4 MATERIAL E MÉTODO
4.11 Etapas da coleta de dados
4.11.1 Primeira Etapa
Foi realizado um primeiro contato com as escolas, para o agendamento de uma reunião com a participação dos profissionais, como coordenação, direção e professora. Esse primeiro contato foi importante para construir um vínculo entre a pesquisadora e os demais participantes.
Após o processo de interação com a escola ter sido estabelecido, as atividades do programa foram efetivadas.
Foram estabelecidas reuniões quinzenais, com duração de uma hora, durante todo o período letivo de 2007, 2008, 2009 e 2010. Essas reuniões tiveram como objetivos: discutir a importância da participação e envolvimento de todos, para proporcionar e viabilizar aprendizagem e oportunidades reais e significativas, nos diferentes contextos naturais; capacitar os profissionais participantes da pesquisa e programar recursos de CSA na escola, a fim de favorecer a participação do aluno, nas diferentes atividades pedagógicas.
a) Orientações sistemáticas a respeito de linguagem e comunicação
Essa fase foi norteada por meio de textos teóricos e aulas expositivas. As orientações eram fornecidas durante os encontros quinzenais, com a participação da pesquisadora e sua orientadora, profissionais da escola e familiares.
Foram elencadas as questões teóricas a respeito dos aspectos da linguagem, linguagem verbal e não verbal, comunicação alternativa, leitura e escrita, além de discussões a respeito da diversidade humana quanto às diferentes formas de comunicação, recursos e instrumentos, as quais podem ser usadas nos ambientes naturais como forma de se promover a inclusão escolar e social.
Outro foco de orientação foi o olhar para as necessidades e habilidades do aluno, em seus aspectos cognitivo, motor e de linguagem, possibilitando as condições necessárias para
sua competência e inclusão (VON TETZCHNER; MARTINSEN, 2000; SORO-CAMATS, 2003).
b) Apresentação dos sistemas de CSA e o vínculo dos sistemas com as questões de comunicação e a aprendizagem da leitura e escrita
Uma gama de materiais, como figuras do sistema PCS, pastas e pranchas de comunicação alternativa, livros adaptados, jogos e brinquedos adaptados e atividades pedagógicas adaptadas, confeccionados no Laboratório de Tecnologias de Comunicação Alternativa (LabTeCa) do CEES foi adotada para auxiliar na capacitação dos profissionais da escola e dos familiares. As adaptações desses materiais contemplavam os aspectos linguísticos, visuais, motores e cognitivos, como referenciados na literatura (DELIBERATO, 2007, 2009; SAMESHIMA et al., 2009; SAMESHIMA; DELIBERATO, 2010).
Além da exposição dos materiais, fizeram-se orientações sobre a importância das adaptações concernentes a aspectos motores, visuais, auditivos e linguísticos, realização de estratégias diversificadas, no momento da implementação dos recursos em sala de aula, além do vínculo dos sistemas de CSA com as questões de comunicação e a aprendizagem da leitura e escrita.
Essa fase da coleta de dados ocorreu durante os encontros quinzenais, estabelecidos previamente.
Participaram a pesquisadora, a orientadora, familiares dos alunos e os profissionais da escola, como direção, coordenação e professores envolvidos na pesquisa.
Nessa fase, foram incluídos ainda todos os professores da escola AC. A direção da escola justificou a necessidade de capacitação para os demais professores e a possibilidade de orientações sistemáticas sobre o tema.
c) Identificar o currículo da escola e conhecer o planejamento pedagógico da sala de aula
A gravação em áudio e o registro contínuo foram os instrumentos utilizados nessa fase da primeira etapa. As informações foram coletadas por meio de conversas espontâneas, que aconteceram durante os encontros quinzenais. Desses encontros participaram a pesquisadora, a orientadora, familiares dos alunos e os profissionais da escola, como direção, coordenação e professores colaboradores da pesquisa.
Conhecer o currículo da escola e o planejamento do professor auxilia toda a equipe participante do processo, auxiliando a traçar metas e estabelecer planos que favoreçam a participação do aluno com deficiência, nas atividades pedagógicas (DELIBERATO, 2009, SAMESHIMA; RODRIGUES; DELIBERATO, 2009).
4.11.2 Segunda Etapa
a) Identificar as habilidades da criança
Nessa fase da segunda etapa, foram utilizados quatro instrumentos de coleta: observação, registro contínuo, gravação em áudio e aplicação do protocolo.
Foram identificadas as habilidades e necessidades do aluno, com relação aos aspectos comunicativos e interativos, dentro e fora de sala de aula, assim como as habilidades e dificuldades durante a realização das atividades pedagógicas desenvolvidas no ambiente escolar.
