2 “OLHA O PASSARINHO!”: PHOTOGRAPHOS EM ATUAÇÃO NOS SERTÕES BAIANOS
2.2 PHOTOGRAPHOS SERTANEJOS
2.2.2 Eurycles Barretto
Eurycles Alves Barretto produziu significativa obra fotográfica difundida por várias cidades da Bahia. Encontrei imagens de sua autoria em acervos privados em Morro do Chapéu, Mundo Novo, Miguel Calmon, Jacobina, Senhor do Bonfim, Campo
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Formoso e Jaguarari. Maria Guimarães Sampaio (2006) informa sobre a presença de suas fotografias também no acervo da Fundação Instituto Feminino da Bahia, em Salvador (p. 77). Tal como no caso de Ceciliano de Carvalho, Eurycles Barretto ficou bastante conhecido naquelas cidades do interior como um intelectual e poeta, publicando seus escritos em jornais e livros impressos.
Nascido na Vila de Mundo Novo, em 19 de outubro de 1896, viveu maior parte da sua vida entre algumas cidades dos sertões baianos. Era filho único de José Alves Barreto e Maria do Carmo Barreto. Seu pai era um jovem intelectual e poeta, e também o principal responsável pela agitação cultural de Mundo Novo, tendo sido o fundador da “Sociedade Litterária Sete de Setembro”. José falecera antes que seu filho completasse um ano de idade. Maria do Carmo veio então a casar-se com José Liberato de Miranda, passando a viver na Fazenda Ferrugem, no mesmo município. O casal teve um filho chamado Liberato J. Miranda Barretto, em 1907, que mais tarde se tornaria um eminente e prestigiado poeta em Jacobina.
No auge da juventude, provavelmente em 1916, Eurycles foi morar no Morro do Chapéu. Viveu ali sua fase mais produtiva tanto na fotografia quanto na poesia. Antes de partir para outras paragens, reconhece aquela cidade com sua, provavelmente por ter vivido ali seus melhores momentos de vida 30. Nela, trabalhou inicialmente na firma comercial Grassi & Cia, propriedade de Ângelo Arlego, um dos imigrantes italianos que se instalaram na microrregião, depois como escrivão público. Quando Eurycles chegou ao Morro do Chapéu, o coronel Francisco Dias Coelho era o intendente. Sua ligação com aquele chefe político rendeu por parte dele algumas homenagens em forma de poesia 31. Naquela cidade também fez parte de um círculo de jovens intelectuais e poetas, juntamente com Jubilino Cunegundes, Cícero Lemos e Honório Pereira. Ali iniciou suas atividades como fotógrafo e também publicou seus poemas em livros, revistas e nas páginas do jornal Correio do
Sertão.
Em 7 de outubro de 1919, Eurycles casou-se com Bazilissa Guimarães, de uma tradicional família de políticos da cidade. Com ela compartilhou toda a sua vida e
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Faz referência a isso em sua carta de despedida da cidade publicada no Correio do Sertão, Ano XX, n. 988, 24 de janeiro de 1937, p. 1.
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Como exemplos, menciono os poemas “3 de Dezembro” em homenagem ao dia de nascimento de Francisco Dias Coelho, publicado no Correio do Sertão, Ano II, n. 73, 8 de dezembro de 1918, p. 3, e “Foge”, em memória à morte do líder, ocorrida em 19 de fevereiro de 1919, publicado no Correio do
constituiu uma larga prole de dezessete filhos, dos quais sobreviveram dez: José, Eurídice, Janice, Eulálio, Lucila, Eurycles, Berenice, Dalmar, Ivan e Janice. Amante da fotografia e da poesia, Eurycles tanto produziu retratos como versos para sua família em diversas ocasiões.
