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EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL

A partir de uma visão econômica clássica, na década de 70, a empresa socialmente responsável era aquela que respondia às expectativas de seus acionistas, atenta, portanto, às expectativas de seus interessados atuais e futuros, na visão mais conservadora de responsabilidade social, limitada à defesa dos interesses apenas dos agentes financiadores diretos da atividade empresarial.

Conceito relativamente antigo, a responsabilidade social remonta sua origem ao século XIX e início do século XX. No início do século XX, o envolvimento das empresas com as ações sociais se resumia ao ato filantrópico. Essas empresas, apesar de serem consideradas “gigantes” para a época, nem de longe podem se comparar as corporações transnacionais que existem no inicio do século XXI, cuja propriedade é diluída pelas bolsas de valores e a sua “nacionalidade” passa a ser apenas simbólica.28

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Os princípios são:

Direitos Humanos: Respeitar e proteger os direitos humanos; impedir violações de direitos humanos.

Direitos Trabalhistas: apoiar a liberdade de associação no trabalho; abolir o trabalho forçado; abolir o trabalho infantil; eliminar a discriminação no ambiente de trabalho; proteção ao Meio Ambiente; apoiar uma abordagem preventiva aos desafios aos desafios ambientais; promover a responsabilidade ambiental; encorajar tecnologias que não agridem o meio ambiente.

Combate à Corrupção:Lutar contra toda forma de corrupção. 25 ROCHA, 2011, p. 74-75.

26 Ibid., p. 76. 27

Ibid., p. 81.

A questão da responsabilidade social das empresas, abordada sob os princípios da caridade e da custódia, associa iniciativa assistencialista e paternalista, pois era considerada tão somente como obrigação dos indivíduos – proprietários e administradores – e não propriamente das empresas.29

A visão contemporânea de Responsabilidade Social caracteriza-se pela implementação de iniciativas que não são impostas pela lei, mas adotadas voluntariamente pelas organizações, como forma de demonstrar seu compromisso com a sociedade. Elas migram de uma postura passiva para uma atitude proativa, buscando comunicar-se com as partes interessadas (stakeholders) e, com isso, abrir novas oportunidades de negócios.30

As mudanças de significado de responsabilidade social e empresarial estão diretamente relacionadas ao grau de amplitude de inclusão e de consideração quanto às suas relações com seus públicos.

Os conceitos de ética e de responsabilidade social só começaram a ser discutidos pela academia no século XX a partir dos anos 50, se popularizando no final dos anos 60 nos EUA e Europa. Na década de 1970 e 1980, o conceito de responsabilidade social corporativa amadureceu cercado de debates sobre o dever das empresas em promover o desenvolvimento social.31

Por um período significativo de tempo, os negócios foram vistos como uma parte de toda a comunidade econômica, com responsabilidade para interagir no sistema com suas próprias regras. Depois, começaram a aceitar responsabilidades de ordem filantrópica, em assuntos não relacionados diretamente com sua função econômica. A partir de então foram-se abrindo para reconhecer o poder e a responsabilidade que a economia tem sobre outros segmentos da vida em sociedade. 32

Na década de 1980, o conceito de responsabilidade social empresarial sofre transformações com o advento da globalização e a retomada da ideologia liberal, o qual reveste de argumentos a favor do mercado.

Nessa acepção do conceito, o mercado é o principal responsável pela regulação e fiscalização das atividades empresarias, impedindo abusos por parte das companhias. Cabe ao consumidor retaliar por meio do boicote ou de protestos os

29 KARKOTLI, Ibid p. 64. O principio da caridade exigia que os membros mais afortunados da sociedade ajudassem os menos afortunados como os desempregados, os inválidos, os doentes e os velhos. Por este princípio, com um pano de fundo paternalista e assistencialista, eram os próprios ricos quem determinavam quanto iriam contribuir. Pelo principio da custódia as empresas e os ricos eram vistos como zeladores da riqueza da sociedade. Era função também das empresas multiplicar a riqueza da sociedade.

30 ROCHA, loc cit, p. 76--77 31

COSTA, loc cit p. 21 32 KARKOTLI. Ibid p. 68

produtos das empresas que não respeitam os direitos dos agentes e que poluam o meio ambiente.33

A ideologia neoliberal, na década de 1990, continuou a conduzir o debate a respeito da responsabilidade social empresarial, o qual originou o conceito desenvolvido pelo World Business Council for Suistainable Developmente, afirmando que faz parte do desenvolvimento sustentável.34

Nesta abordagem, o desenvolvimento sustentável é composto pelas dimensões econômica, ambiental e empresarial. O objetivo é obter crescimento econômico por meio da preservação do meio ambiente e pelo respeito aos anseios dos diversos agentes sociais, contribuindo assim para a melhoria da qualidade de vida da sociedade. Desta forma, as empresas conquistariam o respeito e admiração de consumidores, sociedade, empregados e fornecedores; garantindo a perenidade e sustentabilidade dos negócios no longo prazo.35