Para complementar as informações obtidas nessa etapa, foi indispensável a aplicação do Protocolo de avaliação de habilidades comunicativas de aluno não-falante em situação escolar, elaborado por De Paula (2007). O protocolo é composto por sete seções: 1- Identificação, 2- Estados e subjetivos; 3- Centro de interesses; 4- Rotina; 5- Profissionais; 6- Cuidadores e 7- Principal. A seção principal é subdividida em seis categorias: Habilidades de comunicação; Outras habilidades; Discriminação visual; Parceiros de comunicação; Atividades na sala ou na escola e Mobiliário e locomoção.
Esse instrumento permite identificar, por meio dos relatos dos professores, os seguintes aspectos:
1. identificação dos alunos e formação dos professores;
2. percepção do comportamento dos alunos, pelos professores;
3. as preferências ou não dos alunos, como: os locais preferidos da escola, disciplinas, atividades pedagógicas, temas, passeios, alimentos, pessoas, brinquedos, programas de TV, músicas, livros e revistas;
4. rotina dos alunos, no contexto escolar, desde a saída de sua casa até a saída da escola; 5. atendimentos e profissionais que assistem os alunos, e aqueles que, segundo os familiares, seriam importantes na reabilitação dos alunos;
7. habilidades de comunicação, compreensão, expressão oral/verbal e não-verbal; 8. outras habilidades, como a varredura de figuras;
9. habilidades motoras; 10. discriminação visual; 11. parceiros de comunicação;
12. atividades que desenvolvem, na sala ou na escola, e no ambiente familiar; 13. mobiliário e locomoção;
14. atividades de vida diária.
Para este estudo, o protocolo foi aplicado na íntegra e supriu o conteúdo a ser identificado nessa etapa da investigação. Convém ressaltar que, conforme orientação da autora, o protocolo foi utilizado como roteiro de entrevista, sendo, assim, preenchido pela pesquisadora no momento da entrevista. As entrevistas com os professores, para o preenchimento desse protocolo, foram gravadas.
b) Estabelecimento da rotina da escola
O protocolo possibilitou, ainda, conhecer a rotina da escola e estabelecer junto com o professor um quadro de rotina da sala. Com esse quadro, foi possível estabelecer as disciplinas ministradas durante a semana, com suas respectivas tarefas, os temas a serem trabalhados, o uso dos vocabulários, o local da atividade e os parceiros de comunicação. No Quadro 4, abaixo, pode ser visualizado o roteiro do quadro de rotina:
Dias da semana Disciplinas Atividades e tarefas Temas e Vocabulário Local Parceiros de comunicação Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira
Quadro 4: Quadro de rotina da sala
Esse quadro era preenchido pelo pesquisador, junto com os professores, durante os encontros quinzenais. Se, por algum motivo, o professor sentisse necessidade de alteração de
atividades e tarefas, temas ou vocabulários, durante a semana, essa informação era passada via e-mail pelo professor para a pesquisadora. Isso se justifica pelo fato de as reuniões ocorrerem quinzenalmente ou em espaços de tempos maiores.
Cabe ressaltar, aqui, que as reuniões eram previstas para períodos quinzenais, mas nem sempre isso se realizou, devido à impossibilidade da presença de algum dos participantes, por motivos pessoais ou de trabalho. Dessa forma, o grupo era flexível no agendamento das reuniões.
4.11.3 Terceira Etapa
Elaboração e adaptação de materiais
Com os resultados alcançados nas etapas um e dois, tinha-se embasamento para desenvolver a etapa seguinte. Desse modo, na terceira etapa, foram discutidas quais atividades do planejamento pedagógico do professor seriam adaptadas por meio dos sistemas de CSA. Conforme salientado anteriormente, durante a realização dessa etapa, outras etapas ocorriam concomitantemente, como, por exemplo, a etapa 2 e suas fases.
Para delimitar tais atividades, levaram-se em consideração aquelas nas quais o aluno apresentaria dificuldade, tanto no seu entendimento, quanto em sua realização; em acréscimo, foram abrangidas as atividades para cuja aplicação a professora teria dificuldade de elaborar estratégias.
É oportuno enfatizar que a pesquisadora adaptava as atividades do planejamento do professor, que eram propostas para a sala, seguindo a mesma atividade e temática. Dessa maneira, o aluno realizava a mesma atividade que a sala, porém, de forma adaptada por meio dos sistemas de CSA. Não era objetivo do trabalho elaborar ou fornecer atividades diferenciadas para serem utilizadas em sala de aula com o aluno, sem vínculo com o planejamento do professor. Outro fator de relevância foi que as atividades adaptadas respeitavam o momento do desenvolvimento dos participantes e suas características.
Essa etapa foi dividida em três procedimentos: Procedimento I - Seleção das atividades; Procedimento II - Discussão das adaptações; e, por fim, Procedimento III - Adaptação e confecção do material. Esses procedimentos serão descritos a seguir.