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Capítulo 4 – Uma leitura de dizeres

4.1 Eu sou professora de espanhol

Nesse ponto, apresentamos alguns dizeres da professora participante enunciados na entrevista a partir de nosso pedido para que relatasse sobre sua experiência na área do ensino e da aprendizagem de uma língua estrangeira. Como aludimos no capítulo anterior, esses dizeres da professora produzem uma narrativa de si que se marca por um movimento de oscilação que podemos observar, por exemplo, nas repetições, nas interrupções e nas novas elaborações dos dizeres. Ao discorrer sobre a relevância de se aprender uma língua estrangeira, a professora participante afirma:

E1

PP: Nossa aprender uma língua estrangeira é aprender // aprender sobre o outro né? Não só // falar outro idioma porque a língua estrangeira às vezes a gente fica pensando que é gramática né, que tem, ah, muito vocabulário nanã // mas a partir do momento // essa pra mim é o principal diferencial de estudar uma língua materna e de estudar uma língua estrangeira, com a língua estrangeira eu estudo o outro porque ainda mais espanhol porque aí você estuda é a cutu// é através da cultura, é através dos costumes, então assim não tem como por exemplo eu ensiná família pra eles sem entrar em algumas né? Em algumas questões muito particulares de cada um deles assim é e aí a gente fala um pouco disso né ah e a família do outro? Né? E o costume do outro? Ah, mas um é separado então assim e mesmo eu não sendo é // de outro país, né? Mas é a oportunidade que eles têm de ter essa // essa nova maneira de olhar as coisas eu penso assim, né? Igual eu falei, né? Língua estrangeira pra mim é esse é o meu principal motivo, né, que eu dou aula de língua estrangeira, então acho que é isso aprender uma língua estrangeira é aprender sobre o outro. [...] (Entrevista, excerto número 1. Grifos nossos)

Nas afirmações que iniciam e concluem esse dizer da professora participante, podemos observar que a relação com o outro se coloca como um aspecto que parece tanto ter lhe mobilizado em seu processo de aprendizagem de uma língua estrangeira como também parece lhe constituir em sua prática docente: “Nossa aprender uma língua estrangeira é aprender // aprender sobre o outro né? [...] Língua estrangeira pra

mim é esse é o meu principal motivo, né, que eu dou aula de língua estrangeira, então acho que é isso aprender uma língua estrangeira é aprender sobre o outro”.

Essa perspectiva assinala um distanciamento da professora participante de um imaginário em que o ensino da língua estrangeira é tomado apenas em seu aspecto funcional, voltado à comunicação, ou, ainda, como aprendizagem de gramática e de vocabulário que em seu dizer parece caracterizar o ensino da língua materna conforme afirmativa: “Não só // falar outro idioma porque a língua estrangeira às vezes a gente fica pensando que é gramática né, que tem, ah, muito vocabulário nanã // mas a partir do momento // essa pra mim é o principal diferencial de estudar uma língua materna e de estudar uma língua estrangeira”. Segundo essa professora, o estudo de uma língua estrangeira implica o outro que se pode conhecer via cultura, costumes, o que parece imprescindível se essa língua for o espanhol: “com a língua estrangeira eu estudo o outro porque ainda mais espanhol porque aí você estuda é a cutu // é através da cultura, é através dos costumes”.

Esse modo de compreender a aprendizagem de uma língua estrangeira pressupõe a possibilidade de haver mudança de posição subjetiva no contato com essa língua, uma vez que nas palavras de Revuz (1998, p. 217), mencionadas no capítulo um, “toda tentativa para aprender uma outra língua vem perturbar, questionar, modificar aquilo que está inscrito em nós”. Há indícios dessa concepção no dizer da professora participante, quando considera que a aprendizagem de uma língua estrangeira pressupõe uma oportunidade de mudança para seus alunos: “Mas é a oportunidade que eles têm de ter essa // essa nova maneira de olhar as coisas eu penso assim, né? Igual eu falei, né? Língua estrangeira pra mim é esse é o meu principal motivo, né?” Nesse dizer, podemos destacar ainda o uso do advérvio “né” correspondente à contração da expressão “não é” que parece indicar uma tentativa da professora participante de assegurar seu pensamento sobre o que representa a aprendizagem de uma língua estrangeira e, ainda, uma forma de convidar o interlocutor a compartilhar desse pensamento.

