

produção da manufatura

Fonte: a autora.

O Quadro 9 apresenta os documentos e artefatos físicos analisados em cada empresa de manufatura, que inclui websites, catálogos e portfolios. Tais evidências permitiram obter uma melhor compreensão do contexto da organização, seus produtos e seu setor do mercado.

EE 01_MA … EE 08_MA

PRODUÇÃO M.O. PRÓPRIA PRODUÇÃO M. O. TERCEIRIZADA TOTAL PROCEDIMENTO DE EXECUÇÃO

TOTAL EXPLICITAÇÃO DE METAS TOTAL ABASTECIMENTO DE INSUMOS TOTAL PROTÓTIPO

TOTAL DISPOSITIVO DE CONTROLE TOTAL DE PRÁTICAS AVANÇADAS DE GV

PORCENTAGEM PRÁTICAS AVANÇADAS SOBRE PRÁTICAS TOTAIS TOTAL DE PRÁTICAS

Práticas não avançadas

Práticas avançadas de categoria PROCEDIMENTO DE EXECUÇÃO Práticas avançadas de categoria EXPLICITAÇÃO DE METAS Práticas avançadas de categoria ABASTECIMENTO DE INSUMOS Práticas avançadas de categoria PROTÓTIPO

Práticas avançadas de categoria DISPOSITIVO DE CONTROLE Práticas não avançadas

Práticas avançadas de categoria PROCEDIMENTO DE EXECUÇÃO Práticas avançadas de categoria EXPLICITAÇÃO DE METAS Práticas avançadas de categoria ABASTECIMENTO DE INSUMOS Práticas avançadas de categoria PROTÓTIPO

Práticas avançadas de categoria DISPOSITIVO DE CONTROLE Práticas não avançadas

Práticas avançadas de categoria PROCEDIMENTO DE EXECUÇÃO Práticas avançadas de categoria EXPLICITAÇÃO DE METAS Práticas avançadas de categoria ABASTECIMENTO DE INSUMOS Práticas avançadas de categoria PROTÓTIPO

Práticas avançadas de categoria DISPOSITIVO DE CONTROLE Práticas não avançadas

Práticas avançadas de categoria PROCEDIMENTO DE EXECUÇÃO Práticas avançadas de categoria EXPLICITAÇÃO DE METAS Práticas avançadas de categoria ABASTECIMENTO DE INSUMOS Práticas avançadas de categoria PROTÓTIPO

Práticas avançadas de categoria DISPOSITIVO DE CONTROLE Práticas não avançadas

Práticas avançadas de categoria PROCEDIMENTO DE EXECUÇÃO Práticas avançadas de categoria EXPLICITAÇÃO DE METAS Práticas avançadas de categoria ABASTECIMENTO DE INSUMOS Práticas avançadas de categoria PROTÓTIPO

Práticas avançadas de categoria DISPOSITIVO DE CONTROLE Práticas não avançadas

Práticas avançadas de categoria PROCEDIMENTO DE EXECUÇÃO Práticas avançadas de categoria EXPLICITAÇÃO DE METAS Práticas avançadas de categoria ABASTECIMENTO DE INSUMOS Práticas avançadas de categoria PROTÓTIPO

Práticas avançadas de categoria DISPOSITIVO DE CONTROLE Práticas não avançadas

Práticas avançadas de categoria PROCEDIMENTO DE EXECUÇÃO Práticas avançadas de categoria EXPLICITAÇÃO DE METAS Práticas avançadas de categoria ABASTECIMENTO DE INSUMOS Práticas avançadas de categoria PROTÓTIPO

Práticas avançadas de categoria DISPOSITIVO DE CONTROLE

ESTUDOS DE SISTEMAS DE PRODUÇÃO DA MANUFATURA

SUBSISTEMAS DE GESTÃO VISUAL DA PRODUÇÃO CLASSIFICAÇÃO PRÁTICAS AVANÇADAS DE GV GARANTIAS ESTÁTICOS DINÂMICOS INDICADORES ESTÁTICOS DINÂMICOS SINAIS DINÂMICOS CONTROLES ESTÁTICOS DINÂMICOS

Quadro 9 - Documentos e artefatos físicos analisados na Fase 1, Etapa 1

Fonte: a autora.