A fotografia não foi para Eurycles Barretto a principal profissão no Morro do Chapéu, senão uma atividade paralela aos cargos que exerceu ao longo de vários anos como Escrivão de Paz, Escrivão Civil, Escrivão do Júri e Escrivão da Coletoria Federal32. Boris Kossoy (2007) diz que a diversificação de atividades é um dado interessante para se avaliar os recursos de que os fotógrafos lançavam mão para garantir a sobrevivência (p. 75). O pequeno mercado fotográfico em uma cidade do interior baiano na época, como Morro do Chapéu, dificilmente permitiria a um fotógrafo viver exclusivamente do ramo. Embora bastante reconhecido na região como fotógrafo e poeta, foi o ofício como funcionário público seu principal suporte financeiro, que o levou a mudar, em 1937, para o município de Campo Formoso, permanecendo ali até sua aposentadoria, em 1957.
Eurycles não divulgava seus serviços de fotografia em jornais, prática comum entre os profissionais do ramo. Ainda assim, era requisitado para várias localidades circunvizinhas, tendo sido provavelmente o primeiro fotógrafo residente na região do Morro do Chapéu. Localizei fotografias produzidas em povoados como Fedegosos, Wagner, Riachão de Utinga e América Dourada. Eurycles costumava assinar seus retratos em modo vasado compondo dentro da imagem. Algumas funcionavam como iconotextos visto que inseria legendas informativas sobre o local ou o evento abordado33. Em uma fotografia identificada como Arraial de América Dourada há uma assinatura de uma parceria “Barreto e Carvalho” (Figura 10). Seria esse Carvalho, uma referência à Ceciliano de Carvalho ou Carvalho de Alencar? Infelizmente não foi possível descobrir.
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Em nota sobre seu aniversário do Correio do Sertão, Ano IV, n. 172, 24 de outubro de 1920, p. 2, o jornal faz referência a ele como “Tenente Eurycles Alves Barretto Escrivão do Grande Jury deste Termo”. Outra nota no mesmo jornal, Ano VII, n. 352, 6 de abril de 1924, p. 2, noticia sua nomeação ao cargo “Escrivão da Collectoria Federal do Morro do Chapéo, na Bahia”.
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O historiador de arte Peter Wagner chama de “iconotexto” as imagens que contem inscrições, legendas ou subtítulos, conforme apontado por BURKE, Peter (2004, p. 49 e 179).
Figura 09 - Autor desconhecido. Bazilissa e Eurycles Barretto, c. 1910. Cópia digital. Acervo digitalizado Pedro Bento, Morro do Chapéu.
Este retrato, provavelmente feito na época do casamento, é o mais antigo registro do jovem casal.
A edição de 15 de julho de 1930 do Correio do Sertão dá conta de amostras de trabalhos do “Atelier Eurycles Barretto” presente na Primeira Exposição Municipal. Entretanto, seus filhos Dalmar e Ivan informaram desconhecer um ateliê montado por seu pai. Por outro lado, deve-se observar que eram bem crianças quando ele trabalhava naquela cidade34. Não há tampouco informações em outras edições do jornal ou lembranças dos moradores mais idosos do Morro do Chapéu quanto à existência ou localização de um ateliê fotográfico montado por Eurycles naquela cidade. Acredito que o fotógrafo aproveitasse sua própria residência como laboratório e estúdio para a realização dos retratos nas horas vagas de seu trabalho, razão pela qual não divulgava seu expediente no jornal.
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Depoimentos de Dalmar e Ivan Barreto gravado na residência do segundo, em Campo Formoso, em 18 de outubro de 2012.
Figura 10 - Barretto e Carvalho. Arraial de América Dourada, Morro do Chapéo, c. 1910. Cópia digital. Acervo digitalizado Pedro Bento, Morro do Chapéu.
Embora não anunciasse seus serviços fotográficos na imprensa local, Eurycles o fazia quanto à publicação dos seus livros ou poemas. Colaborador assíduo em jornais de vários municípios baianos, chegou a ter poemas publicados também em revistas fora da Bahia, a exemplo de O Malho35. Seu primeiro livro, Flores Incultas, foi divulgado no Correio do Sertão, em 192736, ao preço de 3$500 o exemplar37. Naquele jornal, passou a publicar seus poemas e artigos praticamente desde o início, em 1918, colaborando com o mesmo até quando deixou de residir no Morro
35 Há uma referência a isto em uma de suas crônicas da série “Sombras do meu caminho” de caráter
biográfico, publicado no Correio do Sertão, Ano XVII, n. 827, de 24 de dezembro de 1933, p. 2.
