Gráfico 7 Pronaf Mulher por Região Safra 2004-
6. Etnodesenvolvimento das mulheres quilombolas
as comunidades quilombolas são grupos étnicos, predominantemente consti- tuídos pela população negra rural ou urbana, que se autodefinem a partir das relações com a terra, o parentesco, o território, a ancestralidade, as tradições e práticas culturais próprias.
O governo federal já tem mapeadas 2.200 comunidades quilombolas, e vem ao longo desta gestão consolidado políticas publicas para essas comuni- dades. Muitos foram os avanços que esse segmento vem conquistando com a elaboração e execução das ações do Programa Brasil Quilombola, sob a coor- denação da Secretária especial de Promoção da Igualdade Racial.
O Ministério do desenvolvimento agrário atua na inclusão social e os direitos econômicos dessa população através do apoio à produção e ao acesso e garantia dos seus territórios.
a presença das mulheres quilombolas tem sido pouco avaliada e reconhe- cida na preservação dos valores étnicos, do patrimônio material e imaterial só recentemente aparecem a primeiras iniciativas específicas de organização das mesmas. nos espaços de reconstrução dos direitos territoriais das comunida- des quilombolas, com o objetivos de valorizar as mulheres através de políticas que busquem um maior empoderamento econômico e social das mesmas no interior das suas comunidades.
nesse sentido, além de reconhecer a divisão sexual do trabalho na agri- cultura familiar, como elemento estruturador da organização do trabalho e da produção agrícola e agrária é preciso considerar as especificidades de grupo étnico: a sua forma de organização cultural, social e de produção; o relaciona- mento com os elementos da natureza e práticas de gestão do território e as ati- vidades econômicas predominantes: agricultura, extrativismo florestal, pesca, aqüicultura, dentre outras.
Com o objetivo de valorizar experiências históricas e culturais, respeitan- do valores, aspirações e a fim de potencializar a capacidade autônoma dessa população, o Ministério do desenvolvimento agrário o através do Programa de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e etnia – PPIGRe/Mda, em par- ceria com a UnIFeM e dFId, desenvolve desde 2004 o projeto: Gênero, raça e atividades produtivas para o etnodesenvolvimento, que visa construir uma polí- tica pública para o etnodesenvolvimento junto às mulheres quilombolas.
São 21 comunidades, em 14 estados da federação, que integram o projetos e foram selecionadas por apresentarem organização de mulheres e que estão sendo objeto do trabalho de regularização fundiária do Mda/InCRa.
no âmbito deste projetos tem sido desenvolvidas ações voltadas às mu- lheres quilombolas, no campo do apoio à produção, capacitação, assistência técnica e extensão rural, comercialização, fortalecimento institucional e docu- mentação civil e trabalhista.
O Ministério do desenvolvimento vem incluindo no seus financiamentos, apoio a infra-estrutura e no apoio a projetos para o etnodesenvolvimento jun- to às mulheres quilombolas.
em 2004 e 2005 foram apoiados projetos apresentados por grupos produ- tivos das mulheres quilombolas de diferentes regiões do país. essa iniciativa integra o esforço para constituição de uma rede de produção e comerciali- zação com vistas à segurança alimentar, gestão dos territórios tradicionais e autonomia das mulheres quilombolas.
estes projetos apoiados objetivam estimular o desenvolvimento sustentá- vel das comunidades beneficiadas através de atividades educativas que visam o apoio à gestão territorial, fortalecendo as formas de organização e conheci- mentos tradicionais.
as ações implementadas no âmbito desses projetos compreendem a pro- moção da maior inclusão das mulheres na economia local, ampliando as opor-
tunidades de trabalho; a consolidação das atividades agroextrativistas, esti- mulando o cooperativismo e o desenvolvimento da agroindústria, a criação de pequenos animais e a piscicultura, a partir das diferentes práticas locais já existentes nas comunidades quilombolas. Também prevê o fortalecimen- to da participação da juventude; a promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades beneficiadas através da inserção no contexto do ecoturismo local, por meio da formação nas atividades relacionadas a este setor; a identi- ficação de oportunidades de trabalho e geração de renda a partir do manejo sustentável dos recursos naturais dos territórios quilombolas e a formação e capacitação nas áreas de agroecologia e segurança alimentar.
na comercialização, a situação das mulheres se manifesta de distintas maneiras, dependendo da região, do processo de territorialização e da forma de organização social dos grupos. O Ministério do desenvolvimento agrário, vem construindo conjuntamente com as organizações quilombolas e grupos produtivo de mulheres, uma proposta de comercialização que busca incor- porar as potencialidades territoriais e o reconhecimento das habilidades e competências das mulheres, integrando esforços no sentido de promover a organização de redes de produção e comercialização, através da valorização do conhecimento e das tradições culturais das mulheres quilombolas.
em 2004, por iniciativa do Ministério do desenvolvimento agrário, foi realizada a I Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária, em Bra- sília/dF. nessa ocasião, efetuou-se um levantamento relativo às atividades pro- dutivas das comunidades quilombolas, destacando-se dentre elas o artesanato.
na II Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Mda/2005), participaram 19 comunidades quilombolas de 09 estados da federação.
a participação dessa mulheres nas Feiras Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária tem propiciado um espaço de discussão que gerou ricos re- latos sobre as atividades de comercialização praticadas. Os empreendimentos dirigidos por mulheres quilombolas explicitaram seu papel relevante no forta- lecimento das atividades econômicas desenvolvidas nestas comunidades, bem como deu visibilidade as atividades produtivas por elas empreendidas.
destaca-se a importância da participação na Feira no que se refere a ele- vação de auto-estima, a afirmação da identidade quilombola e o sentimento de estar protagonizando uma ação importante para a visibilidade da diversidade da agricultura familiar brasileira.