A ideia de responsabilidade social, embora não seja nova, ganhou notoriedade com o início da deterioração dos ecossistemas, provocada pela poluição, o que ocasionou vários debates sobre os benefícios e malefícios da sociedade industrial. Parece evidente que as consequências indesejáveis da industrialização aguçaram a consciência ecológica de certos segmentos sociais e motivaram o surgimento de grupos de ativistas que se propuseram a combater o comportamento ecologicamente irresponsável de certas empresas e ramos de negócios, como os madeireiros, os caçadores de baleias, a indústria de pele de animais, as empresas petrolíferas e organizações que trabalham com materiais radioativos, dentre outras.

O princípio da responsabilidade social se baseia na premissa de que as organizações são instituições sociais porque foram socialmente legitimadas. Assim sendo, as empresas são depositárias dos recursos sociais e afetam a qualidade de vida da sociedade; têm, por isso mesmo, a obrigação de agir segundo os interesses da sociedade, devendo prestar contas de suas ações a ela.36

Surge, como resultante da prática dos preceitos da responsabilidade social corporativa, aliado a praticas que repercutiriam junto aos stakeholders, o conceito de responsividade social, onde as empresas deveriam responder as demandas sociais para sobreviver, adaptando o comportamento corporativo as necessidades sociais.

Essas necessidades sociais estão diretamente ligadas ao consumidor, aos poderes públicos, aos acionistas e sócios e aos trabalhadores, isto é aos stakeholders.

33TENÓRIO, 2006, p. 24.

34 Ibid, p. 25. 35

Ibid.

Quanto ao consumidor, é necessário modificar a consciência do empresariado e dos governantes para a realidade social na busca de um desenvolvimento sustentável. Todavia, este processo não será completo se o consumidor, sendo detentor de opção, não optar um padrão de escolhas onde insira na cadeia de suas premências a necessidade de atuação direta e indireta nesta cadeia social que se forma, opinando quando de sua aquisição da empresa fornecedora que possa realmente efetuar diferença na melhoria da qualidade de vida em razão de suas ações sociais, além de atender a seus básicos interesse do momento do consumo.37

Um consumidor socialmente responsável será então aquele que verificará nos produtos ou serviços em vias de serem consumidos, por primeiro as conformidades técnicas e de qualidade,..., para após verificar as relações de regularidade para com o meio ambiente e, finalmente, as relações da empresa ofertante com os programas de responsabilidade social.38

Cabe ainda a empresa no âmbito do campo tributário e ambiental, desenvolver um código de melhorias práticas que obrigue seus executivos e empresários a cumprir e contribua para que outros empresários também façam a sua parte.

Na medida em que o governo se conscientiza da importância de empreender parceiras com as empresas para determinadas finalidades a algum empreendimento especifico que de outra forma ou não seria realizado ou seria custoso por demais à administração pública; na medida em que há o crescimento de uma consciência no sentido de entender os benefícios gerados pelos movimentos empresariais na luta pelas inclusões sociais e redução da pobreza, é possível que a resposta a este avanço social possa vir cada vez mais completa por parte dos poderes públicos.39

A responsabilidade para com os sócios e acionistas compreende um código de melhorias praticas que visa à harmonização dos interesses conflituosos, principalmente com relação aos sócios minoritários. Além disso, não poderá conter neste código quaisquer dispositivos sem que se efetue um planejamento financeiro que contribua para o crescimento sustentável da empresa e recursos destinados aos programas de responsabilidade social.40

A melhoria da condição do trabalho humano, consubstanciado no princípio constitucional da dignidade está entrelaçado com os programas de responsabilidade social, de forma que não é incomum que as empresas no âmbito social desenvolvam melhorias com

37 HUSNI, 2007, p. 135-136. 38 Ibid., p. 136. 39 Ibid., p. 142. 40 Ibid., p. 144.

relação aos seus trabalhadores internos, como participações de resultados e aquisição de participações societárias.41

Uma empresa que possui uma política de cuidados especiais com o meio ambiente, que utiliza produtos reciclados, que abomina o trabalho infantil ou a exploração da pessoa humana, está sendo socialmente responsável.

A partir desta definição, o conceito de responsabilidade social empresarial passa a ser entendido como questão fundamental para a continuidade dos negócios na sociedade. O principal argumento é que, apesar de a atividade empresarial ser privada, a companhia presta um serviço público e ela deve, necessariamente, atender ao interesse público.42

Assim, uma empresa cidadã do mundo é um ideal a ser conquistado, principalmente porque a informação reduziu fronteiras e distâncias, possibilitando a inclusão social e digital a todos que tenham interesse em seguir esta linha de conhecimento.43