• Nenhum resultado encontrado

3 CONCURSOS DE DANÇA K-POP

4.2 EVENTO JINROU

Minha primeira experiência como jurada de um concurso de dance cover aconteceu em Cascavel, Paraná. Este convite veio a partir de um amigo que conheci por redes sociais e que estava envolvido na organização do maior evento de cultura geek da cidade. Assim, em 2018 fui jurada pela primeira vez do concurso de K-Pop do evento “Jinrou: O Encontro das Feras”.

4.2.1 Preparação

Assim como os competidores, os jurados também precisam se preparar para um concurso. Semanas antes da competição, a produção do evento nos encaminhou a lista de músicas que seriam apresentadas e os links para assistirmos aos dance practices dos grupos de K-Pop. O objetivo é que os jurados fiquem familiarizados com as coreografias e possam avaliar melhor as apresentações, comparando-as com a performance do artista original. Além disso, no concurso do Jinrou, existe o critério “dificuldade da coreografia original” a ser avaliado. Não precisamos assistir a apresentação do dance cover para designar uma nota nesse quesito, uma vez que ele se refere apenas ao nível de dificuldade da dança

escolhida pelo competidor. Contudo, devemos conhecer todas as coreografias inscritas para avalia-las da melhor maneira.

Deste modo, prezei por assistir diversas vezes aos dance practices das coreografias que seriam dançadas, prestando atenção ao máximo de detalhes possíveis. Também busquei apresentações das músicas para me familiarizar com os conceitos e interpretações. Por fim, aprendi a dança de pelos menos os refrões das canções que seriam apresentadas.

O evento ainda solicitou que os jurados preparassem uma música para apresentar antes do início da competição. Confesso que estava tão preocupada com conhecer as músicas do concurso que não tive muito tempo para preparar o que eu dançaria. Em vista disso, optei por apresentar a música “IDOL” do BTS, uma vez que tinha acabado de ser lançada e recém tinha ensinado-a aos meus alunos. Como o evento destacou que essa apresentação era apenas uma formalidade, não me preocupei excessivamente com figurino e estava tranquila para dançá-la.

4.2.2 Evento

A primeira vez que fiz uma viagem de trabalho por causa do K-Pop foi para participar do evento Jinrou em 2018. Estava tão contente que nem mesmo catorze horas de ônibus até Cascavel foram capazes de diminuir a minha animação.

Saí de Porto Alegre no fim de tarde de uma quinta-feira e cheguei à cidade na manhã seguinte. O evento aconteceria apenas no final de semana, então eu teria o resto do dia para conhecer Cascavel e visitar a escola onde ocorreria o Jinrou. Ao chegar, me dirigi ao hotel em que ficaria hospedada e mais tarde, a produção do evento me levou para almoçar e conhecer o local da competição, junto de mais duas juradas. No caminho, um dos organizadores nos apontou um prédio público com as paredes espelhadas e explicou que muitos grupos da cidade ensaiavam ali, uma vez que o espaço era amplo e as paredes refletiam a imagem de quem estava a sua frente.

Frequento eventos de cultura geek há anos, mas nunca tinha visto algo tão grande quanto o Jinrou. A escola, Colégio Marista de Cascavel, era enorme e as atrações estavam espalhadas por todo seu espaço: a entrada estava cheia de lojas, o ginásio se tornou uma pequena Hogwarts12, e três andares de salas de aulas se

12 Hogwarts é a escola de magia da série de livros Harry Potter.

transformavam em três andares de salas temáticas. Havia muitas pessoas trabalhando no local para que tudo estivesse pronto para o dia seguinte, inclusive dentro das salas de K-Pop. A produção nos levou para conhecer os staffs e logo já começamos a ajudar na preparação de cartazes e jogos.

4.2.3 Competição

No dia seguinte, começava o meu trabalho. Acordei cedo e comecei a me preparar para o evento. Confesso que não ter precisado passar pelo estresse de escolher e encomendar um figurino foi sem dúvida uma das minhas partes favoritas de ser jurada. Sendo assim, me vesti como geralmente me arrumo para eventos de K-Pop, usando uma saia pregada preta e uma camisa cropped colorida.

Cheguei cedo no Jinrou e, como a competição começava ao final da tarde, passei a maior parte do dia aproveitando as salas temáticas de K-Pop. Muitas pessoas as frequentavam e podíamos ver que os competidores também estavam por lá, dançando apenas para se divertir. Foi uma tarde agradável onde pude conhecer e conversar com várias pessoas da cena K-Pop da cidade.

Conforme o tempo ia passando, a competição se aproximava e a tensão começava a aparecer. Aos poucos, as pessoas começavam a se dirigir para o auditório onde ocorreriam as apresentações. Uma vez que estávamos lá, também pude encontrar os outros dois jurados que ainda não tinham sido apresentados pra mim.

Acredito que modo como foi composto o júri me agradaria como competidora de concurso. Nós éramos cinco jurados no total, onde três faziam parte do meio do K-Pop e dois eram profissionais de Hip Hop. Desse modo, os critérios que julgávamos também eram organizados de forma distinta: os jurados ligados ao K-Pop se dedicavam a julgar questões como interpretação do cover, enquanto os jurados de Hip Hop prestavam atenção a questões técnicas de movimentação.