Esses dizeres indicam, assim, que o ser professora, neste caso, perpassa essa relação com o outro, naquilo que comporta a sua cultura. Trata-se de um aspecto da constituição da professora muito presente em abordagens do ensino de línguas que primam por privilegiar a relação entre a aprendizagem de uma língua estrangeira e a

cultura alvo, conforme assinalado por Kramsch (1993), ao se referir à cultura como uma quinta habilidade a ser trabalhada na sala de aula de língua estrangeira.

No momento em que narra sobre seu processo de aprendizagem da língua espanhola, a professora passa a contar a respeito do que vivenciou ao fazer sua opção pelo curso de graduação em Letras:

E2

PP: O que eu queria era medicina eu queria ser (risos) pediatra, adorava criança e eu gostava muito de biologia no né no ensino médio aí eu falei ah vou fazer acho que tem tudo a ver, nossa! Nada a ver gente nada a ver (risos) aí eu sabia que eu ia ter que fazer vestibular mesmo [...], aí eu coloquei qualquer coisa, juro que foi assim ah! Vou por Letras foi // não sei, não sei nem como explicar assim porque eu não conhecia Letras, não sabia // nada pus Letras só porque tinha que colocar um curso lá [...] aí passei e eu já tava decidida que eu não ia fazer e eu conversava muito com meus pais assim // não, vamo deixá pra quem realmente quer né? Porque acho um pouco injusto você /// é como se eu tivesse no lugar de alguém que realmente tava interessado naquilo (se referindo ao curso de Letras) e aí eu lembro que um tio meu, gente foi muito engraçado, algumas pessoas entram na nossa vida pra falar algumas coisas assim, ele até morreu, aí ele virou pra mim falou assim na época, você não tá ocupando o lugar de ninguém, você estudou, você passou por mérito seu, você num tá pegando uma vaga de alguém, a vaga é sua porque você conseguiu passar, então vai pelo menos na primeira semana vê como é, vai que cê gosta, vai que enquanto você faz o vestibular, você vai fazendo esse curso é algo a acrescentar na sua vida, eu falei tá, mas eu sei que eu num vou fazer e fui e // as pessoas tem um poder de palavra muito grande e a Giovana é a que teve um poder de palavra na minha vida que ela virou, ela teve // é // foi muito engraçado, as primeiras impressões que a gente tem são muito importantes né? Que ela virou e teve um discurso tão lindo no primeiro // na primeira entrada nossa que foi até lá no prédio C, lembro direitinho gente e aí ela falando que eu não vou ser só uma professora eu posso ser A professora e isso que me motivou porque eu posso e aí ela me mostrou o outro lado da língua estrangeira que eu já gostava e aí eu já tinha espanhol [...]. (Entrevista, excerto número 2. Grifos nossos)

No relato em questão, podemos observar que a professora participante parece não ter, em um primeiro momento, a intenção de colocar-se no lugar de professora, conforme afirma: “o que eu queria era medicina eu queria ser (risos) pediatra [...]aí eu falei ah vou fazer acho que tem tudo a ver, nossa! Nada a ver gente nada a ver (risos) aíeu sabia que eu ia ter que fazer vestibular mesmo [...], aí eu coloquei qualquer coisa, juro que foi assim ah! Vou por Letras foi // não sei, não sei nem como explicar assim porque eu não conhecia Letras, não sabia // nada pus Letras só porque tinha que

colocar um curso lá”. Esses dizeres indiciam que a escolha por um curso de formação acadêmica pode ser complicada e marcada por contradições, pois se em um momento o curso de medicina se apresenta como um curso que “tem tudo a ver”, logo, o deixa de ser: “Nada a ver gente nada a ver”.