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Além da divulgação desse livro no Correio do Sertão, Ano X, n. 491, de 15 de julho de 1927, p. 2, há no mesmo jornal notícias de outros: “Apologia dos Mezes”, na edição n 806, em 30 de julho de 1933, p. 4; “A verdade na História”, na edição n. 808, em 13 de agosto de 1933, p. 4 e “Sertanejas”, na edição n. 910, de 28 de julho de 1935, p. 2, bem como no jornal O Lidador, Ano II, n. 94, de 30 de junho de 1935, p. 4, em cuja oficina gráfica foi impresso a edição do livro.
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Para fins de comparação de preços na época, uma assinatura semestral do jornal Correio do Sertão custava 6$000 e por sua vez o sertanejo da região adquiria um quilo de carne seca nas feiras locais da região a 1$800 ou cinco litros de feijão por 2$600.
do Chapéu. Profundo defensor da imprensa, reputou algumas vezes sua importância no desenvolvimento daquela região e do país38.
Eurycles Barretto produziu imagens fotográficas em modelos cartão de visita, de gabinete e postal, ainda em voga na cultura fotográfica vigente no Brasil. Considerando a quantidade de materiais consultados, verifica-se que havia se especializado no estilo de retratos. Não há aí a mesma qualidade técnica ou apuramento estético observável na obra de Ceciliano de Carvalho, inspirada nos modelos das capitais, mas por sua vez uma inclinação para aproveitar os cenários locais na composição de seus retratos, em que os elementos decorativos dos sertões se deixam notar, a exemplo da mobília, paredes de taipa ou pedra, telhados das casas ou também a própria paisagem natural. Esse aspecto será abordado na quinta parte deste trabalho.
Eurycles era um profundo admirador do sertão. Seja em sua obra poética, seja na fotográfica, nota-se uma atitude de elogio ao seu povo, aos costumes e à paisagem sertaneja. Em Sertanejas, seu terceiro livro, caracteriza que “O sertão é a terra da poesia / O porta-voz de muitas cousas bôas... / As suas aves – têm mais melodia, / E mais amor – as suas tabarôas!” (BARRETO, 1935, p. 40). A musicalidade romântica remete ao nativismo de Gonçalves Dias. Tal como ele, há no poeta mundonovense um sentimento de pertencimento e de exaltação do seu país, nesse caso ao sertão especificamente. É nesse elogio ao lugar e as coisas simples de sua gente, diz Menezes (2011), que Eurycles busca os elementos para afirmar o que hoje se chamaria de identidade cultural.
38 “A Bôa Imprensa”. Mundo Novo, Ano XIII, n. 252, 06 de fevereiro de 1933, p. 1 e “Ave, Imprensa”.
Figura 11 - Eurycles Barretto. Cannavial ambulante. Ecos de um pic-nic em “Fedegosos”
’no dia 29 de junho de 1934. Morro do Chapéo. Foto sobre cartão.
Acervo digitalizado Pedro Bento, Morro do Chapéu.
Esse reconhecimento cultural dos sertões faz parte também das fotografias de Eurycles Barretto. Em um retrato usado como lembrança de um “pic-nic” realizado durante os festejos juninos no povoado de Fedegosos, no Morro do Chapéu, é possível perceber isso a que estou me referindo (Figura 11). É válido destacar que além das “chapas photographicas” batidas por ele naquela ocasião, o jornal Correio
do Sertão faz referência à autoria de sua letra para o “Rancho das Borboletas”, em
parceira com o músico João Ribeiro39. O brilhantismo do evento cultural, que contou com diversas pessoas da localidade, além da ilustre presença do fotógrafo e homem público, mereceu um registro primoroso e inconteste como “ecos de um pic-nic em Fedegosos”, festa vista na época como sinal de distinção de seu povo. O aspecto peculiar do retrato oficial encontra-se em sua composição em planos formada por
39 “Ainda as Festas de São João e São Pedro”. Correio do Sertão, Ano XVII, n. 855, 08 de julho de 1934,
um numeroso grupo de homens, mulheres e crianças formalmente trajados para a ocasião que posam para a fotografia numa encenação de um canavial ambulante. Há que se considerar também que a efusiva multidão foi retratada diante de um cenário de fundo tipicamente sertanejo: uma residência de fazenda.