Figura 10 – Jurados

Fonte: Facebook, 2018.

De acordo com a programação, antes do início do concurso, os jurados fariam suas apresentações de dança. Assim, nós cinco fomos para as coxias nos aquecer.

Eu estava nervosa para dançar, mas não se comparava ao nível de ansiedade que senti ao competir no K-Buzz quatro anos antes. Pude me divertir na apresentação, feliz de ter a plateia cantando junto a música. Assisti as demais performances e uma vez que todos dançaram, nos posicionamos em frente do palco.

No primeiro dia, julgaríamos apenas as apresentações de solos e duplas.

Recebemos as fichas de avaliação, onde deveríamos designar uma nota de 0 a 10 para cada critério elencado, bem como uma foto de referência dos figurinos originais para compararmos com os dos participantes. Todos competidores já se encontravam prontos e ficariam no auditório assistindo as performances até sua hora de subir ao palco. O tempo que os jurados tinham para avaliar consistia do tempo da apresentação do participante, porém eram concedidos mais alguns minutos se precisássemos. Além dos critérios de avaliação, havia um espaço nas fichas para que pudéssemos comentar as performances. Sendo assim, escrevi um comentário sobre cada competidor, uma vez que há pessoas com vergonha de pedir críticas pessoalmente.

Figura 11 – Critérios de julgamento

Fonte: Facebook, 2018.

Assistindo às apresentações, era nítido o quanto aquelas pessoas se esforçaram para estar ali. Os competidores possuíam ótima presença de palco, bons figurinos e excelente interpretação das músicas. Era emocionante ver que o tempo e dedicação investidos por eles proporcionaram apresentações tão lindas. Sendo assim, por mais exaustivo que fosse avaliar repetidamente cada critério, senti que a competição passou muito rápido. Uma vez que a última categoria acabou, a produção recolheu nossas fichas de avaliação e nós pudemos conversar com os competidores que queriam ouvir nossas opiniões.

Como os resultados só seriam divulgados no dia seguinte ao final da competição, até mesmo os próprios jurados não sabiam quem seriam os vencedores.

Ao final do dia, quando saímos para conhecer a cidade e jantar junto com a produção, ainda conversávamos sobre os possíveis resultados da competição e parecia que não havíamos chegado a um consenso sobre o pódio.

O dia seguinte contava com o momento mais esperado do evento: a competição de grupos. Mais uma vez, chegamos ao início da tarde ao Jinrou para podermos aproveitar o dia. Passeei pelo evento inteiro, entrei em cada sala, mas no final sempre estava de volta para a parte do K-Pop. Agora que já reconhecia alguns rostos da competição do dia anterior, foi mais fácil de puxar conversas e dançar junto na sala. Participei até mesmo de jogos como dançar coreografias sem usar os braços e adivinhar de qual videoclipe uma imagem fora retirada.

Conforme a hora do concurso se aproximava, nos dirigimos mais uma vez para o auditório. Os grupos que iam competir já se reuniam e davam seus toques finais em maquiagem e figurino. Pude perceber que, assim como em Porto Alegre,

muitas pessoas que participaram das categorias de solo e duplas também competiam em grupos.

As apresentações foram simplesmente espetaculares e era impossível não se emocionar com as performances. Julgar se tornou ainda mais complicado, não apenas por existirem muitos grupos bons, mas porque era difícil tirar os olhos do palco durante as performances. Acredito que os demais jurados sentiram o mesmo que eu, uma vez que estávamos sempre requisitando alguns minutos extras após a apresentação para completar a ficha de avaliação.

Uma vez que a competição terminou e a produção começava a calcular os resultados, pudemos conversar mais uma vez com os participantes e comentar suas performances. Diferente do que acontecia no K-Buzz, o momento de antecipação pelas notas duraria mais que vinte minutos, porém os competidores eram convidados a participar de um workshop de dança nesse tempo. Achei a ideia simplesmente incrível. A escola onde o Jinrou era sediado contava com uma sala de dança e lá os jurados do Hip Hop dariam suas aulas. Além dos competidores, dançarinos de Cascavel também apareceram para aproveitar o workshop. Eu não podia deixar de fazer parte deste momento, fazendo as aulas e me divertindo dançando junto das pessoas que lotavam a sala. No fim, sinto que pude aprender muito e esse workshop acabou por ser uma das minhas partes favoritas da viagem.

Uma vez que as aulas terminaram, a produção do evento chamou os jurados para informar quem eram os vencedores de cada categoria. Algo interessante que descobri é que os resultados da competição chocam até mesmo o próprio júri.

Conseguíamos imaginar quem estaria em cada pódio, mas a ordem correta nenhum de nós acertou. De qualquer maneira, as colocações faziam bastante sentido para mim.

Infelizmente, não pude ficar para o momento de anúncio dos vencedores, uma vez que o workshop tomou mais tempo que o esperado e eu precisava pegar o ônibus de volta para minha cidade. Por sorte, fui para o evento já com minhas malas então pude aproveitar mais alguns momentos no Jinrou. Agradeci mais uma vez a produção pelo convite e me despedi de Cascavel com o coração preenchido. Voltei a Porto Alegre muito cansada, porém muito feliz de ter vivido uma experiência como essa.

Documentos relacionados