Podemos considerar que, para a professora participante, a entrada na ordem de uma posição discursivo-enunciativa de professora decorre de incertezas, conforme podemos observar no excerto em análise. A problemática da entrada nessa ordem discursiva de ser professora de espanhol não se mostra clara, evidente, mas, sim, se caracteriza por contradições. Ao eleger um curso, a professora participante afirma, com segurança e determinação, conforme expressa seu dizer “juro que foi assim”, colocar “qualquer coisa” e, então, decide “Vou por Letras”. Essa opção parece assinalar que, nesse momento, o imaginário prevalente sobre a posição discursivo-enunciativa de professora é que ser professor é ser “qualquer coisa”. Assim, inicialmente, a professora participante parece assumir uma posição de distanciamento de uma área em que viria a atuar em um futuro próximo, mais especificamente, a área do ensino de uma língua estrangeira. Ainda, podemos observar algumas marcas de oscilação na escolha pelo curso de Letras, conforme presença de pausas, uso do verbo achar, “acho” e uso reiterado do dizer “não sei” e também pelo uso da expressão “não conhecia” e “não sabia nada”.

Em seu dizer, a professora participante faz uso do adjetivo “injusto”, quando considera que vai ocupar em uma universidade uma vaga que pode ser destinada a alguém que, realmente, interessa-se pelo curso de Letras. A referência a esse curso é feita com o uso da contração da preposição “em” com o pronome demonstrativo “aquilo”, (em + aquilo = naquilo): “é como se eu tivesse no lugar de alguém que realmente tava interessado naquilo”. Esse modo de referir-se ao curso de Letras parece assinalar uma dificuldade de nomear esse curso que pode ser decorrente do fato de ser impensável para a professora participante, naquele momento, fazer um curso que lhe conferisse uma titulação para ocupar a posição de professora. Ao usar o termo “naquilo”, a professora participante parece marcar uma posição em que se encontra distante do curso citado.

É possível observar, nos dizeres da professora, o quanto uma palavra pode ter efeitos que, talvez, nunca, sejam conhecidos por quem a profere. Em seu relato, a

participante da pesquisa se refere às palavras de um familiar e de uma pessoa do curso de Letras que parecem ter lhe possibilitado um deslocamento de sua posição inicial quanto ao seu pensamento de não fazer o curso de Letras. Ao afirmar “tá”, a professora parece concordar parcialmente com as palavras pronunciadas por seu familiar: “você vai fazendo esse curso é algo a acrescentar na sua vida”. Parece haver uma identificação da professora participante a alguns aspectos desse dizer de seu familiar, pois ainda permanece uma insistência dessa professora em manter sua posição de não entrar nesse curso de formação de professores ao dizer “eu falei tá, mas eu sei que eu num vou fazer”, o que logo se contradiz, conforme afirma “e fui”.

A professora participante também menciona o dizer de uma pessoa do curso de Letras que coordenava uma reunião de apresentação do referido curso, “aí ela falando que eu não vou ser só uma professora eu posso ser A professora”, que lhe aponta um modelo de ser professora. Esse dizer parece favorecer a mobilização da professora participante em seu processo de construção de uma posição discursivo-enunciativa de professora que, então, passa a se considerar capaz de assumir essa posição, segundo sua afirmação “e isso que me motivou porque eu posso”. A passagem do uso do artigo indefinido para o uso enfático do artigo definido tem um efeito marcante na construção de uma imagem de um profissional que pode ser bem-sucedido ao perseguir um ideal que implica uma noção de completude: “eu não vou ser só uma professora eu posso ser A professora”. Essas palavras tomadas pela professora participante como “as primeiras impressões que são muito importantes” se apresentam em seu dizer como um “discurso lindo” que parece ter lhe afetado de uma forma a rever sua posição inicial, o que antes era considerado “injusto” passa a se tornar aceitável, conforme declara “isso que me motivou porque eu posso”. Nesse momento, a professora participante parece se identificar à imagem que o outro, uma pessoa do curso de Letras, apresenta como modelo, ou seja, essa professora parece vivenciar uma experiência de alienação a esse outro que lhe diz como ser professora.