Figura 12- Eurycles Barretto. O fotógrafo e sua família em residência em Campo Formoso, 1937. Cópia digital. Acervo particular Dalmar Barretto, Campo Formoso.
Em 19 de fevereiro de 1937, após ser promovido à função de Coletor Federal, Eurycles e sua família se ausentaram do Morro do Chapéu, deixando aí marcas da saudade nos amigos e admiradores. O fato de ter dedicado ao assunto praticamente toda a primeira página de uma edição do Correio do Sertão talvez funcione como um termômetro para mensurar o prestígio que possuía naquela comunidade. É preciso considerar que o Correio vinha a público semanalmente, com quatro páginas. Averiguando as edições do ano anterior, notei que somente grandes acontecimentos, a exemplo da sessão extraordinária da câmara elegendo o novo prefeito do município, ou fatos importantes do calendário festivo, como o carnaval, a semana da pátria ou o dia da República mereceram tanto espaço na primeira página.
A principal matéria de capa tem por título “Eurycles Barretto: Um grande amigo e elemento de valor que se ausenta do Morro do Chapéu”. Há aí uma torrente de palavras elogiosas para quem o considerava “distincto cidadão e optimo amigo” bem como “elemento de elevada cultura” ou “honesto funccionário”. Com pesar pela cidade, informa-se da sua partida, juntamente com a “D. Bazilissa Guimarães Barretto e dos idolatrados filhinhos José, Eulálio, Sinval, Berenice, Eurydice, Lucilla, Eurycles, Dalmar e Ivan”. Considera também que com “critério e honradez” exerceu em Morro do Chapéu cargos públicos e a função de fotógrafo sempre com “esmero e perfeição”. No centro da capa, a transcrição de uma carta de despedida de Eurycles aos amigos do município, onde informa sobre sua partida e demonstra seu amor pela cidade do Morro do Chapéu, lugar onde afirma ter vivido “os melhores dias” de sua vida. No canto direito, logo abaixo, uma pequena nota política informa sobre a eleição para sucessor de Getúlio Vargas na presidência, que aconteceria no ano posterior. A eleição não chegaria a ocorrer, com a instauração do Estado Novo através de um golpe deflagrado em outubro daquele mesmo ano.
A partir de 1937, o local de moradia da família de Eurycles passou a ser Campo Formoso, à época uma próspera vila, sede do município, na microrregião sob a liderança comercial de Senhor do Bonfim. Ali, continuou exercendo o ofício da fotografia em paralelo aos serviços na Coletoria Federal. Muito provavelmente fez parte de algum círculo da intelectualidade daquele município, não confirmado por esta pesquisa. Um breve relato biográfico escrito em 1990 por um de seus netos, João Jacques Barreto Cavalcanti, menciona que foi membro da Loja Maçônica “União e Fraternidade Bonfinense”, tendo sido dela um orador. Ainda que seus filhos não se lembrem de muitos retratos feitos por ele naquela cidade, encontrei alguns trabalhos com a inscrição vazada de sua assinatura entre acervos privados da microrregião. Um retrato mostra Eurycles e a família em frente à sua nova residência em Campo Formoso, no ano de sua chegada, cuja imagem leva a sua assinatura (Figura 12). Segundo informação de seu filho Dalmar, foi o irmão José quem assumiu o ofício da fotografia em Campo Formoso. Poder-se-ia perguntar se teria sido exatamente Eurycles o autor das imagens encontradas em Campo Formoso e localidades vizinhas ou seu filho José, mantendo a mesma assinatura de Barretto. Creio que o fato de observar Eurycles Barretto trabalhando nos serviços fotográficos tivesse levado seu primogênito a seguir aquela profissão. De certo modo, vê-lo
