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4 MATERIAIS E MÉTODOS

4.4 ETAPA 04 – MAPAS SONOROS

Para a confecção dos mapas, foram levantados dados morfológicos das áreas de estudo utilizando processos explicados anteriormente. Para que pudessem serem feitas as simulações acústicas foram importados para o programa Cadna-A (Computer Aided Noise

Abatement) arquivos em formato dxf oriundos do AutoCad. A partir daí, foi configurada a modelagem geométrica mais próxima da realidade com a configuração das alturas das edificações e a largura das ruas dentro do software.

Além disso, foram inseridos dados de LAeq coletados em campo e dados do tráfego (fluxo, composição do veículo e velocidade média). Em cada via, foi colocada a quantidade máxima de veículos, a porcentagem de veículos pesados, acrescentado do LAeq medido em campo, o limite de velocidade médio e o sentido das ruas. Com isso, foi possível observar os seguintes aspectos: as fontes de ruído, as principais vias com seus índices de ruído e a análise do entorno.

As fontes sonoras de ruído podem ser representadas neste software por estradas, indústrias, fontes pontuais ou lineares. No caso, foram usadas fontes lineares para retratar o barulho das vias. Outro fator a ser destacado é que no CadnaA não é necessário fazer medições em todos os pontos da área de recorte porque o software calcula os níveis de pressão sonora interpolando os pontos de pressão sonora medidos a partir das equações da norma ISO 9613, nesse trabalho foi considerada uma malha de 2 por 2 metros.

O programa também considera parâmetros que influenciam na emissão, propagação e recepção de ruído, baseado em um modelo computacional com algumas camadas como: topografia que propaga as curvas de nível, edificações que são as massas edificadas e as rodovias que fazem parte da região. Para os cálculos, foi usado o mapa com a opção de absorção do solo, onde foram adotados os seguintes coeficientes de absorção: concreto 0,2, terra 0,5 e vegetação 0,7.

Nas configurações de cálculos, com relação ao clima, foram adotados valores de temperatura e umidade de 30Cº e 70%, respectivamente. Com a modelagem feita, as fontes de ruído puderam ser identificadas e caracterizadas a fim de gerar cálculos de simulação, assim tem-se o mapa base. O método empregado na análise foi a confrontação entre simulações de diferentes cenários sonoros urbanos para um mesmo recorte espacial e que envolveram modificações no tipo de abrigo em cada situação.

As simulações foram realizadas em dois cenários com a inserção dos dados de NPS medidos na envoltória escolar, consequentemente, nos pontos de parada de ônibus. O primeiro cenário foi caracterizado com a situação real dos abrigos de ônibus e o segundo com um abrigo modelo sugerido. Depois da efetivação dos procedimentos narrados para a modelagem acústica, efetuou-se a etapa de cálculo das linhas e obtenção dos mapeamentos acústicos do cenário acústico atual e dos cenários hipotéticos.

Os resultados do mapa retratam os intervalos dos valores de ruído. O Quadro 9 está relacionada aos preceitos para o diagnóstico do campo acústico estudado. Esses parâmetros foram utilizados nas simulações.

Quadro 9 - Parâmetros de cálculo global usados nos modelos em estudo

Parâmetro Valores inseridos no CadnaA

Norma de emissão rodoviária RLS-90

Norma propagação sonora ISO 9613

Coeficiente de Incerteza de propagação 3*Log10(d/10)

Malha de cálculo 2x2 m Número de reflexões 2 Absorção do solo Concreto - 0,2 Terra - 0,5 Vegetação - 0,7

Absorção das edificações 0,2192

Pavimentação da rodovia Estritamente RLS-9

Interpolação do Grid 17*17

Distância máxima fonte-receptor 1000,00 m

Distância mínima receptor-refletor 1,00 m

Distância mínima fonte-refletor 0,10 m

Período diurno 6h às 18h

Período noturno 18h às 6h

Temperatura média 30ºC

Umidade relativa média 70%

Fonte: Datakustik, 2018 adaptado pela autora;

Os esquemas de coordenadas escolhidas foram feitos com medidas proporcionais à área. Para o mapeamento sonoro também foram utilizados os métodos das medições sonoras utilizadas neste estudo, descritos na norma ISO 9613-2 de 1996. Também foram adotados os valores de absorção e reflexão de acordo com as situações existentes nos cenários modelados. A altura do receptor foi colocada a 1,20m do chão, que é a mesma altura estabelecida nas medições acústicas recomendadas pela NBR 10151 (ABNT,2019).

No Quadro 10 é possível compreender as etapas seguidas para a geração dos mapas. As inserções dos dados sobre o ruído de tráfego foram calculadas de acordo com os valores de LAeq

2 O valor de 0,21corresponde a edificações com “fachada lisa/ barreira refletiva”, corresponde a uma perda de

medidos in loco em cada uma das vias onde foram locados os pontos de medição, a velocidade média de cada via, o tipo de superfície do asfalto, a quantidade total de veículos e a percentagem de veículos pesados em cada uma das ruas avaliadas.

Quadro 10- Etapas para a confecção dos mapas sonoros

Etapa Procedimentos metodológicos

1. Inserir vias, semáforos e viadutos

Para cada via, foram atribuídas as propriedades físicas e o comportamento do fluxo do tráfego (fluxo

veicular, velocidade dos veículos, tipo de pavimentação, largura, etc).

2. Inserir edificações

Deve-se ajustar a altura com base do mapa real da região, para que as edificações sejam

compatibilizadas sobre a topografia.

3. Delimitar área de simulação e receptores pontuais

Para calibrar o modelo é necessário calcular o Single

Point Receivers Sound (SPS)3. Compara-se os dados

medidos com os dados simulados a fim de calibrar o modelo. Realizar ajustes se necessário.

4. Gerar mapas sonoros

Deve-se atribuir as propriedades da malha de cálculo, e o número de reflexões. Ao término do cálculo, o

programa gera os resultados.