Nessa perspectiva, trata-se no plano imaginário de ser “a professora”, o que pode se apresentar como um objeto agalmático, reluzente que, conforme discorremos anteriormente no capítulo dois, refere-se a um objeto parcial, “é esta alguma coisa que é visada pelo desejo como tal, que acentua um objeto entre todos, por não ter comparação com os outros” (LACAN, 1960-1961/2010, p. 187). Assim, a possibilidade de ser “a

professora” parece ter impulsionado a professora participante a investir nessa posição de professora.

Ainda, no dizer da professora, “as pessoas tem um poder de palavra muito grande”, o que parece apontar uma possibilidade de que algo se transforme, seja uma ideia ou uma conduta, por exemplo. A esse respeito, parece-nos que estamos diante do que Lacan (1953-1954/2009, p. 149) toma como transferência simbólica que se refere ao ato da palavra: “Cada vez que um homem fala a outro de maneira autêntica e plena, há no sentido próprio, transferência, transferência simbólica – alguma coisa se passa que muda a natureza dos dois seres em presença”.

Ainda, sobre a fala de uma pessoa do curso de Letras que aponta uma imagem de professor a ser alcançada, parece haver nos dizeres da professora participante que se seguem um reconhecimento da importância dessa fala em seu processo de construção de uma posição discursivo-enunciativa de professora. Além dessa fala proferida por uma pessoa do curso de Letras, há também dizeres de outras pessoas de sua família que parecem se apresentar como marcantes na história da professora participante.

E3

PP: Essa fala da professora do curso FOI importante porque a minha visão de professor era muito ah era pejorativa mesmo, tipo ah eu não quero ser essa pessoa que sofre TANto porque professor é uma profissão muito sofrida, eu via meu pai carregando livros pra casa e caderno e reclamando de aluno que fazia num sei quê e aí ele era tanto, que meu pai ele era professor regular do 3º ano do infantil né? Ensino fundamental a gente chamava 3ª série, agora é 4º ano, e aí ele largou e aí agora ele só dá aula de artes na escola, mas eu via esse período antes da artes, sabe? Assim e a minha mãe tinha um discurso muito desse dentro de casa e esses discursos a gente leva muito pra nossa vida, aí ficava assim nossa! Tá vendo? Num quero, não quero, tanto que a minha mãe falava assim ela falava não // cê vai fazer (se referindo ao Curso de Letras), mas não fica sendo uma professorazinha qualquer não, é porque a gente se acostuma né? Então assim e aí eu descobri que curso cada um faz o seu né? Então tinha o aluno que ia pra aula da faculdade e ia embora, tinha o aluno que se envolvia outros não e aí eu comecei a gostar daquilo, aí eu participava das reuniões eu participava dos projetos que tinham, eu entrei em uma escola de idiomas, aí eu comecei a dar aula e aí nossa! É isso mesmo que eu gosto e aí língua estrangeira espanhol foi assim. (Entrevista, excerto número 3. Grifos nossos)

Os dizeres constantes de E2 assinalam a presença de um Outro que constitui a professora participante em sua entrada na ordem de uma posição discursivo-enunciativa

de professora. Trata-se de uma posição que se torna possível como decorrência da mediação de um outro cujo dizer convoca a professora participante que parece, assim, identificar-se com algum aspecto desse dizer. Esse dizer que passa a lhe constituir possibilita deslocamentos dessa professora que expressa sua visão de professor com o uso do verbo ser no passado: “a minha visão de professor era muito ah era pejorativa mesmo”. Essa visão pode ser confirmada em seu dizer pela repetição, por três vezes, da frase que expressa sua recusa, quanto a colocar-se no lugar de professor: “eu não quero ser essa pessoa [...] Num quero, não quero”.