manipulando componentes químicos e fixando as imagens em seu laboratório fotográfico ou retocando os retratos poderia ter exercido alguma espécie de fascínio no jovem José. O certo é que mais tarde passou a assumir também os serviços fotográficos do pai e exerceu o ofício por muitos anos nos municípios de Campo Formoso e Morro do Chapéu. Embora seu irmão mais novo, Ivan, não guarde recordações de ter presenciado o pai trabalhando no laboratório, as cenas de observar o irmão mais velho atuando com seu equipamento ou retocando os retratos ainda estão presentes nas lembranças ligadas à sua infância:
Era grande, tipo um caixote assim [gesticulando] e pegava um pano, tinha um chassi e ele botava no escuro e ele ia lá botava a chapa dentro, chama chassi, botava dentro, fechava e encaixava na máquina. Ela era grandona! Ele ia no pano, olhava tudo direitinho, e via de cabeça para baixo. Fechava o negócio da máquina e colocava o chassi e tirava uma tampinha que fazia chiiii e chegava lá dava a exposição e já gravava, aí ele ia revelar.
Ele fazia tudo! Botava gravata na pessoa, tudo só no pincel numa espécie de vidro assim ele espremia um tubozinho depois vinha com o pincel e levantava todinha a fotografia. Coloria a fotografia só no pincel. Fazia isso no papel. Ele fazia a fotografia um pouco apagada como se fosse um... não lembro o nome que dava ... aí ele levantava a fotografia todinha! No pincel. Você olhava e tava lá a fotografia toda colorida, botava até gravata. Também passava até um mês para fazer um retrato daquele. Sentava ali, olhava, passava a mão no queixo e eu menino olhando ele fazer aquilo tudo. De vez em quando dava um coque quando a gente mexia nas coisas dele [risos] 40 .
Ivan não soube informar sobre o modelo da câmera. Para tanto, recorreu às suas antigas lembranças como forma de descrever aquele equipamento: um “caixote” grande, chegando a enfatizar bem: “Ela era grandona!”. Nas imagens da memória de criança, aparecem também a “chapa”, o “chassi” e o “pano”. Em seu relato, procura imitar o barulho que a câmera fazia durante a exposição. Depois passava para o processo de revelação. Não mencionou como o irmão trabalhava no laboratório, talvez porque o que mais lhe chamasse a atenção fosse a técnica do retoque ou o próprio fato de não haver conhecido aquele ambiente misterioso. Para ele, o retoque era fascinante tal qual uma mágica.
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Depoimento de Ivan Barreto gravado na sua residência em Campo Formoso, em 18 de outubro de 2012.
Mais tarde, provavelmente sob a inspiração do pai e do irmão, Ivan Barreto também veio a exercer o ofício de fotógrafo. Aos dezoito anos, começou a trabalhar em um estúdio fotográfico na cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, tendo ali a oportunidade de realizar suas primeiras experiências dentro do laboratório. Conta que, daí em diante, permaneceu atuando na profissão até sua aposentadoria.
Depois da aposentadoria, Eurycles mudou-se com parte da família para o Rio de Janeiro. Ainda capital federal, o Rio era uma cidade moderna e promissora para os milhares de migrantes sertanejos. Ivan lembra que alguns de seus irmãos já tinham ido, seguidos depois por outros que haviam ficado em Campo Formoso. Passado um tempo, Eurycles e Bazilissa foram residir em Brasília, a nova capital federal, onde já morava um dos filhos. Ivan comenta que lá a família comemorou as bodas de ouro dos pais, em dezembro de 1969. Dalmar relembra que ali também foi lançado Fim de Safra, último livro publicado do pai. Em 21 de julho de 1974, Eurycles Barretto faleceu no Hospital Conde Francisco Matarazzo, na cidade de São Paulo.