39. EVENTOS SUBSEQUENTES
No dia 12 de janeiro de 2021, a Ferbasa firmou Memorando de Entendimentos (“Memorando”) com a AES Tiete Energia S/A e no dia 25 de fevereiro de 2021 foi realizada a assinatura do Contrato de Compra e Venda de Energia Elétrica (“PPA”) para aquisição de um volume de 80MW médios de energia, pelo prazo de 20 (vinte) anos e com início de fornecimento a partir de 2024.
A Companhia informa, ainda, que a aquisição do citado volume não representa aumento de
capacidade produtiva, refletindo sua estratégia de garantia do suprimento de energia no longo prazo e busca constante pela competitividade de seus produtos.
Contador:
Arnaldo Pereira Anastácio Gerente de Contabilidade CRC-RJ 61263/O - 0-T-BA
A Ferbasa tem a satisfação de apresentar o Relatório da Administração referente ao exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2020, um ano que confrontou o mundo com a pandemia do Coronavírus e sua assombrosa carência por soluções instantâneas, mesmo sem precedentes conhecidos. A situação devastadora e jamais experimentada tomou dimensões surpreendentes, debruçando a humanidade sobre a busca de explicações e, finalmente, de saídas que, por ora, ainda se encaminham. Mas, não obstante as condições adversas, a Companhia contabilizou alguns feitos nesse período, como a manutenção da regularidade das operações, o crescimento de 27% na produção de ferroligas, o incremento na produção de FeSi HP (alta pureza), em substituição do Fesi 75 standard, a conservação dos postos de trabalho, o incremento de 17,5% na produção de minério de cromo em relação a 2019, a publicação do 1º Relatório de Sustentabilidade (ESG – Environmental, Social and Governance), em conformidade com diretrizes Standards (nível Essencial) da Global Reporting Initiative – GRI, e a obtenção de resultados positivos em termos de lucratividade.
Apesar dos discretos sinais de recuperação, a chave para 2021 foi virada carregando como espectros dessa crise uma grande parcela de incertezas, das mais diversas naturezas. E é em meio a esse cenário que a FERBASA começa o ano de seu sexagésimo aniversário, seis décadas nas quais o trabalho, a união e a consciência social têm se configurado como as forças mais determinantes, tanto para o nascimento como para a evolução da Companhia. Ao dividirmos esse tempo em gerações, de fato, temos um espaço aproximado de 25 anos para cada uma delas, considerando-se nessa contagem a intersecção de alguns anos, entre uma e outra geração.
À primeira, de 1961 a 1986, coube a descoberta, a concepção e o entalhe do projeto iniciado com a implantação da primeira unidade de mineração, no município de Campo Formoso (BA); logo em seguida, em 1963, foi inaugurada a unidade de produção de ferroligas, em Pojuca (BA). Tão promissora como a primeira, a segunda década desse ciclo celebrou a implantação da mina Jacurici, localizada em Andorinha (BA), a mais importante mineração da Companhia até os dias atuais, e destacada por sua reconhecida superioridade tecnológica e de segurança. No ano de 1980, a FERBASA já contava com 8 fornos destinados, basicamente, à produção de ferrocromo. Aí se completava a unidade conhecida como FÁBRICA I. Coube a José Carvalho, nosso fundador, o comando dessa fase de idealizações e suas vertentes arriscadas, bem como a formação da valorosa equipe que, juntamente com ele, assumiu uma carga de trabalho colossal, capaz de transformar parcos recursos em inventos importantíssimos, ainda hoje, à subsistência da Companhia. Se assim podemos dizer, certamente, esses foram os anos dourados da FERBASA, dos quais se derivou a parte mais forte de sua cultura que, se preciso ser definida por uma única palavra, sem dúvida, a tradução mais perfeita seria SIMPLICIDADE, a primeiríssima grandeza do nosso Fundador. Pela guia de sua SIMPLICIDADE foi possível reunir grandes homens em torno do ideal da construção da FERBASA, cujo êxito dependeu da engenhosidade criativa, da postura autodidata, esforçada e unida de uma equipe integrada por profissionais de todos os níveis. Hoje, esse patrimônio resguarda referências de grandes forneiros, diretores, operadores, mecânicos, eletricistas e tantos outros trabalhadores magistrais que orgulhosamente encararam a parte mais árdua dessa jornada sexagenária e, com mérito e louvor, transformaram em auspiciosa a missão. Dois grandes eventos ilustram a terceira década da FERBASA: logo no início, a Companhia enfrentou, diríamos, a sua pior e mais temida crise, que praticamente reduziu a zero a sua produção. Esse momento desalentador foi vencido graças ao tino de José Carvalho, juntamente com
montagem, a FERBASA inaugurou mais 3 fornos, dando surgimento à FÁBRICA II, destinada à fabricação de ferrossilício. Essa foi também a época de início da transição entre a primeira e a segunda geração, que mais tarde arcou com a missão de ampliar o projeto, levando-o ao patamar dos 14 fornos atuais, o último inaugurado em 2014.
