4.3 Preenchimento do Aterro Sanitário Experimental
4.3.5 Etapas
A execução da aterragem de resíduos constou da pesagem, descarga e compactação dos resíduos, seguida da cobertura intermediária e final. A seguir são descritas as principais etapas do processo de aterragem.
4.3.5.1 Identificação da origem e tipos de resíduos
Todos os veículos foram pesados no sistema de balanças do aterro sanitário de Belo Horizonte, o qual é composto por 3 (três) balanças, sendo 2 (duas) com capacidade de pesagem para 30 toneladas e outra para 40 toneladas, ambas eletromecânicas (Figura 4.34). Nesta etapa também os veículos eram identificados, sendo coletadas diversas informações tais
como placa do veículo, horários de entrada e de saída, carga útil (peso bruto, liquido, tara), tipo de resíduos, origem etc. Após a sua identificação, os veículos eram direcionados para o Aterro Sanitário Experimental para descarga dos RSU e posterior compactação destes.
Figura 4.34 – Sistema de balanças da CTRS da BR 040
4.3.5.2 Descarga, espalhamento e compactação dos RSU
A descarga dos resíduos na frente de serviços foi realizada próximo ao pé da rampa de aterragem, de onde os mesmos foram empurrados, no sentido ascendente em plano inclinado, e espalhados pelos tratores de esteira, obedecendo ao conceito de cobertura das faixas descritas anteriormente, assim como o número de passadas e a inclinação da rampa de compactação pré-determinada de cada faixa especificado no Item 4.2.3. As espessuras das camadas não foram aferidas, em função da dinâmica de compactação não tê-la permitido. A Figura 4.35 ilustra a etapa do preenchimento do Aterro Sanitário Experimental.
98 Destaca-se que a aterragem dos RSU não seguiu a ordem de numeração das faixas em função dos aspectos operacionais empregados, pois, devido à geometria do aterro, o espaço disponível para manobras dos veículos e equipamentos compactadores era reduzido. Para acelerar a aterragem, em alguns momentos teve-se que trabalhar-se com 3 equipamentos compactadores simultaneamente, operando em faixas alternadas.
4.3.5.3 Construção da camada de cobertura final
A camada de cobertura final foi executada utilizando duas diferentes configurações: uma primeira consistida de barreira evapotranspirativa e a segunda de barreira capilar. O principal objetivo foi permitir a comparação do desempenho desses sistemas, submetidos a condições climáticas adversas, a partir da instalação e monitoramento de tensiômetros em diferentes profundidades. As camadas foram executadas conforme características descritas a seguir.
Camada 1
Abrangeu as faixas 1, 2 e 3, e foi executada somente com uma camada de material argiloso, com espessura de 0,60 m, cujas características físicas são apresentadas mais adiante neste trabalho. Sobre a mesma, foi executada uma camada de resíduos de construção civil, espessura de 0,05 m, cuja finalidade foi a de proporcionar uma proteção mecânica para o solo argiloso empregado.
Camada 2
Essa camada foi executada em duas etapas: a primeira composta por uma camada de resíduos de construção civil beneficiado, com espessura de 0,30 m, que foi executado diretamente sobre os resíduos; a segunda foi realizada com o mesmo material argiloso empregado na execução da Camada 1, descrita anteriormente, com espessura de 0,30 m, sobreposta por uma camada de resíduos de construção civil com 0,05 m de espessura, para proteção mecânica para o solo argiloso empregado. Esta camada abrangeu as faixas 4, 5 e 6.
Nas Figuras 4.36 e 4.37 podem ser observados os dois sistemas de cobertura empregados na cobertura do Aterro Sanitário Experimental, enquanto que as Figuras 4.38 a 4.40 ilustram a execução desses sistemas.
Trinta dias após a finalização dos trabalhos, foi realizada cobertura suplementar no sentido de obstruir diversas trincas que surgiram no topo da camada final de argila, em função do ressecamento observado.
A execução das camadas de cobertura ocorreu paralelamente à aterragem de resíduos e era realizada sempre que se atingia a cota de topo do aterro (aproximadamente 3,20 m de altura). A sua execução era diária, após o encerramento das atividades de compactação dos RSU. O controle da execução da camada de cobertura foi realizado por meio de ensaios de campo (peso específico e umidade). A cobertura da frente de operações também era realizada diariamente, ao final dos trabalhos.
Durante a implantação do Aterro Sanitário Experimental, foi realizado o controle de compactação a partir da determinação do teor de umidade e do peso específico, este utilizando o cilindro biselado. Foram também realizados ensaios de permeabilidade em campo, sobre a camada suporte da manta impermeabilizante e nas camadas de coberturas finais, por meio da utilização do Permeâmetro de Guelph. Foram realizados 6 ensaios de permeabilidade na camada suporte e 15 na camada de cobertura final.
4.3.5.4 Configuração Final
Nas Figuras 4.41 e 4.42 é apresentada a configuração geométrica final do Aterro Sanitário Experimental e alguns perfis. Destaca-se que não foi realizado o plantio de vegetação sobre as camadas de cobertura final adotadas, mas ao longo do tempo ocorreu uma ressignificação natural do topo do Aterro Sanitário Experimental, com o surgimento de diversas espécies vegetais rasteiras, e que pode ter contribuindo, mesmo que minimamente, para que ocorresse evapotranspiração.
Devido à declividade final da camada de cobertura (2 % no sentido do poço de inspeção), não foram utilizados elementos singulares para a drenagem superficial (canaletas, canais de topo etc.), já que a inclinação observada era suficiente para escoamento das águas de chuva.
Perfil 1
Barreira Evapotranspirativa
Perfil 2 Barreira Capilar
Faixas (1,2 e 3) Faixas 4,5 e 5
Figura 4.36 – Vista em planta do
Aterro Sanitário Experimental Figura 4.37 – Configurações da camada de cobertura
Figura 4.38 – Execução da camada de
cobertura final – entulho + solo
Figura 4.39 – Execução da camada de cobertura final -
solo
4.4 Monitoramento do Aterro Sanitário Experimental