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Evolução das Políticas Culturais em contexto global

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Capítulo II POLÍTICAS PÚBLICAS E CULTURA

DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

2.2.1 Evolução das Políticas Culturais em contexto global

Em nível mundial, a iniciativa de se desenvolver políticas voltadas para a área cultural vai ser incentivada ainda no século XX. No final da década de 1960 a UNESCO- Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura lançou a idéia de política cultural, visando fazer com que a cultura fosse reconhecida como um importante

segmento a ser considerado pelos Estados no processo de desenvolvimento. O reforço a esta iniciativa veio posteriormente com a Conferência de Veneza, em 1970, onde o principal objetivo foi encontrar modos de se aumentar os orçamentos dos Estados Nacionais para o segmento. Nesta conferência já se planejava o fomento cultural através da renúncia fiscal do Estado.

Em 1978, realizou-se em Bogotá, a Conferência sobre Políticas Culturais na América e no Caribe. Lá, as principais recomendações abordavam o financiamento da cultura e a criação de fundos nacionais de apoio a essa área, com o objetivo de dividir as responsabilidades entre os setores, público e privado.

A realização da Conferência Mundial sobre Políticas Culturais em 1982 no México, por sua vez, debateu e documentou que os Estados Nacionais deveriam dispor de um determinado percentual de seu orçamento para o financiamento da cultura, e ainda ressaltou que todos deveriam procurar otimizar a participação de outras instituições na composição do capital que se direciona ao investimento em cultura.

Em 1988 teve início a Década da Cultura e do Desenvolvimento que perdurou até 1997, e, que suscitou à realização de eventos destinados a promoção cultural em todo o mundo.

Um pouco antes, por volta de 1980 surgiram os ministérios da cultura em vários países. No Brasil, isso ocorreu em 1985.

Em 2001, a UNESCO apresentou finalmente a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural, texto que foi atualizado em 2005 e aonde podemos ler:

A cultura deve ser considerada o conjunto dos traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e que abarca, ademais as artes e as letras, os modos de vida, as maneiras de viver juntos, os sistemas de valores, as tradições e as crenças (DECLARACIÓN Universal de la UNESCO sobre la Diversidad Cultural, 2005,s/p, tradução nossa)26

.

Nesta mesma Declaração, encontramos outros conceitos que são importantes no presente contexto, e que nos dão a dimensão da importância da elaboração de políticas culturais participativas e democráticas.

26 “La cultura debe ser considerada el conjunto de los rasgos distintivos espirituales y materiales, intelectuales y

afectivos que caracterizan a una sociedad o a um grupo social y que abarca, además de las artes y las letras, los modos de vida, las maneras de vivir juntos, los sistemas de valores, las tradiciones y las creencias”

Artigo 5º - Os direitos culturais, marco propício da diversidade cultural Os direitos culturais são parte integrante dos direitos humanos, que são universais, indissociáveis e interdependentes. O desenvolvimento de uma diversidade criativa exige a plena realização dos direitos culturais, tal com define o artigo 27 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e os artigos 13 e 15 do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Toda pessoa deve, assim, poder expressar-se, criar e difundir suas obras na língua que desejar ( e em particular sua língua materna); toda pessoa tem direito a uma educação e a uma formação de qualidade que respeitem plenamente sua identidade cultural; toda pessoa deve poder participar da vida cultural que eleger e exercer suas próprias práticas culturais, dentro dos limites que impõe o respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais.

Artigo 6º - Por uma diversidade cultural acessível a todos

Ao tempo que se garante a livre circulação das idéias mediante a palavra e a imagem, há de se procurar que todas as culturas possam expressar-se e tornar-se conhecidas. A liberdade de expressão, o pluralismo dos meios de comunicação, o multilingüísmo, a igualdade de acesso às expressões artísticas, ao saber científico e tecnológico – compreendida sua forma eletrônica – e a possibilidade , para todas as culturas, de estar presente nos meios de expressão e difusão, são garantias da diversidade cultural.

Artigo 9º- As políticas culturais, catalisadoras da criatividade

As políticas culturais, ao mesmo tempo que garantem a livre circulação das idéias e das obras, devem criar condições para a produção e a difusão de bens e serviços culturais diversificados, por meio de indústrias culturais que disponham de meios para desenvolver-se nos planos local e mundial. Cada Estado deve, respeitando suas obrigações internacionais, definir sua política cultural e aplicá-la, utilizando os meios de ação que julgue mais adequados, quer por apoios concretos ou por marcos regulatórios apropriados (DECLARACIÓN Universal de la UNESCO sobre la Diversidad Cultural, 2005,s/p, tradução nossa).

Em 2004, aconteceu em Barcelona o “Fórum Universal das Culturas” do qual saiu a Agenda 21 da Cultura, um documento elaborado para orientar a criação de políticas culturais e também para criar mecanismos de avaliação do impacto cultural que as ações realizadas pelas esferas pública e privada vêm provocando na cultura das cidades.27

Em tempo

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Na Catalunya, diferentemente, do que se apura no Brasil, o impacto do evento não foi grande e o mesmo, ao que parece caiu em descrédito pela falta de apoio da classe intelectual e cultural local, conforme nos falou PARÉS i MAICAS em reunião em sua casa em Cadaqués, Costa Brava, em julho de 2009.

A atuação do Estado no âmbito cultural apresenta faces diferentes conforme o país e sua consolidação histórica, política e social. Em todos os países, o ambiente cultural apresenta peculiaridades, logo as políticas não se fazem únicas, mesmo que os modelos ideológicos sejam similares, uma vez que são construídas de acordo com a própria cultura no sentido antropológico, mas também e, sobretudo, de acordo com o tipo de sociedade que se estabeleceu, sendo igualmente importante o processo de acomodação das diversas manifestações na construção de uma identidade multicultural. Há ainda, fatores como a influência da religião e seus valores ou, o nível de miscigenação do povo, e, por último, a consolidação dessas forças no aparelho do Estado, formando a estrutura do poder político, e suas similares estruturas no segmentos econômico e social. Nos próximos capítulos detalharemos a política cultural dos dois países componentes da análise.

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