A princípio, a posição de professor parece ser tomada, no plano do imaginário, como uma posição sem importância, desvalorizada, conforme expressa o adjetivo “pejorativa”, acompanhado pelo advérbio “muito” que torna a ideia desse adjetivo mais veemente, e também acompanhado pelo advérbio “mesmo” que indica uma opinião que se coloca de modo seguro, há uma certeza no dizer da professora sobre sua visão da posição de professor. Acresce a esse imaginário o sofrimento como marca da profissão de professor: “tipo ah eu não quero ser essa pessoa que sofre TANto porque professor é uma profissão muito sofrida”. Nesse dizer, o professor é tomado como aquele que sofre de uma forma excessiva, conforme emprego enfático do termo “tanto”, e, por assim ser, trata-se de uma profissão não almejada: “ah eu não quero ser essa pessoa”.

Esse dizer pode indicar que a professora participante se cola tanto a uma imagem de sofrimento do pai como aos discursos de sua mãe, conforme afirma “eu via meu pai carregando livros pra casa e caderno e reclamando de aluno que fazia num sei quê [...] a minha mãe tinha um discurso muito desse dentro de casa e esses discursos a gente leva muito pra nossa vida”. Aparentemente, “esses discursos” assinalam que o exercício da função docente não era um caminho indicado pela mãe da professora participante. Novamente, podemos observar a mediação do outro que constitui a professora participante e que, nesse momento, conduz-lhe a se posicionar de forma contrária a assumir um lugar de professora: “aí ficava assim nossa! Tá vendo? Num quero, não quero”.

Nessa negativa da professora participante que reforça a ideia de acaso em sua escolha pela profissão docente parece haver indícios de sua identificação a traços dos dizeres de sua mãe. No entanto, esses dizeres de sua mãe, aparentemente contrários ao exercício da docência, parecem se apresentar com caráter mais brando no instante em

que o curso de Letras se coloca como uma possibilidade para essa professora participante que se recorda das seguintes palavras de sua mãe: “a minha mãe falava assim ela falava não // cê vai fazer (se referindo ao Curso de Letras), mas não fica sendo uma professorazinha qualquer não”. Nessa afirmação, o uso da palavra “professora”, no diminutivo, expressa que o ser professor se apresenta como algo de pouco valor. O dizer da professora participante ao rememorar o dizer de sua mãe pode ter correlação com o dizer proferido por uma pessoa do curso de Letras que mencionamos acima: “aí ela falando que eu não vou ser só uma professora eu posso ser A professora”.

A opção por um curso que forma professores pode até ser aceitável, como parece ser para a mãe da professora participante, desde que o interessado nesse curso persiga um modelo que pressupõe ser um profissional que se apresenta com caráter absoluto, conforme assertiva: “cê vai fazer, mas não fica sendo uma professorazinha qualquer não”. Esse modelo de ser professor, apresentado após o uso da conjunção adversativa “mas”, remete a um imaginário de certezas constantes na docência que, supostamente, deve ser exercida com um controle total das situações que envolvem esse âmbito. O estar fora dessa ordem pode representar o ser “uma professorazinha qualquer”, algo de menor importância.

Assim, o significante, advindo do outro, que parece marcar a entrada da professora participante na posição discursivo-enunciativa de professora é “posso ser A professora”. A decisão de fazer o Curso de Letras indicia um investimento da professora participante nessa posição que é seguido de outros investimentos como participação em reuniões e em projetos, início da docência em uma escola de idiomas, conforme afirma: “Então assim e aí eu descobri que curso cada um faz o seu né? Então tinha o aluno que ia pra aula da faculdade e ia embora, tinha o aluno que se envolvia, outros não e aí eu comecei a gostar daquilo, aí eu participava das reuniões eu participava dos projetos que tinham, eu entrei em uma escola de idiomas, aí eu comecei a dar aula e aí nossa! É isso mesmo que eu gosto e aí língua estrangeira espanhol foi assim.” A postura de implicação no curso de Letras parece favorecer um deslocamento da professora