Com essa segunda geração, abrangente ao período de 1986 a 2011, a Companhia também enfrentou inúmeras dificuldades e crises memoráveis. Todavia, ainda capitaneada por José Carvalho, soube superar os desafios, não somente aqueles inerentes ao ramo das commodities, mas, também, os relacionados aos problemas econômicos ou a conjunturas diversas. Outro marco da segunda fase foi a criação da SILBASA, em 1994, uma joint venture firmada em parceria com as empresas japonesas Marubeni Corporation e Japan Metals & Chemicals, destinada à produção do ferrossilício HP. À segunda geração coube também a liderança de boa parte das ações voltadas à modernização das operações, à introdução de novas ferramentas e metodologias capazes de garantir o alinhamento com as questões mais contemporâneas, especialmente em termos ambientais. Nessa área, consciente de seu papel, na década de 90 a Companhia intensificou as iniciativas voltadas à redução drástica dos impactos provocados pelo desenvolvimento de suas atividades, mediante a criação de um setor específico para comandar, em caráter prioritário, uma série de importantes medidas, como a implantação de filtros de manga nos seus fornos metalúrgicos, componentes que consumiram elevadas somas de investimentos. Nas minerações, as ações de recuperação das áreas exploradas tornaram-se referências, dada a seriedade e os proeminentes resultados vistos. De forma idêntica, a partir do final dos anos 90 foram implementadas inúmeras inovações nos processos florestais em geral, os quais contam hoje com 100% dos fornos mecanizados para a produção de biorredutor. Tais mudanças não somente otimizaram o custo, como modernizaram inteiramente o cenário laboral. Com o advento das certificações, em 1995 a FERBASA conquistou o primeiro selo ISO 9000, ratificando o seu já notório empenho pela qualidade dos produtos, condição que sempre lhe rendeu confiabilidade perante os mercados interno e externo. A partir daí, o amadurecimento progressivo dos procedimentos subsidiou a conquista de várias outros certificados, abrangentes a todas as unidades da Companhia.
Mais ou menos no ano de 2012, iniciou-se o processo da passagem de bastão entre a segunda e a terceira geração. Nessa época, por questões de saúde, José Carvalho deixou prematuramente o leme da Companhia, falecendo no ano de 2015. Já sem poder contar com as orientações diretas do Fundador, contudo, sem abrir mão de seus frutíferos ensinamentos, a segunda geração encarou a missão de assegurar a preparação de uma equipe convergente com os objetivos de longo prazo da FERBASA e apta a respaldar, inabalavelmente, a sustentação de sua cultura, cujo pioneirismo foi reconhecido pelo título de Empresa Cidadã, no final da década de 80. Em meio a essa transição recentemente iniciada, no ano de 2018 a Companhia deu mais um importante passo, quando encerrou o processo de aquisição do parque eólico BW Guirapá, localizado no Sudoeste baiano e com capacidade instalada para gerar 170,2 MW, objetivando garantir o suprimento energético das suas unidades fabris.
Não obstante a primazia aqui devida ao sexagésimo aniversário da FERBASA vale destacar que, ainda durante a sua primeira fase, em meio aos pensamentos voltados aos fornos, minérios e ligas, eis que José Carvalho fez nascer, de seu nobre espírito de gratidão, o projeto da FUNDAÇÃO JOSÉ CARVALHO, no ano de 1975, quando tinha apenas 44 anos de idade. Tal ato, resultante de um desprendimento quase sem
contrastes perversos que, entre outros males, frustram quaisquer expectativas de um futuro digno para as crianças e jovens economicamente menos favorecidos. Com José Carvalho aprendemos a direcionar todos os sentidos para um único horizonte. Dele herdamos a essência de uma cultura somente muito mais tarde percebida por alguns dos expoentes estudiosos como o caminho viável para conciliar os interesses empresariais e sociais. Via de regra, embora e ainda não tenha chegado à compreensão de todos quanto deveriam, suscitando questionamentos ou reflexões distanciadas desse conceito, vale a pena perseverar, haja vista os resultados colhidos ao longo dessa trajetória, seja por meio das atitudes de responsabilidade social com os empregos, sempre preservados até não restar outra alternativa, seja pelos efeitos dos projetos sociais reverberados ano após ano pela FERBASA, os quais, entre diversos outros benefícios, formaram uma leva de excelentes profissionais, parte deles absorvidos pela FERBASA, onde desenvolveram carreiras admiráveis, enquanto muitos outros eram contratados pelo mercado em geral; ou, indiretamente, por intermédio dos projetos desenvolvidos pela FUNDAÇÃO JOSÉ CARVALHO, cujos recursos são integralmente aplicados na educação de cerca de 4.000 crianças e jovens carentes do Nordeste, oferecida de forma gratuita em suas 6 escolas voltadas ao Ensino Básico (fundamental e médio), etapa vista pela Instituição como a mais danosamente atingida pelos longos anos de descaso imposto à educação brasileira.
Com efeito, no Brasil, essa permanece como a mais nefasta das inconsciências, suficiente para aniquilar quaisquer possibilidades reais de progresso da Nação. Por outro lado, é uma batalha que não pode ser vencida pelo imediatismo ou tampouco pela indiferença, pois o estado de ignorância alastrada à maioria, além de desperdiçar os talentos conservados no anonimato, torna minúscula a ascensão cultural dos demais ante a incapacidade de prever que, em vários aspectos, tais mazelas generalizam as suas duras consequências.
Apesar dos enormes entraves ocasionados pela crise mundial de saúde, cujas implicações persistem sem a perspectiva de uma solução capaz de reverter, em definitivo, o quadro decorrente da pandemia, o ano de 2021 começa com os ânimos ligeiramente renovados. É nesse contexto que a FERBASA, com a mesma determinação, segue firme no desafio de perpetuar o seu trabalho e valores, mantendo-se diligente quanto aos seus propósitos e estratégias de constante evolução e respeito aos compromissos assumidos perante todo o seus públicos, de modo que essa história continue sendo ressaltada pela constante multiplicação dos bens e substancial contribuição à construção do bem-estar comum.